Crônico

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It’s not up to you

24 Setembro , 2009 · 4 Comentários

Lembra da versão “Quer pagar quanto?!” de Thom Yorke? Lançou o In Rainbows, disponibilizou para download e o usuário escolhia quanto pagar pelo link ["It's up to you"]. Eu mesmo dei 2£. Na época saiu menos de R$10. No dia seguinte havia link para download free, claro, mas quis pagar pois achei a iniciativa do líder do Radiohead genial. Sim, coisa de gênio. Questionar a indústria fonográfica, lançar um álbum de forma ‘independente’ [depois lançaram um box especial do In Rainbows, por 40£] e ainda se dar bem.

Tudo lindo e maravilhoso. Até o AmpLive entrou na onda, fez um remix do disco e colocou no site: “It’s not up to you. It’s free”. Eis que hoje cedo Pedro Jansen me manda um link sobre o novo clipe de Mr. Yorke. Segundo Jansen: Thom  Yorke + música nova + Banksy + clipe. Mas só posso ficar com o que ele falou. Por quê?

Por causa disso:

decepção

Legal, né? Falta saber qual foi a do rapazinho para pedir que retirassem o clipe do ar.
Não acho que o Thom Yorke é a solução de nossos problemas, mas que decepcionou forte agora, decepcionou.
“It’s not up to you” mesmo.

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The Fiery Furnaces

8 Setembro , 2009 · 1 Comentário

Como são as coisas. Essa banda existe desde 2000 e só a conheci essa madrugada. Fui dormir 15 minutos mais tarde, mas valeu a pena. Pelo que o programa “Coluna MTV” falou, é um álbum bem menos ‘viagem’ do que os outros. Aprendi a conter minha ansiedade de sair ouvindo tudo de bandas que acabei de conhecer. Ouvi algumas músicas e gostei. Não só do som, mas da banda, em si.

É um casal de irmãos, tocando rock despretensioso. Lembra o White Stripes, claro, mas é diferente. Me lembraram, muito mais, o Radiohead, no quesito ‘postura’. Darei dois exemplos apenas, devido à minha fase de pequenos textos, sem muitas explicações. Se curtir, clique nos links do texto e conheça mais da banda.

1 – A home deles estranha, a princípio. Ao abri-la, verifiquei o som do computador e, só depois, reparei que é uma mensagem destinada a quem é surdo e quer ler sobre o conceito do novo disco, “I’m Going Away”.

2 – O próximo álbum deles será o Silent Record. A dupla de irmãos explica: “Because file-sharing, or downloading, or whatever, has notoriously, or supposedly, made the production of the conventional ‘with-audio’ record obsolete, the Fiery Furnaces will release a Silent Record.” [Traduzindo: o compartilhamento de arquivos (downloads) fez com que a produção de uma gravação 'com áudio' se torna-se obsoleta. Ou seja, as pessoas não compram mais o ‘áudio’, apenas baixam. Por isso, eles vão lançar um disco 'silencioso'].

Para isso, produzirão partituras, anotações e cifras de como as músicas devem ser tocadas. Não será lançado um disco com músicas gravadas. Ou seja, quer ouvir uma música do Fiery Furnaces, do próximo álbum? Aprenda a tocá-las. A dupla montará ‘auditions’ e concertos de interessados em mostrar como é que interpretaram o Silent Record. Tem até email para você se inscrever. Se não tiver uma banda ou não souber tocar algum instrumento, outro jeito de você ouvir o álbum é ir a algum show de Matthew e Eleanor Friedberger. Assim falou Zaratustra.

