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Wilson Polanski [ou Roman Simonal]

31 Outubro , 2009 · 1 Comentário

A idéia do texto é comparar o caso do Polanski com o do Wilson Simonal.

Veja bem. O diretor renomado Roman Polanski não pode entrar nos EUA pois é acusado de pedofilia. Um caso que ocorreu há uns 30 anos. Mas tem gente dizendo que deveriam pegar leve com o cara, já que ele é um renomado diretor de cinema e que isso foi há muito tempo. A guria, que tinha 13 anos na época, já está com seus 40 e tantos. Houve quem usasse como argumento o fato dela, na época, não ser mais virgem, já ter usado os mesmos entorpecentes que na noite em que teve sexo vaginal [e anal] com o Polanski e que mãe da menina sabia para onde levava a filha. Esse tipo de argumento, para mim, é igual decidir quem vai namorar uma garota só porque disse: “Eu vi primeiro”. Quer dizer que se eu levar meu filho na bocada, pra comprar cocaína e ele já tiver usado, então tudo bem? Pelamor… mas enfim, prossigamos.

Não acho que deva existir dois pesos, duas medidas. Só porque o cara é influente e renomado diretor [e velhinho], então deixa pra lá. Mas já que a sociedade quer agir assim, vamos pegar o caso do Wilson Simonal, por exemplo. Há uma corrente que acusa o cantor ter delatado colegas na Ditadura Militar. Mas há outra corrente que o defende, inclusive o próprio Simonal, que quando morreu, em 2000, ainda tentava provar sua inocência.

Mas não vejo ninguém dizendo: “Poxa, deixa pra lá. O caso foi há tanto tempo… nem vale mais a pena. O cara já tá velhinho e, quer dizer, já morreu e nem vale mais a pena tocar nesse assunto”.

Sinceramente, não sei o motivo. Vai ter gente dizendo que é porque o Simonal é brasileiro e como o Polanski é gringo, passa a ser cool defendê-lo. Não duvido se alguns se levantarem afirmando que isso é puro racismo, já que um é diretor franco-polonês e o outro é a cara do Brasil.

Querem deixar o caso do Polanski pra lá? OK, façam isso. Acharei um absurdo e não concordo. Mas que pelo menos a classe média pseudo-intelectual, defensora do diretor de cinema renomado, seja coerente e pare de encher também o saco da família Simonal.
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UPDATE: nunca fui a favor dos delatores da Ditadura. Quando estudava o período no colégio, passava raiva só de pensar que alguém era capaz de caguetar os colegas. Não defendo o Simonal, assim como não defendo o Polanski. O caso do Simonal é mais complicado, visto que não há um consenso sobre o ato praticado pelo cantor. No entanto, fico mais revoltado ainda em ver uma sociedade incoerente em seus princípios.

o texto da Gabi traduz tudo o que penso.

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21 Outubro , 2009 · 3 Comentários

Já reparou que quando você compra aquele tênis vermelho, começa a reparar o quanto de gente usa tênis vermelho? Ou quando você viaja para algum lugar e depois percebe o quanto se fala nele? Quando a gente casa não é diferente. Você começa a prestar atenção nas conversas ao seu lado e se dá conta do quanto as pessoas falam sobre seus casamentos.

Estava comendo em uma praça de alimentação e as duas amigas ao meu lado conversavam. Uma delas reclamava alguma coisa de seu companheiro / namorado / noivo / marido. Era um detalhe, mas não deixa de ser algo muito comum de acontecer.

O que reparei é o costume que há em se reclamar do seu cônjuge. Seja um casal hetero ou homossexual. Parece que a aliança na mão esquerda não é o suficiente para mostrar que a pessoa está em um relacionamento de casamento, ou nos moldes dele.

Muito já foi dito sobre a crise da família, como instituição e tudo mais. Não há uma causa. Não há um motivo único a ser acusado. Mas tenho visto [e aprendido] que algumas coisas contribuem para enfraquecer esses relacionamentos.

Um deles é a falta de cumplicidade que há entre os casais. Alguém certa vez me disse que a cumplicidade era algo a ser buscado por aqueles que queriam ter um relacionamento completo, com todas as suas vantagens e desvantagens. Uma mistura de Bonnie & Clyde com Lois & Clark. Assumi isso como uma coisa a ser exercitada constantemente.

