Crônico

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De nada

18 Fevereiro , 2009 · 1 Comentário

“Irei contar alguns casos e acasos de Barcelona, durante minha estadia aqui.

Cheguei em Barça em 03.02.2009. 5º ou 6º Celsius, pleno inverno. Saí de Sampa com praticamente 30ºC.

Tudo muito bonito, muito acessível (mais que o dobro de linhas de metrô do que em Sao Paulo e quase 1/6 da populaçao) e encantador. Carros respeitam os pedestres, idosos e mulheres nao precisam pedir lugar para sentar e bicicletadas sao tratadas como meio de transporte, nao apenas um brinquedo locomotivo. Até aquí, tudo ótimo e maravilhoso.

Cheguei em minha habitaçao, para morar com uma argentina (50 anos, dona do apê), uma chinesa e um francês, que ainda estaria por chegar. E ainda continuava tudo lindo e maravilhoso De noite, fui tomar meu primeiro banho europeu. E aí que o bicho pega.”

É o Gui quem conta suas peripécias em Barça. Ele não pediu para eu colocar aqui. Ele não é disso. Mas o texto é tão bom que pedi autorização pra reproduzir o início. Claro que dá vontade de continuar lendo. Claro que para isso você terá que clicar aqui. =) De nada.

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Me diz 5…

26 Janeiro , 2009 · 1 Comentário

…melhores segredos do PostSecret do último domingo [25/janeiro].
Dessa vez resolvi colocar as traduções.
Mas não se contente e clique para ver os cartões.

trojans.jpg

[Não é vírus. É marca de camisinha.
Toda vez que estou na casa do meu ex, eu escondo as camisinhas dele para que ele não faça sexo com a nova namorada naquela noite!
]

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[Minha família nunca abraça.]

2pac.jpg
[Literatura clássica, textos religiosos e livros de autoajuda não estão me ajudando a melhorar. Mas o 2Pac está.]

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[Eu quero fugir.]

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[Eu já ouvi todas as vezes antes. Mas por alguma razão eu acreditei em você. Eu ouvi + escutei. Noite passada eu dei descarga em todas as minhas pílulas 'extras'. Aquelas que eu vinha guardando... por garantia. Obrigado.]

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Saw death on a sunny snow*

14 Janeiro , 2009 · 4 Comentários

Não avance o vídeo até chegar em algo que consiga ouvir. Cada cena tem seu significado. Quem me passou foi um amigo brasileiro, que mora na California e está de férias em Barcelona, na casa dos pais. Mas essa história é pra outro dia. Voltando… deixe o vídeo carregar inteiro e só depois dê o play, para não correr o risco de empacar e perder alguma coisa. Não tente entender como alguém consegue conceber algo tão simples, mas tão bonito. Eu tenho uma teoria, não confirmada. Acredito que as melhores coisas já feitas são aquelas em que os criadores pensaram: “Cara, como eu queria algo assim”. Dentro da minha teoria, o John Frusciante toca guitarra assim, porque simplesmente gostaria de ouvir aquilo. Ele vai e faz. O pudim da Real nasceu por causa disso também. Pode ser pretensão, mas meus textos são isso… coisas que eu gostaria de ler. Eles simplesmente saem assim. Há muita coisa melhor que meus textos, isso é óbvio. Mas eu ainda não cheguei no ponto de olhar e dizer: “Cara, consegui. Esse era ‘O’ texto que eu queria ler”. Cada um é uma [pequena] tentativa disso. Voltando… Bon Iver é o nome dele. Depois você clica no nome para conhecê-lo[s]. Assista primeiro ao vídeo. Releia as instruções do primeiro “Voltando…” e só depois pesquise sobre ele[s]. Depois, se gostar, assista esse. Só então estará livre para fazer o que quiser com o que viu e ouviu. Pode ir.

