Eu tinha que ir no número 2.500 e pouco da Faria Lima. Em São Paulo há duas avenidas que começam com o nome Brigadeiro [existem outras, mas essas duas são as maiores] e para não haver confusão e não ser necessário falar o nome completo, informalmente elas são identificadas como: Brigadeiro – a Brigadeiro Luís Antônio, que vai do Ibirapuera, até quase o Largo São Francisco; Faria Lima – a Brigadeiro Faria Lima, que vai de Pinheiros até o Itaim.
A minha era a Faria Lima. Entrei no Google Maps e digitei o endereço, com número e tudo. O local indicado era pertinho da Pedroso de Moraes, perto da Fnac e do prédio-carambola, do Ohtake. Perfeito [o local, não o prédio, que acho horrível]. De casa até ali, de carro, dá 10 minutos no máximo, com trânsito. Como era dia de chuva e era uma entrevista de emprego, resolvi pegar o táxi, sendo a distância pequena e sabendo que gastaria entre R$10 e R$15. O táxi foi agendado para às 17h. A entrevista era às 17h30 e a idéia era chegar mais cedo mesmo.
Assim que entramos na Faria Lima, avisei o taxista para ir mais devagar, pois estávamos perto. Ele olha os números e me diz “O local que você quer ir é pra lá da Rebouças”. Assistindo “Meu Tio Matou um Cara” aprendi uma coisa [se for verdade o que diz no filme]: a numeração dos imóveis é feita pela distância entre o começo da rua e aquele ponto. Ou seja, se você mora no nº 322, isso quer dizer que do começo da rua até a sua casa são 322 metros. Agora imagina eu na altura do 150 na Faria Lima e o local que eu queria ir sendo 2.500 e tralalá. Liguei no escritório que faria a entrevista: “Por favor, vocês ficam em que altura da Faria Lima?”
- Perto da Cidade Jardim.
Eu mereço. Era no final da Faria Lima e eu estava no comecinho dela. Dois quilômetros e pouco nos separavam. Dois quilômetros, a princípio, parece pouco. Mas em São Paulo, em uma das avenidas mais movimentadas, horário de pico e com chuva, é muita coisa. Muita. O Google Maps falhou comigo, pensei. Era a primeira vez que algum serviço do Google me sacaneava legal. Pense aí num congestionamento. Cheguei 18h no lugar [avisei que atrasaria] e a corrida deu bem mais que R$15.
Outro dia voltei a digitar o mesmo endereço e número no Google Maps, que me indicou o mesmo local de antes. Fiquei encafifado com isso. Coloquei 2000 sem ponto, com ponto, de todos os jeitos. O resultado era sempre o mesmo. Apontava o começo e não o final da Faria Lima [segundo a numeração].
Mas eis que recentemente fui agraciado com algo que não me torturará o resto da vida. Estava de ônibus, no início da Faria Lima, observando o lado de fora, a calçada, pessoas, edifícios, vi um número de um local e embaixo “Antigo 2.014”. Fiquei me questionando o porque dos imóveis serem renumerados em uma cidade, o que faz com que a prefeitura decida colocar novos números e foi aí que deu o CLICK.
Esperei aparecer outro grande edifício, pois tinha certeza que teria a mesma indicação. Se o número antigo seguinte fosse menor, isso significaria que o número que digitei no Google Maps [2.500] seria antes da onde estava naquele momento. No seguinte estava “Antigo 1983”. Ou seja, o Google Maps não falhou comigo, de todo. A referência dele é a antiga e segundo os dados fornecidos dentro do sistema, o 2.500 e pouco, o meu número, era ali no comecinho da Faria Lima. O que acontece é que antigamente o número “1” da Faria Lima era perto do Itaim, e o final dela, em Pinheiros. A prefeitura inverteu. O começo da Faria Lima, atualmente, é em Pinheiros e o final, no Itaim. O Google Maps segue a numeração antiga.
Simples assim, mas uma coisa que me atormentou durante algumas semanas.
Enfim, posso dormir em paz.
1 response so far ↓
vivstiemi // 8 Fevereiro , 2008 às 1:15 pm
Que heresia! “O Google Maps falhou comigo”… tsc tsc tsc. =P
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