Crônico

Entradas do Setembro 2008

Camarada nos olhos dos outros…

25 Setembro , 2008 · 4 Comentários

- Cara, entra no site tal e vota em mim! Quem tiver mais votos, ganha um picolé de limão!
- Hum, mas o que é o concurso?
- Ah, a gente tinha que fazer um vídeo nosso, dizendo porque merecemos um picolé de limão e não de jiló…
- Saquei. E teu vídeo, qual é?
- Esse aqui, ó!! Vota lá em mim!! Prometo te dar um teco do sorvete!!!
- Não, obrigado… deixa eu ver.

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- Olha, desculpe, mas não votei em você. Votei naquele tal de B. Gates, com um vídeo sensacional…
- P***a!!! Como assim?!?! Por que não votou em mim?! Sou teu amigo, caramba.
- O dele tava bem melhor.
- Mas cara… desse jeito eu não vou ganhar! Era na camaradagem!!
- OK, como seu camarada então te digo: esforçe-se mais que talvez um dia você ganhe o concurso. Quem sabe, até o meu voto.

FIM [da amizade, às vezes]

Eu sou chato [óóó... agora diga algo novo]. E sei que, durante muito tempo, fui um cara intransigente. Ou, pelo menos, cobrava isso das pessoas. Quando a gente cobra muito dos outros, a gente acaba se cobrando também, perdendo aquela flexibilidade indispensável para viver. Sim, para viver, temos que ser flexíveis. Caso contrário, você não viverá. Será apenas uma luta, já perdida, contra o mundo e contra si mesmo.

Enfim, sei que já fui muito [e ainda sou] radical e inflexível. Mas diversas coisas me ensinaram a relaxar um pouco mais, não levar tudo tão a sério. Eu ainda sofro com isso, pois ainda estou aprendendo a ser rígido na hora certa e deixar pra lá na melhor hora. Mas com certas coisas, eu não consigo.

Uma delas é o exemplo da pequena conversa fictícia que abre o texto. É fictícia pois essa exata nunca occoreu. Mas troque o prêmio, a participação e o vencedor, e isso torna-se uma fórmula. Quantas e quantas vezes amigos vieram pedir para que eu votasse neles, para que pudessem ganhar algo. Até mesmo o “Pô, cara… fala bem de mim pra ela” e o mané é um dos amigos mais cachorros e cafajestes que tinha. Pô, como amigo, sensacional. Como alguém que eu digo pra guria “Esse eu recomendo”, esquece.

Só que muita gente não entende isso. As pessoas ficam revoltadas, acham que você não está sendo truta, está de má vontade e chegam a brigar com você e a te xingar. No fundo, não percebem que eu apenas estou fazendo um bem pra elas. Cresceram achando que a vida era isso: um concurso de quem faz melhor, mas que o que vai te levar a ser reconhecido como tal não é o produto que você tem para dizer “Eu acho que sou melhor por isso”, mas apenas um Orkut inflado, com 897 amigos, que você mal conhece.

Caramba, se o concurso fosse “O que tiver mais amigos, tias, primos, etc, para votar nele quando ele implorar”, OK. Mas a idéia é outra. Ouso dizer que uma das razões para o Brasil ser o que é, é exatamente essa prática. E não falo da corrupção graúda, mas nas pequenas coisas mesmo. Aquilo que a gente chama de ‘cultura brasileira’. É o jeitinho de se dar bem, mesmo que você não seja o melhor ou mais apto para aquilo. Mas como tem muitos conhecidos, acaba levando, na camaradagem.

Por isso, se eu recomendo algo, é porque acredito e gosto daquilo. Os blogs que indico, podem até ser de amigos, mas eu indicaria de qualquer maneira. Se te indico para algum trabalho, é porque eu te contrataria.

Ou seja, se algum dia você ficou chateado[a] comigo por causa disso, não fique. Saiba que você tem um amigo que é extremamente fiel aos seus princípios. Quem não quer ser amigo de um cara assim? [ o/ eeeuuu ].