*For Emma – Bon Iver

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Pudim rei

6 Janeiro , 2009 · 11 Comentários

Nos últimos anos tenho evitado dizer “a melhor coisa do mundo”. Ainda não experimentei todas para saber a melhor. Outro motivo é que gosto é algo muito relativo. O gostoso para mim pode ser ruim para você e por aí vai. Mas há aquelas coisas que se tornam unânimes.

Eu nunca fui muito fã de pudim. Ia na casa da avó de minha esposa e diziam “É o melhor pudim que existe”. Comia e achava OK. Não era descaso ou fazendo desfeita, longe disso. O pudim era sim, muito bom. Mas o doce não é algo que eu aprecie, de forma geral. Chocolate, por exemplo. Até chocolate ruim [para mim] é bom… entende? Mas pudim… OK, pudim adoça a boca. Legal. [Como disse, gosto é relativo.]

Mas um dia eu experimentei o pudim da Real, a padaria que fica ao lado da MTV. [Na verdade, o nome é Real Pizzaria e Lanchonete. Tem realmente uma pizzaria ali e lanches. Não é muito padaria, porque não tem pãozinho pra vender (o que define uma padaria, para mim), mas convencionou-se chamar a Real de padaria, pelo clima que oferece.] Na colherada, já se sabe que coisa boa vem pela frente. O pudim ideal começa pela textura. [Lembre-se que essa é a análise de alguém que não gosta de pudins, de forma geral.] Quando a colher começa a cortar aquela mini-montanhinha, há uma consistência inegável ali, de um autêntico doce de forno. Você percebe que, de certa forma, ele é mole. Mas ele não cai. Nunca. Até a última colherada, permanece em pé. As vovós diriam: “OK, ele é mole… mas é durinho também. Como?! Ó Senhor, como?!?”.

Feche os olhos e coloque a porção escolhida para pousar em sua língua e se desfazer no céu da boca. A consistência perfeita [nem tão mole, nem tão dura] será ainda mais incrível e extraordinariamente perceptível. A calda de ‘caramelo’ é generosa. Cai por sobre o pudim e ainda tem no prato. O fundo do pudim é propositadamente levemente queimado, para ficar aquela pequena crosta com gosto exótico. Caso não lhe agrade a parte mais queimada, o pudim sai perfeitamente, sem desmanchar sua base.

Ouso dizer que o pudim da Real alcançou a perfeição. Consistência exatamente equilibrada – não é doce ou aguado demais – tem uma generosa calda de caramelo e base levemente queimada [para quem gosta].

O Pedro Jansen me disse que se eu quisesse experimentar um pudim que me fizesse questionar o da Real, eu teria que experimentar o da padaria Villa Grano, na esquina da Wizard com a Fradique Coutinho. Fui no mesmo dia. Pedi o pudim e um café espresso, normal [como de costume]. Na colherada, percebi que era mais durinho que o da Real. Achei ele um pouco mais ‘seco’, pegando na boca, sem contar que achei muito doce. Fica até ruim eu dizer 5 imensos parágrafos do pudim da Real e apenas um, meio mixuruco sobre o da Villa Grano, mas é que eu tenho tão em conta o da Real, que fui esperando que minha vida mudasse depois dele [OK, exagerei]. Então, para ser mais justo, desafiei o Pedro a experimentar o da Real e escrever um post com os critérios do que ele considera ‘a perfeição’ [Villa Grano, para ele] e a análise do pudim que considero melhor.

Como disse, é questão de gosto. Pode ser que alguém prefira o pudim mais durinho e com menos calda. São essas pequenas diferenças que fazem a vida ficar mais divertida. Além disso, o dono da Villa Grano não vai à falência com aquela força do Pedro e a Real continua na ativa, comigo indo lá pelo menos uma vez por semana.

Real
Av. Profº Alfonso Bovero, 2 – Sumaré
3862-7864

Villa Grano
Rua Wizard, 500 [esquina com a Fradique Coutinho] – V. Madalena
3031-6636

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Me diz 5…

7 Outubro , 2008 · Deixe um comentário

[não é repetido! Fiz de novo!]
…melhores segredos do PostSecret do último domingo [5/outubro].

