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30 Carolinas

carol 1

Não se desespere, meu amor. Dizem que os 30 anos são os novos 20, mas te conheço e sei que você não está nem aí para o que dizem. É uma das coisas que amo em você: sua capacidade de dar valor ao que tem valor. Mas não se desespere.

Sei que você não se sente mais jovem quanto antes. Você me disse isso. Mas eu ainda te vejo como te vi no primeiro dia que saímos: deslumbrado por uma mulher incrível. Há 10 anos você já era mulher, sem saber. Te chamar de guria ou pequena nunca te fez menor ou mais infantil. Você foi a mulher da minha vida, naquele dia, e é a mulher da minha vida hoje, tendo passado por tantas outras vidas juntos.

carol 2

O sentimento de fazer parte da sua história e de todas as suas vidas desde que nos conhecemos é algo difícil de descrever. Esse é um dos seus super-poderes: trazer sorrisos a quem está próximo e deixar-nos sem palavras. Diante de você emudeço. Me falta vocabulário e referências, analogias e elucubrações. Sofro para escrever poucas linhas, merecedoras de você e de suas 30 Carolinas, que são incríveis e fantásticas, sagazes e engraçadas, inteligentes e divertidas, lindas e deslumbrantes.

Não ache menos de você: saiba. Não porque estou te dizendo, porque você é. Essa é a verdade e você é verdadeira. Só os tolos não acreditam na verdade. E você é sábia, saiba. Do tipo de pessoa que faz o clichê ser verdadeiro: ajuda o mundo a ser um lugar melhor. Acrescenta muito, pouco [ou quase nada] pedindo em troca. Aprendo tanto contigo, de mim, de você e de nós. Sou afortunado por dessa galera toda no mundo ser eu a estar ao seu lado não só nesse dia especial, mas em todos os nossos dias comuns, que se tornam especiais por você estar neles.

Não se desespere, meu amor. Não prometo que resolverei tudo, mas farei o máximo para se equilibrar. Para nos equilibrarmos. Tamo junto.

carol 3

Escrever o que?

Na verdade, a pergunta é: o que interessa ler? Na entrevista que demos ao Alexandre Matias, ele comentou que talvez fosse falar demais sobre a própria vida, como se isso interessasse a alguém. E ele tem razão. Seria presunçoso acharmos que nossas vidas interessam a leitura de quem não nos conhece (e até de quem nos conhece, em muitos casos).

Esse é um assunto que me aflige (exagero) desde os tempos de faculdade. Formado em jornalismo, antes de ingressar a universidade, achava que a profissão prestava um serviço à sociedade, levando a ela a informação que o ‘sistema’ não quer que saibam. Vários enganos em apenas uma frase, mas ainda não sei o que interessa escrever, a todos. Existe um assunto inerente a todos, do interesse de toda a população, não interessando sua classe social, religião e tudo o mais?

Dizem que a história é a versão dos vencedores. Só aí já dá para duvidarmos de uma porrada de coisa. Mas no meu universo, menor, vale falar sobre o que? Há níveis de importância dos assuntos, mas e se precisasse definir apenas um? Acho que nossas vidas, aqui compartilhadas, talvez não estivessem.
Mas busco não levar a vida tão a sério também. Tenho aprendido a escolher o que ler. Durante o cursinho, faculdade e pouco tempo depois de formado, fiquei frenético em saber de tudo, procurando ler, no mínimo, dois jornais (inteiros) por dia. Ajudou quando trabalhei em uma assessoria de imprensa, já que tinha uns cinco periódicos diferentes à disposição.

O movimento tem sido de diminuir o ritmo, em diversas áreas da vida. Com isso, tenho me sentido menos desesperado em saber das coisas. Fica mais difícil ainda quando se é jornalista, já que, teoricamente, esperam que saibamos de tudo que acontece no mundo.

A busca por saber o que vale ler (ou escrever) continua. Por enquanto, tenho me apaixonado em escrever (e ler) histórias. Acredito que seja esse o tema único a todos nós: histórias sobre semelhantes, que nos façam ver que estamos todos no mesmo barco.

