Crônico

Sidra

3 Julho , 2009 · 1 Comentário

- Cara, no brinde perguntaram pra ela “Você prefere vinho branco ou vinho tinto?”. Ela: “Gosto de vinho branco, vinho tinto, de pêssego, maçã… tem?”. Sidra, mermão! A garota tava pedindo Sidra!!
- Mas cara, era o casamento dela, né…
- Velho, nem no próprio casamento se pede Sidra!!

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Mania de explicar…

22 Junho , 2009 · 1 Comentário

…já sei que tenho, então vamos lá. O texto sobre as assessorias foi um desabafo. Ainda concordo com o que disse ali, mas talvez não tenha me expressado muito bem. Quando disse que o assessor não precisava ser jornalista, bastando apenas ser vendedor, não foi desmerecendo a classe [da qual faço parte]. Já fui assessor e já resolvi meus ‘fanstamas’ com assessoria. A questão é: para executar as coisas que o cliente pede, o assessor não precisaria ser jornalista. É isso. O cliente não vê o assessor como jornalista, mas como alguém com ‘poder’ [sei lá se de Greyskull ou da onde seria] para fazer com que o repórter do jornal fale bem dele. É uma ironia extremada, pois é lógico que o assessor deve ser jornalista. Só o cliente não parece entender isso.

Dito isso, entro em outra questão, mas que faz parte. Tenho amigos jornalistas [assessores e repórteres] e amigos fotógrafos [de assessorias, de estúdio e da imprensa]. Já fiz assessoria de cinema, ou seja, muita gente querendo foto das celebridades. Por isso, já tive que barrar muito fotógrafo e muito jornalista. Alguns deles ficaram de birra comigo e me tratam mal até hoje. Os mais inteligentes sacaram que eu só estava fazendo meu trabalho. Seria lindo o mundo em que quem escolhe se o Gael Garcia Bernal deve ser fotografado ou não fosse eu. Sério, quem acha que eu tenho esse poder [de Greyskull ou sei lá da onde], vive em um mundo à parte. Estou cumprindo ordens. Sou um executor de tarefas ali. Assim como ele. Alguém me disse “Gael não será fotografado por paparazzi” e alguém disse pro fotógrafo “Você precisa de uma foto do Gael”. Com conversa, a gente pode armar um esquema onde o Gael posa para todos os fotógrafos e todo mundo sai feliz. Ou não. Mas depende da disposição da galera.

O que quero dizer é: o mundo dá voltas. Já fui assessor e hoje não sou mais. Ninguém me garante que um dia eu não volte a ser. Mas fotógrafo/jornalista que fica de rixa com assessor e assessor que fica de rixa com jornalista/fotógrafo não dura muito. Se durar, são as costas quentes que garantem. Mas um dia, elas também podem esfriar.

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Rayfay

18 Junho , 2009 · 1 Comentário

Eram 10h da manhã. Pedi um pão na chapa e uma média. Em casa não tinha mais nada pra comer, então fui para o trabalho de barriga vazia. Na Dr. Arnaldo tem um boteco/bar/lanchonete que conta com uma frequência elevada de pedreiros. Na rua de trás estão construindo dois prédios, então é o preferido deles. O cara pegou a metade do pão e jogou na chapa, sem passar manteiga ou margarina. Pensei que fosse fazer isso depois, mas me entregou direto da chapa. Olhei o pão e aquele amarelinho de manteiga. A primeira coisa que pensei: “Rapaz, essa chapa tá engordurada mesmo… nem precisa mais passar a manteiga!”. Depois, percebi que o chapeiro deixa todos os pães já cortadinhos e com a quantidade devida de manteiga na canoa. Menos mal.

Se você já trabalhou em alguma obra ou fábrica, sabe que o almoço sai cedo. No meu caso, foi uma fábrica. Entrava 7h30, mas meus amigos do ‘chão da fábrica’ entravam 6h. Ou seja, 10h eles já estavam almoçando. A gente sempre acha cedo, mas pense em alguém que entra às 9h no trabalho. Às 13h, no máximo, estará com fome suficiente para almoçar. O mesmo para eles: nada mais justo que almoçar 4h depois de ter entrado.

