Fotógrafos de/no Instagram

Alguém sempre vai reclamar, principalmente na internet. Uma recente foi a abertura do Instagram para Androids, mas eu já ouvia reclamações sobre a rede social de fotografias: “É… agora todo mundo é fotógrafo com o Instagram”.

Comecei a reparar que não era nenhum fotógrafo (dos que conheço) reclamando. Por isso, perguntei aos que sigo no Instagram a opinião deles: existe diferença entre fotógrafo de Instagram e fotógrafo que está no Instagram?

Daigo Oliva (@daigooliva)
Mano, eu nem penso nisso… quanto mais as pessoas fotografarem, mais legal. Basicamente é isso.

Alexandre Schneider (@aleschneider)
Acho que fotógrafo de Instagram é o que usa essa ferramenta como câmera fotográfica, exclusivamente. Fotógrafo no Instagram é o que usa a ferramenta como publicador… também reproduz imagens feitas em outros formatos de arquivos.

Acho que, além de fotografar, o Instagram é um grande publicador que pode divulgar seu trabalho.

Nina Jacobi (@ninajacobi)

Falam que qualquer um vira fotógrafo com o Instagram, né? Que bobagem. Isso é dor de cotovelo. As fotos saem bonitas, você aplica um filtro e fica bacana. Mas isso é uma coisa, viver de fotografia é outra!

Luiz Maximiano (@luizmaximiano)

Cara, é tudo fotografia. Só muda a câmera.

Alisson Louback (@alissonlouback)

Do meu ponto de vista a pergunta está errada, porque existem muitos tipos de fotógrafos e cada um interage com a câmera de uma forma. O tempo de cada um também é diferente… um fotógrafo de comida é diferente de um fotojornalista. Quando parei pra pensar na questão fotógrafo com iPhone parei na questão “Que fotógrafo?”

Qualquer um pode ser fotógrafo, mas não depende do Instagram. Qualquer um pode ser fotógrafo, é só ter uma câmera na mão. Isso não começou agora. Acho que na época do Fotolog isso já tinha mudado.

A diferença é a mesma do amador e profissional: uma das diferenças entre eles é que o profissional consegue fazer um bom trabalho mesmo quando não está afim. Tem gente que tem Instagram patrocinado, como um blog, fotolog… e tem gente que fica postando foto do céu de graça.

Uma coisa legal de se pensar é como cada tipo de fotógrafo lida com a camera portátil/iPhone no dia a dia. Um cara que passa o tempo inteiro dentro do estúdio e o cara que está na rua direto.

Não ultrapasse, propriedade privada

No carro, (ela dirigindo, eu de carona), minha mãe me conta que naquele local ali não havia nada disso. Apenas uma pequena rua que saía da Santo Amaro e desembocava perto do leito do rio. Mas isso faz 4 anos apenas, não 40. E é a Gomes de Carvalho, uma das principas vias, hoje, da Vila Olímpia. Não acreditei.

No dia seguinte, esperando o ônibus, reparei em dois prédios ali, que pareciam idênticos, embora fossem claramente diferentes. O concreto parecia o mesmo, o acabamento, a cor, sem contar as tradicionais janelas espelhadas da Vila Olímpia. De repente, eram três os prédios diferentes, mas iguais. Quatro, cinco e meia dúzia, um ao lado do outro, nenhum fazendo parte do mesmo conjunto ou condomínio, mas iguais, como se fossem rapazes de calça social escura, camisa clara, sapato e cabelo penteado, como 90% dos que passam pelas calçadas desses e outros prédios naquela rua e bairro.

Fiquei a fitá-los, os prédios. O motivo era o sol que se punha no horizonte; horizonte que não mais consigo ver direito enquanto em São Paulo. Ainda assim, as cores do sol nesse horário chamam minha atenção tanto quanto um pernilongo em meu ouvido nas noites de calor que têm feito. Um zumbido ensurdecedor são as cores do sol que se põe. O amarelo-laranja-avermelhado deixava os prédios menos tristes e imaginei a falta que o sol sente disso.

