Crônico

Entradas do Agosto 2008

Imagine*

29 Agosto , 2008 · 2 Comentários

Caro J.L.,

Segui seu conselho e imaginei.

Imaginei que não houvessem países e lembrei de alguns que não existem mais, apesar de ter aprendido no ginásio o nome de vários deles. Ainda vejo alguns prestes a serem totalmente devastados e saírem do mapa.

Imaginei que não houvesse nada para morrer ou matar por.
Vi dois velhos brigando por um pão e duas crianças, por $1 milhão.

Imaginei as pessoas vivendo o ‘para hoje’ e repartindo o mundo.
Vi famílias na favela repartindo a dor de perderem seus filhos para o tráfico e famílias nos prédios, matando seus filhos por nada.
Vi pessoas vivendo ‘o amanhã’ e juntando as posses, que tentei imaginar não existirem, mas elas não queriam imaginar comigo. Queriam ter. E quanto mais tinham, mais insatisfeitas ficavam.

E saiba, nunca pensei que você fosse um sonhador e sei que não era o único. Eu me juntei ao grupo, mas às vezes parece que estou sozinho, John.

É quando choro e penso que as pessoas agora talvez achem que eu seja um sonhador.
Chega de imaginar.
Quero acreditar que há outros.

[*Queria que John Lennon lesse a carta. Escrevi depois de ouvir Imagine, no repeat, algumas vezes. Para ver a letra, só clicar aqui]

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Oi, meu nome é Day

28 Agosto , 2008 · 4 Comentários

- Oi, meu nome é Day. Isso… Day. D-A-Y.

É assim que um amigo nosso se apresenta. Fiquei empolgado com a história de contar a origem dos nomes. No caso dele, é Day Neto. Sério, o pai e avô dele se chamam Day.

A senhora bisavó do meu amigo gostava de seguir uma seqüência ao nomear seus filhos [lembrei dessa história por causa do comentário do Julio, no post anterior]. Mais uma vez, detalhes não sei. O primeiro filho começava com A. Digamos, Álvaro. O segundo era o Bernardo e o terceiro, Carlos [tudo suposição]. Mas, de verdade, estava já em ABC. Quando chegou o 4º filho, ela queria homenagear um matemático chamado Thomas Day. Até chegar no T ia demorar muito, então ela decidiu ficar apenas com Day.

O vô Dayzão parece ter ficado injuriado e decidiu passar em frente a maldição. O tio Day, Jr., revoltado batizou meu amigo como Day Neto.

Agora, qualquer piada que você pense, já foi feita. Eu garanto. Em 20 e poucos anos, não há piadas com o nome dele que não foram feitas.

Ah, e Day Neto não passará a maldição em frente. Quando for pai, dará o nome de Carlos… para uma menina.

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Vovó Nair

28 Agosto , 2008 · 3 Comentários

Eu vou contar do jeito que conheço a história. Pequenos detalhes podem estar historicamente errados*, mas a essência foi mantida.

Antigamente as pessoas não registravam seus filhos assim que nasciam, como acontece hoje em dia. Ainda mais no interior do Brasil, mais especificamente em Minas Gerais. Como o costume era ter mais de 4 filhos, no mínimo, era melhor esperar já nascer o bando e depois registrar todo mundo junto. Por isso, muitas pessoas com 80 anos, no RG, têm apenas 70. Mas o caso aqui não é esse.

A vovó Nair foi registrada junto com um primo. E tão simples quanto a frase anterior, era viver no interior de Minas. RG, CIC, CPF, etc? Nada. Foi registrado, está OK. Então que vovó Nair cresceu, virou moça e conheceu o vovô Moyzés. Eles ainda não eram avós e no auge de sua juventude, Seu Moyzés havia jurado nunca casar com uma Maria, por causa de sua irmã com esse nome, que o aporrinhava mais do que tudo. Sorte dele que vovó Nair era Nair, não? Pois é. Aí que está o enrosco.