Agora, se você quiser ficar magoado por causa desse meu jeito e deixar de falar comigo por causa disso, OK. Só que aí eu não vou apenas não-votar em você. Vou fazer campanha para que ninguém vote em você.

Eu mudei. Mas não tanto. [uuuuaaaaahahahahaha </risada maquiavélica>]

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me diz 5…

25 Setembro , 2008 · 2 Comentários

…blogs que mais mexeram com você nos últimos tempos.

Eu avisei a Vivs que subiria esse texto.
Eu simplesmente preciso postá-lo.

Eneaotil

Quem escreve é uma garota subversiva. Os assuntos são variados… não há um tema específico. Mas ultimamente ela tem escrito sobre o Lucas. Recentemente, o guri teve alguns problemas de saúde, ficou internado, etc. No momento, ela está entre a parte 1 e 2 do acontecimento. Mas ainda bem que ele é forte e os posts são, em sua maioria, sobre as frases de Luquinhas, pensamentos e filosofia de vida. Entre e fique à vontade… Lelê [Leonor] te dá as boas-vindas.

Para Francisco

Um homem tem morte súbita, dois meses antes do nascimento do seu único filho. Assim nasce este blog. Tentando entender e explicar dois sentimentos opostos e simultâneos vividos pela viúva e mãe que, no caso, sou eu. Muitos questionamentos. Muitos raciocínios. Muito aprendizado. E uma pressa em falar para o Francisco sobre seu pai, sobre o mundo e sobre mim mesma (só por garantia).

Quando fui escrever um email para a Cris Guerra, falando do blog, demorei um tanto. Toda vez que meus dedos digitavam “muito legal” ou “muito bacana o blog”, eu não conseguia aceitar. Legal? Ela escreve para que Francisco conheça mais da família dele. E o motivo é algo muito intenso, forte e pesado para estar no mesmo contexto do que eu gostaria de dizer a ela.

O que saiu:
Descobri seu blog hoje, pela indicação via Greader, de um contato que tenho no Gtalk.
Coisas dessa vida.
Mas coisas boas.
Dessas de ao mesmo tempo pensar “que barra” ao ler o ‘motivo’ do blog e sorrir a cada post.
Indiquei para meu irmão. E estou indicando aos conhecidos, que gostam de ler.

Não consigo explicar os sentimentos de ler os textos da Cris. Ainda não consigo dizer “Olha esse blog que legal”. Não dá. Mas também não consigo não ler e não indicar. Experimente.

Matt, Liz and Madeline

Não sei se Matt escreve pelos mesmos motivos que a Cris. Mas algo parecido aconteceu com ele. Horas depois de dar a luz à Madeline, Liz faleceu. Matt decidiu fazer o blog para a família. Está em inglês, mas nada muito complicado. Também não consigo parar de ler.


Cerumano

Felippe lutava contra um câncer… leucemia. Narrava suas batalhas no blog. O herói partiu, mas o registro ficou. Barra pesadíssima. Mas como diz um trecho do último post [de um amigo] “(…) ninguém pode afirmar que a luta do Felippe foi em vão. Não foi e não é em vão.” Se não acredita, te convido a ler.

PostSecret

Segredos. Todo mundo tem. O PostSecret é um blog que agrega vários deles. Você manda um cartão-postal, anônimo, com um segredo, e o ‘dono’ sobe os segredos. Todo domingo tem um post novo. Alguns são belos… a maioria, coisas intensas, que as pessoas não têm coragem de dizer aos seus amigos, pais e parceiros. Como tudo começou, você encontra aqui. Eu gosto de acreditar que o blog acaba ajudando as pessoas, que exorcizam seus demônios. Se não chegam a ser exorcizados, podem compartilhar com uma comunidade que se sente da mesma maneira.