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Saw death on a sunny snow*

14 Janeiro , 2009 · 4 Comentários

Não avance o vídeo até chegar em algo que consiga ouvir. Cada cena tem seu significado. Quem me passou foi um amigo brasileiro, que mora na California e está de férias em Barcelona, na casa dos pais. Mas essa história é pra outro dia. Voltando… deixe o vídeo carregar inteiro e só depois dê o play, para não correr o risco de empacar e perder alguma coisa. Não tente entender como alguém consegue conceber algo tão simples, mas tão bonito. Eu tenho uma teoria, não confirmada. Acredito que as melhores coisas já feitas são aquelas em que os criadores pensaram: “Cara, como eu queria algo assim”. Dentro da minha teoria, o John Frusciante toca guitarra assim, porque simplesmente gostaria de ouvir aquilo. Ele vai e faz. O pudim da Real nasceu por causa disso também. Pode ser pretensão, mas meus textos são isso… coisas que eu gostaria de ler. Eles simplesmente saem assim. Há muita coisa melhor que meus textos, isso é óbvio. Mas eu ainda não cheguei no ponto de olhar e dizer: “Cara, consegui. Esse era ‘O’ texto que eu queria ler”. Cada um é uma [pequena] tentativa disso. Voltando… Bon Iver é o nome dele. Depois você clica no nome para conhecê-lo[s]. Assista primeiro ao vídeo. Releia as instruções do primeiro “Voltando…” e só depois pesquise sobre ele[s]. Depois, se gostar, assista esse. Só então estará livre para fazer o que quiser com o que viu e ouviu. Pode ir.

*For Emma – Bon Iver

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Malawi é aqui

11 Dezembro , 2008 · 1 Comentário

Madonna, 2006, vai ao Malawi, adotar o pequeno [13 meses] David Banda e quando acusada de infringir as leis locais de adoção declara:
- Isso não foi uma decisão ou um compromisso que eu ou minha família levamos na brincadeira. Quero abrir a minha casa e ajudar uma criança a escapar de uma vida de dificuldades, pobreza e em muitos casos, morte.

Madonna, 2008, vem ao Brasil para sua turnê “Sticky & Sweet” [algo como Grudento & Doce], do CD “Hard Candy” [algo como Guloseima Dura]. O nome da turnê foi retirado de uma das faixas do CD, intitulada “Candyshop” [Loja de Doces]. Que doçura a Madonna Louise, não?

Entre as exigências para sua estadia no Brasil: um Audi A8 blindado para ela, um Audi Q7, também blindado, para seus filhos e cinco modelos A6 para os seguranças… não blindados.

[A notícia é da coluna da Mônica Bergamo (para assinantes). Na Folha Online eles também citam as exigências, mas não informam que os carros dos seguranças não têm blindagem.]

Agora me diz como uma pessoa tão preocupada com o bem estar do próximo, da humanidade e com que elas não morram, me pede diversos carros Audi blindados e para os seguranças – também conhecidos como ‘buchas-de-canhão’, que estão ali justamente para garantir a integridade física da dondoca – não tem carro blindado? Só ela e os filhos merecem viver, caso alguém atire nos carros? Se eu fosse de fã-clube da Madonna, ou algo do gênero, certeza que faria um abaixo-assinado para a diva garantir as mínimas condições de trabalho para seus funcionários… e se fosse um deles, processava, alegando insalubridade no ofício.

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Nossos dias de sol

9 Outubro , 2008 · 1 Comentário

Lembro bem daquela sobrinha de meu pai. Vinha sempre passar uma temporada conosco. Os velhos do bairro sorriam para ela e durante essa época, voltavam a sonhar. Toda tarde tinha festa. Verinha parecia colocar amor no mundo. Quem sabe fosse pelo ouro que trazia no coração. Com ela por perto, parecia que as coisas dariam certo… a gente acreditava que era possível. Com Vera, nossos dias de sol eram assim.

[O texto é baseado nessa música dos Paralamas]

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A big hard sun

9 Setembro , 2008 · 1 Comentário

There’s a big
A big hard sun
Beating on the big people
In a big hard World
¹
[Para ler ouvindo]

Passei a andar olhando para cima. Na rua em que mais sigo reto há diversas árvores. Por maiores que sejam suas copas, ainda é possível perceber o sol por detrás delas. A sombra, mesmo com espaços onde bate sol, é refrescante. O brilho do Astro Rei ofusca mesmo que olhado por entre a folhagem. De repente, uma sombra fria e distante aparece. Claramente é possível distinguir onde começa e termina. É calculada. Não há sinal do sol, só sabemos que está de dia.

