Crônico

Entradas do Outubro 2007

manual de sobrevivência

30 Outubro , 2007 · 2 Comentários

existem algumas “manhas” para sobreviver em sociedade, ainda mais quando circulamos por múltiplos ambientes.

interessante
há situações onde não podemos expressar o que realmente achamos.
quando um amigo te mostra aquela música meio chata ou experimental demais, ou você assiste a um filme muito ruim e conhece o diretor, e eles te perguntam – e aí, o que achou? não dá para simplesmente dizer – uma merda.
até dá, mas algumas vezes, não convém.
então ao invés de magoar e talvez perder o amigo/contato, é só dizer “interessante”.

filme sem noção. você odiou.
- o que achou?
- interessante!

o interessante não chega a ser uma mentira.
porque não deixa de ser interessante como alguém consiga produzir algo tão ruim quanto aquilo!
você pode arriscar um diferente, mas é arriscado.
o diferente já está conhecido e reconhecido como sinônimo de “não gostei”.
você beira a possibilidade da pessoa já sacar que você não curtiu, ou dela entrar no jogo e perguntar “diferente como?”.
aí você está enrascado.

§ uma tática de sobrevivência mais agressiva é com relação aos malas.
sobrevivência deles, porque se deixar, a gente acaba esganando um.
a seguir, duas táticas anti-mala. §

ignorar
aqui no trabalho o que mais existe, depois de filme, é gente mala.
diretor mala, produtor mala e jornalista mala.
tem um diretor específico, que toda vez que entra na nossa sala, o radar anti-mala dispara.
tu tu tu tutu tutu tututu tutututu tutututututututututututuuuuuuuuuuuuuu!
[esse é o radar]
e começa a epopéia.

primeiro, sem se dirigir a nenhuma pessoa especificamente, falando alto, começa a reclamar que seu filme não está sendo notícia em nenhum jornal.
aí começa a mendigar coisas pra gente: camiseta, bolsa, brinde, divulgação, impressora, ajuda na conexão, problema no email.
mas não assim na seqüência.
um mala sabe fazer seu trabalho.
é de 3 em 3 minutos.
tortura mesmo.
quando a pessoa percebe que está incomodando, é aí que a coisa fica legal.

porque ela aumenta o intervalo para 5 minutos!
na primeira vez, você pensa “graças ao bom Deus, ele parou”.
só pra dali 2 minutos, recomeçar!
eu não falei da estratégia ainda.
é só ignorar.
o próprio mala te dá a ferramenta.
como ele não se direciona a ninguém, você também não é obrigado a responder.
pra quem gosta de fazer seu trabalho bem e atender as pessoas da melhor forma possível, é um grande desafio. é como um telefone tocando, que ninguém atende!

se ninguém responder, ele pode olhar para você. mas como é mala, provavelmente não sabe seu nome. mantenha os olhos fixos no computador, não vacile, não demonstre que você percebeu a presença dele e se conseguir, fique digitando ininterruptamente para parecer ocupado.
sempre vai ter alguém mais piedoso ou com o coração mole, que vai acabar atendendo o mala.

ou seu chefe, que tem que atender os malas.
então aproveite sua posição não-elevada na hierarquia e simplesmente ignore o mala.
lógico, se ele falar seu nome, parar na frente da sua mesa ou encostar em você, te chamando, aí a figura muda. e a gente entra na próxima tática…

idiotizar
não é para tratá-lo como idiota.
a tática é você se passar por idiota.
o mala te reconheceu, te chamou e tal, finja que você não entende.
faça cara de zé ruela e fique olhando pra pessoa, quando ela terminar de falar.
sempre.
toda vez que a pessoa terminar uma frase, espere 5 segundos pra responder. não abra mão disso!