Claro que, justamente por isso, não é algo fácil. A cultura de ‘homens x mulheres’ é muito forte. Quantas vezes você não viu uma guria dizer “Bah, eles não prestam… estou do seu lado, amiga”? Parece que as mulheres são eternas inimigas dos homens e que nós somos um vírus a ser combatido. Eu, por exemplo, me proibi de participar de jogos do tipo Imagem & Ação, com times de ‘homens x mulheres’. Perco o controle.

Acredito ser necessária a consciência de que a pessoa que mora comigo não é minha inimiga. É minha cúmplice. Se estamos na lama, estamos na lama juntos. Se estamos no caos, estamos no caos juntos. Se estamos vencendo, vencemos juntos. A pessoa que vive comigo é a que mais preciso ao meu lado, me apoiando e me lembrando das coisas que valhem a pena. Proponho que baixemos a guarda, assumamos a decisão de partilharmos nossa vida ao lado de alguém e sejamos cúmplices, um do outro.

O jogo ‘homens x mulheres’ é uma enganação, uma ilusão. Quando se decide viver com alguém, só existe “Nós x O Resto do Mundo”.
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texto publicado originalmente na coluna Miudezas.

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Meu smartphone tem marcas de chocolate na tela

2 Outubro , 2009 · 3 Comentários

Logo eu, que tenho medo de altura. Eu que, tantas vezes, dei bronca nas pessoas por ficaram próximas às janelas e seus parapeitos. Parece que meu coração vai pular do meu peito. Por que é mesmo que estou aqui? Ah sim, aquela dívida. Não vão me deixar em paz. Mas não tenho dinheiro. A fatura do meu cartão de crédito vem com R$ 3 mil e eu recebo R$ 2,5 mil. Quer dizer, recebia. Demitido não recebe. Pense numa matemática. Recebo o salário e, ao contrário das outras pessoas que pagam suas contas e vêem quanto sobrou para passar o mês, já fico com uma dívida de R$ 500. É o quanto ficou pra pagar o mês que vem. Mais os juros em cima desses R$ 500. Ou seja, minha dívida só aumenta. Pergunta se meu salário aumenta na mesma proporção que os juros comem meu cheque especial?

Cheque especial… nem existe mais. Estou velha mesmo. Ganhando pouco já não conseguia sair do monstro que o cartão de crédito criou, imagina agora, desempregada? É por isso que estou aqui. Como forma de protesto. Para mostrar como os bancos, o mercado e a sociedade estão pouco se lixando para mim. É só ligar pro 190 e dizer “Estou no 23º andar e vou pular” que aparece um monte de gente ‘preocupada’ comigo, dizendo pra eu não pular. OK, e depois que me ‘salvarem’? Quem paga as contas? E ainda esse bando de adolescente babaca lá embaixo, gritando “Pula! Pula! Pula!”. Maldito horário que fui escolher, bem na hora da saída desse colégio… Mas vou aproveitar o protesto e me vingar também. Tá vendo aquele gordinho ali, de tênis importado e com os dedos sujos de chocolate, escrevendo alguma coisa no celular? Pois é. Estou mirando nele.

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The eagle has landed

24 Setembro , 2009 · 6 Comentários

A cena: alguns caras fumando do lado de fora. Todos com o rosto preocupado. Cada um que vem lá de dentro, o grupo pergunta: “E aí, está aqui por que? Qual é o seu caso?”.
Parece cenário de sala de espera de um hospital. Mas estamos todos na única loja que sobrou, da Marinho Móveis.

- Comprei uma poltrona e um sofá pequeno no mês passado.
- Putz.
- Que zica.
- Meus sentimentos…

“Comprei um sofá em junho”, digo.
Todos olham surpresos para mim.
- Caramba, cara.
- Não acredito… sério?
- Nossa, e eu pensando que minha situação era ruim.
- A gente nunca acha que vai acontecer com a gente, né?

Mas o sofá chegou. Hoje. Foi comprado no dia 13/junho e ‘entregue’ em 24/setembro.
‘Entregue’: tivemos que mandar um caminhão retirar o produto na loja, pois a Marinho quebrou. Não tem dinheiro para pagar os funcionários, que estão em greve e movendo ações contra a empresa.