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Texto publicado originalmente no Epic Shit.

Amanheceu

amanheceu

A musiquinha das 7h, da Jovem Pan, era o marco para sabermos se estávamos no horário ou se estávamos atrasados. Morávamos em Guarulhos e estudávamos no Mackenzie, eu e meu irmão. Rolê no final da Fernão Dias, Dutra e boa parte da Marginal Tietê. Minha mãe era [é] uma heroína. Durante quase 10 anos fez esse trajeto conosco, todos os dias, pela manhã. Quando o Narciso Vernizzi começava a falar, sabíamos que faltavam cinco minutos para as 7h. Lembro do dia em que, minha mãe tirando o carro da garagem, o Narciso começou a falar. Pensei: “Ah ê! É hoje que perco a primeira aula!”. A meta era estarmos já perto do Sambódromo quando o Sr. Vernizzi [já falecido] começasse a dar a previsão do tempo para o dia e para o final de semana, caso fosse sexta-feira.

Em São Paulo, se você não se policiar [ou não tiver uma cabeça 'boa'], será muito fácil deixar-se tomar pela angústia. Um sentimento de desespero, por sentir-se sempre atrasado. Quando entrei na faculdade [e ainda não trabalhava], acordava por volta das 11h, pois as aulas eram no período da tarde. Sentia que havia perdido um mundo de coisas, pelo horário avançado na qual levantava. Meu primeiro estágio foi na rádio Brasil 2000, na rua onde morava. Ajudava a fazer o jornal da manhã, que começava às 6h. Saia e ia comprar um café com leite no bar. Já havia ônibus lotados passando na avenida, 5h50 da manhã. Por isso, ainda havia um sentimento não necessariamente de atraso, mas de que a cidade já estava em pé há horas e eu ali, acordando ‘tarde’. Houve uma época em que eu acordava às 4h30, para ir trabalhar em Alphaville. O horário da fábrica era 7h30 e pegava um ônibus até a Ponte do Piqueri, para esperar o fretado. Na região do Ceagesp parecia shopping em véspera de Natal. Não importa o horário em que eu acordasse, sempre havia alguém em pé antes de mim.

Sempre achei o clichê “A cidade que não dorme” um pouco exagerado. Porque ela dorme sim, só que em horários diferentes. O problema é que essa sensação de atraso não é uma exclusividade de quem vive aqui. Quando você começa a estudar os escritores clássicos, lê livros de Filosofia, aprende Semiótica, conhece a história da Arte, Música, Matemática, pensadores etc, você percebe o quanto de coisa já aconteceu no mundo e que você não participou ou não tem conhecimento. O sentimento de angústia aparece quando você percebe que a sua vida [o que? uns 70 - 80 anos?] não será suficiente para você conhecer tudo o que já foi ensinado, dito, pensado, cantado, escrito e vivido.

Comecei a me sentir assim quando percebi a quantidade de livros que eu ainda queria ler, mesmo tendo lido muitos até aquele momento. O ser humano não consegue [e acredito que não conseguirá] absorver tudo o que já foi feito. Um rebento, que está nascendo nesse exato momento, já nasce de certa forma atrasado em relação a nós. Daqui uns 15 anos ele apenas saberá quem foi Michael Jackson pelo que lê e pelos CDs que nós, antiquados, guardaremos para mostrar à posteridade. Esse ‘atraso’ é inerente a todo ser humano e, por isso, inevitável. A gente já nasce com milhares de anos de atraso!