se você semi-cerrar os olhos, demonstrando que está queimando o dobro de neurônios para entender o que a pessoa disse e a seguir formular uma resposta, terá mais efeito.
além de ser a cara de quem tenta entender, você pode dar uma pitada de idiota deixando a boca um pouco aberta, a ponto de babar.
infalível.
das próximas vezes, é muito provável que o mala não se direciona a você.
[não babe.
é só quase.]

essas são duas táticas que cobrem a maioria dos contextos onde se encontra um autêntico mala.
uma é utilizada à distância e a outra, na proximidade.

mas as táticas requerem um pouco de bom-senso.
com “chefe mala”, por exemplo, até dá pra usar, mas são situações muito delicadas, onde varia o tempo de ignorar e o tempo de idiotizar. tem que saber o timing perfeito nessas horas. e isso varia de chefe pra chefe.

agora perigoso vai ser eu usar isso com você ou você comigo.
estamos ambos ferrados!
nisso que dá querer ter um blog.

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miojo

29 Outubro , 2007 · 2 Comentários

a vida dela é feita de instantes.
intensos instantes.
se entrega completamente a coisas que têm um prazo de validade limitadíssimo.
são momentos gloriosos, mas apenas momentos.
algumas [muitas] pessoas a invejam, por estar sempre com os astros e as estrelas, apesar de não ser astrônoma, nem astróloga.
amigos de sobrenomes famosos, poder de influência, caras em capas e capa na Caras.
a sensação de completude que sente avança os limites da compreensão e da reflexão.
é algo que extasia e entorpece.
mas não deixam de ser instantes.
apenas alguns momentos, que quando se encerram, tiram todo o sentido do instante supremo, que é a vida.

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empurrãozinho

27 Outubro , 2007 · Deixe um comentário

outro dia li um post no “Redatoras de Merda” muito bacana.
pra ler, clique aqui.
o principal, o que é base para esse texto, é basicamente o que está nos 2 primeiros parágrafos.
uma das redatoras [não sei se a elisa, ou a valeria] conta a atitude de uma criança, quando ela também era criança.
e fiquei pensando não no que houve com a redatora, mas na atitude da criança citada.

muitas vezes, quando penso na minha infância, lembro de situações como as do texto.
mas variavelmente, estou em algum dos dois papéis.
por vezes, sou o confrontado e a “vítima”.
em muitas outras, sou o babaca, que tomou atitudes absurdas frente a diversas situações.

fico me perguntando: o que leva uma criança a agir assim?
será que ela tem consciência do que está falando?
não no sentido apenas do objeto de sua fala, mas será que ela entende que quando ela fala, há implicações e conseqüências que fogem de seu controle?

eu acho que não.
se mesmo “adultos” muitas vezes falamos coisas sem medir o impacto daquilo, quanto mais quando somos crianças.
diz-se muito da inocência e pureza das crianças.
da sinceridade, perdão, etc.
existe muito disso nas crianças, mas já vi crianças que ao mesmo tempo que demonstravam essas virtudes, em dados momentos eram cruéis, desumanas e perversas.
é só ver quando discutem.
trazem à tona o que há de pior dentro delas e dentro da outra criança.
se sabem que os pais do outro são separados, por exemplo, dizem “é, pelo menos meus pais me amam e vivem juntos”…
ou quando não querem que a outra criança mexa com seus brinquedos.
não há nada de puro, inocente e beleza nesses atos.

voltando…
lembro de momentos em que eu fui assim.
e sinceramente, não sei o que se passa na nossa cabeça nessas horas.
quando adultos, ainda assim é difícil, mas com um pouco de terapia e auto-conhecimento, acabamos entendo como aquilo surgiu.
mas sendo crianças, a única hipótese que tenho é que duas coisas acontecem.

a primeira é que alguma coisa nasce com a gente, que com muita natureza e facilidade, temos atitudes desprezíveis.
basta um empurrãozinho.

e a segunda é esse empurrãozinho.
é simples.
basta ver a propaganda “children see, children do”.

http://www.youtube.com/watch?v=7ZscS775ek8

quanto ao que nasce com a gente, não há muito o que fazer.
mas acho que a gente pode se esforçar um pouco no ítem “empurrãozinho”.

