Crônico

Entradas do Novembro 2008

A gurizada estava em alvoroço

27 Novembro , 2008 · 2 Comentários

Foi o Luquinhas quem contou, pois tinha ouvido de sua avó: um grupo de homens que tocam violões e vão até a casa da pessoa cantar a declaração. Ela disse que eram os Trovadores Urbanos. O alvoroço inicial era meio sem objetivo, como acontece com as crianças. Era pela novidade. Até que Luquinhas, como quem não quer nada, sugeriu: “Por quê a gente não faz uma vaquinha, contrata eles e manda cantarem pra professora?! Ela vai adorar!”. Todos concordaram imediatamente. Não precisavam verbalizar o real motivo… a última prova estava chegando e mais de 50% da classe precisava tirar no mínimo 9.

A vaquinha foi feita. Economizaram todos no lanche e conseguiram arrecadar um dinheirinho. Os Trovadores fizeram um desconto, pela singeleza da ação… claro que ninguém contou o verdadeiro motivo. As crianças ainda perguntaram se podiam acompanhar os Trovadores, já que a música escolhida eles conheciam. No fundo, queriam ver a reação da professora, para saber o que esperar na hora da prova.

Foi um sucesso. A rua inteira saiu na janela para ver. A professora chorou de emoção, agradeceu os meninos do segundo andar do sobrado e mandou beijo para todos de lá de cima.

A Vivi perguntou pro Luquinhas:
- E agora?
- Agora…? A gente espera.

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Eu nunca tinha visto essa combinação… sublime

27 Novembro , 2008 · 10 Comentários

Foi a criança mais linda que eu já vi em toda a minha vida. Ouso dizer que a pessoa mais linda. Era um menino negro, com síndrome de Down. Eu nunca tinha visto essa combinação… sublime.

A primeira vez, ele estava com um violão de brinquedo no colo, sentado no banco da janela da lotação. Não lembro se ele me viu, mas eu não conseguia tirar os olhos dele. Quando vi que a mãe reparou nisso e me olhou estranho, dei um sorriso amigável, como quem diz “Parabéns. Seu filho é lindo”. Perguntei pra ele se tocava violão e ele disse que sim. Ficou meio acanhado, mas aquele pouco bastou para eu nunca mais esquecê-lo. Eles desceram um ponto antes do meu.

Imagine então o dia em que o encontrei de novo. A mãe dele me reconheceu e cumprimentou. Ele se ofereceu para segurar minha mochila. Desliguei o iPod, enrolei os fones e ele esticou a mão, com a palma virada para cima, para eu entregar-lhe o aparelho. Não hesistei. Entreguei sorrindo, ele abriu minha mochila, guardou e levou uma bronca da mãe… “Ô rapaz… te ensinei que não pode ir abrindo assim”. Eu sou mestre em estragar os filhos dos outros e respondi: “Tem problema nenhum… Qual seu nome?”
- Gabriel
- … [segurei o choro] Que nome bonito… sabe, eu também me chamo Gabriel.
Ele abriu o sorriso, junto com a mãe, que nesse momento se levantou, pois o ponto deles estava chegando. Ele envolveu os braços no meu e apoiou a cabeça um pouco abaixo do meu ombro.
- Gabriel, vamos! A gente vai ter que descer.
- Não.
- Gabriel, vamos!!
- Não
“Minha senhora, eu vou descer nesse também”.
- Mas é o seu ponto?!
“Claro… como não seria?”
Eu estava atrasado, mas, naquele momento, fazia muito mais sentido não deixar o Gabriel causar com o motorista da lotação do que chegar no horário no escritório.
Descemos os três, ele de mãos dadas comigo. Só soltou-a em dois momentos: primeiro para cumprimentar um segurança na calçada, que parecia ser amigo dele de longa data. Nos 4 ou 5 quarteirões que caminhamos, ela me disse que ele tinha 8 anos e que eles moravam em Paraisópolis. Contou também que tinha mais 3 filhos: uma de 25, uma de 20 e um de 13.

Na segunda vez que em que ele soltou minha mão foi para se despedir de mim. Eu agachei, ele se aproximou, me deu um beijo e disse “Tchau, amigo”. Eu não consegui responder. Mas Gabriel é do tipo que entende que certas lágrimas dizem mais do que qualquer “Adeus”.

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O sogro dele era dentista

26 Novembro , 2008 · 2 Comentários

Na hora de fazer orçamento, eram risadas, tapinhas nas costas e cordialidades. Na hora dos tratamentos, ele suava frio. “Será que ela ligou pra ele e disse que discutimos? Será que peguei pesado? Ela chorou?! Ai caramba, não lembro se falei mal de alguém da família dela!!”

Por sorte, ela não dava a sua versão da briga para o pai. Apenas comentava por cima. Mas isso ele nunca soube. Era divertido vê-lo sofrendo com isso, quase uma brincadeira. Até o dia em que ela estava tão de saco cheio e falou tudo [e mais um pouco] para o pai. Sabe como é quando a gente está nervoso e aumenta um pouco na história? Pois é…

Ele chega ao consultório, aquele sorriso amarelo de quem brigou no dia anterior com a filha do dentista… o sogro, de poucas palavras, encaminha-o até a cadeira do consultório, dá um sorriso estranho e aplica a anestesia… geral. O rapaz ainda consegue olhar o relógio e ver que horas são.