No governo de Getúlio Vargas [*], houve um Censo em que todo mundo tinha que ir aonde haviam registrado os filhos, como que para recontar a população. Quando o vovozinho Zé Côco chegou e disse “Nair Gomes Monteiro”, o escrivão não achou. Mas como? Procuraram, procuraram e nada. Aí ele lembrou: Olha, ela foi registrada junto com o primo tal. Procure embaixo do nome dele. – Ah sim, está aqui: Maria Gomes Monteiro. Isso mesmo: Maria. Problema nenhum há com o nome. Desde que você a sua vida inteira tenha dito: Prazer, Maria. Mas lembre-se que ela era [é] a vovó Nair. Ou seja, até os 18 anos, havia se apresentado como Nair e, de repente, descobriu que seu nome verdadeiro era Maria.

Mas como isso?! você pode questionar. Diz a lenda que vovozinho Zé Côco falava meio enrolado, dicção complicada. E a lenda da lenda diz que o escrivão era meio surdo. – Mnaira… Hein?! Mmnnaira! Ah, Maria, lógico.

Ou seja, vovó Nair assina cheque como Maria. Mas ai de chamá-la pelo nome de registro. Se você quiser ser mala no nível Sergio Mallandro, fique à vontade. Mas o nível Serginho Mallandro de ser mala não é algo muito bem quisto na família.

ps. Parece mentira, né? Mas veja, ela tem um irmão chamado Silso. A idéia era que ele fosse Cícero. Juro.
ps2. O que me inspirou a fazer esse post foi o texto da Dª Leonor Macedo, que escreve no eneaotil. Recomendo a leitura dos outros textos também. Ela tem uma família, digamos, peculiar. [Dª Leonor foi piada. Leia o texto].
ps3. Vovó Nair tem mais outros vários irmãos. Um deles é o Xenofonte. Esse não saiu com erro nenhum, é assim mesmo. Xenofonte foi um filósofo grego, soldado, era de Atenas e discípulo de Sócrates. Vovozinho Zé Côco era culto! Cícero, Xenofonte, Eurípedes… só que Cícero ficou Silso.

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Vai, rapaz. Atrevesse!

28 Agosto , 2008 · Deixe um comentário

Ele está sempre no ponto em que pego o ônibus para ir ao trabalho. Como eu, pela manhã, parece estar meio zonzo de sono ainda. Ontem cedo, ao tentar atravessar a rua, quase foi atropelado. Baixinho, dei um daqueles assobios característicos para chamá-lo e ele voltou, sem ainda perceber de onde assobiavam. Quando percebi que ia tentar novamente, com a avenida ainda cheia de carros, assobiei mais alto e ele veio para perto de mim. Ficou me olhando, como esperando um sinal. Ao perceber que o semáforo de baixo havia fechado, disse em um tom no qual os seres humanos não podiam ouvir, mas alto o suficiente para que ele me obedecesse: “Vai, rapaz. Atravesse!”. Prontamente ele deu as costas para mim e, trotando, atravessou as duas partes da avenida, são e salvo.

Não acredito que eles saibam o que falamos, mas que entendem… ah sim, eles entendem.

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Like a Rolling Stone*

28 Agosto , 2008 · Deixe um comentário

Rolling Stones é a banda de Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts e Ronnie Woods. Rolling Stone pode ser tanto um membro da banda ['Lennon era um Beatle'], como o nome de uma das revistas mais conhecidas da cultura pop. O assunto aqui é ela.

Gosto muito de ler entrevistas. “As 30 Melhores Entrevistas de Playboy” foi a primeira coletânea que adquiri. Quando soube que “As Melhores Entrevistas da Rolling Stone” estava para sair, já sabia que teria que comprar o livro, qualquer que fosse o preço. Nunca gostei de biografias. Mas era o caso do “não conheço, não gosto”. Besteira. Instigado por meu primo, passei a ler e adorar histórias reais. Sempre gostei de assistir, ouvir e ler entrevistas, então era meio claro que gostaria de biografias. No caso da Rolling Stone, as entrevistas não são tão longas quanto as da Playboy. Pelo menos, não na coletânea. Mas a vontade de se aprofundar em questões pessoais e polêmicas do entrevistado, está lá. Jann Wenner, editor-chefe da RS, inclusive, diz ter se inspirado na Playboy para realizar tais entrevistas. Eles pegaram o modelo da revista de Hugh Hefner e aplicaram ao mundo do rock e dos músicos, o que não acontecia antes. Grandes sacadas não são, necessariamente, grandes invenções. Podem ser apenas a utilização de algo existente, em uma área ainda não testada.