Mesmo assim, quando os caras do meu lado no balcão pediram uma porção de torresmo, me embrulhou o estômago. Sorte que a média era boa e dei um gole com o pão molhado. O torresmo que o chapeiro pegou era do tamanho da palma da minha mão que, aberta, tem quase 25cm. Cortou em vários pedacinhos [o torresmo] e serviu. Dois segundos depois, vejo o garçom passar uma Skol para um cara. Garrafa de 600ml, 10h da manhã. OK, já não era mais 10h. O relógio marcava 10h10, como nas propagandas. Olhei as garrafas dispostas no alto do bar e me chamou a atenção um Johnnie Walker Black Label lacrada. O menu na parede dizia “Wiski – R$ 8”. Não sei se era o Black Label, mas um dia eu arrisco.

Mas o que demorei a entender era a bebida identificada como “Rayfay”. Reifei? Não. Hi-fi, meu amigo, aquela mistura de suco de laranja com vodca. Ou Fanta com cachaça, que sai mais barato. Acredito piamente que você só se torna um ser humano completo quando já passou por bares/botecos/lanchonetes assim. É como diz o Gui, meu irmão: “Brasileiro que não come PF [prato feito] é igual a francês que toma banho”. Existem, mas não são dignos da nacionalidade que carregam.

ps. Antes que me acusem de discriminação racial com franceses, o Gui tem um amigo francês, que confirmou a teoria mundial com relação aos hábitos de higiene de seu povo.

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Sobre jornalismo e afins

18 Junho , 2009 · 2 Comentários

Tinha uma baita texto preparado sobre jornalismo, diploma, assessorias e afins. Obviamente era mais do mesmo, então só duas considerações a fazer:

1 – No meu texto sobre assessorias a minha crítica é ao modus operandi delas e não às assessorias em si. Critico o assessor ter que mendigar para o jornalista publicar algo que o cliente pediu e critico o muro que se levanta em torno do cliente quando ele faz alguma cagada e quer se ‘proteger’ dos jornalistas.

2 – Posto isso, ia falar sobre a história de não ser mais obrigatório ter diploma em Comunicação Social/Jornalismo para exercer a função de jornalista. Vou resumir: pegue dois exemplos. Um deles, Clóvis Rossi [colunista e repórter da Folha de S.Paulo], excelente jornalista. Se ele tem diploma ou não, não faz diferença. Ele é bom no que faz e faz bem feito.

Agora pegue Galvão Bueno. Não sei se pra ser narrador é obrigatório ter o DRT [registro para profissionais de rádio e TV poderem trabalhar], mas também não faz diferença se o Galvão tem o DRT ou não. Ele é ruim no que faz. É tendencioso, mais opina do que informa, é teimoso e quando alia sua ignorância – como em questões físicas – a tudo isso, dá-me vergonha alheia. Exemplifico com esse vídeo. Outro exemplo é dele, no jogo de hoje de Brasil x EUA, questionar o motivo da Fifa indicar que o primeiro gol do Brasil foi aos 7 minutos, quando, na verdade, foi feito aos 6 minutos e 20 segundos. Basta assistir a um jogo do campeonato europeu e saberá que é assim que marcam.

Ou seja, com ou sem diploma, o cabra tem que ser bom. De resto, desde a minha época de faculdade acreditava que o curso deveria ser técnico de dois anos. Aprender a mexer com rádio e TV, estudar umas matérias como Teorias da Comunicação, História do Jornalismo e Semiótica. Depois, fazer mais dois anos do que desse na telha, como Cinema, História da Arte, Filosofia, Geografia, Ciências Políticas e/ou Sociais… e ser feliz.