Ele acorda, olha o relógio novamente ["Nossa, eu fui muito esperto mesmo em fazer isso como última coisa"], vê que ficou desacordado por apenas 15 minutos e pergunta:

- Primeiro, porque a anestesia geral? Segundo, tratamento de cárie não leva umas 2h?!
- Então, é que hoje eu decidi tirar seus 4 sisos.
- Mas hein?! QUATRO?? Como assim?! Eu já tinha tirado um!! E com voc, er, com o senhor!!
- Sei…

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São quase 11 milhões de pessoas

25 Novembro , 2008 · 1 Comentário

Os metrôs, trens e ônibus estão lotados. Há filas para o cinema, no mercado, para entrar, para sair e para ficar. Restaurantes sem lugares, ares-condicionados de casas noturnas que não dão conta do recado, parques caóticos e hospitais sem leito.

E ainda assim, ela se sente sozinha [embora não se sinta só]. Amigos os têm. Família também. Liga para o namorado, mas nada muda. Casa-se, mas tudo fica. Esmagada entre cinco pessoas dentro da lotação, sabe que os corpos encostam-se ao seu, mas não os sente. A brisa é mais pesada que uma cotovelada. O movimento do ar mexe mais com ela do que qualquer empurrão. O barulho das folhas no alto das árvores é mais profundo que uma pisada em seu pé, no tênis apertado.

Sentada, sente pena de si mesma, não por achar triste, mas porque os outros, que outros?, a acharão coitada. Quanto mais sente dó, mais patética se acha. Quanto mais patética acredita ser, mais pena sente de si mesma. É como a solidão, sua melhor companheira. Um círculo vicioso. No estádio, no shopping, na avenida, parece estar tão só que nem ela encontra-se ali. É como se sua existência quase deixasse de ser. Quanto menos gente; quanto mais espaço; quanto mais sozinha, mais presente e viva parece estar. Sozinha, ela é, ela vive. Sozinha, ela sente, ela vê, ela acredita. Sozinha, ela é mais.

É a solidão que a faz se sentir completa e não uma outra pessoa.
Contraditório, mas é assim com sua melhor amiga, a cidade de 11 milhões de pessoas, que faz boa parte de si se sentir sozinha.

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Amigôô!

24 Novembro , 2008 · Deixe um comentário

Passei a catraca em direção ao trem e ao longe avistei um oásis: Dog Prensado / 2 Salsichas / R$ 1,19. Tem coisas que só a Barra Funda faz por você, pensei. Logo após as catracas, como todo mundo, passei apressado e não o vi, mas ouvi. Um som que vinha de dentro, das entranhas. Som azedo, de que alguma coisa não está boa. “Amigo, precisa de ajuda?”. Mais grunhidos. “Amigôô! Quer que chame alguém?! Você está bem?”.
- Minhas coisas estão ali no canto… já estou esperando.
“OK, mas se quiser alguma coisa, fale…”
- Não, não é nada [UUUURRRRGGGHHH]. Acho que comi alguma coisa numa barriquinha ali em Osasco que não me fez bem. Estou com umas pontadas no estômago que não estou agüentandUUUURRRRGGGHHH.

A moça com uniforme da CPTM chega mais perto e mexe a boca, sem emitir som: “Está OK. Já chamei. Pode ir”.

OK, Deus, aviso recebido.
Nada de dogão prensado hoje.

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Entrevista de Pix

21 Novembro , 2008 · 3 Comentários

Como de costume [uma entrevista e já virou costume?] uma entrevista com alguém que eu conheço e que vocês talvez também conheçam. Ou não.

As entrevistas são via Gtalk, do jeito que sai [OK, eu dou uma editada básica, se não vocês não agüentariam. Mas faltas de acentos e erros ortográficos devem ser entendidos como parte do contexto]. Dessa vez, Bia Granja na área. Quem é Bia Granja?

Bia, por Bia:
FEED FREAK, editora da revista PIX e, definitivamente, uma pessoa que está twittando quando deveria estar trabalhando…”
E vamos que vamos:
[A entrevista ficou gigante, mesmo editada]

me:
bia, qdo vc quiser
Bia: tem que falar alguma coisa tipo “RODANDO”?
OK, MOTHER FUCKER, RODANDO!
me: então, que tara é essa por tubarões? [bia granja é viciada (e viciou a mim e a meu irmão, por tabela) no joguinho sharkrunners, da Discovery Channel]
Bia: já vamos começar com perguntas de cunho pessoal?
ok
tudo começou quando eu era pequena e assisti o filme TUBARAO
fiquei fascinada
o fascínio virou medo
ao ponto deu nao querer ficar sozinha dentro da piscina
me: qtos anos vc tinha?
Bia: e dai eu resolvi estudar mais esses bichões dentucinhos pra saber se era mesmo possivel encontrar um deles na piscina
dai o medo virou fascínio?
anos?
poucos!
qdo foi lançado tubarão?
eu nasci em nov/1980
bom, devo ter visto com uns 6 ou 7 ou 8 ou 9 anos
sei lá
bom, até hoje eu amo tubarão
e meu sonho é mergulhar com tubarões brancos na africa do sul
the end
cabô entrevista?
ou o entrevistador saiu pra ir ao banheiro?