Sempre pensamos na necessidade vital que temos — a natureza — do sol. Sentimos a falta dele em nossas peles, nossos ossos se fortalecem com ele, colocamos as plantas para serem regadas por ele, nossos gatos e cachorros causam inveja em nós ao se deitarem e simplesmente se esparramarem por ele. Lembrando que há menos de 5 anos aquilo ali não tinha prédio algum, imagino quantas árvores deixaram de sentir isso, para agora termos apenas algumas mudas mirradas na ilha da avenida que separa as duas mãos da via. Mas e o sol?

Consigo ver a beleza que há no momento, mas não há resposta de quem o recebe (nenhum ser humano, já que estamos cercados; falo mesmo dos edifícios). Já que humanizamos plantas, tomo a liberdade de imaginar que o sol também sente falta, de alguma maneira, que aquele raio que demorou 8 minutos para atravessar o espaço seja simplesmente repelido. Claro, o sentimento é meu. Eu que sinto falta do sol, eu que sinto falta de sentir a pele processando os raios (devidamente protegida, use filtro solar) e transformando em vitamina K, da cenoura ingerida no café da manhã fazendo mágica em minha melanina. Sol. Só.

Diferente do que faria minha fotossíntese torpe, o concreto padrão dos prédios repele a luz do fim do dia. O melhor concreto de todos, inclusive, é o que não retém calor, para não danificar o poderoso sistema de ar condicionado de cada um dos edifícios. As janelas espelhadas não são uma tendência arquitetônica. São avisos de que aquela luz não é bem-vinda, que ela atrapalha, que seria melhor a vida na Vila Olímpia sem ela. “Não ultrapasse, propriedade privada”.

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foto: Daigo Oliva 

Casar é bom e a gente gosta

O convite que a Apple enviou para a imprensa, chamando-a para o lançamento do novo iPhone, era um primor. Apenas uma imagem com quatro dos principais ícones do celular mais desejado dos últimos anos: o app do iCalendar possuía o número 4 (de outubro, data do lançamento); o ícone do relógio apontava 10h (horário da coletiva); o símbolo do GoogleMaps, a localização da sede da Apple e o ícone do telefone com o número 1, indicando que havia algo novo ali. Mesmo com a saída de Steve Jobs, parece que a máxima da empresa continua sendo: “Se é pra fazer, que faça direito”.

Acredito nisso: se a gente for fazer algo, que seja bem feito. Que a gente, ao menos, tente. Casar (ou ficar casado) é uma dessas. Na maioria das vezes, vejo amigos que simplesmente ficaram de saco cheio de ouvir a namorada dizer que estava cansada de ser enrolada e “Não teve jeito, né?”. Meu velho, sempre tem.

Já li alguns artigos sobre não sabermos lidar direito com a pós-modernidade. Tudo etéreo demais, sabe? E reconheço: é cada vez mais difícil manter-se em algo tão concreto quanto um casamento. Mas vou te dizer, é bom, viu? (E vale a pena). Não acho que seja para todos, mas acredito que muitos perdem a oportunidade de partilhar algo massa com alguém por falta de hombridade ou preguiça do “Se for fazer, que seja bem feito”.

Outro dia, um amigo mais novo, que namora já há uns quatro anos, me perguntou: “Casar é difícil, né?”. Não, meu caro. Casar é fácil. Difícil é ficar casado. Postei isso no Facebook e recebi comentários do tipo: “Não acho que ficar casado é difícil, é muito gostoso!” (e escrevi sobre isso).

Claro que é gostoso. É incrível. Eu, pelo menos, acho sensacional a ideia de compartilhar minha vida com alguém. Alguém que não tem a obrigação de me fazer feliz, nem o contrário, mas alguém que quero partilhar da minha felicidade e de quem já sou. Ter alguém, diferente de você, para te ajudar a crescer, pensar coisas diferentes, novas visões, novos sonhos. É uma das experiências mais sensacionais que tenho vivido nos últimos tempos. Mas é difícil, cacete.

