Crônico

Doce lembrança

30 Novembro , 2009 · 5 Comentários

Quem acompanha esse espaço sabe que leio um blog chamado PostSecret. A ideia: pessoas mandarem cartões postais com algum segredo pessoal. Simples e bonito. Já faz um bom tempo que acompanho e sempre achei legal como ele, de fato, conseguia ajudar as pessoas. Até que aconteceu comigo.

Perdi meu sogro no dia 8 de novembro. Era como um pai para mim. Claro que, infelizmente, só fui descobrir isso depois de perdê-lo. De sentir uma dor e uma ausência que nunca imaginei ser possível. Perdi meu avô quando tinha 12 anos, mas dessa vez foi diferente. Está sendo diferente. Um pouco desse sentimento escrevi aqui, mas o que mais dói é aquilo que a gente não consegue explicar, só sentir.

Então estava lendo o PostSecret de ontem e me deparei com isso [a tradução é minha]:

—–Email Message and picture—–

Frank,

My father, who I was very close to, passed away when I was 21 very suddenly and unexpectedly. 2 years later I met the man of my dreams and could not imagine getting married without my dad there.

[meu pai, de quem eu era muito próxima, faleceu quando eu tinha 21 anos, de forma inesperada e muito rápida. 2 anos depois conheci o homem dos meus sonhos e não pude me imaginar casando sem que meu pai estivesse lá]

To this day, whenever anyone asks me who walked me down the aisle the true and honest answer is: “My dad did”.

[desde então, toda vez que alguém me pergunta quem entrou na igreja comigo, a resposta verdadeira e mais honesta é: "Meu pai entrou"]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Maybe someone else out there will find this to be a small comfort during the sadness of not having their dad.

[talvez alguém por aí encontre nisso um pequeno conforto, durante a tristeza de não ter seu pai]

—–End Message—–

Não sei o nome dela. Gostaria de saber, para escrever agradecendo-a. Não sei explicar como um pequeno texto desse e a foto trazem conforto a alguém. Não dá pra explicaro como, só dizer que é possível. O fato é que, ao ler isso, chorei junto com ela. Acho que é uma coisa humana, da gente se ‘encontrar’ na miséria e ter compaixão, um do outro, não sei. Também não sei o que é perder um pai, apesar de hoje, infelizmente, conseguir imaginar isso.

Porém, se ela conseguiu ir em frente, compartilhar isso em um blog, de forma tão bonita e singela, acredito que eu consiga, um dia também, olhar para trás e ver que a dor virou uma doce lembrança. Assim espero.

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Mentira

29 Novembro , 2009 · Deixe um comentário

foto: Oscar Segovia

Sábado, 16h. Alô?, Opa, rapaz, beleza?, Tranquilo e você?, Tudo certo… me diz, está fazendo o que?, Nada. Mentira. Quer dizer, as chances de ser mentira são altíssimas. Claro que a intenção da pessoa não é mentir, porém, não se faz ‘nada’, tão simples assim. Principalmente nas grandes cidades. Assistir televisão, varrer a casa, responder emails, ler alguns blogs, ler um livro, assistir um filme, tudo isso [e mais um pouco] virou sinônimo de não fazer nada. Mas há quanto tempo você não faz nada, pra valer?

Sentar em algum canto, na grama, em cima do morro e não pensar em nada. Não se preocupar com nada. Não planejar, não lembrar, não se organizar, não programar, não se angustiar, não projetar nada. Nada. Só estar ali e ponto. A tentativa de não pensar em nada pode ser uma armadilha, como a insônia. Quanto mais se pensa “preciso dormir, preciso dormir, preciso dormir”, menor a probabilidade disso acontecer.

É difícil. Se estamos parados, tentamos ocupar nossa mente com algo. Música, novela ou simplesmente ficar mudando de canal. Acabamos não pensando em nada, mas ocupamos nossa mente com algo. Ela não para. Quando tentamos deixar apenas o corpo em movimento para também não pensar em nada, estamos ocupados com algo, inevitavelmente. Seja caminhando do trabalho para casa, seja correndo no parque ou jogando bola. Não é o tempo que não para. Somos nós.

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Dita von Teese

28 Novembro , 2009 · 1 Comentário

foto: Alisson Louback

Para mim, a Dita von Teese era famosa como a Paris Hilton ou Kim Kardashian: filha de alguém famoso e que acabou fazendo alguma ‘besteira’ [quer dizer, fez besteira ao filmar a 'besteira' e deixou vazar... que besteira]. Enfim, até começarem a comentar sobre a vinda dela — há pouco menos de um mês — e acompanhar o que diziam pelo meu twitter, achei isso.

