Obama, Twitter e afins

Acredito que o Twitter veio para ficar. Não o twitter.com em si, mas esse ‘novo’ conceito de plataforma, mídia social e meio de comunicação. Falar sobre a utilização dele para coberturas jornalísticas, informes de portais, entre tantos outros, é mais do mesmo. Interessante é ver como isso tem acontecido.

O site [ou seria um blog?] The Superficial estampou essa chamada hoje: “Obama calls Kanye West a ‘jackass’” [Obama chama Kanye West de babaca/otário]*. Acontece que essa notícia vazou pelo twitter do jornalista Terry Moran, da ABC News. Ele apagou o tweet, mas que ainda consta no Search Twitter. A ABC se explicou para o site POLITICO e reproduzo abaixo:

“In the process of reporting on remarks by President Obama that were made during a CNBC interview, ABC News employees prematurely tweeted a portion of those remarks that turned out to be from an off-the-record portion of the interview. This was done before our editorial process had been completed. That was wrong. We apologize to the White House and CNBC and are taking steps to ensure that it will not happen again.”

Resumindo [e traduzindo]: A ABC pede desculpas à Casa Branca e à CNBC, pois o jornalista mandou o tweet de forma precoce, sobre um assunto “off-the-record”. [Em entrevistas que não são ao vivo, a pessoa entrevistada, muitas vezes, fala coisas que pede para não serem publicadas. Geralmente são comentários pessoais ou coisas sigilosas, que não podem ou não devem ir à publico. Esse foi o caso, segundo os envolvidos. Até hoje desliga-se o gravador para que o que for dito seja algo “off-the-record” ou “fora-da-gravação”]. A ABC também explica que esse tweet foi enviado antes do processo editorial da entrevista estar finalizado, o que não tem nada de absurdo, já que não se publica tudo o que foi conversado em uma entrevista, mesmo o conteúdo autorizado pelo entrevistado.

Essa história levanta sérios questionamentos sobre a utilização da ferramenta [ou do conceito do Twitter] por meios de comunicação. Recentemente, o jornal Folha de S.Paulo enviou um email a seus funcionários sobre regras de utilização para ferramentas desse tipo. A princípio, fiquei receoso de ser um cerceamento por parte da empresa na vida pessoal dos jornalistas.

Porém, quando o jornalista utiliza seu perfil pessoal para colocar informações profissionais, a discussão tem que se aprofundar um pouco. Já vi jornalistas dizerem que somos como médicos ou policiais, ou seja, que não há uma clara [ou definida] divisão entre a vida profissional e pessoal. Isso é verdade. Se, nas minhas férias, acontece algo que só eu terei acesso às informações e poderei noticiar, acredito que o faria.

A dúvida que fica é: até onde vai essa divisão? Qual é a linha que separa o conteúdo pessoal do profissional, seja no seu Twitter, seja no seu blog, seja no seu Facebook?

Nesse momento, acredito que as perguntas feitas darão o direcionamento mais do que respostas prontas.
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* Se você não ficou sabendo do que o Kanye West fez durante o Video Music Awards, da MTV, assista o vídeo. Ele tira o microfone da mão da Taylor Swift, vencedora do Melhor Vídeo Feminino do Ano, diz que vai deixá-la terminar, que está feliz por ela, mas que a Beyoncé teve o melhor vídeo do ano.

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