Ainda não li todo o livro, mas uma das entrevistas mais inusitadas, até o momento, é de Andy Warhol entrevistando Truman Capote. Na verdade, Wenner havia solicitado a Capote uma matéria sobre uma turnê dos Stones, a banda. No entanto, o jornalista acabou sem entregar nada e coube a Andy Warhol chegar e perguntar “O que houve?”. O interessante é o quanto os dois enrolam para chegar a esse assunto. Falam sobre animais, a infância de Capote, entre outras coisas, até que sentam para conversar e Warhol diz “OK, vamos às seis perguntas que Jann pediu que eu fizesse”. Ele vai seguindo o script, mas Capote entre no jogo e as responde. Andy entra no clima e começa a fazer perguntas que ele está interessado e, na verdade, vira mais um bate-papo do que uma entrevista. Com isso, acaba-se descobrindo um pouco do universo dos Stones. Lê-la após a entrevista de John Lennon, que também figura no livro, possibilita fazer fortes analogias sobre o mundo do rock, seu glamour e todos os envolvidos.

Uma máxima do jornalismo é belamente aplicada pela RS. “Se alguém não quiser te dar uma entrevista, isso será sua matéria.” Capote não entregou sua matéria. Por causa disso, entrou na seleção das melhores entrevistas da Rolling Stone.

*Já usei esse título em outra ocasião, mas aqui fica bom também.

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As senhoras de roupa simples não necessitam de uniforme

21 Agosto , 2008 · 2 Comentários

É impressionante o quanto grande parte dos que dirigem os jipes importados [e blindados] não cuidam mais de suas casas. Sua comida, alimentação, passeio com o cachorro e filhos são de total responsabilidade e cuidado de pessoas que muitas vezes fazem mais parte de suas famílias que os de sangue.

Pela manhã, a maioria dos que estão a pé vão para o trem ou vêm dele. Poucos desses param nas duas Kombis estacionadas na região, para comprar frutas. Grande parte dos que compram é de pessoas que trabalham para os moradores dos prédios em frente aos carros.

A sensação das ruas são as moças de pele da cor do ébano e roupa branca, que empurram os carrinhos com bebês loiros e de olhos azuis. Todos param para uma paparicada. Hoje cedo foi a primeira vez que vi uma mãe empurrando seu próprio carrinho, à caminho do clube chique da região. Ao lado, uma mulher de branco, parecendo personal trainer, pronta para tomar o controle da situação, caso alguma coisa saísse do esperado.

As senhoras de roupa simples e já gastas não necessitam de uniforme. Os cães com pedigree não exigem tal vestimenta. As únicas pessoas que puxam papo com elas são outras senhoras, vestidas da mesma maneira, variando apenas a raça dos que estão na coleira.

No shopping, ao retirar seu brinquedo de dentro da caixa do McLanche Feliz, é em direção à babá que a criança corre. A mãe, desconcertada, briga com o filho por qualquer coisa. Com medo e chorando, é nos braços da mulher de branco que o pequeno encontra abrigo e segurança.

[Foto do blog da Supernanny (sério), de um post sobre um encontro de babás no Pq. do Ibirapuera. Elas discutem a melhor forma de cuidar das crianças, trocam dicas, etc. No contexto, vale a pena conferir.]

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A chuva silencia, mesmo quando o medo domina

14 Agosto , 2008 · Deixe um comentário

Vejo os cachorros latindo, as pessoas apressadas e os carros desesperados. Parece que algo inevitável acontecerá. O céu está escuro e, com aviso, a chuva começa a cair. Mais correria, mais agitação, mais caos. Passados os primeiros cinco minutos, a cidade silencia. Os cachorros se acalmam, as pessoas se protegem e, como parte integrante e já indissociável da natureza de São Paulo, o trânsito também pára.