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Bom dia São Paulo

17 Junho , 2009 · 1 Comentário

De segunda, quarta e sexta tenho acordado entre 6h30 e 7h. Eu e dois amigos decidimos correr no Villa-Lobos, pela manhã. Por isso, sempre pego pelo menos uns 5 – 10 minutos do Bom Dia São Paulo. Uma notícia de hoje, em específico, me chamou a atenção.

Segundo o Bom Dia São Paulo, um publicitário foi preso por se passar por Desembargador. Até aí, estamos no Brasil… nada que nos supreenda. Mas o intrigante é como ele foi denunciado. Carlos Nazam Aprahamian, o falso Desembargador, conheceu a dona de um bar no Bom Retiro e ofereceu um emprego, concursado, mas com as inscrições já fechadas. Nada que uns R$ 7 mil não resolvessem. O filho da dona do bar, um engenheiro de 44 anos, chegou dar R$ 4,8 mil para o cara, que havia prometido uma vaga com salário inicial de R$ 12 mil. A namorada do engenheiro, que é advogada, fez uma pesquisa na internet e viu que o nome do ‘Desembargador’ não existia. Denunciaram o falsário e ele foi preso, antes de pagarem mais R$ 1,2 mil

Agora pergunto: o cara que tentou comprar a vaga de assessor na Justiça do Trabalho, não acontece nada com ele? Liguei para um amigo que faz Direito e que confio plenamente [tanto que temos um acordo de que ele será o advogado da família quando se formar] e perguntei sobre isso. Ele me explicou que o cara que tentou comprar não pode ser preso porque o publicitário não era Desembargador. Exemplo: digamos que você esteja na Dutra e eu te pare, alegando que está acima da velocidade. Ao tentar te passar uma multa, você me suborna e eu deixo passar. Depois, descobre que eu não sou da Polícia Rodoviária Federal, me denuncia e sou preso. Você não sofre nada porque, na verdade, você não me subornou. Só deu uma grana para um cara que alegava ser policial.

Segundo meu amigo, existe uma doutrina (corrente de pensamento) jurídica sobre a teoria do crime impossível, 99,9 dízima % aceita, prevista também no Código Penal (art. 17), que diz: “Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime.”

Ainda acrescenta: “Infelizmente (ou felizmente), não podemos julgar o caráter das pessoas, só seus atos, de acordo com a Lei. Mas é o que eu digo: Justiça e Direito são dois conceitos bem diferentes e distantes!”

Não sei se me consola o cara ter perdido a grana. Não acredito que ele vá deixar para lá essa prática ilegal, ou outras que cometa. Sou absolutamente contra suborno. Prefiro levar uma multa de R$ 2 mil do que dar R$ 50 para um guarda. Prefiro mesmo ser preso a ter que azeitar essa engrenagem brasileira que já não se sabe onde estão os criminosos e onde estão os cumpridores da lei.

Encerro com uma frase que meu amigo me passou, considerando esse o maior jurista do país [e um dos maiores do mundo]:

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.” – Rui Barbosa

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Legenda:

Art. 17 – Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime.

Art. 307 – Atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identidade para obter vantagem, em proveito próprio ou alheio, ou para causar dano a outrem:

Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa, se o fato não constitui elemento de crime mais grave.

Art. 317 – Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem:

Pena – reclusão, de 1 (um) a 8 (oito) anos, e multa.

Art. 327 – Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.

Art. 333 – Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício:

Pena – reclusão, de 1 (um) ano a 8 (oito) anos, e multa.

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16 de junho

16 Junho , 2009 · Deixe um comentário

Para ler ouvindo Moonlight Serenade – Glenn Miller

Ermelindo e Laura têm 57 anos de casados. Há três meses ele pediu para a filha: “Olha, sua mãe já tem Alzheimer e o Parkinson já está avançado comigo. Preciso que você faça um favor. No dia 16 de junho nós fazemos aniversário de casamento. Eu posso perder a memória, mas enquanto viver, vou lembrar da nossa data.”

A filha tinha outros compromissos, mas cancelou-os. “Não posso deixar”. O marido dela até tentou uma saída técnica: “Mas podemos fazer isso amanhã, eles nem vão saber a diferença.” Não, não podemos… tem que ser hoje, ela afirmou.