Depois, vi alguma coisa falando sobre ela dar uma palestra [ou participar de um workshop] sobre moda ou algo assim. Bom, então é uma famosa que fala de roupas, pensei. Mas só fui descobrir que ela fazia um strip vintage, à lá um cabaré, quando meu primo me chamou para fazer assistência de foto com ele e me contou do que se tratava.

Sim, além de um jornalista na família, temos um fotógrafo. Mas minha avó não sabe, então, por favor, não conte para ela, tadinha. Ele foi contratado pela empresa que organizou a festa em que Dita von Teese dançaria e me chamou para ajudá-lo. Era pegar nome dos convidados que fossem clicados por ele. Tranquilo, sem contar comes e bebes à vontade.

Conforme o dia foi passando, vi que a moça em questão era sensação e algumas pessoas imploraram para que eu conseguisse ingresso ou deixasse que fizessem a assistência no meu lugar. Logo, fui esperando uma baita apresentação.

Como era um evento patrocinado por uma marca de bebida e ela estava sendo paga para aparecer e desfilar, entrou pelo carpete dos convidados, posou para o pit de fotógrafos, deu entrevista para o CQC e tudo mais. O decote ia quase no joelho, então é claro que chamava atenção. Agora a gente passa a trilhar uma linha muito tênue. Pois ela não é feia ou algo assim. Dita von Teese só não é tudo isso que dizem, #prontofalei.

Ela é muito bonita. Chama a atenção. Corpão, sabe produzir-se [e produzi-lo]. Claro. Isso é óbvio. Não é do tipo que deixa dúvidas quando se olha alguma foto dela e tal. Mas a questão é que hoje tudo torna-se grandioso e ganha uma proporção exagerada.

Esse é o problema do hype, glamour ou algo do gênero. A mulher já era famosa para mim só por todo mundo querer vê-la e eu sacar que aquilo seria para poucos. Eu nem sabia direito da cara que ela tinha, mas não importa. Ah, detalhe que só descobri que ela era ex do Marilyn Manson quando já estava lá no evento e fizeram alguma piadinha com isso. Enfim, ela me pareceu uma backing vocal do Evanescence [é, ela tem uma pegada meio gótica] e pronto. Um rosto [e corpo] bonito, mas que faz exatamente o que mesmo?

O show. Bem, de cara, sejamos sinceros: durou 8 minutos [ou 480 segundos]. Como um cara disse lá: “Um show desse, no meio de outros em Las Vegas, como ‘mais um’ show, tranquilo. Convence”. Mas era um evento dela, com esse show. Só isso. A produção manda bem e é massa. As luzes, música, figurino e até a atuação dela são legais… mas por 8 minutos, apenas. Pode ser que aquilo tenha sido uma amostra grátis. Se bem que ela entra cheia de plumas, paetê e faz o strip. Mais show só se ela vestisse tudo de volta e fizesse tudo de novo. Certeza que disso o Marilyn Manson não devia reclamar.

A questão é: a apresentação é legal, mas nada que justifique tamanha empolgação por parte das pessoas ao falar dela. É legal, mas bem normal. [Claro, ela é toda mulherão e isso conta muito no fator da galera surtar um pouco, com a guria seminua no palco]. Mas não sei se isso é motivo para tanto barulho. Apenas avaliei o serviço e produto que ela oferece e que, teoricamente, a faz ser famosa. Se dependesse apenas do talento dela, Dita von Teese seria mais uma dançarina de Vegas. Ah é, ela namorou o Marilyn Manson, então não dá pra ser ’só mais uma’.

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Presença

23 Novembro , 2009 · 1 Comentário

É a primeira vez que sonho com você, desde que se foi. Ali, se despedia das pessoas, sabia que estava para partir, mas ninguém ouvia. Era estranho, pois as pessoas te viam, mas não davam atenção nenhuma quando se despedia.

Achei que fosse sonhar contigo antes, logo nos dias seguintes à sua partida. Mas minha mente adora essas pegadinhas. Deixou passar alguns dias, as coisas se acalmarem, a poeira baixar e BAM! sonhei com você.

Acordei querendo te contar o sonho. Acordei ‘esquecendo’ que você, de fato, se foi. Doeu pra cacete, de um jeito que nunca havia sentido antes. A presença de alguém ausente nunca foi tão sólida e etérea ao mesmo tempo.

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texto publicado originalmente no Tumblr coletivo 5minutos, meu e de Pedro Jansen.