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papo de moleque

27 Outubro , 2007 · 1 Comentário

eu não suporto gente sem noção.
um assunto que é muito de moleque ficar comentando, mas que me incomoda muito é quando alguém se dá a liberdade de liberar seus gases pessoais em um ambiente fechado e/ou sem saída.
exemplo disso é no metrô, shows ou numa sala de cinema.
ontem foi assim.
eu todo feliz, assistindo “grindhouse: death proof” do tarantino, quando de repente parece que alguém abriu a fossa do inferno.
juro.
foi isso que bateu na minha cara e socou o meu estômago.
pior que no escuro do cinema, todo mundo fica com aquela cara de compenetrado e na maior cara de pau, finge que não fez nada.
o que me dá mais revolta é isso!
a pessoa faz cara de inocente, parecendo que é um de nós, que estão sofrendo por causa dela.

em show é a mesma coisa.
acho que me dá mais raiva, porque depois que vem o primeiro, parece que o povo ao redor se empolga e solta a franga.
e você esmagado, sem nem poder levantar os braços para abanar o seu perímetro aéreo.
aí acompanhar as músicas e o show é algo impossível, porque a maior preocupação do momento é dissipar um vapor tão denso que chega a atrapalhar a visão do palco.

_____________________

eu ia postar sobre o twitter.
não é má vontade nem nada, mas o melhor jeito de se entender o que é e como funciona, é fazendo um.
aquelas coisas de internet, sabe?
que só se sabe mesmo quando se testa, experimenta, etc.
pois é.
http://twitter.com
o esquema é escrever o que vc está fazendo e “follow” as pessoas que vc quer saber o que estão fazendo.
surgem várias dicas, de várias coisas.
coisas sérias e coisas “não-sérias”.
vale a pena conferir.

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lo dia internacíonal de hablarse portuñol

26 Outubro , 2007 · Deixe um comentário

hoy és lo dia internacíonal de hablarse portuñol en la rede.
yo estoy com muy vontad de aprender español, pero portuñol és muy más complejo de hablar do que lo simple espãnol.
cómo no soy especialista, dejó lo sitio oficial!
e dejo mi parte en lo maravilloso dia, que siempre és en viernes, que por si solo és un hermoso día.

http://www.portunhol.art.br/

estoy con un texto em mi cabeza para postar, pero dará muy trabajo para traducilo por entero!

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taxista

24 Outubro , 2007 · 3 Comentários

primeira coisa.
blog não é twitter.
isso é mais pra mim do que pra vc.
não preciso [acho que nem devo] ficar colocando aqui o que acabei de fazer.

então.
os taxistas.
uma classe trabalhadora que admiro.
pegam os piores trânsitos e ainda têm disposição de trocar idéia.
[aqui em sp pelo menos].
mas não raramente, encontro alguns que não estão nada pra conversa.
até qdo vc dá a indicação “próxima direita”, vc só ouve um “hunf”.

eu tenho a teoria que só existem duas opções nesses casos.
lógico que existem outra várias.
mas pro meu texto sair do jeito que quero, só existem duas.
liberdade poética.

a primeira é que o cara é novato.
explico.
o que vc faz qdo está no trânsito ou no carro, sozinho?
pensa na vida, né?
tenta resolver problemas.
tenta trazer solução para algo que está incomodando.
e o taxista é um cara mestre nisso.
já ouvi campanhas para elegermos taxistas, pois, pode reparar, eles sempre têm a resposta pra algum problema.
alagou?
tem que plantar mais árvore, pois agem como esponjas e a água escorre.
muito carro em sp?
novo sistema de rodízio, parecido com o da cidade do méxico…
[e tem taxista com idéias melhores!]
unha encravada?
conheço um cara bom e que resolve tudo.
o amor da sua vida te largou?
então não era “da sua vida”. calma. vai aparecer…