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e o melhor do dia

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Me diz 5…

7 Outubro , 2008 · Deixe um comentário

…melhores segredos do PostSecret de ontem do dia 27 de setembro.
[Sério, é um ritual lê-los toda segunda. Embora hoje seja terça. Mas era pra ter feito isso semana passada.]
Estão todos em inglês.

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e a melhor de todas [uma das melhores que já vi no blog]:

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Panela velha

26 Junho , 2008 · 2 Comentários

Eis que baixei CDs novos de artistas velhos. Velhos sim, pois se hoje em dia The Strokes é coisa antiga, que dirá Alanis, Coldplay e Weezer.

Eu não sou crítico de música. Não tenho base teórica, nunca escrevi sobre isso, mas tem gente que é mais doido que eu e gosta de saber minha opinião quanto a uma determinada banda/artista. Se você não é uma dessas pessoas, está dispensado para ir ler outra  coisa. Caso queira saber, vamos por ordem alfabética:

Flavors of Entanglement
Alanis Morissette

Parece que a Alanis entrou agora no ano 2000. Lembra quando em 1999 – 2000 alguns artistas começaram a ficar mais, digamos, eletrônicos? Pois é. É o que a Alanis está fazendo. Na metade de 2008. Ou seja, a 1 ano e meio de 2010! Pense numa Madonna mais pop rock, mantendo as batidinhas eletrônicas e sendo menos Madonna. Pois é. A Alanis demorou quase uma década para ter sua fase ‘adolescente’ do eletrônico e sampler. E quando teve, desandou o caldo. Um CD totalmente dispensável no meu iPod. Acho que vou deixar a título de curiosidade. Tenho medo do que virá depois desse. [Quando alguém lança um CD e depois de ouvi-lo uma vez pensa: "Quando sai o próximo?" é porque a coisa não vai bem mesmo].

Preciso registrar que sempre gostei muito de Alanis, acho que ela faz boa música, um rock agradável e, por vezes, coisas diferentes. Nos CDs anteriores, as mais calminhas eram as renegadas, embora boas. Nesse a mais calminha, Madness, é a única que se salva. E olhe lá.

Conclusão: volta Alanis!

Viva la Vida or Death and All His Friends
Coldplay

Pois é… eu ouvi esse CD. Sabe quando você vê a Thati do Big Brother comemorando festa de aniversário no buffet infantil da Andrea Sorvertão e se sente mal pela pessoa? [Pelas duas, nesse caso?]. Então é um pouco pior. É como quando você descobre que a Sorvetão está casada com o Conrado e vê fotos dos dois juntos, abraçados à Thati. Nem uma barra de Hershey’s Cookie n’ Cream resolve essa vergonha alheia.

O CD do Coldplay chega perto disso. Odeio resenhas muito grandes, por isso vou tentar ser breve no que puder, ao analisar faixa a faixa:

1 – Life In Technicolor
Música de abertura, literalmente. Não é só a primeira, mas serve como um “Respeitável público”. Inteira instrumental. Quando você acha que vai ficar boa, acaba.

2 – Cemeteries of London
Logo de cara, não dá pra entender muito bem a batida [de leve] que rola ao fundo da voz de Chris Martin. De repente entra a bateria, baixo e violão. Aí você pensa “Conheço essa levada de algum lugar… tão anos 90″. E um pop-up do Pato Banton cantando “Go Pato” aparece na sua mente, enquanto rola a música. A partir daí, fica impossível não dar risada toda vez que voltar a ouvir essa faixa.

