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Quando eu era moleque…

…de vez em quando chamavam a minha mãe no colégio, para uma conversinha.
Era sempre mais ou menos assim:

- olha, o Gabriel é um ótimo aluno. só tem notas boas e é muito inteligente. mas….
- é, eu sei. sempre tem um “mas” com ele.
- …mas ele fala demais.
- e eu não sei?! vivo falando isso pra ele! “tem que falar menos, Gá!”
- então, como eu dizia, ele conversa muito durante as aulas.
- ai, esse gabriel, viu?! é fogo!!
- dona Rose…
- oi.
- então, além de falar muito, ele é muito bagunceiro. incita discussão na classe, enfrenta os professores…
- enfrenta como?
- ah, desafiando, questionando, tudo quer saber o porque, quem é que disse aquilo, como é que a professora sabe e pode provar. desafia a professora a provar que ela sabe mesmo a matéria e que merece estar ali, ensinando aos alunos. [nessa hora, dona Rose tentava disfarçar o sorrisinho no canto da boca] além disso, como falei, ele conversa muito, mas as notas são excelentes. o problema é que atrapalha no rendimento dos amigos e não o dele! ele é também um pouco, para não dizer muito, indisciplinado. tem dificuldade com autoridade e em receber ordens.
- sei, pensava dona Rose, sabendo de onde tudo isso vinha.

Salve o Corinthians

Lembro da semi-final do Campeonato Paulista de 2001. Corinthians x Santos. Sou corinthiano de nascença. Tenho orgulho em fazer aniversário no dia 1º de setembro, data da inauguração do alvinegro paulista. O jogo estava 1 a 1 e o empate era vantagem do Santos. Meu primo de Florianópolis morava conosco naquela época. Tão corinthiano quanto eu, mas com menos fé. Depois de alguns chutes para fora do gol, ele pediu para desligarmos a televisão. Praticamente chorando, declarei: “Não. Temos que ficar com o Timão até o final.” Eis que aos 48 do segundo tempo Gil faz o lance pela lateral esquerda, cruza para a intermediária, Marcelinho Carioca faz o corta-luz e Ricardinho acerta o petardo no canto superior do gol de Fábio Costa. Ajoelhados no meio da sala, abraçados, choramos como duas crianças. O Corinthians foi à final.

Há algumas semanas, Corinthians e Santos se enfrentaram, novamente em uma decisão do Campeonato Paulista. Era a final e esse primo veio a São Paulo para resolver questões, digamos, ‘diplomáticas’, com o consulado sueco. Aproveitando a passagem pela cidade, foi ao Pacaembu tentar assistir o jogo in loco. Os ingressos esgotaram-se no mesmo dia em que começaram a ser vendidos, dias antes. Mas parece que a fé desse meu primo aumentou um pouco nos últimos oito anos.

Contou-nos que chegou ao Pacaembu e tentou ingresso com todos os cambistas. A única coisa que ouvia deles era: “Compro ingresso, compro ingresso!” Perambulando nos arredores do estádio, viu uma aglomeração de jornalista, em volta de uma senhora, já de idade. Aproximou-se e ouviu: “Então, dona Marlene… qual o placar que a senhora chuta para o jogo?” Era Dª Marlene Matheus, viúva do ex-presidente do Sport Club Corinthians Paulista, Vicente Matheus, autor de célebres frases como: “O Sócrates é invendível, incomparável e imprestável.” e “O difícil, como todos sabem, não é fácil.” Nessa altura, a história do meu primo já parece lenda, mas é que você não o conhece. Ouvindo a história, todos nós já esperávamos o que estava por vir.

“Dona Marlene, olha só [abre a carteira e mostra o RG]. Eu vim de Florianópolis só por causa desse jogo e não consegui ingresso. Tem como a senhora me ajudar?” Dona Marlene não hesita: “Entra aí no porta-malas e você vem comigo!” Abriu os fundos do sedan e meu primo pulou lá dentro. Ele diz que não acreditou. Estava dentro do carro da viúva de Vicente Matheus e ainda conseguiria ver a final!

O carro andou um pouquinho e parou. Vozes de autoridade lá fora, pedindo para Dona Marlene abrir o porta-malas. Ela puxa a alavanca, o porta-malas se abre um pouco e meu primo puxa pela alça, lá de dentro, fechando-o. Eles pedem para abrir de novo. O abre-e-fecha se repete por algumas vezes. Ele conta que alguém deve ter visto-o pulando lá pra dentro. Quando o porta-malas se abre novamente, um outro cara vem e pula lá dentro com ele. “Mano! A gente vai assistir a final! Ah êêê! Dona Marlene é do cacete!”. Meu primo falando para o maluco falar baixo e parar de fazer algazarra e ‘os homi’ do lado de fora, já batendo no porta-malas, para eles saírem.

