Crônico

Entradas do Setembro 2009

Vai chover

28 Setembro , 2009 · 1 Comentário

É inevitável. As nuvens escuras virão, trazendo uma enxurrada d’água. Vai molhar as plantas, as ruas e as pessoas. Vai te molhar. Seus cadernos, livros, canetas, contas, celular, óculos e iPod. Não tem jeito, rapaz. Vai chover. É inevitável.

Mas você tem escolha. Só parece que não. Você pode correr e se refugiar, embaixo de uma marquise qualquer. Pode assistir a chuva cair, pode se desesperar com o trânsito, com a água que corre. Pode colocar a mão pra fora e sentir a chuva. Pode cair na água e deixar seu corpo ser inteiramente lavado. Pode ser levado pela correnteza ou pode apenas aguardar passar. Pode observar as pessoas e aprender algo. Ou apenas observar e curtir aquele momento. Ou se irritar. Ou só assistir.

Mas é inevitável que a chuva venha. Ela sempre virá, como sempre veio.
O que você vai fazer?

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Não dá pra ter tudo

28 Setembro , 2009 · Deixe um comentário

Queria aquela casa. Aquele emprego, aquele carro, aquele celular, aquele tênis, aquele relógio, aquele óculos. Queria aquele Mac, aquele iPod, aquele restaurante. Queria ter aquele cabelo, aquela cintura, aquela barriga, aquela barba, aquela pele.

Em busca do perfeito [conceito que nosso desejo cria] vivemos eternamente insatisfeitos com as coisas boas que conquistamos. Isso é doentio.

Trate-se.

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Mil pedaços

28 Setembro , 2009 · Deixe um comentário

“Talvez eu não consiga fazer diferente. Minha natureza será a minha destruição”, sentenciou, ao perceber que o inevitável possui esse nome por um bom motivo. Tinha a consciência que só perceberia seu erro em um futuro, próximo, e que as escolhas atuais [já no passado, quando descobrir] haviam acabado com ele.

Com medo de ter que tomar uma decisão drástica, achou melhor não quebrar o biscoito da sorte… sentiu-se em pedaços.

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The eagle has landed

24 Setembro , 2009 · 6 Comentários

A cena: alguns caras fumando do lado de fora. Todos com o rosto preocupado. Cada um que vem lá de dentro, o grupo pergunta: “E aí, está aqui por que? Qual é o seu caso?”.
Parece cenário de sala de espera de um hospital. Mas estamos todos na única loja que sobrou, da Marinho Móveis.

- Comprei uma poltrona e um sofá pequeno no mês passado.
- Putz.
- Que zica.
- Meus sentimentos…

“Comprei um sofá em junho”, digo.
Todos olham surpresos para mim.
- Caramba, cara.
- Não acredito… sério?
- Nossa, e eu pensando que minha situação era ruim.
- A gente nunca acha que vai acontecer com a gente, né?

Mas o sofá chegou. Hoje. Foi comprado no dia 13/junho e ‘entregue’ em 24/setembro.
‘Entregue’: tivemos que mandar um caminhão retirar o produto na loja, pois a Marinho quebrou. Não tem dinheiro para pagar os funcionários, que estão em greve e movendo ações contra a empresa.

- Moça, e meu frete? Como fica?
- Olha, a gente não tem os R$60 para te devolver. Então pode dar uma volta pela loja. Escolhe um puff, uma mesinha de centro ou uma poltrona e leva de brinde. Fica como o reembolso do frete.
Saí da loja com um puff, que devia valer uns R$200, pelo menos.

Uma pena que não receberei mais a ligação diária da Losango, cobrando o cheque sustado.
Estava começando a me sentir querido.

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It’s not up to you

24 Setembro , 2009 · 4 Comentários

Lembra da versão “Quer pagar quanto?!” de Thom Yorke? Lançou o In Rainbows, disponibilizou para download e o usuário escolhia quanto pagar pelo link ["It's up to you"]. Eu mesmo dei 2£. Na época saiu menos de R$10. No dia seguinte havia link para download free, claro, mas quis pagar pois achei a iniciativa do líder do Radiohead genial. Sim, coisa de gênio. Questionar a indústria fonográfica, lançar um álbum de forma ‘independente’ [depois lançaram um box especial do In Rainbows, por 40£] e ainda se dar bem.

Tudo lindo e maravilhoso. Até o AmpLive entrou na onda, fez um remix do disco e colocou no site: “It’s not up to you. It’s free”. Eis que hoje cedo Pedro Jansen me manda um link sobre o novo clipe de Mr. Yorke. Segundo Jansen: Thom  Yorke + música nova + Banksy + clipe. Mas só posso ficar com o que ele falou. Por quê?