mas o cara só chega nesse nível qdo já resolveu TODOS os problemas dos mais próximos.
o processo inicial é ficar matutando o problema de todos ao seu redor, já que tem tempo para isso.
resolve os da sogra, dos irmãos, dos vizinhos, dos caras do futebol de domingo, do pessoal do bar, dos colegas taxistas…
enfim, só qdo ele já solucionou todos os problemas que tem perto, é que ele está habilitado a seguir em frente e no pouquíssimo tempo que dispõe para a grande missão de um taxista: solucionar o problema de seus passageiros.
quem pensa que a principal função dele é te levar de um ponto aonde está para o ponto que quer ir, engana-se.
os taxistas são um grande momento de terapia e dependendo da bandeira [1 ou 2] e do percurso, sai mais barato que uma sessão com o seu psiquiatra.

ou seja, se o cara não tá puxando papo, é porque ele é novato e ainda precisa resolver as próprias questões, para depois se aventurar em novos terrenos.

a outra possibilidade…
então, gastei muito da minha criatividade na de cima, então considera que a outra não é tão legal, a ponto de aparecer aqui.
talvez seja o cara que não é novato e muito menos macaco velho.
o cara é um PhD dos taxistas.
ele é tão bom, mas TÃO bom, que ele saca que o que vc precisa é vc mesmo pensar nos seus problemas.
e ele se faz de mal humorado só porque ele preza muito mesmo pelo seu bem estar psicológico…

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nome

24 Outubro , 2007 · 3 Comentários

o nome é algo que diz muito.
primeiro que eu já pensei em vários nomes e endereços pra esse blog.
“gabriel” significa “anunciador”.
legal pra quem escolheu jornalismo como profissão, né?
os judeus não brincavam em serviço na hora de escolher um nome…

pensei em “semi-deus assalariado”.
foi um xingamento que recebi de um cara revoltado, que fez escárnio de meu trabalho e quando respondi, perdeu as estribeiras, ligando no escritório todo, dizendo que eu tinha o poder na mão e ficava brincando com ele como um semi-deus assalariado.
genial, mas não diz mto do blog, mto menos de mim.

por isso “devaneios”.
vou escrever sobre o que quiser.
sem compromisso de conteúdo.
sem compromisso de temas.
só o que vier na cabeça.
compromisso com o que der na telha.

a lu freitas, do http://ladybugbrazil.com/, me deu várias dicas da blogosfera, até mesmo explicando o nome “blogosfera”, que eu sempre achei que deveria ser “blogsfera”, sem a letra “O”, já que o nome é blog e não blogo.
mas é uma tradução direta de “blogosphere”, então eu entendi o motivo.
[olha a coisa de nomes aí de novo].
e o blog dela é super “profissa”, já que ele gasta boa parte do seu tempo lendo as listas de discussão, os feeds que assina e todas as outras artimanhas de um blogueiro “profissa”.

mas, como disse, o meu é devaneio.
o que der na telha.
[nesse ponto, se você teve saco de ler tudo, pensou "devaneios"? mas lá em cima está escrito outra coisa! pois é. acabei de lembrar que o nome que deixei, "só sei...", era o original.]

então, no sentido de devaneios e de a única coisa sabida é que não sei nada, o meu se parece mais com o da dine, http://dine.tk/blog/.
pelo menos eu acho.
ela até coloca coisas mais sérias, mas tem divagações também.

um outro que gosto muito também é http://redatorasdemerda.blogspot.com/.

tem esse que não é mais atualizado, mas rende boas risadas: http://www.mycrazyroommate.com/

e por fim, o da minha amiga amanda foschini, que foi a principal fonte de pesquisa na formação do personagem do “capitão nascimento”: http://foschini.blogspot.com/.

bem-vindo e boa sorte.

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