A idéia do texto é comparar o caso do Polanski com o do Wilson Simonal.
Veja bem. O diretor renomado Roman Polanski não pode entrar nos EUA pois é acusado de pedofilia. Um caso que ocorreu há uns 30 anos. Mas tem gente dizendo que deveriam pegar leve com o cara, já que ele é um renomado diretor de cinema e que isso foi há muito tempo. A guria, que tinha 13 anos na época, já está com seus 40 e tantos. Houve quem usasse como argumento o fato dela, na época, não ser mais virgem, já ter usado os mesmos entorpecentes que na noite em que teve sexo vaginal [e anal] com o Polanski e que mãe da menina sabia para onde levava a filha. Esse tipo de argumento, para mim, é igual decidir quem vai namorar uma garota só porque disse: “Eu vi primeiro”. Quer dizer que se eu levar meu filho na bocada, pra comprar cocaína e ele já tiver usado, então tudo bem? Pelamor… mas enfim, prossigamos.
Não acho que deva existir dois pesos, duas medidas. Só porque o cara é influente e renomado diretor [e velhinho], então deixa pra lá. Mas já que a sociedade quer agir assim, vamos pegar o caso do Wilson Simonal, por exemplo. Há uma corrente que acusa o cantor ter delatado colegas na Ditadura Militar. Mas há outra corrente que o defende, inclusive o próprio Simonal, que quando morreu, em 2000, ainda tentava provar sua inocência.
Mas não vejo ninguém dizendo: “Poxa, deixa pra lá. O caso foi há tanto tempo… nem vale mais a pena. O cara já tá velhinho e, quer dizer, já morreu e nem vale mais a pena tocar nesse assunto”.
Sinceramente, não sei o motivo. Vai ter gente dizendo que é porque o Simonal é brasileiro e como o Polanski é gringo, passa a ser cool defendê-lo. Não duvido se alguns se levantarem afirmando que isso é puro racismo, já que um é diretor franco-polonês e o outro é a cara do Brasil.
Querem deixar o caso do Polanski pra lá? OK, façam isso. Acharei um absurdo e não concordo. Mas que pelo menos a classe média pseudo-intelectual, defensora do diretor de cinema renomado, seja coerente e pare de encher também o saco da família Simonal.
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UPDATE: nunca fui a favor dos delatores da Ditadura. Quando estudava o período no colégio, passava raiva só de pensar que alguém era capaz de caguetar os colegas. Não defendo o Simonal, assim como não defendo o Polanski. O caso do Simonal é mais complicado, visto que não há um consenso sobre o ato praticado pelo cantor. No entanto, fico mais revoltado ainda em ver uma sociedade incoerente em seus princípios.
o texto da Gabi traduz tudo o que penso.
