Crônico

Entradas do Janeiro 2009

Não tenho mais idade para isso

28 Janeiro , 2009 · 2 Comentários

Na verdade, eu não tenho mais idade pra muita coisa. Não posso mais, por exemplo, me perder no supermercado e pedir para a moça do alto-falante avisar que estou esperando minha mãe no balcão de informações. Agora é a Carol que tem que ir me encontrar.

Final de ano, 2006. Carol tinha conseguido, de última hora, uns dias de folga. Aquele ínterim de Natal e Ano Novo. De ‘presente’, acabei comprando uma passagem para podermos ir antes de meus pais. Se fossemos com eles, ela ficaria apenas 2 dias em Florianópolis. Fui na rodoviária do Tietê e na hora em que cheguei, tinham acabado de abrir um ônibus extra. “Que sorte”, foi o que eu, ingenuamente, pensei. Era de ônibus comum.

Pausa. A primeira vez que viajei de ônibus sem minha mãe foi para o Rio de Janeiro, com a avó de meu primo [a que não é também minha avó] e, de tão pequeno que era [OK, pequeno eu nunca fui], de tão menor que eu era, achei aquilo extremamente espaçoso. Um Cometão, comum. Banco de couro, vinho. Lindo. Volta.

Hoje tenho 1,90m. Faz uns anos já, ou seja, estava ciente do risco e decidi encarar aquilo juntando alguns fatores. 1) Eu me acho [achava] novo. Pô, baita aventura para contar aos netos. “Sabe, eu e sua avó [dá um tapinha na bunda da vovó deles] fizemos uma loucura uma vez. Fomos de ônibus comum para Florianópolis.” 2) Era o único jeito de conseguir que Carol aproveitasse mais tempo em Florianópolis.

A minha sorte é que ela é pequena. Durante a viagem, eu pude jogar minhas pernas para o lado dela e ela jogou as dela no meu colo. Ela dormiu meio torta. Eu fiquei meio torto, porque dormir é qualquer outra coisa diferente daquilo que fiz. Chegamos e eu desci do ônibus pensando na tortura que seria a volta.

“Que sorte”, foi o que ingenuamente pensei quando meu pai disse que, por dó, pagaria minha passagem de volta… de leito. Lindo, não? Lembre-se que eu disse “ingenuamente”. Entrei todo serelepe no ônibus. Achei que seria melhor do que dormir na minha cama. Deitei na poltrona, me esparramei, peguei o cobertor [ar-condicionado no talo, aquela delícia] e depois de demorar bastante pra pegar no sono [uns 15 minutos] começou a passar um filme tão tosco, mas tão tosco, que eu ainda acho que foi fruto da minha imaginação.

Roteiro: um cara era assaltante e usava uma máscara de palhaço para isso. Um trauma o tirou de cena. Por algum motivo [acho que a filha dele estava em perigo] foi obrigado a voltar. Detalhe: usando a mesma máscara. Além disso, o som estava mais alto do que em sala de cinema. Durante o tempo do filme, dei umas cochiladas, mas sem conseguir cair no sono. Achei que fosse por causa do som e do filme. “Que sorte”, foi o que ingenuamente pensei quando o filme acabou.

Me acomodei na poltrona novamente e tentei dormir. Não conseguia. Por nada. Revirava, me esticava e nada. Não encontrava “A” posição sabe? Em um determinado ponto comecei sentir aquela angústia nas pernas, de quem está em fase de crescimento, conhece? Cara, eu já tinha 1,90m e 23 anos! Mas com o perrengue da ida, comprei Dramin pra volta, por precaução. “Que sorte”, foi o que… você já sabe. Tomei um Dramin. Nunca tinha tomado antes, então não sabia quanto tempo esperar para o efeito. Esperei 1h.

A angústia e o “eu não consigo dormir” só tinham aumentado. Tomei mais um. Fez efeito. Mas meu corpo se rejeitava a dormir junto com o cérebro. Ou seja, fiquei meio zumbi. Meu cérebro nocauteado, mas meu corpo aceleradíssimo. E com as pernas doendo. Eu literalmente dava murros nelas de agonia, para ver se paravam com aquela palhaçada, mas nada. Resultado: cheguei em São Paulo sem saber direito quem eu era, de onde vinha e pra onde estava indo. Mancando.