A água que cai do céu parece silenciar os ânimos. Algumas pessoas contemplam o acontecimento, outras apenas têm o olhar perdido, imaginando a que horas chegarão em casa. Apesar disso, não se desesperam. Apenas esperam.

Alguém comenta que o prenúncio de uma chuva ou tempestade sempre aflige seu coração, pois um sentimento de apocalipse inunda seus pensamentos. Mesmo assim, fala em um tom mais baixo que o de costume, quase respeitoso. A chuva silencia, mesmo quando o medo domina.

Nenhum carro buzina mais alto do que o trovão, nenhuma antena ilumina mais do que o relâmpago. A chuva lava a alma da cidade, limpa os poros das ruas e obriga “A Cidade que Não Pára” a abrir um parentêses para apenas ver água caindo do céu.

Nada mais simples, nada mais grandioso.

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Meu primeiro quadrinho

14 Agosto , 2008 · 2 Comentários

Sempre fui um bom aluno. Nunca repeti, fiquei de exame ou recuperação. Apesar de ser um dos que mais bagunçava e conversava durante a aula, eu me garantia. Aprendi cedo a perceber quando o professor começava a repetir o conteúdo do dia, então prestava o máximo de atenção na primeira vez e sempre me sobrava metade ou um terço da aula para minhas divagações.

A matéria que sempre fui mal era Artes. Embora a Vivs Tiemi ache isso um absurdo, o meu colégio era um tanto quanto tradicional e para ir bem em Artes, tinha que saber desenhar.

Lembro que um dos trabalhos foi produzirmos uma história em quadrinhos, em um A3, de canson. Sem exagero, foi uma dos maiores sofrimentos que senti na vida. A cada dia que passava, a angústia aumentava. Isso porque os quadrinhos tinham que ser absolutamente simétricos, do mesmo tamanho, todo padronizado. Havia uma técnica em desenhá-los, quase uma fórmula. E eu nunca fui muito bom de fórmulas.

Em Física, por exemplo, eu deduzia as fórmulas, pois não conseguia decorá-las. Para mim era muito mais fácil pensar no fenômeno, nas condições e deduzir a fórmula. Gastava metade do tempo da prova apenas chegando à formulazinha decoreba que meus amigos anotavam na sola do tênis. Enfim, só o trabalho de desenhar os quadrinhos, o espaço aonde iriam os desenhos, o sofrimento foi enorme. Eu cheguei a chorar, palavra. Lembro de um dia entrar no carro com meus pais e eu começar a chorar e soluçar. Minha mãe perguntou o motivo e eu disse que era aquele maldito trabalho de Artes. Até eu sinto dó de mim, hoje.

Como meus traços eram parecidos a de uma criança que nem segurar o lápis direito sabe, eu optei por uma perspectiva em primeira pessoa. Não sei se estava influenciado por Wolf 3D, mas achei que seria mais fácil. E o que meus amigos levaram uma semana para fazer, eu levei o semestre inteiro. Ainda bem que o trabalho era o do semestre.

Dei o melhor de mim. Foi um dos trabalhos que mais me esforcei, me dediquei e suei. Ficou impecável. Perfeito. A melhor coisa em Artes que eu já havia feito. Tirei 6.5, pois a professora sabia da minha deficiência em Artes e não queria me deixar de recuperação. Imagina o trauma que isso poderia ter provocado.

Até que cresci e comecei a descobrir as verdadeiras obras de arte. Os desenhos de Picasso não faziam o menor sentido ao mesmo tempo em que faziam todo o sentido. Um dia descobri os Malvados [se você é sensível a temas polêmicos e 'cenas fortes', nem se dê ao trabalho]. Quadrinho ácido, que se a profª Edite lesse, daria no máximo 3, pela rebeldia e originalidade. Já a profª Claudete daria zero e ainda mandaria uma ocorrência para os pais do Dahmer assinarem.