1 minuto

me: ehehehe. ainda não.
vc então sempre foi curiosa assim? de querer mesmo saber se era possível ter um tubarão na piscina?
Bia: CLARO!
minha mae cansava de me mandar parar de perguntar as coisas
e hoje em dia, se vc deixar, eu fuço sua vida inteira assim sem querer via gtalk
me: via gtalk? como?!
Bia: perguntando coisas tipo: você é casado? com quem? o que ela faz? onde vc mora? onde vc trabalha? vc é feliz? qual seu filme preferido? vc usa condicionar?
etc
me: ah, perguntando pra mim… claro.
Bia: isso
pra vc e pra quem mais responder
me: fiquei com medo de vc ter acesso remoto aos computadores apenas conversando via gtalk
Bia: HAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHH
cuidado, im in ur files, stealing ur porn
vc tem mta coisa escondida ai?

me:
então, continuando… outro dia te perguntei da Pix. qual a história dela? [ignorando a sua pergunta]
Bia: Q ABSURDO! me ignorando
me: um dia eu deixo vc me entrevistar…
Bia: bom
AHAHAH

a pix nasceu da minha cyber curiosidade e cara de pau
cansados de receber emails tipo ” ISSO É INCRÍVEL, VC TEM Q DAR UM JEITO DE COLOCAR ISSO NA REVISTA”, os editores do Fotosite resolveram me presentar com a minha propria revista…
tipo, toma seu picolé e para de encher o saco
e isso já faz 2 anos e meio
2 anos e meio de muita inutilidade wébica
e a maior recompensa é receber emails fofos dos baixinhos e ser convidada pra fazer esse tipo de entrevista
super gratificantxi
:)

me: a Pix é sua? vc é a dona? sei que estão mudando do galpão… é vc que decide essas coisas?
Bia: a pix é da empresa que me paga pra fazer a pix, mas o conteudo da pix sou eu
(nao sei se isso é bom ou ruim)
EU NAO DECIDO NADA! os donos e sócios é que decidem
eu sou apenas uma funcionária que habita a baia 1A
me: então vc é a alma da Pix e o corpo são os donos e sócios… quantos são?
Bia: ahahhahaha
a sixpix, q publica a pix, a resultson, a fotosite, a clix e a zubaloo, tem 3 socios (bob wollheim, flavio mello e GCM Capital)
me: vc sabe por que estão mudando de lugar?
Bia: pq o galpão é mto gelado e a gente tá em busca de aconchego?
ahahahahahaa
me: até que vc tem um patrão gente boa…
Bia: quem?
me: o “patrão” como sendo todos os sócios… de pensarem no aconchego de vocês. certeza que deve ser por ser mais barato, mas é bom passar que se preocupam com a redação. rsrs.
Bia: HAHAHAHAHAHAHHA
i wouldn’t know that
e tbm pq é mais perto da civilização
vamos sair da vila leopoldina em direção à urbanidade e glamour do jardãns
me: ok, vc não sabe que eu moro depois da v. leopoldina, então eu te perdôo…
Bia: HAHAHAHAHAHAHAH
eu ja morei na granja (sim, pode rir, bia granja na granja viana) e sei tudo sobre morar no campo
zero preconceito
mas eu sou urbanóide e tô achando maravilhoso a vida na cidade grande

me: então, a pix é um aglutinado “inutilidade wébica” [citando vc]. já ouviu reclamação qto a isso? de que vc deveria fazer coisas mais sérias, etc…?
Bia: nao reclamacao
mas recebo sugestoes tipo: pq vcs nao fazem materia sobre estagiarios, pq vcs nao fazem materia sobre vestibular, pq vcs nao fazem materia sobre capoeira
etc
reclamacao só recebi uma vez de uma leitora de 12 aninhos que pediu pra gente nao falar tanto palavrao na revista
ahahhahaha
me: e vocês levaram em conta a reclamação?
Bia: NAO
HAHAHAHAHHA
quer dizer
nao, porra
ahahhahahaha
ai ai
to brincando
me: mas por quê?
Bia: é que a pix é distribuida em bares e lugares onde circula um pessoal um pouco mais velho, tipo a partir de 17 ou 18 anos
neh?
me: ah, mas sempre tem uns precoces… não em freqüentar os lugares, mas em ler, até no site, etc. acha que a internet acaba atrapalhando ou ajudando, nesses casos?
Bia: atrapalhando ou ajudando oq? a educação de nossas crianças?
me: que mané crianças… a Pix. rsrs.
Bia: HAHAHAHAHHAHAHA
tudo ajuda tudo
alem da revista e do site a gente está espalhado por ai de um milhao de maneiras (tv em onibus, tv em bares e cafés, etc)
uma coisa ajuda a outra, se complementa
e os publicos nem sempre sao os mesmos
mas pô, considerando q a internet tá cheia de pornografia e coisas do genero… se a criança de 12 anos cair no site da pix… tá light, né?
o site da pix é o menor dos males internéticos
eu acho

me: o que vc mais gosta de ler na Pix? e qual seção mais gosta de fazer? [se já mandar link, ajuda na hora da edição e de subir o texto pro blog. rsrs]
Bia: eu gosto de fazer o groselha.com, o junk mail e o existe nao existe, respectivamente as seções de links inuteis, baboseiras recebidas por email e produtos bizarros
sobre esse lance das pessoas reclamarem da pix ser um aglutinado de baboseira wébica, o grande motivo pra nao termos esse tipo de reclamação é que a nossa proposta é justamente essa, de ser um, aglutinado de diversão digital wébica
a gente nao tem nenhuma pretensão, entende?
só querermos divertir um pouco o leitorzinho querido
me: é como se reclamassem do William Wack não sorrir… a idéia é justamente essa, né?
Bia: CORRETO
ele nao tá lá pra fazer amigos
ele tá lá pra informar
(ou nao)
me: é mais legal informar ou fazer amigos?
Bia: informar amigos
e diverti-los tambem
!
!
:)