3 – Lost
No primeiro segundo de música você pensa “O cara está mesmo se perdendo”, sem nem ter visto o título da faixa. Isso porque ele faz um ‘tum-tum-tá’, bem We Will Rock You, do Queen. Eu até fiz junto para ver se sincronizava e nem preciso dizer o resultado, não? Aí ele canta: “Just because I’m losing / Doesn’t mean I’m lost / Doesn’t mean I’ll stop”. Decepciona saber que isso continuará até o final do CD e você pensa “Quando é que sai mesmo o próximo CD deles?”.

4 – 42
Começa bem Coldplay-jeito-de-ser. E quando você se vê agradecendo por isso, fica preocupado. “Não era um CD em que iriam inovar? Ah é, eles inovaram. Fizeram referências ao Pato Banton e a We Will Rock You do Queen e no meio disso tudo, estava o Conrado, a Andrea Sorvetão e a Thati”. De repente a música muda completamente e você fica triste porque se lembra de Amsterdam, música do álbum A Rush of Blood to the Head [último álbum bom, que é possível ouvir mais de 5 faixas] e percebe que ela tem a mesma ‘temática’, só que pior.

Ainda está aí?

5 – Lovers in Japan / Reign of Love
São duas músicas. A primeira rola no mesmo clima de “Vai demorar muito pra acabar?”. Começa a segunda e depois do que aconteceu na primeira, até Pato Banton seria bem vindo. O Coldplay faz um pouco melhor e nos dá esperança em continuar ouvindo o CD. Mas você se sente enganado. Teve que ouvir a primeira para chegar nessa parte. Se você tiver um editor de MP3, vale a pena cortar a Lovers in Japan e ficar apenas com Reign of Love.

6 – Viva la Vida
Hein? Não era Chris Martin? Em que momento entrou o Ricky no CD, que ninguém me avisou?

Nessa faixa parece que o Coldplay trocou uma idéia com a Alanis e perguntou “E aí, como vai ser seu novo CD? Anos 2000? Boa!”. Nem perguntaram se já não tinham perdido o timing, mas quem precisa disso, né? Só colocar uma orquestra e uma batidinha clássica e fica tudo certo…

7 – Violet Hill
Bom, pelo menos tem nome de música do Coldplay. A levada ainda é do Pato Banton [Go Pato], mas em um ritmo mais devagar, com mais guitarras e no finalzinho, um momento Coldplay-de-ser, que você chega a cruzar os dedos e promete nunca mais falar mal da Gwyneth Paltrow se a música terminar depois disso.

8 – Strawberry Sing
Passa desapercebida. E isso é um mérito em um CD como esse. Chego a arriscar que pode ser um dos singles do álbum, já que da metade pra frente tem um violãozinho bem Coldplay, o que é uma coisa boa em um CD como esse [Acho que já falei isso, né?].

9 – Death and All His Friends
Início com pianinho Coldplay, Ricky Martin, quer dizer, Chris Martin sussurrando e riffs de guitarra característicos da banda. Mas o sussurro avisa: “(…) just be patient, and don’t worry”, pois o crescente virá e a música se transformará. Mais uma vez. Será que ele não tem pena da gente não? A resposta é: não. E uma happy music entra em cena. Com marcação marcante [foi proposital] do baixo e da bateria, à la Pet Shop Boys, mas numa versão piorada, lógico.

10 [finalmente] – The Escapist
O clima Pet Shop Boys continua. A essa altura, você só torce para que o Martin, seja ele qual for, nunca tenha ouvido RPM para não tentar nada progressivo, enquanto ele sussurra uma meia dúzia de palavras e um sampler de teclado, ou seja lá o que isso for, encerra o álbum.

Conclusão 1: ao final dessa análise uma coisa para mim ficou clara: o Coldplay é melhor fazendo clichês e sempre a mesma coisa.
Conclusão 2: não perca seu tempo ouvindo esse CD.