Aprendi com um amigo que para um problema que não tem solução, então não há problema. Se esse sentimento de ‘atraso’ é inevitável, basta apenas, então, fazer o que estiver ao nosso alcance. A angústia que essa sensação nos traz pode ser substituída por uma paz de quem, agora, é livre para adquirir e conhecer o que bem entender. Uma viagem à Europa só fará sentido se isso for uma das coisas que você irá querer realmente experenciar [desculpe, Guimarães Rosa] e como parte da sua experiência de vida. Você não precisa conhecer a França, por exemplo, só pelo status que o país tem de ponto turístico mundial e por ter sido palco de inúmeros movimentos e revoluções. Você não precisa ler determinado livro porque ele está na estante “Clássicos”. Já que não será possível conhecer todos os lugares, ou ler todos os livros, então que sejam lidos os que mais têm a ver com você. Que sejam vistos os filmes que mais tem vontade. Que sejam visitadas as cidades que mais te atraem, seja ela Durandé, seja ela Nova York. Quem está atrasado tem mais tempo para fazer as coisas.

Death Cab for Cutie no iPod

A primeira vez que tive contato com a expressão ‘pleasure delayer’ [retardador de prazer] foi no filme Vanilla Sky. Não existe uma definição. Mas o nome é um pouco autoexplicativo. [Desculpe, sou jornalista e preciso treinar essa (já famigerada) reforma ortográfica. Aliás, já falei o quanto gosto dessa palavra, né? 'Famigerado'. Um dia, quando tiver conteúdo suficiente, escrevo um texto sobre ela]. Enfim, é alguém que deixa o prazer para depois, mas não por preguiça ou por não estar afim no momento. É simplesmente uma técnica para saborear os momentos aos poucos.

Exemplo: alguém lembrou de você e te comprou uma trufa de Nutella [sim, elas existem]. Você a recebe de manhã. Se você for um retardador de prazer, não a comerá na hora. O mínimo será deixá-la para depois do almoço, como sobremesa. Mas os pleasure delayers puristas não a comerão nem depois do jantar! Ela será guardada para aquele dia especial. Não em um domingo qualquer. Mas um dia realmente especial. Pode ser que fique guardada até o Outono, para ser apreciada [ela não é simplesmente comida] em um dia de friozinho, final de tarde, as folhas caindo e o céu laranja.

A trufa é um exemplo. Existe quem faça isso com relacionamentos, por exemplo. Conhecer alguém e, mesmo que à primeira vista role uma química que nem a Química explique, não dar nem um selinho na hora de se despedir. Nem falar, claramente, sobre o momento. Apenas insinuações. Indiretas reais. Para quando você estiver no ônibus de volta para casa, ouvindo Death Cab for Cutie no iPod, não saber direito se aquilo realmente existiu ou se foi coisa da sua imaginação. Os retardadores de prazer curtirão essa sensação ao máximo! E então… em uma noite, uma tarde ou uma manhã… poderia levar meses para acontecer.

Quando assisti Vanilla Sky e vi isso sobre ‘delay your pleasure’ [atrase seu prazer], de certa forma, me encantou. Porque eu nunca fui assim. Se eu ganhar uma trufa de Nutella o “Obrigado” será já mastigando um pedaço dela. E retardar os prazeres me pareceu algo muito bonito. De apreciar cada momento e perceber o quão especiais eles são. Por isso, passei a me esforçar para ser assim. Tentava ‘esticar’ o momento, ser mais indireto e fazer o ‘joguinho’. Mas rapaz, como eu sofria. Era praticamente contra a minha essência. Foi bom para aprender a não sofrer tanto quando as coisas não acontecessem imediatamente. Aprender a ser paciente, menos angustiado e ansioso. Minha história com Carolina tem um pouco disso e foi muito divertido. Mas tentar ser assim sempre, com tudo, era sofrimento demais.

Um dia descobri [e decidi] que não queria mais ser assim. Não adiantava sofrer por algo que eu achava que poderia ser melhor do que eu era. É aquela fase em que você para um pouco de lutar contra quem você é e aprende a lidar com seu jeito de ser. Vi também os benefícios que isso trazia. Sei de casos onde a pessoa ganhou, por exemplo, uma caixa de Alpino e queria tanto saboreá-los ao longo dos meses que eles um dia simplesmente mofaram. E não foi por esquecê-los no fundo da gaveta. Todo dia a pessoa olhava para eles e pensava: “Nossa, que maravilha esses Alpinos. Meus chocolates preferidos! Acho que vou comer um agora… ou não? Melhor não. Melhor deixar para um dia mais especial”. Certeza que dias especiais essa pessoa teve, mas não tantos, talvez, como gostaria. Porque os bombons simplesmente mofaram.