me: quantos sites, mais ou menos, vc acessa por dia?
Bia: PFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF
me: a quantidade de F’s depois do P?
Bia: HAHAHAHAA
só nesse momento eu estou com (perai, contando)
27 abas abertas no firefox
ah, vou ver meu historico
deixa eu contar
me: ok
Bia: puts
eu já contei 69 e ainda estou na letra “e”
a gente pode fazer uma media
a letra e é 5a letra do alfabeto
69 dividido por 5 dá 13,8
sites por letra
dai vezes 23 letras?
sao 23?
me: 26 contanto w, y e z
Bia: dá tipo 317,4 sites
ah
entao pera
358,8 sites por dia
:)
TCHANS

me:
vamos arrendodar para 360
vc não me respondeu qual seção gosta mais [de ler] da Pix….
Bia: eu leio todas as seções
sempre
nao tenho preferida
eu escrevo tudo sozinha, oq eu nao escrevo eu reescrevo
me: ah bia, sem essa de ser polite com os responsáveis de cada uma… sempre tem uma seção que vc gosta mais, curte mais.
Bia: nao consigo ter uma visão tipo de leitor
“ah, q seção vc gosta mais de ler?”
sei lá
nao tem responsaveis
eu sou super chata com a pix
nao deixo ninguem chegar perto
NHAC!
me: então como rola a colaboração dos outros jornalistas?
coletando dados?
Bia: ahahaha
nao
é assim
eu seleciono tudo oq vai sair na revista
se for uma seção fisica, eu mando o material e o reporter faz o texto e dai eu reviso e edito pro q eu acho q é a cara da pix (a minha cara)
e se for materia, ou eu faço ou a gente debate até nao poder mais pra deixar o briefing redondo, dai o reporter escreve, me manda, eu reviso, edito, peço coisas e arredondo tudo pra sair o mais perfeito possivel pro leitor
sim, eu sei, centralizadora pra caramba, mas ainda to praticando meu desapego
me: mas faz sentido, qdo vc diz que a cara da Pix é a sua cara. já teve algum caso mais tenso, de alguém se incomodar com isso? fosse jornalista da revista, fosse algum dos sócios?
Bia: nao
o povo adora minha cara
hahhahahahahaa

me:
vc tem medo de ficar dependente demais da Pix? de algum dia não conseguir largar ou de ser Bia Pix Granja pra sempre?
Bia: SIM
to tentando largar
mas nao consegui achar alguem pra por no meu lugar
:)
tenho medo de tornarem ela mto pretensiosa e acabarem com a diversao simples da revista
mimimi
:)
gente, isso aqui tá parecendo terapia
ahahaah
vamos mudar de assunto?
me conta da sua grana no sharkrunners
:)

me: tem algo em mente já planejato, projeto em andamento, etc? [prometo que estou terminando]
Bia: tem sim… é aqui dentro da sixpix e tbm tem a ver com publico jovem
vai ser grande!!!!!
ui!
me: o que vc pode adiantar pra gente desse projeto [revista CARAS]
Bia: HAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHA
por enqto nada
só que vai ser grande, q é pro publico jovem e q vai ser grande (eu já falei q é um projeto pra jovem?)

me: vc acha que tem uma data ‘limite’ para alguém fazer conteúdo pra jovens? tipo, o keith richards com 327 anos ainda tem um apelo à juventude…
Bia: brother, c tá me chamando de vellha?
me: ahahahahaha! não… de verdade.
Bia: acho q nao
me: vc é de 80, uma criança!
Bia: eu já to trintona
me: ok, vc é de 78 então.
Bia: nao
me: antes?
Bia: mas arredondando tô em 30
eu digo q tenho 30
pq prefiro fazer 30 agora do que depois
mas entao
gente, vc tá me forçando a clichês (e eu odeio cliches), mas vamos lá:
a juventude é um estado de espirito
o cara pode ter 60 com uma visao jovem sobre o mundo
a diferença é que ele terá q pesquisar um pouco mais pra saber oq é bacana no momento
pq viver tudo como se tivesse 18 nao dá, né?
:)

me: para vc não se sentir mal, pergunta-clichê: da onde vc tirou o nome Pix? [foi você?]
Bia: pix nasceu de pixel
e era sonoro
tipo nome de cachorro, sabe?
pix, diversão digital

me: vc já foi entrevistada antes?
Bia: arrã
pq? to agindo como uma amadora?
SORRY!
é que tô honrada, quero falar coisas legais pros seus leitores
me: não tá sendo amadora não… é que eu pergunto porque é o meu papel. foi entrevistada pra qual veículo?
Bia: já dei pra vários
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
me: ui
Bia: ahahaha
brincadeira
nao lembro todos
me: foram tantos assim?
Bia: pra internet alguns
já dei entrevista pro glamurama, pra terra magazine, pro jornal o povo
inclusive algumas q nunca sairam (snif)
ahahahaha
e já dei entrevista pra MUUUUUUUUITA monografia
nossa
incontáveis
acho fofo fazerem trabalho sobre a pix
(beijo pros meus queridos leitoresssss)

me: que pergunta nunca te fizeram e que vc é doida pra responder? [ou para que te façam, mesmo sem saber responder?]
Bia: GENTE, eu perguntei isso pra um cara outro dia numa entrevista
mas ele nao entrou no clima
me: saco. e eu achando que estava sendo super-inovador ao perguntar isso…
mas vindo de vc, uma mente brilhante, eu aceito.
Bia: ahhahaha
shut up
me: <ironia off>
Bia: <thanks>
hummmmmmmmmmmmmm
a pergunta é
me: que pergunta nunca te fizeram e que vc é doida pra responder? [ou para que te façam, mesmo sem saber responder?]
Bia: a pergunta é