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Luke, I’m your writer

23 Novembro , 2009 · 1 Comentário

A ideia inicial de escrever para o Judão era sobre um nerd na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Mas acontece que há duas coisas: 1) eu não sou nerd e 2) não estava a fim de assistir nada da Mostra. Calma, que essa é uma técnica de prender a sua atenção, afirmando duas coisas que podem polemizar. Então vamos lá.

Eu sou nerd, claro. Mas não do jeito que as pessoas estereotiparam os CDFs. Gosto de Lanterna Verde, X-Men, Star Wars e De Volta para o Futuro. Mas também gosto de Wong Kar-Wai, Pearl Jam e Monet. Tenho toda uma teoria sobre o gostar das coisas, sobre colocar as pessoas em categorias pré-determinadas, mas vou te poupar. O fato é que há algum tempo passei a quebrar certos paradigmas e pude tirar proveito de mais coisas. Não jogo RPG e por isso não sou CDF? Gosto do diretor Jean Paul Civeyrac e por isso sou cabeçudo? Sei pelo menos cinco versões diferentes da morte de Thomas e Martha Wayne, por isso sou nerd? Acho o Nirvana sensacional e isso faz de mim um grunge? Que seja. Pode me colocar a tag que quiser. Vou continuar curtindo cada uma dessas coisas, sem precisar defender uma ideologia específica, baseada em coisas tão banais e divertidas como música, HQ e filmes.

Essa foi a primeira vez em três anos que não trabalhei na Mostra ou em algo relacionado a ela. Por isso não queria assistir a nenhum filme da programação. Era muito agito e só queria assistir um filme em paz. O único que assisti foi Bastardos Inglórios. Em 2007, fiz assessoria do evento, ocasião em que ‘conheci’ o Borbs. Até então, só sabia o nome que assinava os textos do Judão. Por isso, o lobby que fiz, para que a equipe desse estimado site ganhasse credenciais, foi justamente por achar que mereciam.

Ouvi algumas chacotas, mas sempre mantive minha opinião. O motivo: leia o parágrafo anterior. Simplesmente segui a lógica: se eu era leitor do Judão e via filmes da Mostra [não só os blockbusters, mas os 'cabeçudos' também], a probabilidade de existir mais pessoas nessa condição era grande. Nesse ano, uma das pessoas que já trabalhou comigo mandou-me um email, com o release da MTV anunciando a parceria com o Judão. O email: “Você tinha razão. Eles venceram”.

‘Eles’ não, cara-pálida. Nós. E não nós, os nerds, apenas. Pegue Rock Band dos Beatles, por exemplo. São dois mundos que ‘colidem’. Repare na ascensão e reconhecimento de filmes como Spider-Man, X-Men e afins. Até as moças que praticam yoga ‘venceram’, já que há jogos específicos para a prática, no Wii. Acho que o caminho da ‘vitória’ segue lado a lado a trajetória do avanço tecnológico nos últimos anos. Quando o mundo deixou de olhar para Bill Gates como estereótipo de nerd e passou a ter Steve Jobs como seu símbolo, começamos a trilhar a vitória. E pelamor, sem essa de entrar na pendenga Microsoft x Apple e defender seu sistema operacional, dizendo que o verdadeiro geek-nerd-CDF usa é Linux. O Bill Gates só tem cara de bobo e a palavra ‘geek’ sempre foi associada a isso, a alguém meio bobo, meio estranho [assim como 'punk', para arruaceiro].

Liberte-se das categorias em que te colocaram. Aceite que alguém ‘nerd’ nunca tenha lido Dark Knight, Watchmen ou Akira. Assista comédias românticas com sua guria, para dar risada e vê-la sorrir. Vá para praia sem iPod [ou celular!]. Viaje para algum lugar que não tenha energia elétrica e aprenda a montar uma barraca. Só não faça algo porque alguém esperou que você fizesse. Que a Força esteja com você.

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Texto publicado originalmente no Judão.

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Calma

18 Novembro , 2009 · 3 Comentários

foto: Oscar Segovia

Acho que estou ficando velho. Não só achei uma boa dica a do meu pai, como coloquei em prática. Interessante que ele está ficando mais novo. Depois de abrir uma conta no MSN e Skype, a nova coqueluche dele é conversar conosco via Gtalk. Minutos antes de sair do trabalho, disse a ele que não iria de carona, mas de metrô mesmo. Para andar um pouco e dar um tempo até chegar em casa. A idéia não era prolongar a chegada por não querer estar em casa, mas meu pai disse uma coisa interessante, sobre a ida do trabalho para casa, a transição, o trajeto e um monte de coisas que esqueci. O fato é que fez sentido e lá fui eu, tentar me desligar do trabalho aos poucos, andando com vagar.