- Moça, e meu frete? Como fica?
- Olha, a gente não tem os R$60 para te devolver. Então pode dar uma volta pela loja. Escolhe um puff, uma mesinha de centro ou uma poltrona e leva de brinde. Fica como o reembolso do frete.
Saí da loja com um puff, que devia valer uns R$200, pelo menos.

Uma pena que não receberei mais a ligação diária da Losango, cobrando o cheque sustado.
Estava começando a me sentir querido.

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It’s not up to you

24 Setembro , 2009 · 4 Comentários

Lembra da versão “Quer pagar quanto?!” de Thom Yorke? Lançou o In Rainbows, disponibilizou para download e o usuário escolhia quanto pagar pelo link ["It's up to you"]. Eu mesmo dei 2£. Na época saiu menos de R$10. No dia seguinte havia link para download free, claro, mas quis pagar pois achei a iniciativa do líder do Radiohead genial. Sim, coisa de gênio. Questionar a indústria fonográfica, lançar um álbum de forma ‘independente’ [depois lançaram um box especial do In Rainbows, por 40£] e ainda se dar bem.

Tudo lindo e maravilhoso. Até o AmpLive entrou na onda, fez um remix do disco e colocou no site: “It’s not up to you. It’s free”. Eis que hoje cedo Pedro Jansen me manda um link sobre o novo clipe de Mr. Yorke. Segundo Jansen: Thom  Yorke + música nova + Banksy + clipe. Mas só posso ficar com o que ele falou. Por quê?

Por causa disso:

decepção

Legal, né? Falta saber qual foi a do rapazinho para pedir que retirassem o clipe do ar.
Não acho que o Thom Yorke é a solução de nossos problemas, mas que decepcionou forte agora, decepcionou.
“It’s not up to you” mesmo.

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Previously, on…

18 Setembro , 2009 · 2 Comentários

Comprei um sofá em maio, na Marinho Móveis. Preenchi 10 cheques, que eles mandam para a financiadora Losango. No dia 5/set ia ser a 3ª parcela e sustei, pois achei que estavam me fazendo de palhaço. Ficará sustado até recebê-lo ou cancelarem a compra. A Losango tem me ligado dia sim, dia não, para cobrar o cheque sustado. No celular e no trabalho. Resolvi que tenho que começar a me divertir com eles:

- Senhor Gabriel de Oliveira?
- Ahn.
- Estou ligando a respeito do cheque no valor de R$ xxx que ainda não caiu.
- E daí?
- O senhor pode fazer esse depósito até aman – Não
- Ah… E na segun – Não.
- Hum… Posso saber o porque?
- Não recebi meu produto.
- Entendi. E o senhor já pediu um posicionamento deles?
- Sim.
- Ah. E o senhor já tentou ir a uma loja da Losango?
- Para…?
- Levando o seu CPF, eles podem regularizar a sua situação e nós podemos pressionar a loja.
- Não fui e não vou.
- Ah… Hum… Obrigada, senhor. Boa tarde.

[quando ela perguntou se eu já tinha cobrado a loja, me segurei pra não responder: "O que você acha, minha filha? Que eu curto exercitar os músculos dos meu glúteos sentando no chão enquanto meu sofá não chega?! Que eu ESQUECI de que o sofá era pra ter chegado em um mês e 'OPS, passaram-se três meses?! E o nosso sofá?!'?? É claro que eu já cobrei a loja, cacete!!", mas preferi optar pelo "Sim" e deixar que ela se irritasse comigo. =]

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Obama, Twitter e afins

15 Setembro , 2009 · Deixe um comentário

Acredito que o Twitter veio para ficar. Não o twitter.com em si, mas esse ‘novo’ conceito de plataforma, mídia social e meio de comunicação. Falar sobre a utilização dele para coberturas jornalísticas, informes de portais, entre tantos outros, é mais do mesmo. Interessante é ver como isso tem acontecido.

O site [ou seria um blog?] The Superficial estampou essa chamada hoje: “Obama calls Kanye West a ‘jackass’” [Obama chama Kanye West de babaca/otário]*. Acontece que essa notícia vazou pelo twitter do jornalista Terry Moran, da ABC News. Ele apagou o tweet, mas que ainda consta no Search Twitter. A ABC se explicou para o site POLITICO e reproduzo abaixo:

“In the process of reporting on remarks by President Obama that were made during a CNBC interview, ABC News employees prematurely tweeted a portion of those remarks that turned out to be from an off-the-record portion of the interview. This was done before our editorial process had been completed. That was wrong. We apologize to the White House and CNBC and are taking steps to ensure that it will not happen again.”

