Crônico

Entradas do Novembro 2007

uma coisa é uma coisa

21 Novembro , 2007 · 1 Comentário

se tem uma coisa que eu não gosto é que me subestimem.
que duvidem da minha capacidade de entender alguma coisa e por isso simplifiquem ao nível do ridículo.
é como ser irônico e ter que dizer “isso a gente chama de ironia”.
já disseram que quando a gente tem que explicar pra alguém que a gente fez uma ironia, ou quem ouviu/leu a ironia é burro, ou quem disse é que é, pois não sabe fazer ironia.
mas nem sempre acontece assim.
vai muito do conhecimento de cada um.
não é questão de inteligência, mas questão do campo de conhecimento em si.
se eu faço uma ironia dentro um determinado assunto, para a pessoa entendê-lo, ela tem que estar inteirada do assunto.

as coisas não são tão radicais assim.
nem sempre tudo é tudo.
nem sempre, é sempre.

o problema é que a gente, ser humano, adora rotular.
colocar as coisas dentro de pequenos potes de conserva e colocar uma etiqueta.
só de dizer tudo isso, já estou rotulando o ser humano.
é inevitável.
é como começar a criticar alguém que julga os outros, se achando superior.
sem perceber, começamos nós mesmos a julgar.

e o texto não ia falar sobre isso.
começou de um jeito e foi pra outro.
aliás, já disseram que não é a gente que escreve o texto, mas o texto que escreve a gente.

a primeiríssima idéia era pra ser uma crônica e ia falar de um cara que não saia com nenhuma guria há muito tempo e no dia que estava tudo certinho, foi para um show, na empolgação fez uma bexiga de camisinha [que eu odeio] e depois ficou, hum… na mão.
mas como é possível perceber, o texto todo se resumiria a essas duas linhas e o resto seria encheção de lingüiça.
sem trocadilhos.

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into the ocean

2 Novembro , 2007 · 1 Comentário

eu adoro praia.
não nasci e nunca morei em cidade litorânea.
mas sabe quando você sente que seu lugar é lá?
que você pertence àquilo?
pois é.
eu sou assim com a praia.

uma coisa que sempre fiz [e sempre deu certo] era prolongar o tempo que eu ficava dentro d’água.
primeiro, que há uma tradição com a praia.
a gente chega, passa um pingo de protetor solar no ombro [só pras mulheres não ficarem reclamando] e vai pra água.
fica lá umas 2h, volta pra areia pra tomar uma água mineral ou água de côco [pra tirar o sal da boca], voltar pra água e ficar mais 1h.
depois dessa 1h, volta-se à areia para comer alguma coisa.
geralmente petisco de peixe que já pediram, queijo coalho que passam vendendo e a cerveja gelada básica.
é comer um pouco de tudo e deitar um pouco o sol, pra descansar e tirar um cochilo, com aquele barulhinho das ondas ao fundo.
quando não dá mais pra agüentar ficar no sol, é hora de voltar pra água e só sair de lá na hora de ir embora.

hoje em dia não faço mais isso [que vou contar], mas foi uma tática que utilizei durante muito tempo na minha vida.
e funcionou.
quando eu percebia a movimentação dos meus pais e tios na areia para ir embora, eu simplesmente fingia que não via.
ficava de costas para a areia, só olhando para o mar e se pegava alguma onda, ao sair dela, já ficava de costas novamente.
nessa brincadeira, ganhava uns 15 minutos a mais na água.
porque ninguém queria mais entrar na água pra me chamar.
gritar da praia não adiantaria, porque eu não ouviria.
e se ouvisse, fingiria que não estava ouvindo, lógico.
pais, se vocês lerem isso, desculpem-me.
mas foi para o meu bem.
quanto mais tempo no mar, melhor para mim!
;-)

a primeira vez que entrei no mar, tinha 5 meses.
e a primeira lembrança que tenho com o mar é de não querer sair de lá.
minha mãe conta que quando eu decidi parar de usar chupeta, eu fui até à beira do mar e joguei a chupeta no oceano.
a cena é bonita, mas hoje seria inaceitável, considerando o movimento de preservação do meio-ambiente.
mas nos anos 80, me pareceu legal.
não posso afirmar, mas talvez tenha jogado-a no mar, pois ao mesmo tempo que as ondas trazem de volta aquilo que jogamos, também algumas outras coisas se perdem.
deixei a decisão pro mar.
nunca mais voltei a ver a minha chupeta.
se era assim que ele queria, assim foi.

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