Não costumo andar com pressa, mas diminuí, mesmo assim, o passo. No meio do primeiro quarteirão já queria andar mais rápido. A gente se acostuma a um ritmo e quando muda, não sabe direito como fazer do novo jeito. Forcei-me a dar passos mais lentos e mais curtos. Fui pensando no que havia feito no trabalho, o que tinha para fazer nos outros dias e reparei nas pessoas. Algumas estranharam ver alguém andando de forma tão devagar, em meio a tanta gente andando depressa e carros acelerando até o semáforo vermelho.

O mais difícil foi no Metrô, onde todos correm. Claro que há momentos em que estamos com pressa e precisamos correr. Mas nos acostumamos a estar sempre com pressa. A necessidade de estar nos lugares suprimiu a possibilidade de aproveitarmos as idas e voltas. Como para viver intensamente a vida precisamos estar nas melhores festas, estar com as pessoas mais legais, estar nos restaurantes mais desejados, o processo de ir de um lugar ao outro se tornou apenas um mal necessário. Um incômodo na nossa vida, que não pode ser desperdiçada com coisas banais.

Reconheço que o caos no trânsito de São Paulo [e o transporte público com tantas falhas] ajuda no processo de querermos ficar o menor tempo possível em ‘tráfego’. Quem, em são consciência, curte aquela fumaceira dos caminhões e o altíssimo volume dos motores dos ônibus, motos e buzinas?

Assim como meu pai sugeriu que eu diminuísse o passo, proponho que retomemos os momentos de transição. Andarmos com mais calma para chegar em casa. Nos desligarmos aos poucos das coisas que nos preocupam e que só poderão ser resolvidas daqui 12h ou mais. Darmos ‘bom dia’ e ‘boa tarde’ aos que nos olharem assustados, e validarmos a idéia de que somos loucos, sim, mas que é assim que sobreviveremos. Pessoalmente, preciso lembrar que fazemos sentido também nas passagens e não apenas nos destinos.

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Texto publicado originalmente na coluna Miudezas, da Revista Paradoxo.

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Eu estava sonhando…

13 Novembro , 2009 · 1 Comentário

…longe, com algo bom. A vida parecia fazer sentido e fluir. Um grande rio refrescante, em um dia quente. Aí ela me acordou. Não tinha o que fazer. Eu estava dormindo no vagão e era a última estação. Se ela não me chamasse, é bem provável que eu teria percorrido a linha inteira até a outra ponta, dormindo. Mas assustei. Era a mesma moça que pareceu irritada com minhas pernas e meu tamanho, algumas estações antes e que mudou de banco, jogando a mala quando alcançou o outro lado. No final das contas, gostei que tenha sido ela a me acordar, sorrindo. Renovou a pouca esperança que tinha na humanidade e que achei ter perdido de vez. Obrigado, moça.

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texto publicado originalmente no Tumblr coletivo 5minutos, meu e de Pedro Jansen.

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A ilha

5 Novembro , 2009 · 4 Comentários

Não lembro de qual faculdade de engenharia era e talvez seja melhor não saber mesmo. Já faz mais de um ano que vi o anúncio no jornal mostrando a foto de uma ilha e alguma frases, de sugestões para utilização do local. Isso daria um ótimo estacionamento! Não, acho que um shopping seria o ideal! Vocês não sabem de nada… essa ilha é ideal para construirmos um resort ecológico, sem destruir [muito] a vegetação local e explorarmos esse empreendimento.

Quem me conhece, sabe que sou lento para processar as coisas. Li o anúncio e fiquei pensando que diabos aquela faculdade queria ‘vender’? Para mim, é simples. Construir um resort ecológico é tão ruim quanto construir um shopping ou um mega-estacionamento. Se você já foi à Ilha do Mel ou Ilha Grande, sabe que o grande atrativo desses lugares é justamente a distância da civilização e de todos os aparatos da modernidade. O lugar não é chamado de ‘paradisíaco’ à toa.

De cara, fiquei meio revoltado com um anúncio para potenciais alunos de engenharia que olhem para lugares assim e pensem em empreendimentos. Mas, como diria meu pai, é a lógica do mercado. É assim que as construtoras pensam, logo a Academia oferece aos alunos um pouco do que o mercado exige deles.

Depois da revolta vem a tristeza, ao constatar que nossas ilhas, futuramente, poderão ser todas grandes resorts ecológicos e mega-empreendimentos de gigantescas construtoras. Mas podia ser pior, né? Esses engenheiros poderiam se formar em uma faculdade que não a oferecida no anúncio e construírem um estacionamento ali. Deixar a ilha como está, que é bom, ninguém cogita…

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Texto publicado originalmente na coluna Miudezas, da Revista Paradoxo.