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A lista contempla os blogs que mais mexeram comigo. Mas poderia ser a lista dos que mais tenho gostado de ler. Mais do que crônicas, mais do que novidades sobre gadgets e tecnologia, mais do que contos, mais do que quadrinhos, mais do que análises de como o Barack Obama utiliza a mídia, mais do que qualquer outro que eu leia ultimamente. Essa é a lista dos “blogs que mais tenho gostado de ler”. Não sei se é a idade [OK, 25 é pouco], mas tenho estado muito mais apaixonado pelo “ser-humano”. Suas lutas, suas vitórias, suas histórias. “The little things… there’s nothing bigger, is there?

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Desabafo

18 Setembro , 2008 · 5 Comentários

A contra-cultura critica o padrão de beleza ‘imposto’ pela passarela. O ‘imposto’ é justamente entre aspas porque só segue quem quer, não? Só pensa ‘eu preciso ser magra igual àquela trave vestindo um Herchcovitch’ quem quer ou se deixa influenciar a tal ponto. OK, as meninas na passarela têm entre 13 e 18 anos e são altamente influenciáveis. Mas criar uma cultura assim, envolve muito mais gente.

Enfim, a contra-cultura combate esse tipo de beleza e quando surge a Mulher-Melancia, que vira Garota-Melancia [menos objeto, segundo ela], diz que onde já se viu gostar de algo descomunal como aquilo. Mais uma vez, não vou entrar no mérito da comercialização da mulher, etc. Mulheres que parecem ter vindo de um hortifruti [Mulher-Jaca, Mulher-Moranguinho, Mulher-Açaí, Mulher-Acelga, Mulher-Aipo, etc] passam a ser criticadas porque são rotundas e arredondadas. E isso vindo de ‘setores’ da contra-cultura.

Eu não entendo mais o mundo. Ou estou ficando velho, ou só está piorando mesmo. Se o padrão de beleza [desejo] são mulheres de 1,80m pesando 32kg, nego reclama. Se o objeto de desejo passa a ser uma versão dançante da Preta Gil, nego reclama. No fim, acho que cultura e contra-cultura não se diferem mais tanto assim. Na verdade, talvez tenha sido sempre assim e eu que não percebi. Uma contra-cultura que de tão hype, vira senso-comum.

Está cada vez mais difícil tentar pensar ‘fora da caixa’.

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Hoje cedo

18 Setembro , 2008 · 3 Comentários

fique extremamente preocupado.

Quando comprei meu primeiro iPod, usar fones brancos era ousadia. Ao encontrar algum amigo, já ouvia [depois de tirar os fones]: “Nossa, de iPod, hein?”. Isso só de olhar os fones. Na época, trabalhava na avenida Paulista e costumava percorrê-la a pé inteira, ouvindo música, lógico. Nas minhas freqüentes visitas à Fnac, vi um fone merreca, da Phillips, por R$ 15. Sei que no camelô ou no Standcenter sairia por R$ 5, mas não queria arriscar. Comprei e fiquei feliz. Eram pretos e simples. Esse foi meu fone por um bom tempo. Acontece que ele não é tão confortável quanto os do iPod. A qualidade sim é superior. Então continuei dividido entre um fone que se ‘adequava’ melhor ao ouvido, mas que chamava mais atenção e o som não era tão bom e um outro que ninguém nem reparava, era melhor de ouvir, mas machucava os ouvidos.

Acontece que eu não lembro o que aconteceu. Não, eu não fiquei em coma. Não lembro o que aconteceu com os fones preto. Sei que nunca mais os tinha visto e, para mim, havia perdido, entre tantas outras coisas que já perdi na vida.

Outro dia, arrumando uma gaveta, que há pelo menos 3 anos prometi arrumar, encontrei os danados. Não chegaram a fazer falta no quesito “disfarçar o iPod”, pois nos últimos anos os fones brancos foram disseminados. Não apenas no aumento de iPods comprados, mas fones brancos de outras marcas, inclusive de celulares, foram fabricados. Ou seja, usar um fone branco na rua não era mais perigoso e, por isso, de certa forma, desencanei. Mas ao pegar os fones pretos da gaveta, testei-os na mesma hora e vi que estavam perfeitos: ótima qualidade, preço justo e ainda machucavam o ouvido. Desde esse dia venho alternando entre os brancos e os pretos.