Resumindo [e traduzindo]: A ABC pede desculpas à Casa Branca e à CNBC, pois o jornalista mandou o tweet de forma precoce, sobre um assunto “off-the-record”. [Em entrevistas que não são ao vivo, a pessoa entrevistada, muitas vezes, fala coisas que pede para não serem publicadas. Geralmente são comentários pessoais ou coisas sigilosas, que não podem ou não devem ir à publico. Esse foi o caso, segundo os envolvidos. Até hoje desliga-se o gravador para que o que for dito seja algo “off-the-record” ou “fora-da-gravação”]. A ABC também explica que esse tweet foi enviado antes do processo editorial da entrevista estar finalizado, o que não tem nada de absurdo, já que não se publica tudo o que foi conversado em uma entrevista, mesmo o conteúdo autorizado pelo entrevistado.

Essa história levanta sérios questionamentos sobre a utilização da ferramenta [ou do conceito do Twitter] por meios de comunicação. Recentemente, o jornal Folha de S.Paulo enviou um email a seus funcionários sobre regras de utilização para ferramentas desse tipo. A princípio, fiquei receoso de ser um cerceamento por parte da empresa na vida pessoal dos jornalistas.

Porém, quando o jornalista utiliza seu perfil pessoal para colocar informações profissionais, a discussão tem que se aprofundar um pouco. Já vi jornalistas dizerem que somos como médicos ou policiais, ou seja, que não há uma clara [ou definida] divisão entre a vida profissional e pessoal. Isso é verdade. Se, nas minhas férias, acontece algo que só eu terei acesso às informações e poderei noticiar, acredito que o faria.

A dúvida que fica é: até onde vai essa divisão? Qual é a linha que separa o conteúdo pessoal do profissional, seja no seu Twitter, seja no seu blog, seja no seu Facebook?

Nesse momento, acredito que as perguntas feitas darão o direcionamento mais do que respostas prontas.
_________________________________________

* Se você não ficou sabendo do que o Kanye West fez durante o Video Music Awards, da MTV, assista o vídeo. Ele tira o microfone da mão da Taylor Swift, vencedora do Melhor Vídeo Feminino do Ano, diz que vai deixá-la terminar, que está feliz por ela, mas que a Beyoncé teve o melhor vídeo do ano.

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Lição nº1 para assessores

14 Setembro , 2009 · Deixe um comentário

Uma conhecida entrou em contato com a assessoria do Rafinha Bastos, integrante do CQC, solicitando uma entrevista com ele. Enviou email e, uma semana depois, recebeu a seguinte resposta:

“Rafa, esta moça (…) ainda aguarda a resposta, não quero que aconteça aquilo novamente.

Posso dizer que vc agradece, etc mas que está sem agenda?”

Claramente a assessora enviou email para a pessoa errada. Aos jornalistas que trabalham em assessoria, fica a dica: atenção redobrada quando forem encaminhar/responder um email.

[Eu mesmo já enviei email, de release e aviso de pauta, com todos os endereços no “Para”, ao invés de colocar “Cópia oculta”, revelando todo meu mailing. (In)felizmente, algumas coisas, a gente só aprende errando.]

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Nem bombeiro pode apagar

7 Agosto , 2009 · 5 Comentários

Me segurei o máximo que pude para não falar da já famigerada lei antifumo em São Paulo, mas vamos lá.
Não precisa nem ler. Está na categoria “desabafo”, inclusive.

Alguns fumantes estão revoltados com a proibição de tocarem em frente seus vícios. Eu também ficaria, entendo. Mas vamos fazer um exercício: troque todos os fumantes que você encontra em bares, restaurantes e casas noturnas por onanistas. Agora troque todos os cigarros por… bem, você sabe. Imagine agora que a prática comum da sociedade é ir para esses lugares e quando bate aquela vontadezinha de ‘onanar’, a pessoa simplesmente faz isso do seu lado e o resultado da ação, ela simplesmente despeja em você. Nojento, eu sei, blablabla. Mas é assim que acontece, também, com os cigarros. Aí, o que os onanistas dizem: “Tá incomodado? É só não freqüentar esses lugares”. Se você não quer voltar pra casa se sentindo sujo ou com o cabelo naquela caca [no caso das mulheres] é só não ir aonde os onanistas estão: em todos os bares e casas noturnas que você curte ir. Entendeu a analogia, né?