The Red Album
Weezer

Eu quase estava desistindo de ouvir novos CDs, me fechar no iPod com os anos 90 em Nirvana, Pearl Jam e Red Hot Chili Peppers, quando ouço o novo do Weezer. Só pelo fato dos caras não ficarem se preocupando com um nome pro álbum, simplesmente pintarem de uma cor primária e deixarem ser chamado do nome que for, já é grande coisa. O primeiro deles era um fundo azul, eles posando em fila pra câmera e o nome “Weezer”. Começaram até vir o 3º, o CD ainda era conhecida como “Weezer”, banda e disco. Mas no 3º, fizeram a mesma coisa, mas trocaram o fundo, que passou a ser verde. Ou seja: o primeiro tornou-se o Blue Album, o terceiro ficou Green Album. No quinto, e mais recente, o fundo é vermelho. Não precisa conhecer a escala RGB para adivinhar o nome dele.

Aqui vou me dar a liberdade de falar só das faixas que mais gostei. No entanto, diferentemente dos outros CDs, vale a pena ouvir todas as faixas, mesmo que aqui não mencionadas.

1 – Troublemaker
A banda é da Califórnia. Por que digo isso? Simplesmente porque a música que abre o álbum pode parecer alguma coisa que você já ouviu por aí, principalmente em bandas da Costa Oeste dos EUA. “Acho que já ouvi isso no O.C.” é algo bem válido. No entanto, estamos falando de Weezer, uma banda ‘velha’. Você ouve mais um pouco e pensa “Hum, aqui tem um algo mais do que as outras bandas californianas”.

3 – Pork and Beans
Muito se falou já desse primeiro single, simplesmente pela idéia genial do clipe em juntar os The Hypests Hypes [já falei que gosto de neologismos?] da internet dos últimos anos em um vídeo só. Ou seja: os maiores hits do Youtube são parte de seu clipe. Quem não vai querer ver tudo isso junto, num vídeo só?!

Mas e a música? Só pelo clipe, poderia ser o Chris Martin cantando seu último álbum [OK, exagerei], mas ela se garante. Se você tiver a possibilidade apenas de ouvi-la, isso já é algo válido. Uma levada tranqüila para os padrões-Weezer-de-ser. Até quando entram as guitarras, baixos e batera com o chimbal totalmente aberto, ela vai agradar até os ouvidos mais delicados, justamente por montar uma melodia que se torna agradável nas estrofes iniciais.

4 – Heartsongs
Só na 3ª vez fui perceber a batida do coração no início da música. Enfim, me lembrou muito Pinback, o que, para mim, é uma boa referência. Tive a sorte de comprar meu primeiro iPod de um amigo, ou seja, com 3 mil músicas recheando-o. Mesmo tendo apagado algo entre mil e 1.500 músicas, muita coisa que ouço hoje em dia descobri nessa época. A coincidência: esse amigo é da Califórnia. Tem uma hora que essa música chega a lembrar o Linkin Park, que eu simplesmente abomino, mas não chega a ser pé no saco e cansativo como a banda do cara que parece aquele de CSI. Quando você começa a pensar “Pior que o som está parecendo mesmo”, a música termina e fica tudo bem. =)

6 – Dreamin’
Música sem violãozinho ou percussão. Mas uma música ‘feliz’. Acho que o que resume bem o Weezer é isso. Eles fazem um Nerd Punk Rock pra se curtir, sabe? Aquilo do ‘De amargo já chega a vida’, então o que rola são coisas felizes.

7 – Thought I Knew
A música começa e acho que mais uma banda sucumbiu ao revival do ano 2000 ou só percebeu que entrou nessa década quase uma década depois, mas dou o benefício da dúvida ao Weezer, já que as 4 músicas acima por si já valem mais do que o CD inteiro da Alanis + o álbum inteiro do Richris Martin. Enquanto estou escrevendo, vou ouvindo as músicas… tempo real. Para o texto sair exatamente no clima dela. Acontece que na metade dela, já esqueci das paradinhas eletrônicas do começo e estou feliz pelo Weezer ter feito esse CD.