Eu não suporto emails com Power Point. Daqueles em que contam uma historinha, ou querem passar alguma lição de vida. Mas, invariavelmente, eu leio alguns. Na esperança de que algum dia um desses será, realmente, importante e acrescentará alguma coisa na minha vida. Pois bem, esse dia chegou [faz um tempinho já]. Abri despretenciosamente o Power Point e ele não havia música. Um ponto positivo, logo de cara. E a apresentação começava falando de um homem abrindo a gaveta de sua mulher e tirando um embrulho de dentro dela. Nele havia um vestido, que a mulher havia comprado para poder usá-lo em uma ocasião especial. Mas esse homem estava justamente tirando o vestido do embrulho para poder enterrá-la [calma, vai ter um sentido]. O texto então discorria sobre o fato de deixarmos perfumes e roupas, por exemplo, para momentos especiais. Como aquele perfume que você mais gosta, não utilizá-lo no dia a dia, só porque ele é especial. Eu tinha um perfume desse. Acabou outro dia, justamente depois de ter lido esse email. Justamente porque pensei que eu poderia simplesmente não estar vivo no dia seguinte e ficaria um vidro de perfume em cima da estante, pela metade. Meio cheio ou meio vazio, tanto faz. O fato é que eu teria me privado de algo que eu gostaria de ter feito apenas porque segunda-feira não era um dia especial de usar o perfume. [Recentemente experimentei um dia como se fosse o último. Está publicado aqui.]

Como disse, foi o primeiro email com Power Point que realmente me fez parar para pensar em seu conteúdo. À partir desse dia voltei um pouco ao que eu era. O perfume terminou por causa disso. Quando tinha vontade de usá-lo, não me negava. Não precisava esperar o dia especial chegar para usar o perfume, mas ele se transformava em especial por causa do perfume. É como o caso da trufa. Não é preciso esperar chegar o dia especial de comer trufas. O fato de você ter sido lembrado por alguém que te comprou uma trufa de Nutella já faz daquele dia algo muito especial. E, para celebrá-lo, nada melhor do que brindar com a trufa recebida.

A vantagem é que, dessa forma, cada pequeno acontecimento do seu dia é uma [grande] oportunidade para torná-lo especial. As possibilidades para você viver mais dias especiais estão sendo dadas – de presente, de graça – a todo instante. A grande chance é que você não precisa mais esperar o seu dia especial chegar. Ele está latente e potencialmente possível, diariamente. Não precisa esperá-lo chegar. Depende apenas de você ‘acioná-lo’. Ele está aqui já. Hoje. Abra los ojos.

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UPDATE: O texto foi baseado após uma conversa com a Sabine. O que quis dizer com o texto [sem dizer no texto] é que há uma arte em se viver. Seja retardando os prazeres, seja vivendo-os na hora em que são entregues. O texto não é uma ideia para combater a dela. Muito menos a ideia dela combate a minha. Esse só é o melhor jeito que aprendi pra viver, com as minhas características já incorporadas ao que sou. O meu melhor não é, necessariamente, o seu melhor. A graça na vida é poder aprender novas artes e agregar à sua própria arte de viver. Se a sua ideia for essa, seja benvindo[a].

Quem vê pedigree não vê coração

As coisas nem sempre acontecem do jeito que a gente espera. Clichê e lugar-comum, não? Bem Manuel Bandeira me autorizou a escrever sobre o lugar-comum depois desse ‘flash autobiográfico’ dele [indicação da Dani Arrais].

Voltando. Já aconteceu e vai sempre acontecer. Se planejar e não acontecer como esperado. O que a gente aprende com isso? Se você de fato aprender algo são duas opções: 1) não se planejar mais. Deixar rolar, o que for. Mas se você for como eu e simplesmente não sabe deixar tudo rolar, você continuará se planejando mas 2) na hora em que der errado, não se estressará.