Hoje cedo, usando o branco, percebi que o fone esquerdo estava estranho. Eu estava ouvindo menos do lado esquerdo do que do lado direito. Pensei: ou estou surdo do ouvido esquerdo, ou o fone esquerdo do iPod está danificado. O que me deixou preocupado não foi o fato de talvez ter perdido parte da audição. Fiquei surpreso pois não sabia o que me deixava mais triste: ficar parcialmente surdo ou meu fone estar danificado! Família, se vocês estiverem lendo isso, relevem. Vocês sabem que eu tenho esses surtos e eu estava realmente preocupado… não queria perder meu fone!

Como ando com a dupla branco/preto, pegueis os fones pretos e testei: estava ouvindo perfeitamente. Fiquei aliviado. Mais: descobri que ainda tenho juízo e que ficaria mais chateado em perder a audição aos fones brancos.

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Sonhava com algo brega todas as noites

18 Setembro , 2008 · 1 Comentário

No ponto de ônibus, ela viu a moça acenando, como quem diz “Pode ir. O ônibus já vai chegar”. A tristeza da moça era essa. Não queria ser levada para longe. Muito menos ele, que aguardava no carro, queria que ela fosse tirada de si. Acenou 1, 2 e 3 vezes. “Vá. Estou bem. Logo estarei dentro do ônibus”. Pela janela do carro ele olhava apaixonadamente e não ia embora de jeito nenhum. A que observava não sabia se era para constranger ou se era sincero, mas a moça passou a beijar a palma da mão e a assoprar os beijos em direção ao carro. Tinha certeza que eles atravessariam o vidro. “Que brega”, pensou a espectadora. Sentiu vergonha alheia quando viu o rapaz pegar os beijos e guardá-los.

Ele não agüentou. Correu em direção ao ponto, abraçou a moça e ficou beijando-a por alguns minutos. A que acompanhou toda a cena, pensou como seria bom se alguém a olhasse daquele jeito e pegasse seus beijos bregas no ar. Ele deu um último abraço, um beijo na boca e um na testa. A lágrima caiu dos olhos da que observava. Sonhava com algo brega todas as noites.

[Deu branco pro texto e uma pequena flor observadora me ajudou dessa vez.]

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Estação, Presidente Altino

11 Setembro , 2008 · 1 Comentário

O trem pára quase sempre no mesmo lugar. Das 20 pessoas naquele metro quadrado, apenas duas ou três não se posicionam no local onde as portas se abrem. Não importa se está vazio, ou se ao abrirem as portas as pessoas simplesmente cairão para fora. Pelo menos 15 pessoas vão entrar e fazer com que todos os espaços vazios sejam ocupados. Pego o trem na estação Cidade Jardim e vou em direção a Osasco.

Quando entro, ainda toca Bach e Mozart. Chegando perto da estação final, o que começa a tocar é a primeira parte de Carmina Burana, de Carl Orff. [Sente só o clima. Recomendo continuar a leitura enquanto ouve].

O trem vai ficar pelo menos um minuto parado na estação, mas todos temem não conseguir descer. Vão se apertando e se esmagando para ficar mais próximos da saída. A mochila já está mais colada ao corpo que meia calça molhada. O cotovelo no baço alheio é demonstração de carinho entre os passageiros. Todos se olham com os olhos semi-cerrados. Todos desconfiam que qualquer um ali poderá empacar na porta e fazer com que fiquemos dentro daquele vagão, para sempre! As pernas arqueiam e ficam em posição de ataque. A adrenalina corre pelo corpo e me pergunto se conseguirei chegar intacto ao meu destino. Tenho uma família. Prometi que voltaria. Não posso decepcionar os que me amam. O grito está entalado na garganta. Uma voz doce e suave, quase surrando, corta repentinamente a música e anuncia: “Estação, Presidente Altino. No desembarque cuidado com o espaço entre o trem e a plataforma”. Recuperamos a cara de bobo devido à interrupção e retomamos a posição de ataque. Não sei se é minha imaginação, ou se de fato grito, mas o urro assusta os que estão ao meu redor: THIS IS OSASCO!!!