me: vc tá pensando, é isso?
Bia: é
ahahahhahahahah
puts
me: eu já ia dar ctrl+V de novo
Bia: ahahahhahahahhahahahha
cabeça de melão
véio
cara
essa é dificil
me: bia, eu não tenho fita rodando, mas vc precisa responder!
Bia: to pensando (mentira, to falando com um amigo na outra linha)
me: outra?! vc tá em 2 linhas e no gtalk?
Bia: mas é pergunta de ordem pessoal, profissional, esotérica, informativa, politica, socio-economica….
na outra linha é na outra janela
EU ODEIO TELEFONE
me: eu também… a pergunta é qualquer uma.
o que te apetecer
Bia: acho que essa pergunta já vale
O QUE VC GOSTARIA Q TE PERGUNTASSEM?
pronto

me: pra fechar [acho, eu sempre esqueço de algo]
me diz 5 sites / blogs que indica, que mais lê ou que estão na barra de favoritos do seu firefox…
Bia: HAHAHAHAHAHAHAH
só pq vc sabe q o seu tá, neh?
vou te mandar uma foto dos meus favoritos [clique para ver]
:)

favoritos-bia

sempre que eu entro na internê
eu faço algumas coisas

me: não, é uma pergunta que eu faço a todos! [olha a entrevista do borbs que vc vai ver... são 'personalidades' da internet. pergunto isso. qdo eu entrevistar o obama, vou perguntar os 5 melhores governantes que Cuba já teve]
Bia: ahahahahahah
tendi
me: continue, por favor
“sempre q eu entro na internê
eu faço algumas coisas”
Bia: meu dia começa assim: baixar emails no outlook, ver gmail e hotmail, entrar nos IMs da vida pra ver quem se encontra, abrir o netvibes, fazer minha foto no dailymugshot, entrar no bluebus, twitter, site da pix, dai eu acesso notcot, random good stuff, sharkrunners, labrute, swissmiss, site da vice
e dai feeds aleatorios q estao no meu netvibes, q sao mtos
e, olha q louco, hoje mesmo pensei q eu nunca acesso os grandes portais
eu navego por outros canais menores e mais fofos
:)

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Entrevista assaz

18 Novembro , 2008 · 4 Comentários

Borbs parece sempre feliz. Utiliza o =D [homem sorridente] ao final de cada frase, como um ponto final. Eu estava oferecendo o iPod Touch de um conhecido [se tiver interesse, me diga] e o papo foi por aí… virou entrevista.
A íntegra, você vê abaixo:

5:11 PM
Borbs: Avise-o que o Judão não dá tanto dinheiro ASSIM. =DDDDD
me: vc vive do judão?
Borbs: Sim. =]
me: a tayra trabalha, ou é o judão que sustenta esse casamento?
[seguinte, eu estou começando uma série de entrevistas pro blog. está experimental ainda... topa? se responder a segunda pergunta ali de cima, já está rolando! =D ehehehe]
Borbs: Até a gente morar junto, era o Judão. Mas aí vir morar no centro significava necessidade de aumento de receita e hoje ela trabalha numa agência de mídias sociais. =]
[e ainda respondi mais chiquemente. =D]
me: [precisa responder chique não... a entrevista é em forma de bate-papo mesmo, entre amigos. pode colocar palavrão até, se quiser. até esses nossos parênteses vão entrar].

vc e ela moravam onde antes? e onde moram hoje? [dê apenas bairro e pontos de referência, vai que algum stalker maluco é fissurado em vocês...]
Borbs: Bom, oficialmente cada um morava na casa dos pais… Mas, na verdade, ela já morava comigo na casa da minha mãe. Era tranqüilo, mas morar junto com mãe/irmã is a pain in the ass… =D
E hoje a gente mora perto do Shopping Frei Caneca — até por conta de cabines e coisas assim. Mas vamos nos mudar já.. não necessariamente pra longe daqui, mas porque o dono do prédio é um velho fr0m h3ll. =D
me: de todas as entrevistas que vc já deu, qual pergunta nunca fizeram e que vc sempre teve vontade que fizessem?
Borbs: Eu acho que eu nunca pensei numa pergunta que não tenham feito. Mas é fato que quase sempre perguntam as mesmas coisas. Como / quando eu comecei a fazer o site, se tem mais alguém que me ajuda… =DDDD
me: qual seção do judão vc mais curte ler? e qual mais curte fazer?
Borbs: Eu gosto de ler a de quadrinhos. Não é a mais atualizada, nem de longe, mas por ser a que eu menos entendo, de todas — e até por isso nem sequer leio os textos que vão pro ar, tudo é o Renan que comanda, ao contrário das outras — é a que eu mais me interesso. Porque ali fico sabendo o que tá acontecendo, quem morreu, voltou à vida, se aposentou… Me interesso por quadrinhos, mas não costumo ler. Então é ali. =D
Agora, FAZER “FAZER” o que eu mais gosto MESMO é o Podcast. Não necessariamente editar, mas a gente dá TANTA risada que às vezes esquecemos que é pra um site e que tem gente ouvindo. Uma vez gravamos um de TRÊS HORAS. Não falamos NADA. Acabou não indo pro ar, óbvio, mas ficou guardado pra eternidade. =D
me: ahahahaha! são os melhores mesmo… o problema é que fica mto piada interna.

