Não lembro de qual faculdade de engenharia era e talvez seja melhor não saber mesmo. Já faz mais de um ano que vi o anúncio no jornal mostrando a foto de uma ilha e alguma frases, de sugestões para utilização do local. Isso daria um ótimo estacionamento! Não, acho que um shopping seria o ideal! Vocês não sabem de nada… essa ilha é ideal para construirmos um resort ecológico, sem destruir [muito] a vegetação local e explorarmos esse empreendimento.
Quem me conhece, sabe que sou lento para processar as coisas. Li o anúncio e fiquei pensando que diabos aquela faculdade queria ‘vender’? Para mim, é simples. Construir um resort ecológico é tão ruim quanto construir um shopping ou um mega-estacionamento. Se você já foi à Ilha do Mel ou Ilha Grande, sabe que o grande atrativo desses lugares é justamente a distância da civilização e de todos os aparatos da modernidade. O lugar não é chamado de ‘paradisíaco’ à toa.
De cara, fiquei meio revoltado com um anúncio para potenciais alunos de engenharia que olhem para lugares assim e pensem em empreendimentos. Mas, como diria meu pai, é a lógica do mercado. É assim que as construtoras pensam, logo a Academia oferece aos alunos um pouco do que o mercado exige deles.
Depois da revolta vem a tristeza, ao constatar que nossas ilhas, futuramente, poderão ser todas grandes resorts ecológicos e mega-empreendimentos de gigantescas construtoras. Mas podia ser pior, né? Esses engenheiros poderiam se formar em uma faculdade que não a oferecida no anúncio e construírem um estacionamento ali. Deixar a ilha como está, que é bom, ninguém cogita…
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Texto publicado originalmente na coluna Miudezas, da Revista Paradoxo.