Ela me disse que, de alguma forma, a data deve ter passado pela cabeça da mãe. No tradicional sacolão aos sábados, Laura sempre pede para filha comprar um vaso de flores. No último, pediu uma dúzia de rosas, sem motivo aparente. A filha acredita que a mãe lembrou sim, do jeito que o Alzheimer permite.

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Ambiguidade é meu nome do meio

10 Junho , 2009 · 2 Comentários

Outro dia vi o trecho de um filme em que o casal tem pouco tempo junto. Se reencontram 10 anos após terem se conhecido e nunca mais se visto. Durante as perguntas do tipo “E aí, tem trabalhado aonde?”, a personagem feminina diz: “OK, se hoje fosse seu último dia de vida, o que você gostaria de me contar, pra valer?”

Se hoje fosse seu último dia de vida, o que você conversaria/perguntaria às pessoas? Principalmente àquelas que você não vê com tanta frequência e acaba gastando quase meia hora só com essas perguntas básicas. Fiquei pensando que de vez em quando não quero falar muito sobre aonde estou trabalhando ou sobre a última matéria que escrevi. Não porque isso não seja importante, mas porque parece haver ‘no ar’ outras coisas mais importantes, necessárias ou urgentes a serem ditas. E se você está lendo esse texto, já deve ser grandinho o suficiente para saber que não estou fazendo apologia ao falar só essas coisas importantíssimas, mas refletindo que faltam momentos assim. De falar menos e de falar mais.

Se você espera um texto com começo, meio e um fim que inclui uma moral ou um aprendizado, pode largar aqui. Há dias já que aquela cena está na minha cabeça e hoje peguei a Trip de maio para ler durante o almoço. O que isso tem a ver? Muito. Ando um pouco cansado dessa publicação. Na verdade, desculpem os colegas da Trip, a culpa não é de vocês, da editora ou das pautas. Aquela história: o problema sou eu, se algum problema há. Acho. Ando cansado da maioria das publicações. Seja revista, jornal, site, rádio, TV, Twitter e até meu blog e minha coluna de crônicas. Sentimento de ‘mais do mesmo’, sabe? Especialistas e néscios discutindo a crise mundial, a pendenga da USP, aquecimento global, o 3º mandato do Lula, o avião que caiu e tanta coisa que inunda nossa cabeça que fica difícil organizar o pensamento. Na faculdade de jornalismo a gente estuda esse fenômeno, o da inundação de informação e, por consequência, a não-assimilação de boa parte delas.

O que gostei nessa edição da Trip foi a única matéria que conseguiu reter minha atenção por mais de 10 segundos sem que eu virasse a página: a entrevista que Bruno Torturra Nogueira fez com John Perry Barlow. Difícil explicar quem é o cara [o Barlow, não o Bruno] sem que você não entenda nada e canse de ler esse parágrafo. Sugiro que dê uma lida na Wikipedia, sobre ele. Está em inglês. O ideal é que leia a entrevista toda.