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Me diz 5…

26 Janeiro , 2009 · 1 Comentário

…melhores segredos do PostSecret do último domingo [25/janeiro].
Dessa vez resolvi colocar as traduções.
Mas não se contente e clique para ver os cartões.

trojans.jpg

[Não é vírus. É marca de camisinha.
Toda vez que estou na casa do meu ex, eu escondo as camisinhas dele para que ele não faça sexo com a nova namorada naquela noite!
]

hugs.jpg
[Minha família nunca abraça.]

2pac.jpg
[Literatura clássica, textos religiosos e livros de autoajuda não estão me ajudando a melhorar. Mas o 2Pac está.]

escape.jpg
[Eu quero fugir.]

PSC.jpg
[Eu já ouvi todas as vezes antes. Mas por alguma razão eu acreditei em você. Eu ouvi + escutei. Noite passada eu dei descarga em todas as minhas pílulas 'extras'. Aquelas que eu vinha guardando... por garantia. Obrigado.]

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Death Cab for Cutie no iPod

25 Janeiro , 2009 · 9 Comentários

A primeira vez que tive contato com a expressão ‘pleasure delayer’ [retardador de prazer] foi no filme Vanilla Sky. Não existe uma definição. Mas o nome é um pouco autoexplicativo. [Desculpe, sou jornalista e preciso treinar essa (já famigerada) reforma ortográfica. Aliás, já falei o quanto gosto dessa palavra, né? 'Famigerado'. Um dia, quando tiver conteúdo suficiente, escrevo um texto sobre ela]. Enfim, é alguém que deixa o prazer para depois, mas não por preguiça ou por não estar afim no momento. É simplesmente uma técnica para saborear os momentos aos poucos.

Exemplo: alguém lembrou de você e te comprou uma trufa de Nutella [sim, elas existem]. Você a recebe de manhã. Se você for um retardador de prazer, não a comerá na hora. O mínimo será deixá-la para depois do almoço, como sobremesa. Mas os pleasure delayers puristas não a comerão nem depois do jantar! Ela será guardada para aquele dia especial. Não em um domingo qualquer. Mas um dia realmente especial. Pode ser que fique guardada até o Outono, para ser apreciada [ela não é simplesmente comida] em um dia de friozinho, final de tarde, as folhas caindo e o céu laranja.

A trufa é um exemplo. Existe quem faça isso com relacionamentos, por exemplo. Conhecer alguém e, mesmo que à primeira vista role uma química que nem a Química explique, não dar nem um selinho na hora de se despedir. Nem falar, claramente, sobre o momento. Apenas insinuações. Indiretas reais. Para quando você estiver no ônibus de volta para casa, ouvindo Death Cab for Cutie no iPod, não saber direito se aquilo realmente existiu ou se foi coisa da sua imaginação. Os retardadores de prazer curtirão essa sensação ao máximo! E então… em uma noite, uma tarde ou uma manhã… poderia levar meses para acontecer.

Quando assisti Vanilla Sky e vi isso sobre ‘delay your pleasure’ [atrase seu prazer], de certa forma, me encantou. Porque eu nunca fui assim. Se eu ganhar uma trufa de Nutella o “Obrigado” será já mastigando um pedaço dela. E retardar os prazeres me pareceu algo muito bonito. De apreciar cada momento e perceber o quão especiais eles são. Por isso, passei a me esforçar para ser assim. Tentava ‘esticar’ o momento, ser mais indireto e fazer o ‘joguinho’. Mas rapaz, como eu sofria. Era praticamente contra a minha essência. Foi bom para aprender a não sofrer tanto quando as coisas não acontecessem imediatamente. Aprender a ser paciente, menos angustiado e ansioso. Minha história com Carolina tem um pouco disso e foi muito divertido. Mas tentar ser assim sempre, com tudo, era sofrimento demais.

Um dia descobri [e decidi] que não queria mais ser assim. Não adiantava sofrer por algo que eu achava que poderia ser melhor do que eu era. É aquela fase em que você para um pouco de lutar contra quem você é e aprende a lidar com seu jeito de ser. Vi também os benefícios que isso trazia. Sei de casos onde a pessoa ganhou, por exemplo, uma caixa de Alpino e queria tanto saboreá-los ao longo dos meses que eles um dia simplesmente mofaram. E não foi por esquecê-los no fundo da gaveta. Todo dia a pessoa olhava para eles e pensava: “Nossa, que maravilha esses Alpinos. Meus chocolates preferidos! Acho que vou comer um agora… ou não? Melhor não. Melhor deixar para um dia mais especial”. Certeza que dias especiais essa pessoa teve, mas não tantos, talvez, como gostaria. Porque os bombons simplesmente mofaram.