10 – The Angel and the One
A música tem um ‘quê’ de Death Cab for Cutie e o vocal de vez em quando lembra o Dashboard Confessional, que não é da Califórnia, mas é da Costa Leste, Boca Raton – Flórida.

11 – Miss Sweeney
Uma baladinha bem feita, com pausas em lugares previstos, mas bem feitos. Letra em forma de historinha, o que é agradável. Melodia bem agradável também. Superior às outras que não foram citadas

14 – King
Algo meio folk, meio rock, meio Weezer, bem agradável também. Música que você ouve no dia-a-dia e agrada. O vocal e a levada lembram um pouco Everlast, mas em um sentido bom da coisa.

Conclusão: o Weezer tem um som que você poderia pensar ser alguma outra banda. Não é nada que chegue a “Nossa, só podia ser mesmo o Weezer pra fazer um negócio assim”, como é o caso do John Frusciante, por exemplo, guitarrista do Red Hot Chili Peppers. Mas é algo ‘comum’ bem produzido, bem dirigido, enfim, bem feito.

Mais um ponto para o Weezer: eles fizeram uma música colaborativa. Rivers Cuomo, vocalista e *líder da banda, colocou em seu canal do Youtube uma série de vídeos de como se escrever uma canção. Pediu sugestão de letra, acordes e título. Ele mesmo compôs e colocou o resultado no mesmo canal. [Detalhe para os gols de Sócrates e Carlos Alberto, clássicos].

* Acho essa questão de ‘líder’ da banda muito discutível. Se você já tocou em alguma sabe que a pessoa que está no microfone nem sempre a lidera. Muitas vezes, quem dá a dinâmica da banda, na hora em que se está tocando, pode ser qualquer um. Alguém que conduza a banda a fazer algo que fique sincronizado, que soe bem. Por isso evito, hoje em dia, falar em “líder da banda”. Utilizei muito esse termo quando trabalhei na rádio Brasil 2000 e precisava escrever as notas do dia inteiro. Hoje em dia, não curto mais, porém, as pessoas entendem dessa forma e é necessário fazer a informação chegar ao interlocutor, não importa como, diriam alguns professores. Segundo eles, si aLgUen ixkrevi axim, e a outra pessoa entende, tá valendo.

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Um beijo roubado

25 Abril , 2008 · 2 Comentários

*Se você não gosta de saber do que acontece em um filme antes de assistí-lo, resista. Não leia! Mas o texto, na humilde opinião de dono do texto, ficou legal.

Fui assistir a “Um beijo roubado” sem esperar muito dele. A princípio, quando li a sinopse e vi quem eram os atores, me animei. Depois, ao saber que era do Wong Kar-Wai, fiquei temeroso. O único filme dele que havia assistido até então era “2046”. Eu até gosto de filmes mais artísticos, ou não lineares, diferentes do que Hollywood está acostumada a fazer, com os clichês e previsibilidade de sempre. Mas “2046” é um filme artístico demais para mim. Há coisas que são artísticas, mas podem ser compreendidas, abarcadas por nosso conhecimento, mesmo que não entendamos muito bem. O Tom Zé é um caso assim. A gente não entende muito bem a cabeça dele, ou muitas vezes, até mesmo a obra. Mas ele é gênio, não tem como negar. É o caso que a gente olha, não assimila, mas entende e percebe que existe uma genialidade ali. Com o Wong Kar-Wai, não consigo. Ainda não sei se é pela minha incapacidade de perceber ou se é falta de genialidade da parte dele e as pessoas que o idolatram, fazem isso apenas por posarem de intelectuais. Isso é mais freqüente do que a gente imagina. Se as pessoas, de fato, assumissem o que pensam ou o que não sabem, nos sentiríamos menos “incapazes” ou por fora de alguma coisa.