Tudo isso para contar a divertida [para mim] história de uma amiga. Ela tinha uma pitbull de pedigree. Colocou pra cruzar. Cada filhotinho sairia por mil reais, aproximadamente, ou seja, um que nascesse já pagaria a quantia gasta [sim, isso é caro]. Ela cruzou [a cadela]. Tudo lindo e maravilhoso. Colocaram aquela fraldinha pra nenhum outro cachorro tentar algo. O que aconteceu? A fraldinha caiu e o basset da minha amiga, que vivia junto com a pitbull, não pensou em pedigree, nem nada. Foi lá e cruzou por livre e espontâneo instinto com a cadela. Resultado: monstrinhos. A pitbull não ficou prenha do pitbull de pedigree e deu a luz à cachorrinhos esticados, mas com uma cara de pitbull.

FIM

“Luke, yo soy tu padre”

Os dois no quarto, sem fazer nada. Lendo gibi e ouvindo iPod, provavelmente. O Gui, do nada, manda:
- Gá, já pensou o Darth Vader vira e fala “Luke, yo soy tu padre”.
- Ahahahaha. Ou “Luke, I’m your mother”.
- Ahahahaha, boa Gá. Ou “Luke, I’m a Chewbacca. ROOOOAAARRRR!”
- AHAHAHAHA. Muito boa, Gui.

E a conversa continua. Infinita. Se alguém estiver perto, certeza que ouviremos “Meninos, chega. Já passou do limite. Não tem mais graça”. A gente deve ter algum distúrbio, porque o que parece que disseram é “Boa!! Mandem mais!” e a gente insiste.

Foi assim que nasceu o #DarthVader, no Twitter. O Gui começou a colocar os que a gente já tinha conversado nesse dia. As óbvias sempre aparecem antes. Como a minha do “Luke, I’m gay” e a “Luke, I’m Batman”, do Gui.

As pessoas, geralmente, não entendem que é aí que a brincadeira fica boa. Porque você começa meio a que forçar cada vez mais outras melhores [melhor e pior nesse caso é relativo].

Isso é comum na nossa vida.
Exemplo: alguém diz que gosta de Nescafé no sorvete. “Ah, coloca um pouco de azeite também”.
- Ou um pouco de feijão…
- Hum, uma bisnaguinha ia bem.
- Catupiry!
- Coloca o Papa e pronto.

Malawi é aqui

Madonna, 2006, vai ao Malawi, adotar o pequeno [13 meses] David Banda e quando acusada de infringir as leis locais de adoção declara:
- Isso não foi uma decisão ou um compromisso que eu ou minha família levamos na brincadeira. Quero abrir a minha casa e ajudar uma criança a escapar de uma vida de dificuldades, pobreza e em muitos casos, morte.

Madonna, 2008, vem ao Brasil para sua turnê “Sticky & Sweet” [algo como Grudento & Doce], do CD “Hard Candy” [algo como Guloseima Dura]. O nome da turnê foi retirado de uma das faixas do CD, intitulada “Candyshop” [Loja de Doces]. Que doçura a Madonna Louise, não?

Entre as exigências para sua estadia no Brasil: um Audi A8 blindado para ela, um Audi Q7, também blindado, para seus filhos e cinco modelos A6 para os seguranças… não blindados.

[A notícia é da coluna da Mônica Bergamo (para assinantes). Na Folha Online eles também citam as exigências, mas não informam que os carros dos seguranças não têm blindagem.]

Agora me diz como uma pessoa tão preocupada com o bem estar do próximo, da humanidade e com que elas não morram, me pede diversos carros Audi blindados e para os seguranças – também conhecidos como ‘buchas-de-canhão’, que estão ali justamente para garantir a integridade física da dondoca – não tem carro blindado? Só ela e os filhos merecem viver, caso alguém atire nos carros? Se eu fosse de fã-clube da Madonna, ou algo do gênero, certeza que faria um abaixo-assinado para a diva garantir as mínimas condições de trabalho para seus funcionários… e se fosse um deles, processava, alegando insalubridade no ofício.