O homem cria, ‘evolui’ e se afasta de sua natureza e da Natureza. Os prédios não interagem com o sol, o vento e a chuva. O concreto é utilizado para isolar a humanidade dessas ações naturais. O som do vento balançando as folhas de uma árvore é uma atração tremenda e não há música da Enya ou óleos e sais que consigam tranqüilizar da mesma maneira.

A terra absorve o calor do sol. As folhas fazem sua fotossíntese tendo como fonte a luz solar. E os cachorrinhos das madames usam pantufas, para que seus pés não fiquem molhados quando chove ou se incomodem quando está quente.

Se proteger da chuva embaixo de uma árvore é perigoso, mas te faz sentir vivo e ‘natural’. Várias gotas te atingirão, mas a chuva foi feita para isso mesmo. Hidratar. Limpar. Renovar. Protegido pelo concreto, ou pelo metal do carro, em um ambiente climatizado – seja com ar-condicionado ou aquecedor – o homem esquece de como ser Homem e fica perplexo quando tufões, temporais e secas nos fazem lembrar, à força, que a Natureza não faz mais parte de nossa natureza.

Olhe para cima. Sinta o sol, cheire a chuva, suje-se na grama e pise na lama.

¹Letra e música de Eddie Vedder, para a trilha do filme “Na Natureza Selvagem”.

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O quem?

11 Agosto , 2008 · 1 Comentário

Eis que Seattle foi um grande pólo do grunge. Deu-nos o Nirvana, entre outros. E o Kurt Cobain morreu. O carinha conhecido como ‘o baterista do Nirvana’ virou Dave Grohl, um dos caras mais divertidos, bacanas, sérios e de qualidade do rock atual. Já era mega famoso com o Foo Fighters e ainda assim saiu em turnê como baterista do Queens of the Stone Age e fez umas participações especiais na batera da banda da Juliette Lewis, Juliette and the Licks. E ainda tem o Foo Fighters, que apesar de ser chamado de ‘lead vocal’, é esquema ‘truta’ com os caras da banda. Nada de ego à lá Billy Corgan.

Eis que Brasília foi um grande pólo do… de… er, Capital Inicial, Legião Urbana e Paralamas [para mim, o único que se salva]. E o Renato Russo morreu. Aí sobrou o Dado Villa-Lobos, que herdou o sobrenome do tatatatataravô e acha que é bom em fazer música só por causa disso. Ele não sabe que isso só funciona para os Buarque de Hollanda. E o Marcelo Bonfá eu sempre confundo com o Paulo Bonfá, o cara do Rock Gol. Já ouviu algum CD dele [do Marcelo]? Nem precisa. Se no tempo que você gastaria para ouvi-lo você ficar lavando o banheiro do vestiário do seu clube, seu tempo será muito melhor aproveitado. Garanto.

Dave Grohl?
YES, nós temos Marcelo Bonfá.
¬¬

Update: Tanto Dave Grohl, como Marcelo Bonfá eram os bateristas de suas respectivas bandas.

Título: The Who

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Panela velha

26 Junho , 2008 · 2 Comentários

Eis que baixei CDs novos de artistas velhos. Velhos sim, pois se hoje em dia The Strokes é coisa antiga, que dirá Alanis, Coldplay e Weezer.

Eu não sou crítico de música. Não tenho base teórica, nunca escrevi sobre isso, mas tem gente que é mais doido que eu e gosta de saber minha opinião quanto a uma determinada banda/artista. Se você não é uma dessas pessoas, está dispensado para ir ler outra  coisa. Caso queira saber, vamos por ordem alfabética:

Flavors of Entanglement
Alanis Morissette

Parece que a Alanis entrou agora no ano 2000. Lembra quando em 1999 – 2000 alguns artistas começaram a ficar mais, digamos, eletrônicos? Pois é. É o que a Alanis está fazendo. Na metade de 2008. Ou seja, a 1 ano e meio de 2010! Pense numa Madonna mais pop rock, mantendo as batidinhas eletrônicas e sendo menos Madonna. Pois é. A Alanis demorou quase uma década para ter sua fase ‘adolescente’ do eletrônico e sampler. E quando teve, desandou o caldo. Um CD totalmente dispensável no meu iPod. Acho que vou deixar a título de curiosidade. Tenho medo do que virá depois desse. [Quando alguém lança um CD e depois de ouvi-lo uma vez pensa: "Quando sai o próximo?" é porque a coisa não vai bem mesmo].

