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O sorriso de uma criança vale ouro, já percebeu? Nós, adultos, fazemos de tudo para que nos dêem um sorriso. Para que riam de nós. Eu mesmo, quando encontro com alguma criança na rua que fique olhando mais de três segundos para minha cara de Hagrid, sorrio de forma que ela entenda que sou um deles. Que ela é um de nós. Que entendo [ou lembro] o que passam e que sinto por ouvir mães e babás se relacionarem com elas na base do medo.
Como quando fui usado em uma situação dessas, em Embu das Artes. Estava sentado no banco da praça e passou uma mãe arrastando seu filho pelo braço, que fazia birra por alguma coisa. Ao se aproximarem de mim, ela me olhou, se voltou para o menio e mandou: “Filho, se você não parar com essa choradeira, vou te deixar com esse homem de barba aqui. É isso o que você quer?” Claro que não, você adivinhou. Não sou considerado boa companhia para adultos, quanto mais para crianças.
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É inevitável. As nuvens escuras virão, trazendo uma enxurrada d’água. Vai molhar as plantas, as ruas e as pessoas. Vai te molhar. Seus cadernos, livros, canetas, contas, celular, óculos e iPod. Não tem jeito, rapaz. Vai chover. É inevitável.
Mas você tem escolha. Só parece que não. Você pode correr e se refugiar, embaixo de uma marquise qualquer. Pode assistir a chuva cair, pode se desesperar com o trânsito, com a água que corre. Pode colocar a mão pra fora e sentir a chuva. Pode cair na água e deixar seu corpo ser inteiramente lavado. Pode ser levado pela correnteza ou pode apenas aguardar passar. Pode observar as pessoas e aprender algo. Ou apenas observar e curtir aquele momento. Ou se irritar. Ou só assistir.
Mas é inevitável que a chuva venha. Ela sempre virá, como sempre veio.
O que você vai fazer?
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Etiquetado: chuva
Queria aquela casa. Aquele emprego, aquele carro, aquele celular, aquele tênis, aquele relógio, aquele óculos. Queria aquele Mac, aquele iPod, aquele restaurante. Queria ter aquele cabelo, aquela cintura, aquela barriga, aquela barba, aquela pele.
Em busca do perfeito [conceito que nosso desejo cria] vivemos eternamente insatisfeitos com as coisas boas que conquistamos. Isso é doentio.
Trate-se.
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“Talvez eu não consiga fazer diferente. Minha natureza será a minha destruição”, sentenciou, ao perceber que o inevitável possui esse nome por um bom motivo. Tinha a consciência que só perceberia seu erro em um futuro, próximo, e que as escolhas atuais [já no passado, quando descobrir] haviam acabado com ele.
Com medo de ter que tomar uma decisão drástica, achou melhor não quebrar o biscoito da sorte… sentiu-se em pedaços.
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Lembra da versão “Quer pagar quanto?!” de Thom Yorke? Lançou o In Rainbows, disponibilizou para download e o usuário escolhia quanto pagar pelo link ["It's up to you"]. Eu mesmo dei 2£. Na época saiu menos de R$10. No dia seguinte havia link para download free, claro, mas quis pagar pois achei a iniciativa do líder do Radiohead genial. Sim, coisa de gênio. Questionar a indústria fonográfica, lançar um álbum de forma ‘independente’ [depois lançaram um box especial do In Rainbows, por 40£] e ainda se dar bem.
Tudo lindo e maravilhoso. Até o AmpLive entrou na onda, fez um remix do disco e colocou no site: “It’s not up to you. It’s free”. Eis que hoje cedo Pedro Jansen me manda um link sobre o novo clipe de Mr. Yorke. Segundo Jansen: Thom Yorke + música nova + Banksy + clipe. Mas só posso ficar com o que ele falou. Por quê?
Por causa disso:

Legal, né? Falta saber qual foi a do rapazinho para pedir que retirassem o clipe do ar.
Não acho que o Thom Yorke é a solução de nossos problemas, mas que decepcionou forte agora, decepcionou.
“It’s not up to you” mesmo.
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Uma conhecida entrou em contato com a assessoria do Rafinha Bastos, integrante do CQC, solicitando uma entrevista com ele. Enviou email e, uma semana depois, recebeu a seguinte resposta:
“Rafa, esta moça (…) ainda aguarda a resposta, não quero que aconteça aquilo novamente.
Posso dizer que vc agradece, etc mas que está sem agenda?”
Claramente a assessora enviou email para a pessoa errada. Aos jornalistas que trabalham em assessoria, fica a dica: atenção redobrada quando forem encaminhar/responder um email.
[Eu mesmo já enviei email, de release e aviso de pauta, com todos os endereços no “Para”, ao invés de colocar “Cópia oculta”, revelando todo meu mailing. (In)felizmente, algumas coisas, a gente só aprende errando.]
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A esperança é a última que morre. Mas, às vezes, acho que deveria ser a primeira. Essa esperança de que as coisas podem ser melhores, ou pior, a esperança de que as coisas vão melhorar, muitas vezes, nos paralisa para a mudança. Ficamos acomodados e esperamos que a vida se resolva, para que possamos seguir em frente. Um amigo diz que o mundo não pertence aos otimistas, pois, ao esperarem que tudo dará certo, muitos sentam e esperam. Quero o equilíbrio. Ter a esperança necessária para não me tornar um cético, enquanto aprendo a não esperar por ela e só, tornando-me, assim, um romântico obsoleto.
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Etiquetado: esperança
Você viaja e a cama fica maior. Tenho o dobro de espaço para dormir e o dobro de espaço para meus sonhos chutarem os lençóis. Tenho dois travesseiros à minha disposição e não tenho problemas com o calor das cobertas. Mas a cama é menor. Não tem tua pele ao alcance do meu braço. Não tem o cheiro de teu cabelo ao alcance do meu desejo. A casa fica sem gosto, sem cheiro, sem cor. Você é pequena, mas detém um espaço enorme na minha vida. Volta logo.
[texto publicado originalmente no 5minutos, tumblr meu e de Pedro Jansen, com pequenos textos diários.]
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Meus sonhos me surpreendem. Ontem eu tinha combinado de encontrar um amigo jornalista, das antigas e dos bons, para tomar um café e trocar uma idéia. Estou com vontade de escrever crônicas / contar histórias para algum veículo, pequeno que seja e sei que ele sempre tem boas dicas. Quando liguei para desmarcarmos, pois estava com o tempo apertado, me disseram que ele não tinha ido trabalhar, pois havia perdido uma prima.
Sonhei que estava trabalhando, mas não aonde trabalho. Alguém, não me lembro agora quem, passou por mim e disse: “Quer uma dica? Você não vai conseguir isso que quer sentado em frente ao computador”.
Acordei achando meu inconsciente muito bacana. Preciso marcar um café com ele.
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Etiquetado: café, cafezinho, inconsciente, sonho
A pergunta: “Para que me relacionar, se acabarei me machucando?” faz tanto sentido quanto a pergunta: “Para que trocar as cordas do meu violão, se acabarão se enferrujando e/ou arrebentando?”
Simplesmente porque faz parte do processo. Simplesmente porque não há como evitar. Renove seus laços com quem te machucou, troque as cordas e ouça-as vibrarem novamente.
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