falando nisso, você ainda briga qdo dizem que o judão é um blog?
Borbs: É, pois é. A gente sabe que é um problema, mas a gente não consegue parar. Quando não tem as piadas internas fica burocrático demais, a gente já tentou… Mas beleza, tem gente que se diverte. Quem entende o espírito, pelo menos. =D
Olha, eu não brigo mais. Eu agora ignoro. Porque não tem jeito, sempre dizem e sempre dirão. Não sei baseado em que, mas é fato. =D
me: acho que quando se entra no espírito da coisa e consegue acompanhar o site constantemente, a piada interna faz sentido. talvez seja por isso que o caracterizem como blog…

agora, “c* do judas” escandalizava demais?
Borbs: É, mas caracterizar algo pelo conteúdo… Digo, é como um jornal e uma revista, na minha opinião. Os dois publicam notícias, o “conteúdo” é o mesmo. O que os difere é a forma. E se você olhar pro Judão, NÃO DÁ pra dizer que é blog.
Mas esse treco de “blog”, eu tenho notado, é coisa de brasileiro… Ou essa internet mais “elitizada”, onde todo mundo tem um blog e faz parte da blogosfera e essas coisas. Mimimi. =D
O CuDoJudas escandalizava. Por exemplo, nunca vou esquecer quando eu fui na apresentação do DVD do Retorno do Rei, na Warner.
“Seu nome?”
- Thiago Borbolla
“Empresa?”
- CuDoJudas
“O_O!!!!!!!!!! “
Mas com “Judão” ainda é um pouco assim. Mas não tem como fugir muito disso, infelizmente… Não por nada, mas é uma questão de identidade. Aquilo que vc falou sobre acompanhar o site e tralalá… =]
me: se tivesse que mudar o nome, qual seria? [não me venha com resposta 'global', do tipo "eu amo esse nome e nunca pensei em trocá-lo]
Borbs: Olha, eu nunca pensei num nome DE VERDADE. Mas assim… Eu acho que, pra ter um outro nome, teria que ser um outro site. Não seria a mesma coisa. É um nome muito forte dentro do site, não rolaria. MAS, se fosse o caso, teria de ser algo divertido, meio piadístico, trocadilho… Nessa linha. =D
TANTO QUE, só prá constá, Judão é um “apelido” de CuDoJudas. A gente se referia ao site como Judão. Foi algo mais natural… =D
me: pegava menos mal na hora de falar pra sua avó os planos pro futuro, né?
Borbs: Olha, pra minha vó, seja CuDoJudas, Judão ou, sei lá, Folha de S. Paulo, o simples fato de eu trabalhar em casa não faz sentido. TODO DOMINGO ela pergunta se eu arranjei um emprego. =DDDD

5 minutos

me:
de natal, dê o presente que ela mais gostaria de ganhar [e que vc pode pagar]. e diga que foi o Judão quem pagou… ;)

já pensou em fechar o judão e abrir um outro site, ou começar algo paralelo, ou tem medo da tayra acabar levando a fama de yoko ono?
Borbs: HAHAHAHA! Pior é que eu pago aluguel, compro videogame, viajo pros EUA… Mas ainda assim, não trabalho. =D
Bom, já pensei sim em fechar o Judão. Duas vezes.
A primeira foi em 2005… Não dava em nada. Eu precisava ganhar dinheiro de alguma maneira… Voltei de uma viagem, mudei o layout pra algo que, mesmo que não fosse atualizado, nunca parecesse “abandonado”.  Aí fui arranjar emprego… Trabalhei 15 dias numa empresa de RH Internacional — meu trabalho era procurar vagas de emprego nos EUA e Canadá no Google. Lá, eu fazia o Judão. =D
Aí um conhecido, que depois virou amigo, me chamou pra trabalhar na rádio Metropolitana… Fui. Lá, ficava fazendo mais o Judão… Quando a Tayra chegou, ela, que se formaria em jornalismo, começou a dar várias dicas mais sérias… E, bom, em Junho de 2005 o Judão tinha 5 mil visitas únicas por dia. Hoje a média é 35k. Deu certo. =D
A outra vez foi mais recente, mais ou menos no ano passado… Sabe, eu não vejo meu futuro no Judão. Não consigo me ver em três anos no Judão. NÃO que eu não vá fazer, nada disso, mas não tenho essa “manha”. Aí comecei a pensar se não seria melhor começar algo do zero… Ao menos eu teria mais desafios, ao menos eu teria de conquistar outras coisas. Desisti também, porque o site começou a deslanchar. =D
MAS, em 2009, eu devo começar um projeto paralelo. DEVO NÃO, vou. Tenho vários em vista, mas um já tá no kickoff… Será site, será relacionado com entretenimento… Mas só dá pra falar isso, por enquanto. =D
me: urru! meu primeiro furo! ahahaha.