Assim como andar de skate. Tenho um long e, vez ou outra, me arrisco em calçadões, ruas pouco movimentadas, parques e ladeiras. A descida é uma delícia que só. Mas a gente cai. Se rala, estraga o ombro, abre um rombo no joelho. E, mesmo quando tudo vai bem, ao final da descida é preciso colocar aquele trambolho debaixo do braço e subir a ladeira novamente (e sem analogias com sua esposa ser o trambolho, pelamor, hein).

Mas não queremos ralar o joelho. Não queremos encarar a ladeira. Temos medo, inclusive, de descê-la. E, assim, acabamos nos enroscando em outros relacionamentos, já que o nosso não é uma eterna descida de skate. Escondemos essas passeadas por outras ciclovias (digamos assim), para que o nosso calçadão, lá em casa, continue achando que está tudo bem. Mas não está. O acordo não era esse, mesmo que você não goste do acordo.

Antes de casar, falta a convicção. Depois, falta a coragem de manter-se nele ou de jogar a honestidade. Seja de assumir que você gosta mais de bicicleta do que de skate, seja para dizer que você não quer escolher nenhum dos dois, apenas ter delírios de jogar futebol. Mas são escolhas, e não dá pra ter tudo. Escolher casar é escolher abrir mão de muitas outras coisas. Escolhi isso, e escolhi fazer bem feito. (Pelo menos é o que tento).

Na linha branca


É ali que as sirenes silenciam. Acho que nunca tinha visto isso, sem que a viatura (fosse da polícia ou uma ambulância) chegasse ao local do atendimento. Ali não. Elas silenciam pois voltaram, não porque chegaram. Sei que voltaram, mas não sei como estão as pessoas dentro daquela gigante caixa branca sobre rodas, cheia de aparelhos eletrônicos por dentro, para manter o paciente vivo até que os médicos tomem conta.

Foi ali que um querido conhecido também silenciou. Um dia simplesmente seu coração não cantou mais e o silêncio dele fez coro com o silêncio das ambulâncias que chegam ao complexo do Hospital das Clínicas. Passo por ali diariamente. Descobri que é mais rápido do que o caminho que fazia, ganho quase 10 minutos. Tenho conhecidos que não gostam do trajeto, justamente por considerarem triste demais. E estão com razão, principalmente os que também perderam alguém ali. Não há como (nem porquê) contrariá-los.

Ao caminhar hoje cedo por aquela rua, percebi que essa perda me fez mais sensível ao sofrimento do próximo, ainda que eu seja menos impactado. Antigamente, ficaria muito mais incomodado, quase que querendo fugir daquele cenário. Hoje consigo transitar sem me surpreender – talvez a palavra seja essa. Sou impactado, fico triste, mas não me surpreendo.

Porém, ao final da rua, percebo ambulâncias que saem para a Rebouças, ligando suas sirenes, abrindo caminho em meio ao trânsito de São Paulo, para chegar o mais rápido possível a seus destinos. O ligar das sirenes é o nascimento também de uma esperança, de trazer vida a quem está prestes a perdê-la, até mesmo de entregar de volta, a quem possa ter perdido e eles poderem dá-la de volta, uma nova chance.

Um amigo tornou-se pai, recentemente. Todo o pré-natal de sua esposa foi feito ali, no complexo do HC, bem como o nascimento da pequena que nasceu saudável, ainda que tenha passado por uma gravidez um tanto quanto delicada. Graças ao cuidado do hospital, o parto foi absolutamente tranquilo e uma nova vida nasceu.

Não há privilégios ou distinção. Assim como as sirenes que, ali, são ligadas ou silenciam-se, vidas partem e vidas nascem. O problema é quando paramos de reparar nas sirenes e deixamos de ouvi-las. Abra os olhos e ouça a canção que elas tocam. É caótica, às vezes parece fora de ritmo e sem melodia, mas é possível compormos algo. Se tivermos sorte, conseguiremos tocá-la para alguém ouvir.

Você já ouviu sirenes hoje?