Eu não gostei de “2046”, justamente porque não entendi porcaria nenhuma do filme. Entendi que o cara utiliza milhares de digressões e meta-lingüagem, mas que não me ajudaram em nada a pensar em coisas da minha vida, ou me proporcionar um bom passatempo. Já “Um beijo roubado” consegue isso. A gente se vê no comodismo da Beth, ou Lizzie. A gente se vê na impulsividade da mesma Lizzie, ao decidir sair e viajar sem destino. A gente se vê na passividade e na espera de Jeremy, mas também de saber que no fim, vai dar tudo certo.

Um beijo roubado, tem uma ótima trilha também. Para quem quer ver Norah Jones cantando, isso não acontece. Tem uma música dela que abre o filme e a que fecha o filme. Mas ela não canta. Aliás, acho isso legal. O ato cantar no filme, não acontece pra valer. Quando alguém canta em algum filme, a pessoa apenas interpreta que está cantando. Ou você acha que em Moulin Rouge ou Chicago, o som captado no momento daquela cena é exatamente o que você ouve? Aham. Do mesmo jeito que o que você lê aqui não é exatamente como foi saindo da minha cabeça e eu vou editando, mudando, para ficar mais legal e agradável [se é que isso é possível], o que a gente ouve em uma cena que alguém canta, é, na verdade, uma gravação em estúdio e a pessoa interpretando a canção. Óóóóó [expressão de surpresa]. Ou seja, a Norah Jones não cantar no filme não é uma coisa ruim, é uma boa coisa! Ah, tem a Cat Power também no longa, mas ela também não canta. Aliás, é só uma ponta e como pouca gente sabe quem é a Chan Marshall [Cat Power], a beleza dela sobressai. Mas tem uma música dela [The Greateste, do CD The Greatest] que toca várias vezes durante o filme e quem é meio fissurado em trilhas, acaba indo atrás e descobre que é uma música da Cat Power. E para as meninas, tem o Jude Law, que tem se mostrado mais do que um ator bonitinho.

Sou um cara meio exagerado. Se me dizem que algo é ruim, eu já vou esperando a maior porcaria da história. Se me dizem que é bom, vou esperando algo sublime, que me arrebatára. Por isso, a melhor lição que tirei disso tudo é: quanto menor a expectativa, melhor o filme fica. Isso eu já tinha “descoberto”, no mínimo, entendido. Tinham me dito que o filme era mais ou menos, que no começo cansava e só do meio pro final, ficava um pouquinho interessante. Ou seja, eu acabo gostando muito mais do filme [do que deveria?] e quando vou dizer pra alguém, boto uma pilha, e com isso, é muito provável que a pessoa ache o filme bem mediano. Eu fico em dúvida. Se falo mal do filme, pode ser que ela nunca assista. Se falo bem e ela assistir, a expectativa dela será alta e o filme será inferior ao esperado. O bom disso é que, quando essa pessoa for falar do filme pra alguém, ela vai falar que o filme é fraco e se a outra pessoa assistí-lo, gostará como eu. É uma coisa doida, de um dizer que é bom, e a gente não gostar. Aí a gente diz que não gostou e quem for assistir, com a nossa opinião na cabeça, vai adorar. Nesse ciclo maluco que ajuda uns a gostarem mais do filme e prejudica outros, espero que sempre me digam que o filme é ruim. Não tenham medo. Eu sou teimoso e assisto mesmo assim.

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manual de sobrevivência

30 Outubro , 2007 · 2 Comentários

existem algumas “manhas” para sobreviver em sociedade, ainda mais quando circulamos por múltiplos ambientes.

interessante
há situações onde não podemos expressar o que realmente achamos.
quando um amigo te mostra aquela música meio chata ou experimental demais, ou você assiste a um filme muito ruim e conhece o diretor, e eles te perguntam – e aí, o que achou? não dá para simplesmente dizer – uma merda.
até dá, mas algumas vezes, não convém.
então ao invés de magoar e talvez perder o amigo/contato, é só dizer “interessante”.

filme sem noção. você odiou.
- o que achou?
- interessante!

o interessante não chega a ser uma mentira.
porque não deixa de ser interessante como alguém consiga produzir algo tão ruim quanto aquilo!
você pode arriscar um diferente, mas é arriscado.
o diferente já está conhecido e reconhecido como sinônimo de “não gostei”.
você beira a possibilidade da pessoa já sacar que você não curtiu, ou dela entrar no jogo e perguntar “diferente como?”.
aí você está enrascado.