Eis que encontro um site com um dos melhores quadrinhos que já li, com um traço e uma técnica muito parecida com a minha: palitinhos-man. Vale a pena dar uma olhada no xkcd.

Nesse mundão da internet, não lembro como, tive contato com os Bichinhos de Jardim, da Clara Gomes. Depois de já ter virado fã, adicionei a guria no Gtalk e começamos a falar sobre Arte e o[s] nosso[s] produto[s]. O meu é texto, o dela é desenho [dos bons]. Ela manda muito bem também no roteiro dos Bichinhos e os personagens, com sua fofura enganam.

Estou em um processo de me ‘libertar’ de querer agradar ou impressionar as pessoas, com o que escrevo ou produzo. Tenho feito isso pelo prazer que me dá. Ponto. Se isso me faz bem, a única coisa que preciso para me sentir bem, é fazer. Clara divide a mesma opinião.

Tudo isso para dizer que escrevi o meu primeiro quadrinho. Vou considerar o primeiro, pois os produzidos na década de 90 não contam. Agradeço o esforço e dedicação da Dª Edite e Dª Claudete, mas não posso considerar aqueles quadrinhos como meus primeiros. Aquilo não era [m]eu. Eram vocês, senhoras, se manifestando na mente das crianças e querendo que elas fizessem como vocês.

Enfim, meu primeiro quadrinho.
Como já fiquei satisfeito apenas por tê-lo feito, fique à vontade para gostar ou não. =)
E outros virão.
Ou não.

[Legenda (minha letra é horrível):
- Como a Rússia ousa invadir outro país?
- Sr., essa é a nossa política há décadas
- (...) Mas eles não são a gente]

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Na rua, na chuva

12 Agosto , 2008 · Deixe um comentário

Na rua, falando no celular com a amiga: Imagina, a gente vai sair de lá às 4h da manhã, para estar de volta às 9h. Muito cansativo e ainda com as crianças… não, minha mãe não pode cuidar. Pense, hoje é terça e ela já saiu três vezes essa semana! Imagine no final-de-semana… é, baladeira. Olha, se for pra ir, eu não vou!
[Juro que ainda não consegui entender a frase.]

O vizinho, no telefone: “‘Que horas são?’ [risos] Boa… que horas são eu não sei, mas se você quiser saber que horas é, eu posso te dizer: São 7h45″.
[Se não fosse verdade, eu teria inventado, pois é boa demais.]

No trem, rapaz arrumado [calça social, camisa e sapato]: Zeca? É o Bruno… então, faz um favor pra mim? Liga na sua casa e vê se a Fabiana está lá e não está querendo me atender? Aproveita e… ah é? Não está? Hum, sei. Cara, sabe a última vez que a vi e falei com ela? Naquele churrasco, na casa do… é, eu sei, há dias! Mas olha, eu tinha me preparado para ficar com ela hoje, sabe? Pô, é a minha namorada. Me programei para sair com ela e ela me dá uma dessas? Fica saindo sempre, sem nem falar comigo, não me liga, não me procura… agora? Ah, já marquei de sair pra beber com uma amiga, né. Vou encher a cara também!

O casal, descendo na estação errada do trem:
- Amor, essa estação não está parecendo a nossa… Está muito ‘moderninha’ e arrumada para ser a nossa.
- Eita, é verdade. Nem percebi!
- Estou vendo! Agora pega esse caderninho e anota: “Fica prestando atenção na conversa dos outros; ao mesmo tempo, fica contando para a esposa as idéias mirabolantes do próximo texto, ouve a mulher do trem falar ‘Estação: Cidade Universitária’, quando, na verdade, ela disse ‘Estação: Cidade Jardim’, achando que já passou da estação Pinheiros – quando na verdade ainda faltam duas – e agora faz a esposa congelar de frio na plataforma, esperando o próximo trem”.
- Anotado!
[De verdade, desculpe, querida. Mas se eu deixar de anotar, ou perder o caderninho, fico sem texto por algumas semanas.]