Enfim, o JP Barlow é um daqueles caras que você não entrevista, você troca idéia. Dane-se a pauta e o que você pensou. É bem mais divertido o que ele quer falar do que o que você quer perguntar. E a entrevista envereda por algo meio ‘gonzo’ [do Hunter S. Thompson, não o Muppet] em que o jornalista se mistura à pauta, vivencia o entrevistado e viaja junto. Bruno faz isso de forma simples e sincera. Mas aí eu lembrei do meu porre com as revistonas e jornalões [gíria de jornalista para falar sobre a grande mídia]. Todo esse pensamento me fez descreditar [existe isso?] a entrevista do Bruno. Mais uma vez: não por culpa dele, mas por conhecer, ainda que pouco, os mecanismos de comunicação e publicação. Depois, pensei: Dane-se. Gostei e me fez pensar. Dane-se se a pauta foi pra corroborar alguma idéia ou proposta que eu apenas suponho, não posso afirmar. A minha ambiguidade havia se mesclado à da cena que vi dias atrás, à pauta do Bruno e à ambiguidade do próprio Barlow. Aquele meu azedume com a grande mídia foi derrubado pelo simples fato de pensar: Isso foi importante e eu gostei. Diga o que quiser, eu gostei. Pode ser parte de uma grande conspiração para dobrar as massas, mas eu gostei. Sei [acho] que uma entrevista dessa está longe de ser conspiratória, mesmo sabendo que a conspiração é feita nos detalhes. Até mesmo porque acabei não tendo um grande final para o meu texto, como sempre gosto de fazer. Talvez seja melhor assim. Talvez eu só tenha descoberto que veículos de comunicação são empresas como qualquer outra. Eu já sabia disso, mas talvez só agora tenha assimilado isso, como ‘funcionário’ dessa máquina, que vende jornal ao invés de celular, refrigerante ou carro. É só mais um produto e sou só mais um peão. Que seja bom e divertido onde estiver, o quanto durar. [No final das contas acabei falando sobre o meu trabalho. Ambiguidade é meu nome do meio].

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Abrigo

8 Junho , 2009 · Deixe um comentário

“Toco a campainha e abrem o portão. Às quartas-feiras, a partir das 20h30, ele fica aberto, sem necessidade de tranca. Mario Mansho recebe os amigos em casa. É a reunião de uma ‘célula’ dos membros da Bola de Neve Church. Reúnem-se para cantar, estudar a Bíblia e compartilhar os problemas e alegrias. Problemas que levaram a família Mansho à igreja.”

Início da matéria que fiz para o Yahoo!.
Para ler na íntegra, só clicar aqui.

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Um recado às assessorias

29 Maio , 2009 · 10 Comentários

Outro dia, conversando com um amigo jornalista, ele me disse: “Imagine que você fosse assessor de imprensa de um escritor. O ano que corre é 2001 e o autor te diz que o lançamento será no dia 11 de setembro, uma terça-feira”. O restante você pode imaginar. Livros, CDs, eventos beneficentes, reuniões, balanços sociais e um número sem medida de coisas que poderiam ser noticiadas pela grande imprensa nunca chegaram aos jornais. Já fui assessor de imprensa e alguns clientes que atendia tenho certeza que teriam dito: “Ué, mas nenhum jornalista deu a nossa notícia por quê?”.

Isso é uma das coisas que mais me deixavam revoltados quando trabalhava com assessoria de imprensa. Sei que é bom pro cliente, sei que ajuda e muito, blablabla… porém, não consigo engolir o fato de que a avaliação do meu trabalho depende do trabalho do outro.

Se você já trabalhou ou conhece a dinâmica em uma assessoria, pode ir para o próximo parágrafo, sem medo. Confie em mim. Agora, se você nunca trabalhou em ou com uma assessoria, saiba: essa é a dinâmica. Explico: digamos que a Pastelaria do Seu Zé contrate uma assessoria. O que faríamos, como assessores? Produziríamos alguns textos e pensaríamos em algumas pautas para o Seu Zé. Um texto sobre quantos pastéis ele vende por mês, por exemplo, pode ser encaminhado ao caderno de Economia dos jornais, ou para revistas especializadas no setor de pastéis de feira. Ou seja, o assessor levanta os dados, produz um texto ‘vendendo’ a idéia da pauta [assunto] e encaminha para o jornalista de Economia. Depois, ficará ligando duas vezes por dia ao jornalista, para tentar convencê-lo de que aquela notícia é digna de ser colocada no jornal. Repito, ligará duas vezes por dia, sem desistir, até que o jornalista diga “OK, vou fazer uma matéria sobre isso” ou “Legal, mas dessa vez não”. Caso ele diga que vai publicar, o assessor passará a ligar apenas uma vez a cada dois dias, perguntando “E aí, sai quando? Se precisar, tenho mais informações aqui bem bacanas sobre a Pastelaria. Tenho fotos super legais também. Se quiser, eu te mando. E aí, quer?”. Quando [se] publicada a matéria, ele a recortará, mandará para uma empresa que calcula quanto o cliente teria gasto para fazer um anúncio do mesmo tamanho da matéria, na mesma página, do mesmo jornal. Digamos, R$ 20 mil reais. Isso é o que chamamos de centimetragem. No final do ano, a assessoria junta todas as matérias, vira para o cliente e diz: “Olha quanto foi a nossa centimetragem: R$ 2 milhões. Ou seja, fizemos você ‘economizar’ R$ 2 milhões em propaganda, sendo que uma matéria publicada dá mais credibilidade à empresa do que uma anúncio. Ou seja, estamos cobrando pouco pelo nosso trabalho, levando em consideração o que economizou. Por isso, nem pense em rediscutir contrato. Porque se formos entrar nessa, o justo seria cobrarmos mais. Fique feliz com os R$ 100 mil que nos paga por mês”.