Cadernos

Vou ser honesto.
O texto é longo.
Um tratado, diria Saramago.
Então se prepare…

Para quem escreve, certas coisas são sagradas. E profanas. Cadernos, por exemplo, envolvem esses dois conceitos.

Lembro de mim [óóó] na 1ª série e os famigerados ‘diários’. Não, eu não tinha um “Querido diário”. O Mackenzie sempre se orgulhou por ser um Colégio Americano. Algumas [várias] coisas eram baseadas nos valores, princípios e culturas do país que elegeu Barack Obama. Por isso só fui ter futebol na Educação Física lá pro ginásio. Como o futebol [de salão] não é esporte olímpico, o Mackenzie não o incluía em sua grade de esportes. Legal, né?

Enfim, os professores obrigavam-nos a ter nossos diários. Era um caderno de capa dura, com linhas. Só. Lá, tínhamos que anotar as tarefas da próxima aula. No primário, tirando artes e Ed. Física, era a mesma professora para todas as matérias. Então a nossa única ‘diversão’ na hora de escrever no diário era trocá-lo com alguém. Todo mundo queria ter a letra da Isabela grafada em seu diário. Meninos e meninas. Ela era esse tipo de guria. O Gustavo, um dos moleques mais nerds que já conheci na vida, era o maior puxa-saco e mais paga-pau de Isabela. Eu já era meio nerd também, mas eu sempre fui um nerd às avessas. Tocava o terror na sala de aula, brigava pra sair na porrada, sentava no fundão, não estudava e muito menos fazia lição de casa. Como eu me formei [do pré à faculdade] sem nunca pegar recuperação ou DP e consegui entrar em dois mestrados [e depois largá-los], acho que nem meus pais explicam. O caso é que eu não era o Gustavo. Nunca fui e nunca serei [até que ele era um cara bacana]. Mas me irritava o fato dele sempre conseguir trocar diário com a Isabela, sendo bonzinho daquele jeito [será que era isso?]. O fato é que um dia eu consegui. Seria legal ter aqui como é que isso aconteceu, não? Pois é, não lembro. Como eu conheci tanta mulher [e casei com a mais linda delas (óóónnn)] também é um mistério. Nunca tive muita tática. Nem para os estudos, nem para as mulheres.

No fim das contas, acho que as mulheres e os estudos são parecidos. Por mais que inventem fórmulas e tentam decifrá-los, sempre tem um ou outro que obtém sucesso e ninguém explica como. [Prazer, Gabriel].

No colegial começou a tortura: um professor para cada matéria. Como todo pré-adolescente, eu queria aquele cadernão, com as divisórias. Mas umas acabavam muito antes que as outras. Alguma matérias pediam 5 páginas por aula. Outras, 5 páginas por mês. Andar com 2 – 3 cadernões não era a solução mais prática.

Só fui equacionar esse problema na faculdade. Na verdade, acho que foi um pouco antes, pois já cheguei com essa tática sedimentada na universidade. Para variar, não lembro quando e como. A estratégia: um cadernão, mas sem divisórias. Arrancava todas as divisórias e começava a escrever. Primeiro dia de aula, primeira disciplina: Teoria da Comunicação 1. Era na primeira página. Semiótica da Cultura 1, segunda aula. Passava um risco na linha de baixo de onde tinha terminado TC1 e emendava as anotações da aula seguinte. Eu tive um caderno por semestre. Todas as matérias compiladas em um. E uma atrás da outra, divididas apenas por um risco.

Por incrível que pareça, essa foi a solução para meus problemas. O caos dos meus cadernos é que fez eu conseguir estudar. Aquela bagunça foi o quando parei e pensei “Agora sim”. Lógico, meus colegas odiavam isso, quando pediam meu caderno para xerocar e poder estudar com base nele. Mas era um preço a se pagar. Eu não anotava apenas o que os professores falavam. Eu já colocava ali as minhas considerações, já colocava a informação processada… mastigada e digerida. Era a minha interpretação daquelas teorias, no caderno. Em Semiótica a gente aprende que o caos é benéfico ao homem. Uma situação caótica [um problema, uma crise] obriga o homem a se reorganizar, sair da zona de conforto, se esforçar para sair daquilo. Passado o caos, ele ‘subiu’ um nível. Se reorganizou de uma forma inédita, cresceu como ser humano. Se acomoda até que um novo caos o tire da zona de conforto.