Por causa disso:

decepção

Legal, né? Falta saber qual foi a do rapazinho para pedir que retirassem o clipe do ar.
Não acho que o Thom Yorke é a solução de nossos problemas, mas que decepcionou forte agora, decepcionou.
“It’s not up to you” mesmo.

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Previously, on…

18 Setembro , 2009 · 2 Comentários

Comprei um sofá em maio, na Marinho Móveis. Preenchi 10 cheques, que eles mandam para a financiadora Losango. No dia 5/set ia ser a 3ª parcela e sustei, pois achei que estavam me fazendo de palhaço. Ficará sustado até recebê-lo ou cancelarem a compra. A Losango tem me ligado dia sim, dia não, para cobrar o cheque sustado. No celular e no trabalho. Resolvi que tenho que começar a me divertir com eles:

- Senhor Gabriel de Oliveira?
- Ahn.
- Estou ligando a respeito do cheque no valor de R$ xxx que ainda não caiu.
- E daí?
- O senhor pode fazer esse depósito até aman – Não
- Ah… E na segun – Não.
- Hum… Posso saber o porque?
- Não recebi meu produto.
- Entendi. E o senhor já pediu um posicionamento deles?
- Sim.
- Ah. E o senhor já tentou ir a uma loja da Losango?
- Para…?
- Levando o seu CPF, eles podem regularizar a sua situação e nós podemos pressionar a loja.
- Não fui e não vou.
- Ah… Hum… Obrigada, senhor. Boa tarde.

[quando ela perguntou se eu já tinha cobrado a loja, me segurei pra não responder: "O que você acha, minha filha? Que eu curto exercitar os músculos dos meu glúteos sentando no chão enquanto meu sofá não chega?! Que eu ESQUECI de que o sofá era pra ter chegado em um mês e 'OPS, passaram-se três meses?! E o nosso sofá?!'?? É claro que eu já cobrei a loja, cacete!!", mas preferi optar pelo "Sim" e deixar que ela se irritasse comigo. =]

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Rio de Janeiro

18 Setembro , 2009 · Deixe um comentário

Fui ao Rio de Janeiro outro dia, visitar minha cunhada. É uma cidade que me fascina. Tanto quanto São Paulo, se não mais. Mas nem sempre foi assim.

Frequento a cidade desde 1993, quando o irmão do meu pai foi morar lá, na Barra da Tijuca. Desde então, minhas férias se alternaram entre Florianópolis, Rio, Vitória e Salvador. No Rio, praticamente não saíamos da Barra. Há boas praias lá e ótima infraestrutura. Ainda mais para quem é criança/adolescente. Areia e água salgada são tudo o que a gente quer.

Só mais velho fui conhecer, de fato, a cidade do Rio. Foi na época de sair com meus primos para bares, casas dos amigos etc que passei a admirá-la. Lapa, Tijuca, Flamengo, Botafogo, Lagoa, Baixo Gávea e a trindade Ipanema-Copacabana-Leblon. Ô cidade! As construções antigas, o povo, as ruas, o cheiro de mar no meio da cidade, o calor e o sotaque. Carioca soa malandro já na língua. A malandragem transborda pra cara, pros braços, pros pés e pro caminhar.

Agora tenho ‘base’ na Barra [tio], Tijuca [cunhada] e Copacabana [prima], para podermos variar bem nos bairros por lá. Não importa qual desses lugares fique, minha respiração melhora absurdamente quando estou no Rio, por causa da umidade e salinidade do ar. Só isso já seria um ótimo motivo para morar lá, não? Mas tenho outros. Um deles já disse: gosto de lá. Eu gosto, ponto. Não tem nem o que discutir.

Já me disseram que o trânsito está tão insuportável quanto o de São Paulo. Mas imagine você parado na orla. Cansou de ficar ali?, encosta o carro em algum canto, vai até o calçadão, pede uma água de côco e fica ouvindo as ondas, sentindo a brisa e curtindo a noite, esperando o congestionamento diminuir. Ou, para não pegar tanto carro na rua, vai mais cedo pro trabalho. Dá uma passada na praia, tira o sapato, caminha dez minutos, bate a areia e vai pro trabalho. Essa possibilidade da areia e mar, logo ali, só atravessar a rua, me conquista.

OK, todo mundo que mora em cidade litorânea diz que não se vai tanto à praia assim. Mas em São Paulo, quem é que frequenta, constantemente, a nossa infinidade de praças e museus, por exemplo? São poucos. Mas só de ter a possibilidade, só de saber que é só querer que tem, já me faria mudar para o Rio.


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Obama, Twitter e afins

15 Setembro , 2009 · Deixe um comentário

Acredito que o Twitter veio para ficar. Não o twitter.com em si, mas esse ‘novo’ conceito de plataforma, mídia social e meio de comunicação. Falar sobre a utilização dele para coberturas jornalísticas, informes de portais, entre tantos outros, é mais do mesmo. Interessante é ver como isso tem acontecido.