Feriado de quarta-feira

Claro que podia ser melhor. Poderia ser na quinta ou sexta, para emendar. E estou longe de ser o porta-voz do “Jogo do Contente”, da mala da Pollyanna. (Pra quem não conhece, ele consiste em ter um ponto de vista positivo para tudo na sua vida. A Pollyanna, por exemplo, espera ganhar uma boneca de Natal, mas recebe um par de muletas. O raciocínio do pai, com quem ela aprendeu? “Veja pelo lado bom… você não precisa delas!”).

Então um feriado na quarta-feira é melhor que nenhum, mas não é esse o motivo d’eu gostar tanto dele. É pela concretização de uma utopia. Todo mundo que trabalha acha que o final de semana poderia ter um dia a mais. Acho bem difícil isso mudar, deixando-nos em casa três dias seguidos. Claro que quarta-feira deixar de ser dia útil também, mas é o gostinho que tenho de, por um dia, viver como se aquilo fosse verdade.

Veja bem, você começa a segunda reclamando da semana que começa, na terça ainda tem aquele gosto rançoso da segunda e quando você menos percebe, opa!, já é quarta, feriado. Dá pra marcar um happy hour mais longo na terça e no dia seguinte, apenas curtir a morgação. Ficar de boréstia no pós-almoço, dar uma volta, ver um filme, tomar uma cerveja com os amigos e ir dormir cedo. O dia até termina com aquela sensação triste de fim de domingo (que dizem existir, eu não tenho, mas você precisa se identificar com o texto pra continuar lendo).

Você dorme e POW, é segundops, não, é quinta! Que maravilha, amanhã já é sexta. São tantas as possibilidade de emoções, por termos apenas um dia de descanso no meio da semana, que não tem como não ser divertido. Como disse, é claro que feriado prolongado nos dá uma chance de viajarmos pra mais longe, sem bate-volta, descansar mais dias e tal, mas pô, é um feriado, sabe? A gente tem tanta emenda, é só mais uma semana qualquer… só que não, não é uma semana qualquer, justamente por ter um diazinho ali no meio dando sopa.

Sem contar que a gente reclama demais, né? Me peguei irritado pelo modo como minha mãe estava folheando um livro meu e como aquilo foi desnecessário. Claro, gosto de ter cuidado com as minhas coisas, para que durem, mas cara… É só um livro, saca?

É só um feriado… e a gente reclamando. Desvirtuei um pouco do assunto e, já que não sei mais como encerrar esse texto, deixo um vídeo muito bom, sobre como tudo é maravilhoso e ninguém está feliz (em inglês).

O melhor ainda estava por vir

Nosso primeiro jogo ‘bagaceira’ foi um Grêmio Barueri x Bragantino, na Arena Barueri, quando o time ainda era dessa cidade, antes de ir pra Presidente Prudente e, recentemente, voltar para o mesmo local de antes. Era uma partida da Série B do Brasileirão e, hoje, vejo que nada teve de bagaceira. O melhor ainda estava por vir.

Tudo começou quando eu era estagiário na Prefeitura de São Paulo e escrevia no Diário Oficial. Tinha uma coluna sobre pontos de referência na cidade e um dos lugares escolhidos foi a rua Javari. Hoje, mais velho, percebo que falei pouco da rua em si, e mais do estádio que ali se encontra: o Conde Rodolfo Crespi, o estádio do Juventus, que me apaixonou. Prometi a mim mesmo que voltaria ali um dia, para ver um jogo.

Sou corinthiano de nascença (faço aniversário no mesmo dia que o Timão), mas tenho um irmão palmeirense. Gostamos muito de ver futebol juntos, ainda que ele tenha dormido na final da Copa do Mundo (não o culpo, mas pô, era a final da Copa).

Depois de ir a um jogo da segundona, decidimos que estávamos preparados para a Copa Paulista. Foi contra o Votoraty (não, não é aquela empresa), e valia classificação, que o Juve deixou passar. Foi a primeira vez que um bandeirinha de fato me ouviu xingá-lo, bem como a mãe dele e esposa (na hora, supus que ele tivesse uma). Se bobear, até os cuspes que voaram enquanto eu gritava, ele sentiu na nuca.