Os dois saem e ficam ouvindo o tempo todo que vão levar porrada e vão apanhar até não esquecerem nunca mais a cagada que fizeram. Claro que meu primo ficou irado com o cara, pois estragou o plano. Era bem possível que Dona Marlene convencesse os policiais a deixarem-na entrar. Pelo que sei, por mais que batessem no meu primo, é história pra não esquecer nunca.

O pé que me encosta

Ainda não tenho TV em casa. OK, TV-aparelho eu tenho. Já até comprei o codificador da parabólica, os cabos e até conectores. Mas o conduíte pra sair lá de cima e vir até a minha casa não existe ou foi feito errado. Ou seja, tem que passar o cabo por fora, fazer uns furos nas paredes com uma broca especial, etc. História longa demais e um parágrafo perdido.

Vamos começar de novo. Sem a antena instalada em casa, eu e minha esposa temos assistido basicamente DVDs na TV. Já foram umas 5 temporadas de Friends, a 1ª temporada de Everybody Loves Raymond, uns 10 filmes e começamos a assistir Band of Brothers [completo] no final do ano passado. É um seriado sobre alguns os caras da Companhia Easy, que lutaram na 2ª Guerra. Americanos, claro. Tem co-produção do Tom Hanks e Steven Spielberg. Classuda. Ou seja, quando em casa, para relaxar, a gente vê um monte de gente sendo morta, bombas, soldado morrendo congelado e essas coisas que o Jornal Nacional também passa. E eu ainda sou uma criança nesse quesito. Se eu assisto algo que me impressionar, certeza que vou sonhar com isso à noite.

Estou armado, com botas, com roupas de camuflagem e sendo carregado junto com outros feridos. Estamos na caçamba de um caminhão, ou algo do gênero. De repente, sinto um pé apoiado no meu. O pé que me encosta está imóvel, gelado. Me contraio e de repente percebo que está tudo escuro e que estou na minha cama. Totalmente encolhido, tento alcançar a lanterna que deixo no chão, ao lado da cama. Quero ter certeza de que aquilo ali não é um corpo morto. Eu já sei que estava sonhando, sei que estou no meu quarto mas ainda não sei que pé é aquele. Pego a lanterna e ilumino o pé que me encosta. Ele é pequenino e moreno. É o pé de Carol, claro. Mas quem disse que minha mente [insana] consegue parar de sonhar, mesmo quando já estou acordado?

“Luke, yo soy tu padre”

Os dois no quarto, sem fazer nada. Lendo gibi e ouvindo iPod, provavelmente. O Gui, do nada, manda:
- Gá, já pensou o Darth Vader vira e fala “Luke, yo soy tu padre”.
- Ahahahaha. Ou “Luke, I’m your mother”.
- Ahahahaha, boa Gá. Ou “Luke, I’m a Chewbacca. ROOOOAAARRRR!”
- AHAHAHAHA. Muito boa, Gui.

E a conversa continua. Infinita. Se alguém estiver perto, certeza que ouviremos “Meninos, chega. Já passou do limite. Não tem mais graça”. A gente deve ter algum distúrbio, porque o que parece que disseram é “Boa!! Mandem mais!” e a gente insiste.

Foi assim que nasceu o #DarthVader, no Twitter. O Gui começou a colocar os que a gente já tinha conversado nesse dia. As óbvias sempre aparecem antes. Como a minha do “Luke, I’m gay” e a “Luke, I’m Batman”, do Gui.

As pessoas, geralmente, não entendem que é aí que a brincadeira fica boa. Porque você começa meio a que forçar cada vez mais outras melhores [melhor e pior nesse caso é relativo].

Isso é comum na nossa vida.
Exemplo: alguém diz que gosta de Nescafé no sorvete. “Ah, coloca um pouco de azeite também”.
- Ou um pouco de feijão…
- Hum, uma bisnaguinha ia bem.
- Catupiry!
- Coloca o Papa e pronto.

Eu não sei fazer conta

O post no blog da Carol Cernev me fez pensar que eu também não sei fazer conta.
Na verdade, eu sei. Mas de um jeito que quando eu conto como cheguei no resultado as pessoas geralmente dizem “Hein?!”

Vou pegar o exemplo dela: fazer algum número x 1,5.
Outro dia precisei fazer 3×1,5. Mas esse é mais simples [me disseram, pra mim é tão difícil quanto]. Enfim… 7×1,5. Como eu faço? 7×3 = 21. 21/2 = 10,5.

