Crônico

Entradas do Julho 2009

Vai doer, mas é bom

31 Julho , 2009 · 3 Comentários

Para ler ouvindo If I Needed You – Dashboard Confessional.

Crianças, saiam da sala. Se não estão acostumadas com a verdade, é melhor não continuarem. Pois eu tenho um recado a dar: as coisas não vão melhorar. Não vai ficar tudo bem. As coisas só tendem a piorar. Mais responsabilidade, menos tempo, menos dinheiro e mais dor de cabeça. Passar na faculdade é o de menos. Espere até tentar arranjar um emprego. Depois, tente arranjar um que te satisfaça. Ah, as mentiras que nos contam.

Mas calma. Não se desespere. Vai ser uma merda, mas vai ser divertido pra cacete também. Vai ser difícil, mas vai valer a pena. A vida de adulto é um saco, mas é sensacional. Porque, no final das contas, é sim uma aventura. Crescer dói e não é fácil. Mas quem disse que não pode ser legal assim também?

Não ouça tudo o que dizem, mas aprenda a reconhecer conselhos valiosos. Os que perceber não serem de muita utilidade, balance a cabeça em tom afirmativo e ignore-os. Mesmo que venham dos seus pais. Porém, entenda que eles já viveram mais do que você e, vez ou outra [OK, muitas vezes], dizem coisas coerentes. Mas não sempre. Releve. Você também faz isso. Aprenda a reconhecer seus pais em você e retenha o que é bom. Sempre. De onde vier. Não tenha medo de assumir algo que você concorda. Seja sincero com você mesmo, acima de tudo.

Chore mesmo. Se desespere e enlouqueça. Mas se recomponha. Aprenda que você não vai mudar o mundo e que você mudar de idéia não tem problema. Mas seja fiel ao que acredita. Precisamos dos que sonham. Assim como precisamos dos realistas. Um pouco de cada não faz mal a ninguém, mas não tome muito gosto por nenhum dos dois. Você não vai querer passar a vida sonhando, assim como não vai querer deixar de acreditar que as coisas podem melhorar. Mesmo sabendo que, muitas vezes, não vão.

Ouça mais música de olhos fechados. Não tenha vergonha de quem você é e do que você gosta. Dane-se se é brega ou se vão te zoar. Quem sabe de você é você. Mas lembre-se que muitos só querem ajudar.

Acho que, resumindo, o segredo é saber o tempo certo das coisas. Já foi escrito, não é nada novo. Há tempo pra gritar, tempo para silenciar, tempo para ouvir, tempo para reclamar, tempo para enlouquecer, tempo para ter razão, tempo para perdê-la. Tempo de ganhar, tempo de deixar ir, tempo de segurar, tempo de guerrear e tempo de fazer amor. Há tempo para ficar sozinho, para ficar junto, para xingar, para pedir desculpa e para abraçar. Tem tempo pra tudo, cara. Até tempo de fazer as coisas fora do tempo, deve existir, não sei. Gosto de pensar que sim. Por isso, aprenda o tempo das coisas. Pois não há muito tempo.

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Amanheceu

23 Julho , 2009 · 1 Comentário

amanheceu

A musiquinha das 7h, da Jovem Pan, era o marco para sabermos se estávamos no horário ou se estávamos atrasados. Morávamos em Guarulhos e estudávamos no Mackenzie, eu e meu irmão. Rolê no final da Fernão Dias, Dutra e boa parte da Marginal Tietê. Minha mãe era [é] uma heroína. Durante quase 10 anos fez esse trajeto conosco, todos os dias, pela manhã. Quando o Narciso Vernizzi começava a falar, sabíamos que faltavam cinco minutos para as 7h. Lembro do dia em que, minha mãe tirando o carro da garagem, o Narciso começou a falar. Pensei: “Ah ê! É hoje que perco a primeira aula!”. A meta era estarmos já perto do Sambódromo quando o Sr. Vernizzi [já falecido] começasse a dar a previsão do tempo para o dia e para o final de semana, caso fosse sexta-feira.

Em São Paulo, se você não se policiar [ou não tiver uma cabeça 'boa'], será muito fácil deixar-se tomar pela angústia. Um sentimento de desespero, por sentir-se sempre atrasado. Quando entrei na faculdade [e ainda não trabalhava], acordava por volta das 11h, pois as aulas eram no período da tarde. Sentia que havia perdido um mundo de coisas, pelo horário avançado na qual levantava. Meu primeiro estágio foi na rádio Brasil 2000, na rua onde morava. Ajudava a fazer o jornal da manhã, que começava às 6h. Saia e ia comprar um café com leite no bar. Já havia ônibus lotados passando na avenida, 5h50 da manhã. Por isso, ainda havia um sentimento não necessariamente de atraso, mas de que a cidade já estava em pé há horas e eu ali, acordando ‘tarde’. Houve uma época em que eu acordava às 4h30, para ir trabalhar em Alphaville. O horário da fábrica era 7h30 e pegava um ônibus até a Ponte do Piqueri, para esperar o fretado. Na região do Ceagesp parecia shopping em véspera de Natal. Não importa o horário em que eu acordasse, sempre havia alguém em pé antes de mim.