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Um mundo quase perfeito

11 Setembro , 2008 · 5 Comentários

O mundo que imagino é um mundo sem violência, sem drogas, sem abuso sexual, sem pobreza. Não teria sujeira, políticos corruptos, inflação, corrupção e não haveria greve por qualquer coisa.

Ele seria cheio de árvores, todas as cidades teriam praias, mesmo sendo no interior do país; não haveria noite, só dia.

Ninguém seria chato, não sentiríamos dor, nem tristeza; não haveria frio, nem teríamos doença.

O mundo seria redondo mesmo, só que com poucos relevos; o céu sempre azul, chuvas só para nos refrescar e não chuvas torrenciais; o Tietê e todos os rios seriam limpos.

Este é o meu mundo, um mundo quase perfeito.
_______________

este texto escrevi em 1995, quando estava na 5ª série, com 11 – 12 anos.
achei outro dia o livrinho em que ele foi publicado.todo ano, as melhores redações da 5ª à 8ª série eram compiladas em um livrinho chamado ‘Lermack’ [de Mackenzie].

desde que achei o livrinho, li para algumas pessoas.
sempre ao final do texto, me perguntavam: – porque ‘um mundo quase perfeito’? por que é ‘quase’?

não precisei tentar entender o motivo, ou buscar lembrar.
sempre esteve na minha cabeça, desde a primeira vez que escrevi a redação.
é ‘quase’ perfeito porque é o meu jeito de ver o mundo.

muita gente vai discordar de muita coisa que coloquei ali.
até eu mesmo penso diferente em algumas coisas que escrevi e a redação hoje sairia diferente.
mas quando a escrevi, lembro exatamente de ter pensado nisso.
essa é a minha visão de como o mundo seria perfeito.
por isso é quase.
porque, em última instância, só agrada a uma pessoa: a mim.
por isso não pode ser perfeito.
o conceito de ‘perfeição’ é absoluta, indiscutível.

apesar de pensar diferente hoje em dia [eu gosto do frio, gosto da noite, gosto de chuva], ainda tenho esse princípio: o que é bom pra mim, pode não ser para você.
assim como o que é bom para você, pode não ser para mim.

desse jeito, a gente vive muito menos estressado, entendendo que nem todo mundo quer a mesma coisa que a gente.
e se alguém não entende isso, entenda que ele talvez não queira entender.
é uma escolha que se faz e tentar mudar essa pessoa, acabaria com a idéia da coisa.

deixa pra lá.
não é descaso.
é paz.

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A big hard sun

9 Setembro , 2008 · 1 Comentário

There’s a big
A big hard sun
Beating on the big people
In a big hard World
¹
[Para ler ouvindo]

Passei a andar olhando para cima. Na rua em que mais sigo reto há diversas árvores. Por maiores que sejam suas copas, ainda é possível perceber o sol por detrás delas. A sombra, mesmo com espaços onde bate sol, é refrescante. O brilho do Astro Rei ofusca mesmo que olhado por entre a folhagem. De repente, uma sombra fria e distante aparece. Claramente é possível distinguir onde começa e termina. É calculada. Não há sinal do sol, só sabemos que está de dia.

O homem cria, ‘evolui’ e se afasta de sua natureza e da Natureza. Os prédios não interagem com o sol, o vento e a chuva. O concreto é utilizado para isolar a humanidade dessas ações naturais. O som do vento balançando as folhas de uma árvore é uma atração tremenda e não há música da Enya ou óleos e sais que consigam tranqüilizar da mesma maneira.