Eu multiplico por 3 [o dobro de 1,5] simplesmente porque me ensinaram a tabuada do 3 e a do 1,5 não vi. Me ensinaram também que se você multiplica pelo dobro de algo, para ‘voltar’, é só dividir por 2. E isso, mesmo que às vezes difícil, eu sei fazer ainda melhor que __x1,5.

Agora, um fato bizarro. Ontem, antes de dormir, contava para a Carol [digníssima] que o meu blog está fazendo sucesso. E queria fazer uma média os acessos dos últimos 4 dias [sem contar o sábado e domingo, que aí é sacanagem].

Os números: 64 [recorde mundial do meu blog], 62, 53 e 63. Muito difícil somar tudo. Aí eu assumi que 64 = 4, 62 = 2, 53 = -7 e 63 = 3. Logo, era só fazer 4 + 2 + 3 -7. Ou seja, 9 – 7 = 2, por isso a média seria 62.

Carol, morta de sono e querendo que eu simplesmente apagasse a luz e deitasse na cama o mais rápido possível disse “Hum-rum, é isso mesmo”. E eu disse “HA! [Carol olha feio pra mim, sabendo que eu virei com algo mirabolante] Acontece que sei que a média dará aproximadamente 60 e não 62.” Peguei a calculadora e fiz a média com os números ‘originais’ e deu 60,5. Fui dormir achando que eu era um gênio.

Agora pouco, no MSN, com o Gui, meu irmão. Expliquei para ele a genialidade do raciocínio:

Gabriel diz:
de cabeça, utilizando esses números, qual é a média de 64, 62, 53 e 63?
Guilherme diz:
0,5
Guilherme diz:
utilizando esses números
Guilherme diz:
4, 2, -7 e 3
Gabriel diz:
9 – 7
Guilherme diz:
2
Guilherme diz:
2/4 = 0,5

[grilos cricrilando]

Gabriel diz:
é, eu tinha esquecido de fazer /4.
Gabriel diz:
merda
Gabriel diz:
mas olha só como eu sou gênio…
Gabriel diz:
eu falei 9 – 7 = 2.
Gabriel diz:
e pensei “mas não é 62… a média é aproximadamente 60″
Gabriel diz:

o_O
Gabriel diz:
COMO eu sabia?
Gabriel diz:
e é 60,5
Guilherme diz:
rsrsrs
Gabriel diz:
sério, eu estava errado e acertei
Gabriel diz:
sou um gênio burro
Guilherme diz:
hahahaha

Ou seja, ao mesmo tempo que eu simplesmente sabia que era aproximadamente 60, eu não sei fazer uma simples média aritmética. “Soma tudo e divide pela quantidade de números somados, Gabriel!”. Eu sou um gênio… e não sei fazer contas.

ps. vão dizer que eu chutei o “aproximadamente 60″. Mas eu tinha certeza absoluta que era aquele o valor [existe certeza não-absoluta?]. Eu simplesmente sabia.

As melhores cochiladas

que já tirei na vida.
[Porque a gente 'tira um cochilo', né?]

Uma coisa que gosto muito é de dormir. Eu e meu irmão, o Gui, temos uma lista das 3 melhores cochiladas que tivemos/tiramos na vida. Interessante que nas três estávamos juntos, ou seja, é a mesma lista. Interessante também que ele não é um cara muito ligado ao sono.

3 – Casa da tia Maria

Típica viagem em família. Papai, mamãe, eu e Gui. Fomos para Minas Gerais e em comemoração de aniversário de casamento deles, decidimos [eles decidiram] subir o Pico da Bandeira. É o 3º ponto mais alto do Brasil e tem acesso pelo Espírito Santo também. Mas como Minas é a terrinha de meu pai, é por lá que fomos. A trilha é bem sinalizada e por isso, não muito perigosa. Porém, é muito íngreme e longa. Subimos cedinho e só descemos no final do dia. A pressão dá uma alterada, coisa e tal. No dia seguinte, fomos para a cidade que meu pai nasceu, bem pequena, um clássico do interior. Chegamos de surpresa na casa de tia Maria. Assim, de sopetão, ela não pôde preparar um almoço para as visitas, como gostaria. Só tinha arroz, feijão, frango assado, frango frito, carne [super macia], lingüiça, macarrão, batata frita, batata assada, couve, repolho, angu, polenta, tomate, alface, cebola, suco de laranja e Coca-Cola. Eu e Gui, para não fazermos desfeita, lambemos nossos pratos. E as tigelas. E as panelas. De sobremesa teve apenas uns 5 tipos diferentes de doces de compota, doce-de-leite, queijo branco, etc. Quando estávamos praticamente deitados na mesa, meio de lado, tia Maria, O Anjo, disse “Vocês não querem deitar um poquinho aqui?”. Abriu a Porta da Esperança, digo, a porta do quarto de visitas, e nos apresentou o que seria o local de nossa 3º melhor cochilada da vida: duas camas com mantas quentinhas, em um quarto super silencioso, com uma cortina que deixava o quarto em um clima que só de olhar, a gente já roncava. Deitar, se esticar e dizer ao mesmo tempo “Aaahhh” foi a última coisa que fizemos antes de deitarmos e termos uma das melhores experiências soníferas do mundo.