O site [ou seria um blog?] The Superficial estampou essa chamada hoje: “Obama calls Kanye West a ‘jackass’” [Obama chama Kanye West de babaca/otário]*. Acontece que essa notícia vazou pelo twitter do jornalista Terry Moran, da ABC News. Ele apagou o tweet, mas que ainda consta no Search Twitter. A ABC se explicou para o site POLITICO e reproduzo abaixo:

“In the process of reporting on remarks by President Obama that were made during a CNBC interview, ABC News employees prematurely tweeted a portion of those remarks that turned out to be from an off-the-record portion of the interview. This was done before our editorial process had been completed. That was wrong. We apologize to the White House and CNBC and are taking steps to ensure that it will not happen again.”

Resumindo [e traduzindo]: A ABC pede desculpas à Casa Branca e à CNBC, pois o jornalista mandou o tweet de forma precoce, sobre um assunto “off-the-record”. [Em entrevistas que não são ao vivo, a pessoa entrevistada, muitas vezes, fala coisas que pede para não serem publicadas. Geralmente são comentários pessoais ou coisas sigilosas, que não podem ou não devem ir à publico. Esse foi o caso, segundo os envolvidos. Até hoje desliga-se o gravador para que o que for dito seja algo “off-the-record” ou “fora-da-gravação”]. A ABC também explica que esse tweet foi enviado antes do processo editorial da entrevista estar finalizado, o que não tem nada de absurdo, já que não se publica tudo o que foi conversado em uma entrevista, mesmo o conteúdo autorizado pelo entrevistado.

Essa história levanta sérios questionamentos sobre a utilização da ferramenta [ou do conceito do Twitter] por meios de comunicação. Recentemente, o jornal Folha de S.Paulo enviou um email a seus funcionários sobre regras de utilização para ferramentas desse tipo. A princípio, fiquei receoso de ser um cerceamento por parte da empresa na vida pessoal dos jornalistas.

Porém, quando o jornalista utiliza seu perfil pessoal para colocar informações profissionais, a discussão tem que se aprofundar um pouco. Já vi jornalistas dizerem que somos como médicos ou policiais, ou seja, que não há uma clara [ou definida] divisão entre a vida profissional e pessoal. Isso é verdade. Se, nas minhas férias, acontece algo que só eu terei acesso às informações e poderei noticiar, acredito que o faria.

A dúvida que fica é: até onde vai essa divisão? Qual é a linha que separa o conteúdo pessoal do profissional, seja no seu Twitter, seja no seu blog, seja no seu Facebook?

Nesse momento, acredito que as perguntas feitas darão o direcionamento mais do que respostas prontas.
_________________________________________

* Se você não ficou sabendo do que o Kanye West fez durante o Video Music Awards, da MTV, assista o vídeo. Ele tira o microfone da mão da Taylor Swift, vencedora do Melhor Vídeo Feminino do Ano, diz que vai deixá-la terminar, que está feliz por ela, mas que a Beyoncé teve o melhor vídeo do ano.

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Lição nº1 para assessores

14 Setembro , 2009 · Deixe um comentário

Uma conhecida entrou em contato com a assessoria do Rafinha Bastos, integrante do CQC, solicitando uma entrevista com ele. Enviou email e, uma semana depois, recebeu a seguinte resposta:

“Rafa, esta moça (…) ainda aguarda a resposta, não quero que aconteça aquilo novamente.

Posso dizer que vc agradece, etc mas que está sem agenda?”

Claramente a assessora enviou email para a pessoa errada. Aos jornalistas que trabalham em assessoria, fica a dica: atenção redobrada quando forem encaminhar/responder um email.

[Eu mesmo já enviei email, de release e aviso de pauta, com todos os endereços no “Para”, ao invés de colocar “Cópia oculta”, revelando todo meu mailing. (In)felizmente, algumas coisas, a gente só aprende errando.]

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Equilíbrio

11 Setembro , 2009 · 1 Comentário

A esperança é a última que morre. Mas, às vezes, acho que deveria ser a primeira. Essa esperança de que as coisas podem ser melhores, ou pior, a esperança de que as coisas vão melhorar, muitas vezes, nos paralisa para a mudança. Ficamos acomodados e esperamos que a vida se resolva, para que possamos seguir em frente. Um amigo diz que o mundo não pertence aos otimistas, pois, ao esperarem que tudo dará certo, muitos sentam e esperam. Quero o equilíbrio. Ter a esperança necessária para não me tornar um cético, enquanto aprendo a não esperar por ela e só, tornando-me, assim, um romântico obsoleto.

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