Minha raiva [ou paúra] com assessoria de imprensa é justamente essa: se o jornalista achar que a pauta é boa, ele a publica, meu chefe me elogia e fica todo mundo feliz. Mas digamos que, naquele dia, o jornalista tenha acordado de mau-humor e não curtiu minha pauta. O nabo vem no meu. Mas coitado do jornalista, a culpa também não é [sempre] dele. Digamos que a pauta seja chata e fraca. Não interessa. Como assessor de imprensa, você tem a obrigação de fazê-la emplacar em algum lugar. Você já falou para o cliente que aquilo não vai vingar e ouviu dele: “Não interessa. Eu te pago para isso sair no jornal, sem precisar pagar anúncio”. Não interessa se a pauta é uma porcaria, se nem eu leria uma matéria sobre isso. Dane-se. O dinheiro que entra é porque você tem a obrigação de fazer aquilo ser publicado. Só que existe um pequeno detalhe, que os assessores de imprensa parecem ter esquecido: as assessorias não controlam os veículos de comunicação. Já ouvi assessores dizerem “Ainda”. Sério. Mas em uma assessoria, para meu chefe virar para mim e dizer “Bom trabalho”, eu contei com a boa vontade do repórter com quem conversei, com o editor desse repórter e com a pauta ser legal. Agora, se você quer uma medalha de honra pra valer, pegue uma pauta sem graça e faça-a ser publicada. Aí sim, meu amigo, você é o cara. Afinal, você conseguiu que aquela informação inútil chegasse até o cidadão, achando que precisa saber daquilo.

Claro que uma assessoria de imprensa não serve só para isso. Ela é o meio campo entre a imprensa e as empresas. Se um jornalista tiver interesse em escrever sobre a Pastelaria, é ele quem procurará a assessoria, pedindo ‘ajuda’. Caso você não saiba, isso é raro, a não ser que você tenha como cliente órgãos governamentais, mega empresas ou trabalhe com cinema.

Quando estava em assessoria ficava ofendido ao ouvir: “Assessor não é jornalista”. Pô, eu me formei em jornalismo. Mas hoje, fora dela e sem romantismo nenhum quanto à imprensa, o trabalho de assessor não precisa/não deveria ser feito por jornalistas, mas sim por vendedores. Nada contra eles. Meu avô é um dos bons. Tenho uma prima que também. Adora isso e faz bem. Mas fica o recado para as assessorias: não engane seus jornalistas, muitos menos seus estagiários, dizendo que eles estão exercendo a profissão. São jornalistas sim, mas exercendo a função de vendedores.

UPDATE: fiz um outro texto explicando um pouco melhor esse aqui. Só clicar.

UPDATE 2: Resumindo, pois quando escrevo com a emoção à flor da pele, não me expresso muito bem: minha crítica é ao modus operandi delas e não às assessorias em si. Critico o assessor ter que mendigar para o jornalista publicar algo que o cliente pediu e critico o muro que se levanta em torno do cliente quando ele faz alguma cagada e quer se ‘proteger’ dos jornalistas. Tenho mania de me explicar, então a ‘conclusão’ [se é que isso existe] desse textão que você acabou de ler está aqui. Prometo que agora chega.