se você não se vê no judão em 3 anos, aonde se vê? qual é o objetivo-mór pra sua carreira?
Borbs: A única coisa que eu “me vejo” fazendo em 3 anos é não morando no Brasil, e sim no Canadá. Poderia dizer EUA, mas Canadá pra mim é mais tranqüilo. E tem tudo o que tem nos EUA, menos americanos… Se bem que em San Diego eu me senti em casa. =D
Acho um grande problema no Brasil você só dar certo se tiver em um portal. E isso eu digo pq não curto “dinheiro por dinheiro”, se não criaria um blog reunindo merdas da internet e vivia de adsense.
Estando lá, as oportunidades pra fazer o que eu sei fazer são melhores. Fora que eu poderia estudar… Enfim, não tenho exatamente um objetivo-mór de carreira. Mas meu sonho é produzir um filme. =DDDD
me: se fizessem um filme sobre vc, quem te interpretaria?
Borbs: Não acho que tenha lá muito a ver, mas gostaria de ver o Seth Rogen ou Jonah Hill. =DDDD
me: vc faria um pornô com a tayra, se a grana fosse boa? [Seth Rogen é o ator principal do filme Zack and Miri Make a Porno]
Borbs: EU não, mas se a grana fosse boa, ela poderia fazer. =D
Eu não assisto, tá bom. =D
Não assisto o dela… HAHAHAHAHA
me: se deixasse o judão, nas mãos de quem ficaria?
Borbs: Eu acho que apenas DUAS pessoas sabem o que o Judão significa pra mim — o Leandro, que começou o CDJ comigo, e o Patrick, que era leitor e hoje é meu melhor amigo. Os outros entendem o espírito do site, mas, ACHO, só os dois captam exatamente o significado que esses oito anos têm na minha vida. =]
me: afinal, por que a fascinação com o 8?
Borbs: Cara, começou no colégio. Não lembro exatamente o motivo exato. Mas depois a gente acabou inventando trocentos motivos, fizemos podcast… =DDDD
me: o novo projeto, tem parceria com alguém de fora do judão, de outro site?
Borbs: O que te falei que vou começar “já” não. =D
me: hum, então tem um “outro”, além do “já”…?
Borbs: Sim, tenho alguns vários. Mas esse primeiro, como é relacionado diretamente a internet e tralalá sai antes, é mais fácil. O outro pode demorar um pouco mais e não dá pra falar nada… =D
me: ok, entendido. rsrs… última pergunta: me diz 5 blogs/sites que mais lê. não para coletar conteúdo pro judão, mas for fun.
Borbs: For fun é bem difícil… Por incrível que pareça, eu mal leio coisas “fora” do meu trabalho… É uma merda, mas enfim.
Continue >>> É um dos poucos blogs que eu leio TUDO, independente de gostar do assunto ou não. Acho sensacional.
G4TV >>> Os videocasts, os vídeos do Attack of the Show… Tudo legalzudo. =D
Hoje é um Bom Dia >>> Gosto do blog, mas o HDBtv é uma das coisas mais legais que eu já vi nas interwebs
Matt Brett >>> É um designer canadense. Ele fala sobre internet, games… E eu tipo o invejo por morar no canadá, hehe. =D
HeyOlivia.com >>> Blog da Olivia Munn. ‘Nuff Said. =D
Tem alguns que eu uso como pesquisa muitas vezes, como o UnderGoogle, Google Discovery, Contraditorium, e todos aqueles de tirinhas, direto do Digg Entertainment. Mas enfim. =D

22 minutos

me: cara, esqueci de fazer uma pergunta! qual explicação, especulação vc mais curte sobre a fascinação pelo 8?
Borbs: Quando dizem que eu prefiro peitos à bundas pq peitos = 8 deitado. =DDDDDDDDDDDDDDDDD

7:04 PM

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Cadernos

14 Novembro , 2008 · 2 Comentários

Vou ser honesto.
O texto é longo.
Um tratado, diria Saramago.
Então se prepare…

Para quem escreve, certas coisas são sagradas. E profanas. Cadernos, por exemplo, envolvem esses dois conceitos.

Lembro de mim [óóó] na 1ª série e os famigerados ‘diários’. Não, eu não tinha um “Querido diário”. O Mackenzie sempre se orgulhou por ser um Colégio Americano. Algumas [várias] coisas eram baseadas nos valores, princípios e culturas do país que elegeu Barack Obama. Por isso só fui ter futebol na Educação Física lá pro ginásio. Como o futebol [de salão] não é esporte olímpico, o Mackenzie não o incluía em sua grade de esportes. Legal, né?

Enfim, os professores obrigavam-nos a ter nossos diários. Era um caderno de capa dura, com linhas. Só. Lá, tínhamos que anotar as tarefas da próxima aula. No primário, tirando artes e Ed. Física, era a mesma professora para todas as matérias. Então a nossa única ‘diversão’ na hora de escrever no diário era trocá-lo com alguém. Todo mundo queria ter a letra da Isabela grafada em seu diário. Meninos e meninas. Ela era esse tipo de guria. O Gustavo, um dos moleques mais nerds que já conheci na vida, era o maior puxa-saco e mais paga-pau de Isabela. Eu já era meio nerd também, mas eu sempre fui um nerd às avessas. Tocava o terror na sala de aula, brigava pra sair na porrada, sentava no fundão, não estudava e muito menos fazia lição de casa. Como eu me formei [do pré à faculdade] sem nunca pegar recuperação ou DP e consegui entrar em dois mestrados [e depois largá-los], acho que nem meus pais explicam. O caso é que eu não era o Gustavo. Nunca fui e nunca serei [até que ele era um cara bacana]. Mas me irritava o fato dele sempre conseguir trocar diário com a Isabela, sendo bonzinho daquele jeito [será que era isso?]. O fato é que um dia eu consegui. Seria legal ter aqui como é que isso aconteceu, não? Pois é, não lembro. Como eu conheci tanta mulher [e casei com a mais linda delas (óóónnn)] também é um mistério. Nunca tive muita tática. Nem para os estudos, nem para as mulheres.

No fim das contas, acho que as mulheres e os estudos são parecidos. Por mais que inventem fórmulas e tentam decifrá-los, sempre tem um ou outro que obtém sucesso e ninguém explica como. [Prazer, Gabriel].

No colegial começou a tortura: um professor para cada matéria. Como todo pré-adolescente, eu queria aquele cadernão, com as divisórias. Mas umas acabavam muito antes que as outras. Alguma matérias pediam 5 páginas por aula. Outras, 5 páginas por mês. Andar com 2 – 3 cadernões não era a solução mais prática.