Eu não suporto emails com Power Point. Daqueles em que contam uma historinha, ou querem passar alguma lição de vida. Mas, invariavelmente, eu leio alguns. Na esperança de que algum dia um desses será, realmente, importante e acrescentará alguma coisa na minha vida. Pois bem, esse dia chegou [faz um tempinho já]. Abri despretenciosamente o Power Point e ele não havia música. Um ponto positivo, logo de cara. E a apresentação começava falando de um homem abrindo a gaveta de sua mulher e tirando um embrulho de dentro dela. Nele havia um vestido, que a mulher havia comprado para poder usá-lo em uma ocasião especial. Mas esse homem estava justamente tirando o vestido do embrulho para poder enterrá-la [calma, vai ter um sentido]. O texto então discorria sobre o fato de deixarmos perfumes e roupas, por exemplo, para momentos especiais. Como aquele perfume que você mais gosta, não utilizá-lo no dia a dia, só porque ele é especial. Eu tinha um perfume desse. Acabou outro dia, justamente depois de ter lido esse email. Justamente porque pensei que eu poderia simplesmente não estar vivo no dia seguinte e ficaria um vidro de perfume em cima da estante, pela metade. Meio cheio ou meio vazio, tanto faz. O fato é que eu teria me privado de algo que eu gostaria de ter feito apenas porque segunda-feira não era um dia especial de usar o perfume. [Recentemente experimentei um dia como se fosse o último. Está publicado aqui.]

Como disse, foi o primeiro email com Power Point que realmente me fez parar para pensar em seu conteúdo. À partir desse dia voltei um pouco ao que eu era. O perfume terminou por causa disso. Quando tinha vontade de usá-lo, não me negava. Não precisava esperar o dia especial chegar para usar o perfume, mas ele se transformava em especial por causa do perfume. É como o caso da trufa. Não é preciso esperar chegar o dia especial de comer trufas. O fato de você ter sido lembrado por alguém que te comprou uma trufa de Nutella já faz daquele dia algo muito especial. E, para celebrá-lo, nada melhor do que brindar com a trufa recebida.

A vantagem é que, dessa forma, cada pequeno acontecimento do seu dia é uma [grande] oportunidade para torná-lo especial. As possibilidades para você viver mais dias especiais estão sendo dadas – de presente, de graça – a todo instante. A grande chance é que você não precisa mais esperar o seu dia especial chegar. Ele está latente e potencialmente possível, diariamente. Não precisa esperá-lo chegar. Depende apenas de você ‘acioná-lo’. Ele está aqui já. Hoje. Abra los ojos.

___________________________

UPDATE: O texto foi baseado após uma conversa com a Sabine. O que quis dizer com o texto [sem dizer no texto] é que há uma arte em se viver. Seja retardando os prazeres, seja vivendo-os na hora em que são entregues. O texto não é uma ideia para combater a dela. Muito menos a ideia dela combate a minha. Esse só é o melhor jeito que aprendi pra viver, com as minhas características já incorporadas ao que sou. O meu melhor não é, necessariamente, o seu melhor. A graça na vida é poder aprender novas artes e agregar à sua própria arte de viver. Se a sua ideia for essa, seja benvindo[a].

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Vivs Tiemi

25 Janeiro , 2009 · 4 Comentários

Conheço a Vivs Tiemi desde [Gabriel para para (eu não gosto da reforma ortográfica) fazer as contas nos dedos] 2003. Fizemos faculdade juntos e nossa amizade foi além dos botecos da faculdade. Aliás, lembrei dela lendo esse post e mandei para ela ler.

A resposta merecia um post, por isso você está lendo essas linhas. Vale a pena ler o post linkado e depois ver a resposta da Vivs, abaixo:

“Minha mãe NUNCA ia servir petisco de boteco em momento algum! Ela é mais fresca que eu!

Hahaha, vc tem que ouvir ela falando no telefone quando me liga e eu estou no boteco perto do trabalho. Botecão mesmo.