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Wilson Polanski [ou Roman Simonal]

31 Outubro , 2009 · 2 Comentários

A idéia do texto é comparar o caso do Polanski com o do Wilson Simonal.

Veja bem. O diretor renomado Roman Polanski não pode entrar nos EUA pois é acusado de pedofilia. Um caso que ocorreu há uns 30 anos. Mas tem gente dizendo que deveriam pegar leve com o cara, já que ele é um renomado diretor de cinema e que isso foi há muito tempo. A guria, que tinha 13 anos na época, já está com seus 40 e tantos. Houve quem usasse como argumento o fato dela, na época, não ser mais virgem, já ter usado os mesmos entorpecentes que na noite em que teve sexo vaginal [e anal] com o Polanski e que mãe da menina sabia para onde levava a filha. Esse tipo de argumento, para mim, é igual decidir quem vai namorar uma garota só porque disse: “Eu vi primeiro”. Quer dizer que se eu levar meu filho na bocada, pra comprar cocaína e ele já tiver usado, então tudo bem? Pelamor… mas enfim, prossigamos.

Não acho que deva existir dois pesos, duas medidas. Só porque o cara é influente e renomado diretor [e velhinho], então deixa pra lá. Mas já que a sociedade quer agir assim, vamos pegar o caso do Wilson Simonal, por exemplo. Há uma corrente que acusa o cantor ter delatado colegas na Ditadura Militar. Mas há outra corrente que o defende, inclusive o próprio Simonal, que quando morreu, em 2000, ainda tentava provar sua inocência.

Mas não vejo ninguém dizendo: “Poxa, deixa pra lá. O caso foi há tanto tempo… nem vale mais a pena. O cara já tá velhinho e, quer dizer, já morreu e nem vale mais a pena tocar nesse assunto”.

Sinceramente, não sei o motivo. Vai ter gente dizendo que é porque o Simonal é brasileiro e como o Polanski é gringo, passa a ser cool defendê-lo. Não duvido se alguns se levantarem afirmando que isso é puro racismo, já que um é diretor franco-polonês e o outro é a cara do Brasil.

Querem deixar o caso do Polanski pra lá? OK, façam isso. Acharei um absurdo e não concordo. Mas que pelo menos a classe média pseudo-intelectual, defensora do diretor de cinema renomado, seja coerente e pare de encher também o saco da família Simonal.
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UPDATE: nunca fui a favor dos delatores da Ditadura. Quando estudava o período no colégio, passava raiva só de pensar que alguém era capaz de caguetar os colegas. Não defendo o Simonal, assim como não defendo o Polanski. O caso do Simonal é mais complicado, visto que não há um consenso sobre o ato praticado pelo cantor. No entanto, fico mais revoltado ainda em ver uma sociedade incoerente em seus princípios.

o texto da Gabi traduz tudo o que penso.

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A firma

29 Outubro , 2009 · 2 Comentários

Primeiro dia de trabalho é algo sempre complicado. Você não conhece direito as pessoas e o que conversar. Conta sua vida? Mas o quanto se abre? Pior é que nem o básico para sobreviver está ao alcance de suas mãos. “Onde é mesmo que disseram que ficava o café? E água? Não vi ninguém com garrafinha em cima da mesa. Será que vou escandalizar com essa minha, de 1,5L?”

Esses dias fiquei imaginando o primeiro dia do presidente, por exemplo. Digamos o Lula, vai, que é o atual e nunca havia exercido nenhum cargo assim quando chegou ao Planalto Central. Será que ele conseguiu jogar paciência no computador dele? O pessoal do TI chegou a bloquear o Twitter, blog e Youtube [tão essenciais para a sobrevivência quanto o café e a água]?

Acho que o mandato de presidente e afins duram quatro anos pois até conhecer todo o pessoal ‘da firma’, pelo menos um ano se passa. Inicia-se sempre pelos que estarão mais próximos, no dia a dia, até o pessoal que escreve para o presidente e acha que ele sorteia cartas como a Xuxa fazia, em uma pequena montanha de envelopes, jogando tudo para o alto e pegando uma no ar.

Secretários pessoais, assistentes, assessores, vice-presidente, presidente da Câmara e o pessoal que trabalha de verdade na Esplanada.”Senhor, esse é o responsável pela limpeza da sua sala. Esse é o responsável pela limpeza do corredor. Esse é o chefe-adjunto da limpeza do andar. Esse é o secretário-executivo do cafezinho depois do almoço”. Aleluia!, deve ter exclamado vossa excelência em suas primeiras horas como presidente, já desesperado por um pouco de cafeína.

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