Crônico

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Eu não sei fazer conta

3 Setembro , 2008 · 3 Comentários

O post no blog da Carol Cernev me fez pensar que eu também não sei fazer conta.
Na verdade, eu sei. Mas de um jeito que quando eu conto como cheguei no resultado as pessoas geralmente dizem “Hein?!”

Vou pegar o exemplo dela: fazer algum número x 1,5.
Outro dia precisei fazer 3×1,5. Mas esse é mais simples [me disseram, pra mim é tão difícil quanto]. Enfim… 7×1,5. Como eu faço? 7×3 = 21. 21/2 = 10,5.

Eu multiplico por 3 [o dobro de 1,5] simplesmente porque me ensinaram a tabuada do 3 e a do 1,5 não vi. Me ensinaram também que se você multiplica pelo dobro de algo, para ‘voltar’, é só dividir por 2. E isso, mesmo que às vezes difícil, eu sei fazer ainda melhor que __x1,5.

Agora, um fato bizarro. Ontem, antes de dormir, contava para a Carol [digníssima] que o meu blog está fazendo sucesso. E queria fazer uma média os acessos dos últimos 4 dias [sem contar o sábado e domingo, que aí é sacanagem].

Os números: 64 [recorde mundial do meu blog], 62, 53 e 63. Muito difícil somar tudo. Aí eu assumi que 64 = 4, 62 = 2, 53 = -7 e 63 = 3. Logo, era só fazer 4 + 2 + 3 -7. Ou seja, 9 – 7 = 2, por isso a média seria 62.

Carol, morta de sono e querendo que eu simplesmente apagasse a luz e deitasse na cama o mais rápido possível disse “Hum-rum, é isso mesmo”. E eu disse “HA! [Carol olha feio pra mim, sabendo que eu virei com algo mirabolante] Acontece que sei que a média dará aproximadamente 60 e não 62.” Peguei a calculadora e fiz a média com os números ‘originais’ e deu 60,5. Fui dormir achando que eu era um gênio.

Agora pouco, no MSN, com o Gui, meu irmão. Expliquei para ele a genialidade do raciocínio:

Gabriel diz:
de cabeça, utilizando esses números, qual é a média de 64, 62, 53 e 63?
Guilherme diz:
0,5
Guilherme diz:
utilizando esses números
Guilherme diz:
4, 2, -7 e 3
Gabriel diz:
9 – 7
Guilherme diz:
2
Guilherme diz:
2/4 = 0,5

[grilos cricrilando]

Gabriel diz:
é, eu tinha esquecido de fazer /4.
Gabriel diz:
merda
Gabriel diz:
mas olha só como eu sou gênio…
Gabriel diz:
eu falei 9 – 7 = 2.
Gabriel diz:
e pensei “mas não é 62… a média é aproximadamente 60″
Gabriel diz:

o_O
Gabriel diz:
COMO eu sabia?
Gabriel diz:
e é 60,5
Guilherme diz:
rsrsrs
Gabriel diz:
sério, eu estava errado e acertei
Gabriel diz:
sou um gênio burro
Guilherme diz:
hahahaha

Ou seja, ao mesmo tempo que eu simplesmente sabia que era aproximadamente 60, eu não sei fazer uma simples média aritmética. “Soma tudo e divide pela quantidade de números somados, Gabriel!”. Eu sou um gênio… e não sei fazer contas.

ps. vão dizer que eu chutei o “aproximadamente 60″. Mas eu tinha certeza absoluta que era aquele o valor [existe certeza não-absoluta?]. Eu simplesmente sabia.

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No donut for you

8 Fevereiro , 2008 · 1 Comentário

retrovisor_menor.jpgEu tinha que ir no número 2.500 e pouco da Faria Lima. Em São Paulo há duas avenidas que começam com o nome Brigadeiro [existem outras, mas essas duas são as maiores] e para não haver confusão e não ser necessário falar o nome completo, informalmente elas são identificadas como: Brigadeiro – a Brigadeiro Luís Antônio, que vai do Ibirapuera, até quase o Largo São Francisco; Faria Lima – a Brigadeiro Faria Lima, que vai de Pinheiros até o Itaim.

A minha era a Faria Lima. Entrei no Google Maps e digitei o endereço, com número e tudo. O local indicado era pertinho da Pedroso de Moraes, perto da Fnac e do prédio-carambola, do Ohtake. Perfeito [o local, não o prédio, que acho horrível]. De casa até ali, de carro, dá 10 minutos no máximo, com trânsito. Como era dia de chuva e era uma entrevista de emprego, resolvi pegar o táxi, sendo a distância pequena e sabendo que gastaria entre R$10 e R$15. O táxi foi agendado para às 17h. A entrevista era às 17h30 e a idéia era chegar mais cedo mesmo.

Assim que entramos na Faria Lima, avisei o taxista para ir mais devagar, pois estávamos perto. Ele olha os números e me diz “O local que você quer ir é pra lá da Rebouças”. Assistindo “Meu Tio Matou um Cara” aprendi uma coisa [se for verdade o que diz no filme]: a numeração dos imóveis é feita pela distância entre o começo da rua e aquele ponto. Ou seja, se você mora no nº 322, isso quer dizer que do começo da rua até a sua casa são 322 metros. Agora imagina eu na altura do 150 na Faria Lima e o local que eu queria ir sendo 2.500 e tralalá. Liguei no escritório que faria a entrevista: “Por favor, vocês ficam em que altura da Faria Lima?”

- Perto da Cidade Jardim.

Eu mereço. Era no final da Faria Lima e eu estava no comecinho dela. Dois quilômetros e pouco nos separavam. Dois quilômetros, a princípio, parece pouco. Mas em São Paulo, em uma das avenidas mais movimentadas, horário de pico e com chuva, é muita coisa. Muita. O Google Maps falhou comigo, pensei. Era a primeira vez que algum serviço do Google me sacaneava legal. Pense aí num congestionamento. Cheguei 18h no lugar [avisei que atrasaria] e a corrida deu bem mais que R$15.

Outro dia voltei a digitar o mesmo endereço e número no Google Maps, que me indicou o mesmo local de antes. Fiquei encafifado com isso. Coloquei 2000 sem ponto, com ponto, de todos os jeitos. O resultado era sempre o mesmo. Apontava o começo e não o final da Faria Lima [segundo a numeração].

Mas eis que recentemente fui agraciado com algo que não me torturará o resto da vida. Estava de ônibus, no início da Faria Lima, observando o lado de fora, a calçada, pessoas, edifícios, vi um número de um local e embaixo “Antigo 2.014”. Fiquei me questionando o porque dos imóveis serem renumerados em uma cidade, o que faz com que a prefeitura decida colocar novos números e foi aí que deu o CLICK.

Esperei aparecer outro grande edifício, pois tinha certeza que teria a mesma indicação. Se o número antigo seguinte fosse menor, isso significaria que o número que digitei no Google Maps [2.500] seria antes da onde estava naquele momento. No seguinte estava “Antigo 1983”. Ou seja, o Google Maps não falhou comigo, de todo. A referência dele é a antiga e segundo os dados fornecidos dentro do sistema, o 2.500 e pouco, o meu número, era ali no comecinho da Faria Lima. O que acontece é que antigamente o número “1” da Faria Lima era perto do Itaim, e o final dela, em Pinheiros. A prefeitura inverteu. O começo da Faria Lima, atualmente, é em Pinheiros e o final, no Itaim. O Google Maps segue a numeração antiga.

Simples assim, mas uma coisa que me atormentou durante algumas semanas.
Enfim, posso dormir em paz.

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