- Vc tá no bar?
- Não. No boteco mesmo.
- Eu não acredito! Como vc tem coragem?! “Naquele” boteco do lado do seu trabalho? Depois você vai chegar em casa fedendo a fritura. Você tem coragem de beber nos copos? Você limpa antes, né? Espero que não coma nada lá. Depois vai passar mal. Não devem lavar a alface direito. Imagina se o cozinheiro lava a mão!

Hahaha, nem sabe ela que eu almoço lá as vezes.”

Agora me diz. Quem é que em um boteco se preocupa com a alface? [Ou melhor, quem em um boteco comeria uma alface?!]

*Vivs Tiemi é tatata[...]raneta de um samurai. Um dos últimos do Japão [antes do Tom Cruise]. E não suporta comida japonesa. Precisa dizer mais? Diversão garantida nos 4 anos de faculdade e desde então.


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Quem vê pedigree não vê coração

23 Janeiro , 2009 · 4 Comentários

As coisas nem sempre acontecem do jeito que a gente espera. Clichê e lugar-comum, não? Bem Manuel Bandeira me autorizou a escrever sobre o lugar-comum depois desse ‘flash autobiográfico’ dele [indicação da Dani Arrais].

Voltando. Já aconteceu e vai sempre acontecer. Se planejar e não acontecer como esperado. O que a gente aprende com isso? Se você de fato aprender algo são duas opções: 1) não se planejar mais. Deixar rolar, o que for. Mas se você for como eu e simplesmente não sabe deixar tudo rolar, você continuará se planejando mas 2) na hora em que der errado, não se estressará.

Tudo isso para contar a divertida [para mim] história de uma amiga. Ela tinha uma pitbull de pedigree. Colocou pra cruzar. Cada filhotinho sairia por mil reais, aproximadamente, ou seja, um que nascesse já pagaria a quantia gasta [sim, isso é caro]. Ela cruzou [a cadela]. Tudo lindo e maravilhoso. Colocaram aquela fraldinha pra nenhum outro cachorro tentar algo. O que aconteceu? A fraldinha caiu e o basset da minha amiga, que vivia junto com a pitbull, não pensou em pedigree, nem nada. Foi lá e cruzou por livre e espontâneo instinto com a cadela. Resultado: monstrinhos. A pitbull não ficou prenha do pitbull de pedigree e deu a luz à cachorrinhos esticados, mas com uma cara de pitbull.

FIM

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O pé que me encosta

23 Janeiro , 2009 · 2 Comentários

Ainda não tenho TV em casa. OK, TV-aparelho eu tenho. Já até comprei o codificador da parabólica, os cabos e até conectores. Mas o conduíte pra sair lá de cima e vir até a minha casa não existe ou foi feito errado. Ou seja, tem que passar o cabo por fora, fazer uns furos nas paredes com uma broca especial, etc. História longa demais e um parágrafo perdido.

Vamos começar de novo. Sem a antena instalada em casa, eu e minha esposa temos assistido basicamente DVDs na TV. Já foram umas 5 temporadas de Friends, a 1ª temporada de Everybody Loves Raymond, uns 10 filmes e começamos a assistir Band of Brothers [completo] no final do ano passado. É um seriado sobre alguns os caras da Companhia Easy, que lutaram na 2ª Guerra. Americanos, claro. Tem co-produção do Tom Hanks e Steven Spielberg. Classuda. Ou seja, quando em casa, para relaxar, a gente vê um monte de gente sendo morta, bombas, soldado morrendo congelado e essas coisas que o Jornal Nacional também passa. E eu ainda sou uma criança nesse quesito. Se eu assisto algo que me impressionar, certeza que vou sonhar com isso à noite.

Estou armado, com botas, com roupas de camuflagem e sendo carregado junto com outros feridos. Estamos na caçamba de um caminhão, ou algo do gênero. De repente, sinto um pé apoiado no meu. O pé que me encosta está imóvel, gelado. Me contraio e de repente percebo que está tudo escuro e que estou na minha cama. Totalmente encolhido, tento alcançar a lanterna que deixo no chão, ao lado da cama. Quero ter certeza de que aquilo ali não é um corpo morto. Eu já sei que estava sonhando, sei que estou no meu quarto mas ainda não sei que pé é aquele. Pego a lanterna e ilumino o pé que me encosta. Ele é pequenino e moreno. É o pé de Carol, claro. Mas quem disse que minha mente [insana] consegue parar de sonhar, mesmo quando já estou acordado?