Preciso registrar que sempre gostei muito de Alanis, acho que ela faz boa música, um rock agradável e, por vezes, coisas diferentes. Nos CDs anteriores, as mais calminhas eram as renegadas, embora boas. Nesse a mais calminha, Madness, é a única que se salva. E olhe lá.

Conclusão: volta Alanis!

Viva la Vida or Death and All His Friends
Coldplay

Pois é… eu ouvi esse CD. Sabe quando você vê a Thati do Big Brother comemorando festa de aniversário no buffet infantil da Andrea Sorvertão e se sente mal pela pessoa? [Pelas duas, nesse caso?]. Então é um pouco pior. É como quando você descobre que a Sorvetão está casada com o Conrado e vê fotos dos dois juntos, abraçados à Thati. Nem uma barra de Hershey’s Cookie n’ Cream resolve essa vergonha alheia.

O CD do Coldplay chega perto disso. Odeio resenhas muito grandes, por isso vou tentar ser breve no que puder, ao analisar faixa a faixa:

1 – Life In Technicolor
Música de abertura, literalmente. Não é só a primeira, mas serve como um “Respeitável público”. Inteira instrumental. Quando você acha que vai ficar boa, acaba.

2 – Cemeteries of London
Logo de cara, não dá pra entender muito bem a batida [de leve] que rola ao fundo da voz de Chris Martin. De repente entra a bateria, baixo e violão. Aí você pensa “Conheço essa levada de algum lugar… tão anos 90″. E um pop-up do Pato Banton cantando “Go Pato” aparece na sua mente, enquanto rola a música. A partir daí, fica impossível não dar risada toda vez que voltar a ouvir essa faixa.

3 – Lost
No primeiro segundo de música você pensa “O cara está mesmo se perdendo”, sem nem ter visto o título da faixa. Isso porque ele faz um ‘tum-tum-tá’, bem We Will Rock You, do Queen. Eu até fiz junto para ver se sincronizava e nem preciso dizer o resultado, não? Aí ele canta: “Just because I’m losing / Doesn’t mean I’m lost / Doesn’t mean I’ll stop”. Decepciona saber que isso continuará até o final do CD e você pensa “Quando é que sai mesmo o próximo CD deles?”.

4 – 42
Começa bem Coldplay-jeito-de-ser. E quando você se vê agradecendo por isso, fica preocupado. “Não era um CD em que iriam inovar? Ah é, eles inovaram. Fizeram referências ao Pato Banton e a We Will Rock You do Queen e no meio disso tudo, estava o Conrado, a Andrea Sorvetão e a Thati”. De repente a música muda completamente e você fica triste porque se lembra de Amsterdam, música do álbum A Rush of Blood to the Head [último álbum bom, que é possível ouvir mais de 5 faixas] e percebe que ela tem a mesma ‘temática’, só que pior.

Ainda está aí?

5 – Lovers in Japan / Reign of Love
São duas músicas. A primeira rola no mesmo clima de “Vai demorar muito pra acabar?”. Começa a segunda e depois do que aconteceu na primeira, até Pato Banton seria bem vindo. O Coldplay faz um pouco melhor e nos dá esperança em continuar ouvindo o CD. Mas você se sente enganado. Teve que ouvir a primeira para chegar nessa parte. Se você tiver um editor de MP3, vale a pena cortar a Lovers in Japan e ficar apenas com Reign of Love.

6 – Viva la Vida
Hein? Não era Chris Martin? Em que momento entrou o Ricky no CD, que ninguém me avisou?