§ uma tática de sobrevivência mais agressiva é com relação aos malas.
sobrevivência deles, porque se deixar, a gente acaba esganando um.
a seguir, duas táticas anti-mala. §

ignorar
aqui no trabalho o que mais existe, depois de filme, é gente mala.
diretor mala, produtor mala e jornalista mala.
tem um diretor específico, que toda vez que entra na nossa sala, o radar anti-mala dispara.
tu tu tu tutu tutu tututu tutututu tutututututututututututuuuuuuuuuuuuuu!
[esse é o radar]
e começa a epopéia.

primeiro, sem se dirigir a nenhuma pessoa especificamente, falando alto, começa a reclamar que seu filme não está sendo notícia em nenhum jornal.
aí começa a mendigar coisas pra gente: camiseta, bolsa, brinde, divulgação, impressora, ajuda na conexão, problema no email.
mas não assim na seqüência.
um mala sabe fazer seu trabalho.
é de 3 em 3 minutos.
tortura mesmo.
quando a pessoa percebe que está incomodando, é aí que a coisa fica legal.

porque ela aumenta o intervalo para 5 minutos!
na primeira vez, você pensa “graças ao bom Deus, ele parou”.
só pra dali 2 minutos, recomeçar!
eu não falei da estratégia ainda.
é só ignorar.
o próprio mala te dá a ferramenta.
como ele não se direciona a ninguém, você também não é obrigado a responder.
pra quem gosta de fazer seu trabalho bem e atender as pessoas da melhor forma possível, é um grande desafio. é como um telefone tocando, que ninguém atende!

se ninguém responder, ele pode olhar para você. mas como é mala, provavelmente não sabe seu nome. mantenha os olhos fixos no computador, não vacile, não demonstre que você percebeu a presença dele e se conseguir, fique digitando ininterruptamente para parecer ocupado.
sempre vai ter alguém mais piedoso ou com o coração mole, que vai acabar atendendo o mala.

ou seu chefe, que tem que atender os malas.
então aproveite sua posição não-elevada na hierarquia e simplesmente ignore o mala.
lógico, se ele falar seu nome, parar na frente da sua mesa ou encostar em você, te chamando, aí a figura muda. e a gente entra na próxima tática…

idiotizar
não é para tratá-lo como idiota.
a tática é você se passar por idiota.
o mala te reconheceu, te chamou e tal, finja que você não entende.
faça cara de zé ruela e fique olhando pra pessoa, quando ela terminar de falar.
sempre.
toda vez que a pessoa terminar uma frase, espere 5 segundos pra responder. não abra mão disso!

se você semi-cerrar os olhos, demonstrando que está queimando o dobro de neurônios para entender o que a pessoa disse e a seguir formular uma resposta, terá mais efeito.
além de ser a cara de quem tenta entender, você pode dar uma pitada de idiota deixando a boca um pouco aberta, a ponto de babar.
infalível.
das próximas vezes, é muito provável que o mala não se direciona a você.
[não babe.
é só quase.]

essas são duas táticas que cobrem a maioria dos contextos onde se encontra um autêntico mala.
uma é utilizada à distância e a outra, na proximidade.

mas as táticas requerem um pouco de bom-senso.
com “chefe mala”, por exemplo, até dá pra usar, mas são situações muito delicadas, onde varia o tempo de ignorar e o tempo de idiotizar. tem que saber o timing perfeito nessas horas. e isso varia de chefe pra chefe.

agora perigoso vai ser eu usar isso com você ou você comigo.
estamos ambos ferrados!
nisso que dá querer ter um blog.

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