2 – Ilha Grande

Outro aniversário de casamento, mas dessa vez de nosso tio, irmão de meu pai. Além da família de meu tio, fomos eu, Gui e o Alisson, nosso primo. A viagem de carro, de São Paulo à Ilha Grande é uma história à parte. Acho que o Gui pode dizer que nesse dia levou um dos maiores sustos na vida e eu, uma das vezes em que mais chorei de rir. Enfim, chegamos em Angra depois do almoço, esperamos o próximo barco para a ilha e quando chegamos lá, já era finalzinho da tarde, mas ainda com sol. Jogamos um pouco de bola com uns ingleses [humilhamos] e depois um mergulho no mar. No dia seguinte, havia um passeio de escuna marcado para logo cedo. O dia estava bonito, de sol. Mergulhamos em alto mar, almoçamos com o pé na areia e começamos a perceber o mau tempo que formava. Na volta, nosso barco balançou mais do que coqueteleira em aniversário de barman. Com o tempo totalmente fechado, a temperatura caiu de 30 para 15ºC [essa era a sensação] e, sendo uma escuna, não havia aonde ficarmos para nos proteger. Passamos todos muito mal e, de volta à ilha, gelados da chuva e do vento frio, descobrimos que não havia energia em quase toda a ilha. Chegamos na pousada e nos esquentamos com um banho gelado. Todos capotaram e dormimos por algumas horas. Sabe aquela sensação de acordar no finalzinho da tarde, meio no lusco-fusco, quando ainda não está de noite, mas já não se enxergar tão bem, e ficar meio desorientado? “Que dia é hoje? Estamos vivos? Aqui é Plutão?”. Acordei e aquela sensação gostosa de sonho continuou. Levantei e vi que do quarto tinham saído algumas pessoas e outras ainda estavam lá. Não consegui identificar nenhuma. Vesti uma roupa mais quente e fui em direção ao centro de Abrãozinho. Não sei o porque, mas sabia que era para lá que deveria ir. Ao chegar, vi meus primos. Ficamos sem conversar, só olhando o movimento e a noite escurecendo de fato o ambiente. Ali no centro havia energia, então praticamente todo mundo foi pra lá. Passado algum tempinho, chegou o resto da família, sem ninguém se avisar onde encontrar. Parecia que todo mundo sabia para onde deveria ir e aonde os outros estariam. Não foi preciso ninguém ligar no celular do outro. Essa sensação de ‘estamos no lugar certo, na hora certa’, durou o resto da noite e acredito que o motivo disso tenha sido aquela cochilada da tarde, logo após nosso senso de ‘horizontal’ e ‘vertical’ terem se misturado um pouco.

1 – Santos
Mais uma vez, eu, Gui e família. Dessa vez teve um primo também, o André. De Floripa, ele estava em São Paulo para passar um período das férias. Isso que é amor. Enfim, um sábado meu pai sugeriu que fossemos para Santos comer um peixe. Me amarro em programas assim. Um amigo dele tinha um apartamento disponível por lá, e poderíamos passar o dia lá. Descemos a serra, almoçamos o peixe e depois fomos para o apartamento. Eu mencionei que era sábado? Então, ao sábados, naquela época, passava na Cultura uns filmes muito antigaços, brasileiros. O que passava naquele dia era algum do Grande Otelo, sem trilha sonora, com aquele sonzinho de filme velho, sabe? Ou seja: a barriga estava cheia, a pressão tinha caído devido a descida para o nível do mar e um filme de quando minha avó estava sendo concebida passava na TV. Sem exagero ou floreamento para o texto ficar legal, a gente tentava acordar e não conseguia. Eu dava meio que uma despertada, fazia um esforço absurdo para levantar a cabeça e não conseguia! Desabava de novo no sofá e dormia por mais um tempo. Foi muito bizarro, tentar levantar/acordar e não conseguir, mas justamente por isso, foi o melhor cochilo que já tirei em toda a minha vida.