Sempre achei o clichê “A cidade que não dorme” um pouco exagerado. Porque ela dorme sim, só que em horários diferentes. O problema é que essa sensação de atraso não é uma exclusividade de quem vive aqui. Quando você começa a estudar os escritores clássicos, lê livros de Filosofia, aprende Semiótica, conhece a história da Arte, Música, Matemática, pensadores etc, você percebe o quanto de coisa já aconteceu no mundo e que você não participou ou não tem conhecimento. O sentimento de angústia aparece quando você percebe que a sua vida [o que? uns 70 - 80 anos?] não será suficiente para você conhecer tudo o que já foi ensinado, dito, pensado, cantado, escrito e vivido.

Comecei a me sentir assim quando percebi a quantidade de livros que eu ainda queria ler, mesmo tendo lido muitos até aquele momento. O ser humano não consegue [e acredito que não conseguirá] absorver tudo o que já foi feito. Um rebento, que está nascendo nesse exato momento, já nasce, de certa forma, atrasado, em relação a nós. Daqui uns 15 anos, ele apenas saberá quem foi Michael Jackson pelo que lê e pelos CDs que nós, antiquados, guardaremos para mostrar à posteridade. Esse ‘atraso’ é inerente a todo ser humano e, por isso, inevitável. A gente já nasce com milhares de anos de atraso!

Aprendi com um amigo que para um problema que não tem solução, então não há problema. Se esse sentimento de ‘atraso’ é inevitável, basta apenas, então, fazer o que estiver ao nosso alcance. A angústia que essa sensação nos traz pode ser substituída por uma paz de quem, agora, é livre para adquirir e conhecer o que bem entender. Uma viagem à Europa só fará sentido se isso for uma das coisas que você irá querer realmente experenciar [desculpe, Guimarães Rosa] e como parte da sua experiência de vida. Você não precisar conhecer a França, por exemplo, só pelo status que o país tem de ponto turístico mundial e por ter sido palco de inúmeros movimentos e revoluções. Você não precisa ler determinado livro porque ele está na estante “Clássicos”. Já que não será possível conhecer todos os lugares, ou ler todos os livros, então que sejam lidos os que mais têm a ver com você. Que sejam vistos os filmes que mais tem vontade. Que sejam visitadas as cidades que mais te atraem, seja ela Durandé, seja ela Nova York. Quem está atrasado tem mais tempo para fazer as coisas.

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Inevitável

20 Julho , 2009 · 3 Comentários

A pergunta: “Para que me relacionar, se acabarei me machucando?” faz tanto sentido quanto a pergunta: “Para que trocar as cordas do meu violão, se acabarão se enferrujando e/ou arrebentando?”

Simplesmente porque faz parte do processo. Simplesmente porque não há como evitar. Renove seus laços com quem te machucou, troque as cordas e ouça-as vibrarem novamente.

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Ela estava cansada de ser namorada de alguém

14 Julho , 2009 · 2 Comentários

flor_osegovia- Cara, foi muito fácil ela dar pra mim.
- Nossa, a que eu fiquei também! Só joguei um xaveco furado e pronto.
- Caramba… comigo a mesma coisa! Será que teve alguém aqui que ‘não se deu bem’, nesse final de semana?
Ele ficou calado. A única coisa que a guria ‘dele’ havia dado foi um beijo. Pelo que ela me contou, mais por dó [ou misericórdia] do que por qualquer jorro de hormônios no sangue. Ela estava cansada de ser namorada de alguém e não pensava em se envolver com qualquer ser humano do sexo oposto por um bom tempo.

Eles haviam viajado juntos por acaso. A amiga de anos chamou-a para um feriado prolongado na praia. O namorado da amiga chamou-o. Todos na casa ficaram com todas da casa. Menos os dois. Ela se chamava Sofia. Quando ele pediu o telefone dela, o que ouviu foi: “Ah, peça para minha amiga”. Ela não queria mesmo qualquer relacionamento.

Ele voltou para São Paulo e foi dar plantão [era médico] no mesmo dia. No meio da madrugada, atendeu um caso que parecia existir de longe, apenas em filmes, contos ou crônicas. Uma família voltava da praia, quando o carro perdeu o controle e capotou. A única sobrevivente foi a caçula da família, de 6 anos. Quando a menina acordou, ficou perguntando pela mãe dela, pois acordou com medo por estar sozinha. Ele teve que explicar o que aconteceu. Mais tarde, parecendo já haver entendido sua situação, a menina falou:

- Agora que eu vou ficar sozinha, você quer ser meu amigo?
- Claro que eu quero! Vou ser seu amigo sim.
- Anota o meu telefone então, para você poder me ligar e ser meu amigo… Ah, o meu nome é Sofia. Você conhece alguma outra Sofia?
- Conheço…
- O que foi? Ela é sua amiga também?
- Hum… não sei. Mais ou menos.
- Ah! Ela é sua namorada então! Hihihi.
- Olha, eu gostaria que fosse…
- Então vamos fazer o seguinte: eu só deixo você me ligar e ser meu amigo se você ligar para ela também. Combinado?
- Combinado.

Ele conseguiu o telefone dela. Ligou.
- Oi Sofia. Sei que não tem muita vontade de falar comigo, mas eu precisava te ligar…
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Foto: Oscar Segovia [a.k.a. Chile]

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Sidra

3 Julho , 2009 · 1 Comentário

- Cara, no brinde perguntaram pra ela “Você prefere vinho branco ou vinho tinto?”. Ela: “Gosto de vinho branco, vinho tinto, de pêssego, maçã… tem?”. Sidra, mermão! A garota tava pedindo Sidra!!
- Mas cara, era o casamento dela, né…
- Velho, nem no próprio casamento se pede Sidra!!

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