Só fui equacionar esse problema na faculdade. Na verdade, acho que foi um pouco antes, pois já cheguei com essa tática sedimentada na universidade. Para variar, não lembro quando e como. A estratégia: um cadernão, mas sem divisórias. Arrancava todas as divisórias e começava a escrever. Primeiro dia de aula, primeira disciplina: Teoria da Comunicação 1. Era na primeira página. Semiótica da Cultura 1, segunda aula. Passava um risco na linha de baixo de onde tinha terminado TC1 e emendava as anotações da aula seguinte. Eu tive um caderno por semestre. Todas as matérias compiladas em um. E uma atrás da outra, divididas apenas por um risco.

Por incrível que pareça, essa foi a solução para meus problemas. O caos dos meus cadernos é que fez eu conseguir estudar. Aquela bagunça foi o quando parei e pensei “Agora sim”. Lógico, meus colegas odiavam isso, quando pediam meu caderno para xerocar e poder estudar com base nele. Mas era um preço a se pagar. Eu não anotava apenas o que os professores falavam. Eu já colocava ali as minhas considerações, já colocava a informação processada… mastigada e digerida. Era a minha interpretação daquelas teorias, no caderno. Em Semiótica a gente aprende que o caos é benéfico ao homem. Uma situação caótica [um problema, uma crise] obriga o homem a se reorganizar, sair da zona de conforto, se esforçar para sair daquilo. Passado o caos, ele ’subiu’ um nível. Se reorganizou de uma forma inédita, cresceu como ser humano. Se acomoda até que um novo caos o tire da zona de conforto.

Acho que o caos em meus cadernos era o que me fazia ter paz nos estudos. Eu não funciono separado, em divisões. Não sou linear. Leio algo aqui e pulo 2 – 3 páginas até encontrar novamente meu assunto. E meus assuntos se misturam. Tudo acontece ao mesmo tempo agora. Não dá para separar algo tão mesclado. Talvez, por isso, gostasse de ter meus cadernos assim e só dessa forma consegui me organizar para estudar… no caos.

Update: atualmente, ando com um caderninho na mochila, inseparável. Para anotar idéias e coisas que ouço e acho interessante. No esquema tudo-junto-agora. Sem divisórias. E tenho um pseudo-Moleskine, do Batman, onde tenho anotado frases que penso [e considero bacanas], lista de DVDs e livros emprestados aos amigos e nas últimas páginas, contatos importantes.

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Faz as contas, por favor

7 Novembro , 2008 · 3 Comentários

Estava no ônibus conversando com Dª Itamar. Havia acabado de conhecê-la. Mora em Bertioga e está em São Paulo para um tratamento médico. Bertioga é uma cidade bacana e tal, com praias, mas, segundo Dª Itamar, não tem nada. Falta atendimento médico de qualidade, escolas, faculdade e emprego. Os jovens de lá não têm muita perspectiva, então têm que procurar emprego no Guarujá, em Santos, etc. E quando ela vem pra cá, fica na casa da filha. Dª Itamar tem filhos entre 30 e 45 anos, mas não parece ser uma senhora de mais de 60. Uma vez, no supermercado, a moça do caixa disse que ela não podia ficar naquela fila especial. Ela tirou o RG, entregou pra moça e disse “Faz as contas, por favor”. A moça teve que pedir desculpas, igual ao cara no banco, que disse que Dª Itamar não podia, também, ficar naquela fila. Ela é uma senhora criativa. “O senhor sabe que eu tenho uma deficiência física?”
- Opa, não senhora. Desculpe…
- O senhor quer saber aonde eu tenho?!
- Não, senhora, por favor… não.

Ela me contou que teve câncer de mama, precisou tirar um seio, mas que hoje está tudo bem. Um pouco antes de ela me dizer isso, perdi a atenção da conversa. Na parte da frente do ônibus, uma senhora de mais de 70 anos sofria para manter-se em pé com tanto balancê. Em frente a ela, uma mulher de no máximo 40 anos, não se movia. E não era daquelas que fingiam estar dormindo para não dar lugar. Ela estava sentada de frente para senhorinha, olhando para ela e não fazia nada. Eu e Dª Itamar estávamos no primeiro banco depois da catraca. Assim que aquela mulher passou, aproveitando um brake na nossa conversa, eu bem que tentei, mas não consegui me conter:

- Moça, da próxima vez, dê lugar à senhora…
- Oi… desculpe?
- Eu disse para você, da próxima vez, pensar um pouco mais na senhora que está em pé e dar lugar pra ela! Não faz sentido, né?
- … [virou o rosto e fingiu que aquela conversa não existiu]

Reparei que ela carregava um livro, “Conversando com o Espírito”. Faltou ela olhar menos para dentro e falar mais com o ‘mundo’.

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Era o início e o fim de uma mesma história

7 Novembro , 2008 · 1 Comentário

Selina tomou o 3º copo, a quantia exata para alterar-se, e do outro lado do mundo perceberam. Era o início e o fim de uma mesma história. Apenas não sabiam disso.

Não havia explicação. A única possível é que estavam tão conectados quanto irmãos gêmeos. No fundo, eram almas gêmeas, mas seus corpos não sabiam disso. Ele, preso a um mundo na qual ela já não fazia parte. Ela, excitava-se com a nova vida, novos amigos e uma cidade que nunca sacia. Era a primeira vez que ele sentia-a dessa maneira, sem tê-la ao seu lado para ler seus olhos. Já não era mais possível ver seus olhos pegarem fogo. Já não era mais possível que seus olhos a fotografassem. Ela pertencia a outro mundo, outras pessoas, outra realidade. Percebeu que o sentimento, apesar de forte e presente, era vazio.

Suas almas eram gêmeas.
Mas seus olhos, suas peles e seus corpos nunca souberam disso.

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