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me diz 5…

11 Agosto , 2008 · 1 Comentário

… filmes que mais gosta.

O filme Alta Fidelidade inspirou esse meme [a segunda segunda-feira do mês], que já virou categoria no blog e será quinzenal. A Vivs Tiemi sugeriu a idéia do meme e a minha participação foi entrar na jogada e criar o nome do meme. Tenho percebido um certo talento para dar títulos a textos, memes, etc. Por saber que ela se amarra demais no filme, passei um mega texto de análise, que li em um blog. É totalmente ‘amador’, mas, por isso mesmo, muito bom. O sentido de amador não é de algo feito de forma pior, mas alguém que fez simplesmente por gostar, sem esperar nada em troca. Se quiser ler o texto, aviso que ele entrega grande parte do filme. Por sua conta e risco, só clicar.

Para não ter briga, os filmes foram colocados em ordem cronológica de lançamento. Fazer a lista já foi absurdamente difícil demais. Colocar em ordem de preferência, só estando em um filme para conseguir.

De Volta para o Futuro – Trilogia 1985, 1989, 1990

O que: É filme da infância, sessão da tarde, o que quiser falar. Mas está na minha lista de preferidos. Poderia colocar Goonies, Curtindo a Vida Adoidado, entre outros, mas, apesar de terem me marcado, não estão à altura desses, embora tenham sim sua importância. Exemplo: o soco que George McFly, pai de Marty, dá em Biff, no final do primeiro filme.

Porque: A temática dele me atrai até hoje: viagem no tempo. Não só isso, mas as implicações em se viajar no tempo. Há algo destinado a acontecer, ou cada ação nossa, cada decisão, cada passo, cada detalhe, é algo que pode fazer com que nossa vida seja de um jeito completamente diferente se tivéssemos tomado uma decisão diferente. O momento que isso fica muito claro é no episódio que considero o melhor da série, o segundo. BTTF2 [Back to the Future 2] é o que os efeitos especiais são os melhores [considere a época em que foi filmado, ok?] e ainda é o mais difícil de entender, com futuros paralelos/alternativos e ‘presentes’ iguais. É uma salada de teorias e de referências ao primeiro episódio da série e apresentas alguns detalhes, que o terceiro filme irá retomar, como por exemplo, o momento em que Marty McFly entra no apartamento do Biff do presente alternativo e está passando um filme de Clint Eastwood. No BTTF3, que acontece em 1885, ele se apresenta como Eastwood e ainda utiliza a ‘artimanha’ de Clint na batalha final com Biff.

ps. BTFF2 foi a primeira vez em que, conscientemente, eu percebi uma ação de marketing e pensei: “Dane-se, eu quero”. Estou falando do tênis Nike que Marty McFly usa. Em BTTF1 e BTTF3 ele também utiliza um modelo vintage, que nos faz ficar a todo instante querendo ter um Nike para poder se sentir um pouco mais McFly. Mas no segundo filme, eles apelam, quando apresentam esse tênis: aqui e aqui. [OK, o hoverboard também é algo que qualquer moleque de 30 iria querer, mas sabemos ser um pouco mais impossível do que a Nike criar esse tênis. Já existe um manifesto rolando na internet há um bom tempo, chamado McFly 2015. A única coisa que a gente pede (sim, 'a gente', eu já assinei o manifesto) é que a Nike lance esse tênis. É pedir muito?! (Eu acredito que se forem lançar mesmo, esperarão até 2015. Mas isso nos meus projetos pra Nike, óbvio)].


Forrest Gump
1994

O que: Um garoto com QI abaixo da média e super-protegido por sua mãe. Logo no início vemos uma cena que, a princípio, pode chocar: a mãe de Forrest transando com o diretor do colégio para que o garoto fosse aceito. Chocante, mas o filme é assim. Mostrando as coisas da forma como são apresentadas a Forrest: sem máscaras.