Desculpem, fumantes, mas reclamar de liberdade cerceada é um pouco ‘tarde demais’. Vivemos em sociedade e há regras e condutas para que ela funcione. Mal e porcamente, concordo, mas de um jeito que vá se tocando o pardieiro. Como é que o governo pode te proibir de fazer algo em lugares privados, não é mesmo?! Privados e públicos, lembremos. A definição de público e privado muitas vezes se mistura e pode confundir. A sua casa é uma propriedade privada. Um bar também, mas não é a SUA propriedade privada. Percebe a diferença?

Ainda sobre essa liberdade cerceada. Viver em sociedade tem dessas merdas, fazer o que? Você não pode simplesmente sair nu na rua, por exemplo. Se bater aquela vontade de fazer sexo, mesmo que a pessoa contigo também queira, você não pode fazer isso, por exemplo, dentro do cinema [Cinemark e afins, no Centro é outra história]. Cinema esse que também é uma propriedade privada. Lembrando, não a sua propriedade privada.

Concordo que a polícia faz vistas grossas a outras mazelas da sociedade, como o tráfico de drogas, prostituição infantil, entre milhares de outras coisas. Mas essa hipocrisia não justifica o discurso do “Então nos deixem em paz”. Se fosse assim, o governo tinha que parar de investir dinheiro na rede pública, porque há desvio dos valores. Que hipocrisia, se tem gente que desvia, porque então continuar investindo dinheiro na rede pública? Esse argumento da hipocrisia é fraco e não se sustenta.

Resumindo, essa discussão não terá fim. É claro que os fumantes não curtiram, pois parece segregação. A Rachel Juraski resumiu o sentimento geral da coisa: “Encontrando uma solução para que fumantes e não fumantes consigam conviver em paz nas baladas, a lei cai”. É isso. É o que eu gostaria também. Eu odeio cheiro de cigarro, mas tenho diversos amigos que fumam. Não gostaria de ser privado da presença deles, mesmo que o cigarro me incomode um absurdo. O problema é que o governo acaba se voltando para os não-fumantes e a idéia não é simplesmente excluir os fumantes. A idéia é o convívio pacífico e harmonioso. Mas aí já é pedir demais para a nossa sociedade, esteja você segurando um cigarro entre os dedos, esteja você apontando o dedo para quem está com o cigarro.

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Alguma coisa está errada

6 Agosto , 2009 · 1 Comentário

Estranhei a fila de carros naquela rua, paralela à Dr. Arnaldo, a Arruda Alvim. Quem vem da Alfonso Bovero ou Heitor Penteado, em direção à Consolação/Paulista, é a primeira à direita, passando a ponte do Sumaré. Uma fila enorme de carros. De cara, achei que estivessem indo para algum velório, já que há dois cemitérios ali na região. Mas os carros não andavam. Na rua cabem duas filas de carro e só a do lado direito estava parada.

Achei, depois, que fosse algum evento em um novo condomínio/empreendimento que estão construindo ali. Mas a entrada dele é logo no começo da rua e era possível ver a fila se estender até o cruzamento com a Cardeal Arcoverde. Fiquei intrigado. Sorte que estava caminhando na direção do início da fila de carros e poderia ver o que acontecia.

Conforme avançava, fui desconfiando do motivo de tamanha fila, com tantos automóveis caros. Aquelas pick-ups que consomem 3L/km, sedans chiques e outros mais esportivos. Eu me recusava a acreditar que era aquilo que eu imaginava: uma fila de carros, sendo dirigidos por pais que estavam ali para pegarem seus filhos na saída… do cursinho. Sim, do cursinho. A galera que faz cursinho tem o que? Entre 17 e 19 anos? Sei que há pais que continuam a buscar os filhos no colégio/cursinho, mas sempre soube de casos isolados. Não uma fila de quase 500m formada por carros que esperam seus filhos entrarem.

Fiquei achando um absurdo. Mas depois lembrei que hoje em dia é assim que as coisas são. E, no final das contas, alguém ainda poderia me dizer: “Me deixe em paz, você não tem nada a ver com isso”. Realmente. Justamente por isso, acho que alguma coisa está errada.

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