A terra absorve o calor do sol. As folhas fazem sua fotossíntese tendo como fonte a luz solar. E os cachorrinhos das madames usam pantufas, para que seus pés não fiquem molhados quando chove ou se incomodem quando está quente.

Se proteger da chuva embaixo de uma árvore é perigoso, mas te faz sentir vivo e ‘natural’. Várias gotas te atingirão, mas a chuva foi feita para isso mesmo. Hidratar. Limpar. Renovar. Protegido pelo concreto, ou pelo metal do carro, em um ambiente climatizado – seja com ar-condicionado ou aquecedor – o homem esquece de como ser Homem e fica perplexo quando tufões, temporais e secas nos fazem lembrar, à força, que a Natureza não faz mais parte de nossa natureza.

Olhe para cima. Sinta o sol, cheire a chuva, suje-se na grama e pise na lama.

¹Letra e música de Eddie Vedder, para a trilha do filme “Na Natureza Selvagem”.

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With lasers

5 Setembro , 2008 · Deixe um comentário

O sem-teto atravessa a rua e não quer nem saber. Quase atropelado por um carro, pára e encara o motorista, com uma cara mais marrenta que o Romário depois de fazer gol. De dentro do carro olham com medo e preferem não falar nada. Em pé, o morador de rua vira praticamente um “mendigo with lasers“. Afinal, se ele é ‘morador de rua’, a rua é de quem? Ele dorme ali, come por ali, faz suas necessidades pela região. Diversas vezes vejo um que está deitado no que seria seu sofá [papelão], lendo o jornal do dia. Que, ao anoitecer, será seu cobertor.

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Carta anônima

5 Setembro , 2008 · 2 Comentários

Um amigo me enviou sua experiência do dia:

Cena 1
6:30 am, saindo de casa, no mesmo horário que sairia de carro.

Cena 2
No Metrô:
- Moça, onde pego o “papelzinho” para a Ponte Orca?
- Passe pelo controle e pegue com aquela moça…

Cena 3
No Metrô Barra Funda
- Por favor, por onde que entro com este papel da Orca?
- Pelo trem, no final do corredor.
- Mas depois, como faço?!
- O que o sr. quer fazer? (mais sério do que o necessário!)
- Quero pegar o Metrô! (rindo um pouco…)
- O sr. entra, vai até o final do corredor, etc…

Cena 4
- “Próxima estação Carrão”
Esta é a minha!
Desço, passo pelo controle, vou até o final do corredor à direita [no chute, pois nunca sei para onde é minha direção] e não encontro o estacionamento com o carro, ou algo parecido com o que seria o meu estacionamento.
Desesperado vou em busca de um funcionário (levaram o meu estacionamento!) e na direção do outro extremo da plataforma (na esperança de encontrar o estacionamento do outro lado), quando cai a ficha que a minha estação é a PENHA e não Carrão.
Saco mais um bilhete de R$ 2,40 (chuif…) e volto a pegar o Metrô em direção ao meu destino: PENHA!

Cena 5
Na estação Penha
Feliz por encontrar o meu estacionamento, o meu carro, dou os R$ 5,00 e espero o controle abrir.
- Sr., são R$ 10,00!
- Não “era” (ontem) R$ 5,00?!
- Sim, mas para 12 horas….

Cena 6
Na empresa, 8:10 am, 1 hora e 40 minutos após sair de casa.

Reflexões:
1) a ida para São Paulo (estacionamento-Metrô Penha-Facu) é mais rápida. [ele trabalha em uma cidade vizinha]
2) a vinda de carro também é mais rápida, mas um pouco mais estressante por causa do trânsito.
3) as pernas doem, indicando que estou fora de forma e que fiz um pouco de exercício (pelo menos!).
4) a classe média americana deixa o carro no estacionamento para trabalhar no centro. Eu deixo o carro no estacionamento para ir dormir no centro.
5) de qualquer forma farei isto uma vez por semana.
5) estou ficando um pouco velho para isto!

Um bom dia e abraços,
amigo do Gabriel

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