Porque: Falar de referência nesse filme acabaria com a sua paciência. Sugiro ler a página das trivias no IMDb, em inglês. Mas é um filme épico, grandioso. A simplicidade de Forrest nos comove e atrai. Sua história, seus amigos, suas idéias e as lições de vida deixadas por sua mãe [interpretada por Sally Field] são algo que fazem o filme ser um dos melhores já feitos. Fala de tudo. Amor, traição, abandono, problemas familiares, depressão e até um momento “O Resgate do Soldado Ryan” é possível encontrar. Essa é a coisa incrível que não consigo explicar: o filme é essa ‘salada’, mas sem ser piegas, chato ou clichê.

ps. mais uma vez vemos a Nike pegando pesado na propaganda. E não é apenas um merchandising, mas ela faz com que você termine de ver o filme querendo um tênis daquele para sair correndo.

ps2. uma vítima do marketing que sou, acabei comprando um boné Bubba Gump para meu irmão. Me arrependi, pois só comprei um.

Se7en1995

O que: Um serial killer que pratica seus assassinatos seguindo a lógica dos 7 pecados capitais. ‘Só’ isso. [O cara é genial, né?]

Por que: Antes, leia novamente o “O que”, daí de cima. Continuando… é um thriller [nunca soube direito o significado disso, mas acho que agora entendo] policial, com Brad Pitt, Morgan Freeman, Kevin Spacey e Gwyneth Paltrow [em um papel que é a cara dela: de bunda]. Foi um dos primeiros que vi com uma temática mais obscura assim e um final surpreendente. Lembro que fui assisti-lo no cinema, ou seja, em 1995. Eu tinha 12 anos e a classificação etária para ele era de 16 anos. Eu era o mais novo, mas nem precisei apresentar RG, nem nada. Minha barba por fazer já me fazia parecer o tiozão da turma, levando a sobrinhada ao cinema. Assista, sem medo de ser feliz. Eu já tive muito medo de filmes. Passei a pensar “É de mentirinha”, então, hoje em dia, sofro bem menos. Mas esse não dá para pensar assim. Assista e entenderá o porque.

Alta Fidelidade2000

O que: Uma comédia romântica, onde o narrador é o personagem principal, Rob Gordon, que a partir do término de um relacionamento, começa a elencar o Top 5 de mulheres na vida dele. Em meio a tudo isso, outras listas surgem, acompanhadas de grande trilha sonora.

Porque: O filme é recheado de referências. Seja ao livro de Nick Hornby, na qual o filme se baseou, ou a elementos da cultura pop, como música, livro, filmes, etc. É um grande filme, disfarçado de pequeno. É praticamente uma comédia romântica, mas foge do clichê do gênero, então seria uma injustiça deixar de assisti-lo por causa disso. Altamente recomendado.

Vanilla Sky2001

O que: Um filme fantástico. Um pouco ficção científica, um pouco romance, drama e suspense. Tom Cruise, Penelope Cruz e Cameron Diaz, além de um elenco conhecido nos filmes de Cameron Crowe [o diretor], como Quase Famosos. Só não tem a Kate Hudson. É altamente Pop, no sentido profundo-cultural que começou a ser utilizado no início dos anos 2000.

Porque: Esse é difícil de falar, para mim, pois são muitas coisas. Por exemplo, é um daqueles filmes onde a trilha é tão boa quanto o próprio filme. Outros dois assim são Magnolia e I Am Sam [que eu sempre esqueço o nome em português. É com o Sean Penn, a Michelle Pfifer e a Dakota Fanning e tem a trilha inteira com músicas dos Beatles (muito bem) interpretadas por artistas da atualidade]. Enfim, só por isso, já vale a pena. Mas a temática é algo que me fascina também: a mente humana. Percepção, sonhos e como interage com os outros seres humanos. Outro assunto forte: as pequenas coisas. Uma das frase do filme é: “The little things… there’s nothing bigger, is there?”. Isso resume bem o que penso do assunto. E lógico, uma maluquice para dar uma pitada ao filme. Esse foi o único filme, até hoje, que assisti inteiro com os comentários do diretor. E digo que vale a pena. Se você gosta[r] muito do filme, não vai se arrepender.

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