Depois de ver um empate de 3 x 3 contra o Audax (ex-Pão de Açúcar, agora sim a empresa), voltamos no dia 24 de setembro, achando que seria o último jogo do Moleque Travesso da Mooca, ocasião contra o Taboão da Serra. A classificação para as oitavas-de-final parecia impossível, mas fomos prestigiar. Meu irmão, que já foi mais vezes à Javari, não acreditava. O Juve não tinha se portado assim em nenhuma outra partida, com jogadas armadas, toques pensados e até, quem diria!, uma estratégia. Ganhamos de 4 x 2 e nos classificamos com uma rodada de antecedência, já que o São Bernardo e Grêmio Osasco haviam perdido na rodada.

O fato é que já estou assim, falando em “ganhamos”, “nos classificamos” e conjugando os verbos na 1ª pessoa do plural. A maioria do jogos são tão feios que a gente só dá risada, nem passa raiva. É a torcida mais divertida que já vi na vida. Os jogos acontecem às 15h de sábado, horário perfeito pós-almoço, para comer um canolli do seu João de sobremesa e dar risada com a torcida mais grená do Brasil, com a maioria entre 20 e 40 anos. Um perfeito rolê, seja com amigos da cervejinha ou com a guria que tem medo de estádio.

A próxima meta minha e do meu irmão? Nos tornamos dirigentes do Juventus, só para bancarmos um clube que nos fez voltar a ter gosto de ir ao estádio e torcer para um time só pela diversão disso, esquecendo brigas em arquibancadas, medo da polícia ou passando raiva com conchavos, cartolas e emissoras, que não pensam no entretenimento ou no torcedor.

Como bom corinthiano, ainda sofro com as jogadas terríveis, mas o descarrego é mais eficiente, já que nossos gritos são ouvidos pelos jogadores. No último, por exemplo, escolhi o camisa 5 do Taboão para encher o saco. No intervalo do 1º tempo, ao sair de campo, ele ficou olhando para mim (já havia gritado muito com ele) e sei (vi, na verdade) que ouviu os berros: “Hoje você não joga mais, nem volta do vestiário, hein!” Ele voltou, mas desestabilizado. Só a Javari poderia proporcionar isso a mim. Viva o Moleque Travesso da Mooca.

Vem, setembro

Falta pouco mais de 1h para acabar agosto. Se a cada ano que passa os meses parecem voar mais rápido, agosto dá a impressão de acumular todas essas horas e dias que sobram para si, como um buraco negro dos meses.

Outro dia comentei que o ano é dividido em 3 partes iguais: 1º semestre, 2º semestre e agosto. Não sei o que dizem astrônomos, astrólogos ou os maias, sobre o 8º mês do calendário romano, mas ele parece ser mesmo do avesso, para boa parte das pessoas que converso.

Uma olhada rápida ao calendário traz a resposta aos mais céticos: foram 5 semanas dessa vez. É tudo verdade, mas nada convence.

Se já é caótico no geral, ainda sofro ao dizerem que é nesse período meu inferno astral, exista ele ou não, acreditemos nele ou não. Estou quase como os das bruxas, que não acreditam, pero que las hay, hay.

O final do dia, com seus 13ºC, não permitiu celebrações por este mês que se finda. Jogou grande parte da cidade para dentro de casa, para seus sofás, Jornal Nacional e um jogo na TV aberta. O máximo, para muitos, foi torcer para que seus calendários não marcassem novamente “01/08″ quando acordassem.

Porém, logo após o último segundo de agosto vem o primeiro segundo do dia que nasci. Gosto de pensar que é um tapa na cara, de mão aberta, nesse mês desgraçado, provando que o dia 1º do mês seguinte a agosto é mais forte que todos seus 31 longos dias.

A sensação é a mesma da brincadeira de soltar todo o ar debaixo d’água e, por um instante, aquele segundo, parecer que vamos desmaiar.

Mas nossas pernas empurram o azulejo no fundo da piscina e, ainda no ar pelo salto que demos, puxamos todo o oxigênio possível, como se estivéssemos nascendo pela primeira vez. Nascendo pela 28º vez, como se fosse a primeira. Que seja.

Vem, setembro. Vem.