Quem acompanha esse espaço sabe que leio um blog chamado PostSecret. A ideia: pessoas mandarem cartões postais com algum segredo pessoal. Simples e bonito. Já faz um bom tempo que acompanho e sempre achei legal como ele, de fato, conseguia ajudar as pessoas. Até que aconteceu comigo.
Perdi meu sogro no dia 8 de novembro. Era como um pai para mim. Claro que, infelizmente, só fui descobrir isso depois de perdê-lo. De sentir uma dor e uma ausência que nunca imaginei ser possível. Perdi meu avô quando tinha 12 anos, mas dessa vez foi diferente. Está sendo diferente. Um pouco desse sentimento escrevi aqui, mas o que mais dói é aquilo que a gente não consegue explicar, só sentir.
Então estava lendo o PostSecret de ontem e me deparei com isso [a tradução é minha]:
—–Email Message and picture—–
Frank,
My father, who I was very close to, passed away when I was 21 very suddenly and unexpectedly. 2 years later I met the man of my dreams and could not imagine getting married without my dad there.
[meu pai, de quem eu era muito próxima, faleceu quando eu tinha 21 anos, de forma inesperada e muito rápida. 2 anos depois conheci o homem dos meus sonhos e não pude me imaginar casando sem que meu pai estivesse lá]
To this day, whenever anyone asks me who walked me down the aisle the true and honest answer is: “My dad did”.
[desde então, toda vez que alguém me pergunta quem entrou na igreja comigo, a resposta verdadeira e mais honesta é: "Meu pai entrou"]
Maybe someone else out there will find this to be a small comfort during the sadness of not having their dad.
[talvez alguém por aí encontre nisso um pequeno conforto, durante a tristeza de não ter seu pai]
—–End Message—–
Não sei o nome dela. Gostaria de saber, para escrever agradecendo-a. Não sei explicar como um pequeno texto desse e a foto trazem conforto a alguém. Não dá pra explicaro como, só dizer que é possível. O fato é que, ao ler isso, chorei junto com ela. Acho que é uma coisa humana, da gente se ‘encontrar’ na miséria e ter compaixão, um do outro, não sei. Também não sei o que é perder um pai, apesar de hoje, infelizmente, conseguir imaginar isso.
Porém, se ela conseguiu ir em frente, compartilhar isso em um blog, de forma tão bonita e singela, acredito que eu consiga, um dia também, olhar para trás e ver que a dor virou uma doce lembrança. Assim espero.