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Salve o Corinthians

22 Maio , 2009 · Deixe um comentário

Lembro da semi-final do Campeonato Paulista de 2001. Corinthians x Santos. Sou corinthiano de nascença. Tenho orgulho em fazer aniversário no dia 1º de setembro, data da inauguração do alvinegro paulista. O jogo estava 1 a 1 e o empate era vantagem do Santos. Meu primo de Florianópolis morava conosco naquela época. Tão corinthiano quanto eu, mas com menos fé. Depois de alguns chutes para fora do gol, ele pediu para desligarmos a televisão. Praticamente chorando, declarei: “Não. Temos que ficar com o Timão até o final.” Eis que aos 48 do segundo tempo Gil faz o lance pela lateral esquerda, cruza para a intermediária, Marcelinho Carioca faz o corta-luz e Ricardinho acerta o petardo no canto superior do gol de Fábio Costa. Ajoelhados no meio da sala, abraçados, choramos como duas crianças. O Corinthians foi à final.

Há algumas semanas, Corinthians e Santos se enfrentaram, novamente em uma decisão do Campeonato Paulista. Era a final e esse primo veio a São Paulo para resolver questões, digamos, ‘diplomáticas’, com o consulado sueco. Aproveitando a passagem pela cidade, foi ao Pacaembu tentar assistir o jogo in loco. Os ingressos esgotaram-se no mesmo dia em que começaram a ser vendidos, dias antes. Mas parece que a fé desse meu primo aumentou um pouco nos últimos oito anos.

Contou-nos que chegou ao Pacaembu e tentou ingresso com todos os cambistas. A única coisa que ouvia deles era: “Compro ingresso, compro ingresso!” Perambulando nos arredores do estádio, viu uma aglomeração de jornalista, em volta de uma senhora, já de idade. Aproximou-se e ouviu: “Então, dona Marlene… qual o placar que a senhora chuta para o jogo?” Era Dª Marlene Matheus, viúva do ex-presidente do Sport Club Corinthians Paulista, Vicente Matheus, autor de célebres frases como: “O Sócrates é invendível, incomparável e imprestável.” e “O difícil, como todos sabem, não é fácil.” Nessa altura, a história do meu primo já parece lenda, mas é que você não o conhece. Ouvindo a história, todos nós já esperávamos o que estava por vir.

“Dona Marlene, olha só [abre a carteira e mostra o RG]. Eu vim de Florianópolis só por causa desse jogo e não consegui ingresso. Tem como a senhora me ajudar?” Dona Marlene não hesita: “Entra aí no porta-malas e você vem comigo!” Abriu os fundos do sedan e meu primo pulou lá dentro. Ele diz que não acreditou. Estava dentro do carro da viúva de Vicente Matheus e ainda conseguiria ver a final!

O carro andou um pouquinho e parou. Vozes de autoridade lá fora, pedindo para Dona Marlene abrir o porta-malas. Ela puxa a alavanca, o porta-malas se abre um pouco e meu primo puxa pela alça, lá de dentro, fechando-o. Eles pedem para abrir de novo. O abre-e-fecha se repete por algumas vezes. Ele conta que alguém deve ter visto-o pulando lá pra dentro. Quando o porta-malas se abre novamente, um outro cara vem e pula lá dentro com ele. “Mano! A gente vai assistir a final! Ah êêê! Dona Marlene é do cacete!”. Meu primo falando para o maluco falar baixo e parar de fazer algazarra e ‘os homi’ do lado de fora, já batendo no porta-malas, para eles saírem.

Os dois saem e ficam ouvindo o tempo todo que vão levar porrada e vão apanhar até não esquecerem nunca mais a cagada que fizeram. Claro que meu primo ficou irado com o cara, pois estragou o plano. Era bem possível que Dona Marlene convencesse os policiais a deixarem-na entrar. Pelo que sei, por mais que batessem no meu primo, é história pra não esquecer nunca.

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