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Coisa de brasileiro

22 Janeiro , 2009 · Deixe um comentário

Perguntei ao cara do TI se a rede wi-fi tinha voltado. Ele disse que sim. Ou seja, era só eu desconectar, esperar alguns minutos e conectar novamente [coisas que só o Windows oferece para você].

- OK, então é só desconectar, esperar um pouco e conectar novamente, né?
- Isso. Espera 2 minutos ou 3 e reconecta… quer dizer… peraí. Olha, mais rápido que isso. Espera 5 minutinhos e pode conectar.

Aprenda. No Brasil [ou é só em São Paulo?] “5 minutinhos” é mais rápido do que 2 minutos.

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Poemas

17 Janeiro , 2009 · 1 Comentário

Tentei criar poema
Mas falhei na mesma hora
Quando a gente tenta a rima
Não é possível sair coisa boa
______

As meninas ele olha
Como se ainda fosse solteiro
Casou com uma mulher feia
Que até o Chuck Norris tem medo

Sempre pensa que queria
Uma vez acordar contente
Olha as pernas das meninas
Parece mesmo que nunca aprende

Indecente acha as saias
Tentando ver por baixo delas
Sobre a esposa ele pensa:
“Pelo menos ninguém olha”
______

Aluguei um apartamento
Veja só que coisa bela
Mas ninguém me avisou
Que antes foi da Donatela

A Rede Globo sempre arranja
Muitos nomes esquisitos
Até parece que alguém chama
Dodi, Halley e Silveirinha
______

Perguntei para você
Como é que faz poema
Você disse: “Eu não sei.
Por favor, não tente a rima”.
______

Li ontem “O Triste Fim do Pequeno Menino Ostra – e outras histórias“, do Tim Burton. São todos poemas e meus pensamentos só vinham assim depois. Deu no que deu. Essa tosqueira aí em cima.


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Saw death on a sunny snow*

14 Janeiro , 2009 · 4 Comentários

Não avance o vídeo até chegar em algo que consiga ouvir. Cada cena tem seu significado. Quem me passou foi um amigo brasileiro, que mora na California e está de férias em Barcelona, na casa dos pais. Mas essa história é pra outro dia. Voltando… deixe o vídeo carregar inteiro e só depois dê o play, para não correr o risco de empacar e perder alguma coisa. Não tente entender como alguém consegue conceber algo tão simples, mas tão bonito. Eu tenho uma teoria, não confirmada. Acredito que as melhores coisas já feitas são aquelas em que os criadores pensaram: “Cara, como eu queria algo assim”. Dentro da minha teoria, o John Frusciante toca guitarra assim, porque simplesmente gostaria de ouvir aquilo. Ele vai e faz. O pudim da Real nasceu por causa disso também. Pode ser pretensão, mas meus textos são isso… coisas que eu gostaria de ler. Eles simplesmente saem assim. Há muita coisa melhor que meus textos, isso é óbvio. Mas eu ainda não cheguei no ponto de olhar e dizer: “Cara, consegui. Esse era ‘O’ texto que eu queria ler”. Cada um é uma [pequena] tentativa disso. Voltando… Bon Iver é o nome dele. Depois você clica no nome para conhecê-lo[s]. Assista primeiro ao vídeo. Releia as instruções do primeiro “Voltando…” e só depois pesquise sobre ele[s]. Depois, se gostar, assista esse. Só então estará livre para fazer o que quiser com o que viu e ouviu. Pode ir.

*For Emma – Bon Iver

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Run, Forrest

8 Janeiro , 2009 · 4 Comentários

Que mundo é esse onde o cara vai ao shopping, um lugar fechado, com um tênis de correr, uma bermuda de surfar e uma camiseta de praia? São apetrechos para atividades específicas, mas que em São Paulo, pelo menos, viram objeto de enfeite. E nem critíco [tanto] o cara que usa. Mas é o sistema que vende aquilo o alvo de minha indignação. Ele não precisa correr, basta ter o tênis. Não precisa surfar, pois já possui a mesma bermuda que o Kelly Slater e o mesmo óculos de sol do Bob Burnquist, que não cai do rosto nunca. Claro que não vai cair do rosto. O máximo de aventura que ele enfrentará será achar um lugar para sentar no McDonald’s ou quando ele precisar correr de algum carinha que pretende tirar [à força], todos os apetrechos nele vestidos. Só o tênis com as molinhas já dá mais do que um salário mínimo. Run, Forrest, run.


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