Oi, meu nome é Day

- Oi, meu nome é Day. Isso… Day. D-A-Y.

É assim que um amigo nosso se apresenta. Fiquei empolgado com a história de contar a origem dos nomes. No caso dele, é Day Neto. Pai e avô dele se chamam Day.

A senhora bisavó do meu amigo gostava de seguir uma seqüência ao nomear seus filhos [lembrei dessa história por causa do comentário do Julio, no post anterior]. Mais uma vez, detalhes não sei.

O primeiro filho começava com A. Digamos, Álvaro. O segundo era o Bernardo e o terceiro, Carlos [digamos, de novo]. Mas fato que já tínhamos o ABC. Quando chegou o 4º filho, ela queria homenagear um matemático chamado Thomas Day. Até chegar no T ia demorar muito, então ela decidiu ficar apenas com Day.

O vô Dayzão parece ter ficado injuriado e decidiu passar em frente a maldição. O tio Day (Junior), revoltado, batizou meu amigo como Day Neto.

Agora, qualquer piada que você pense, já foi feita. Garanto: em 20 e poucos anos, não há piadas com o nome dele que não foram feitas.

Ah, e Day Neto me disse não passará a maldição em frente. Quando for pai, dará o nome de Carlos… para uma menina.

Vovó Nair

Eu vou contar do jeito que conheço a história. Pequenos detalhes podem estar historicamente errados*, mas a essência foi mantida.

Antigamente as pessoas não registravam seus filhos assim que nasciam, como acontece hoje em dia. Ainda mais no interior do Brasil, mais especificamente em Minas Gerais. Como o costume era ter mais de 4 filhos, no mínimo, era melhor esperar já nascer o bando e depois registrar todo mundo junto. Por isso, muitas pessoas com 80 anos, no RG, têm apenas 70. Mas o caso aqui não é esse.

A vovó Nair foi registrada junto com um primo. E tão simples quanto a frase anterior, era viver no interior de Minas. RG, CIC, CPF, etc? Nada. Foi registrado, está OK. Então que vovó Nair cresceu, virou moça e conheceu o vovô Moyzés. Eles ainda não eram avós e no auge de sua juventude, Seu Moyzés havia jurado nunca casar com uma Maria, por causa de sua irmã com esse nome, que o aporrinhava mais do que tudo. Sorte dele que vovó Nair era Nair, não? Pois é. Aí que está o enrosco.

No governo de Getúlio Vargas [*], houve um Censo em que todo mundo tinha que ir aonde haviam registrado os filhos, como que para recontar a população. Quando o vovozinho Zé Côco chegou e disse “Nair Gomes Monteiro”, o escrivão não achou. Mas como? Procuraram, procuraram e nada. Aí ele lembrou: Olha, ela foi registrada junto com o primo tal. Procure embaixo do nome dele. – Ah sim, está aqui: Maria Gomes Monteiro. Isso mesmo: Maria. Problema nenhum há com o nome. Desde que você a sua vida inteira tenha dito: Prazer, Maria. Mas lembre-se que ela era [é] a vovó Nair. Ou seja, até os 18 anos, havia se apresentado como Nair e, de repente, descobriu que seu nome verdadeiro era Maria.

Mas como isso?! você pode questionar. Diz a lenda que vovozinho Zé Côco falava meio enrolado, dicção complicada. E a lenda da lenda diz que o escrivão era meio surdo. – Mnaira… Hein?! Mmnnaira! Ah, Maria, lógico.

Ou seja, vovó Nair assina cheque como Maria. Mas ai de chamá-la pelo nome de registro. Se você quiser ser mala no nível Sergio Mallandro, fique à vontade. Mas o nível Serginho Mallandro de ser mala não é algo muito bem quisto na família.

ps. Parece mentira, né? Mas veja, ela tem um irmão chamado Silso. A idéia era que ele fosse Cícero. Juro.
ps2. O que me inspirou a fazer esse post foi o texto da Dª Leonor Macedo, que escreve no eneaotil. Recomendo a leitura dos outros textos também. Ela tem uma família, digamos, peculiar. [Dª Leonor foi piada. Leia o texto].
ps3. Vovó Nair tem mais outros vários irmãos. Um deles é o Xenofonte. Esse não saiu com erro nenhum, é assim mesmo. Xenofonte foi um filósofo grego, soldado, era de Atenas e discípulo de Sócrates. Vovozinho Zé Côco era culto! Cícero, Xenofonte, Eurípedes… só que Cícero ficou Silso.