Acho que o caos em meus cadernos era o que me fazia ter paz nos estudos. Eu não funciono separado, em divisões. Não sou linear. Leio algo aqui e pulo 2 – 3 páginas até encontrar novamente meu assunto. E meus assuntos se misturam. Tudo acontece ao mesmo tempo agora. Não dá para separar algo tão mesclado. Talvez, por isso, gostasse de ter meus cadernos assim e só dessa forma consegui me organizar para estudar… no caos.

Update: atualmente, ando com um caderninho na mochila, inseparável. Para anotar idéias e coisas que ouço e acho interessante. No esquema tudo-junto-agora. Sem divisórias. E tenho um pseudo-Moleskine, do Batman, onde tenho anotado frases que penso [e considero bacanas], lista de DVDs e livros emprestados aos amigos e nas últimas páginas, contatos importantes.

Era o início e o fim de uma mesma história

Selina tomou o 3º copo, a quantia exata para alterar-se, e do outro lado do mundo perceberam. Era o início e o fim de uma mesma história. Apenas não sabiam disso.

Não havia explicação. A única possível é que estavam tão conectados quanto irmãos gêmeos. No fundo, eram almas gêmeas, mas seus corpos não sabiam disso. Ele, preso a um mundo na qual ela já não fazia parte. Ela, excitava-se com a nova vida, novos amigos e uma cidade que nunca sacia. Era a primeira vez que ele sentia-a dessa maneira, sem tê-la ao seu lado para ler seus olhos. Já não era mais possível ver seus olhos pegarem fogo. Já não era mais possível que seus olhos a fotografassem. Ela pertencia a outro mundo, outras pessoas, outra realidade. Percebeu que o sentimento, apesar de forte e presente, era vazio.

Suas almas eram gêmeas.
Mas seus olhos, suas peles e seus corpos nunca souberam disso.

É um bichinho bonito*

Quando criança, ouvi a história de um cara, em um bairro de São Bernardo, que era bom de cachaça. Não, não é o Sr. Luís Inácio. Quando ele bebia, chegava em casa com sua Kombi e estacionava de primeira. A baliza saia perfeita, não precisava nem dar aquela consertada. Fluía, sabe? Agora, quando ele demorava em acertar e ficava indo e voltando com o carro, para conseguir ‘encaixá-lo’ na vaga, todos sabiam o que desceria do carro: um homem sério. Sóbrio.

Por muito tempo fiquei pensando nessa história. Estou longe de fazer apologia à bebida, que vitimou alguns conhecidos meus. No entanto, sempre achei que houvesse uma moral nessa anedota. Uma conclusão, sabe? Ainda não encontrei. Talvez não haja.

Como Jorge Ben. Já ouviu Spyro Gyro? “É um bichinho bonito, verdinho, que dá na água”. É um ‘plânctum’, segundo Seu Jorge [Ben Jor]. A música não faz nenhum sentido. Ele fica falando do Spyro Gyro, que dá em água “doce, doce, doce, doce, doce”. Mas tem também no mar. Lembro de chegar na Ilha do Mel de noite, largarmos as mochilas e barracas no camping e ir direto pro mar. O mar brilhava. Vários pontinhos verdes. Parecia que as estrelas tinham decido para um mergulho [OK, ficou brega, mas é o que parecia]. Na mesma hora achei que fosse o efeito do baseado dos caras do nosso camping, pois foi um misto de “Estou na Ilha do Mel” com aqueles trocinhos brilhando. Sensacional.

Moral da história: não tem moral.
[Como muitas outras coisas. Mas não deixa de ser peculiar. Ou divertido.]

*Título: Spyro Gyro – Jorge Ben Jor