Nessa faixa parece que o Coldplay trocou uma idéia com a Alanis e perguntou “E aí, como vai ser seu novo CD? Anos 2000? Boa!”. Nem perguntaram se já não tinham perdido o timing, mas quem precisa disso, né? Só colocar uma orquestra e uma batidinha clássica e fica tudo certo…

7 – Violet Hill
Bom, pelo menos tem nome de música do Coldplay. A levada ainda é do Pato Banton [Go Pato], mas em um ritmo mais devagar, com mais guitarras e no finalzinho, um momento Coldplay-de-ser, que você chega a cruzar os dedos e promete nunca mais falar mal da Gwyneth Paltrow se a música terminar depois disso.

8 – Strawberry Sing
Passa desapercebida. E isso é um mérito em um CD como esse. Chego a arriscar que pode ser um dos singles do álbum, já que da metade pra frente tem um violãozinho bem Coldplay, o que é uma coisa boa em um CD como esse [Acho que já falei isso, né?].

9 – Death and All His Friends
Início com pianinho Coldplay, Ricky Martin, quer dizer, Chris Martin sussurrando e riffs de guitarra característicos da banda. Mas o sussurro avisa: “(…) just be patient, and don’t worry”, pois o crescente virá e a música se transformará. Mais uma vez. Será que ele não tem pena da gente não? A resposta é: não. E uma happy music entra em cena. Com marcação marcante [foi proposital] do baixo e da bateria, à la Pet Shop Boys, mas numa versão piorada, lógico.

10 [finalmente] – The Escapist
O clima Pet Shop Boys continua. A essa altura, você só torce para que o Martin, seja ele qual for, nunca tenha ouvido RPM para não tentar nada progressivo, enquanto ele sussurra uma meia dúzia de palavras e um sampler de teclado, ou seja lá o que isso for, encerra o álbum.

Conclusão 1: ao final dessa análise uma coisa para mim ficou clara: o Coldplay é melhor fazendo clichês e sempre a mesma coisa.
Conclusão 2: não perca seu tempo ouvindo esse CD.

The Red Album
Weezer

Eu quase estava desistindo de ouvir novos CDs, me fechar no iPod com os anos 90 em Nirvana, Pearl Jam e Red Hot Chili Peppers, quando ouço o novo do Weezer. Só pelo fato dos caras não ficarem se preocupando com um nome pro álbum, simplesmente pintarem de uma cor primária e deixarem ser chamado do nome que for, já é grande coisa. O primeiro deles era um fundo azul, eles posando em fila pra câmera e o nome “Weezer”. Começaram até vir o 3º, o CD ainda era conhecida como “Weezer”, banda e disco. Mas no 3º, fizeram a mesma coisa, mas trocaram o fundo, que passou a ser verde. Ou seja: o primeiro tornou-se o Blue Album, o terceiro ficou Green Album. No quinto, e mais recente, o fundo é vermelho. Não precisa conhecer a escala RGB para adivinhar o nome dele.

Aqui vou me dar a liberdade de falar só das faixas que mais gostei. No entanto, diferentemente dos outros CDs, vale a pena ouvir todas as faixas, mesmo que aqui não mencionadas.

1 – Troublemaker
A banda é da Califórnia. Por que digo isso? Simplesmente porque a música que abre o álbum pode parecer alguma coisa que você já ouviu por aí, principalmente em bandas da Costa Oeste dos EUA. “Acho que já ouvi isso no O.C.” é algo bem válido. No entanto, estamos falando de Weezer, uma banda ‘velha’. Você ouve mais um pouco e pensa “Hum, aqui tem um algo mais do que as outras bandas californianas”.

3 – Pork and Beans
Muito se falou já desse primeiro single, simplesmente pela idéia genial do clipe em juntar os The Hypests Hypes [já falei que gosto de neologismos?] da internet dos últimos anos em um vídeo só. Ou seja: os maiores hits do Youtube são parte de seu clipe. Quem não vai querer ver tudo isso junto, num vídeo só?!

Mas e a música? Só pelo clipe, poderia ser o Chris Martin cantando seu último álbum [OK, exagerei], mas ela se garante. Se você tiver a possibilidade apenas de ouvi-la, isso já é algo válido. Uma levada tranqüila para os padrões-Weezer-de-ser. Até quando entram as guitarras, baixos e batera com o chimbal totalmente aberto, ela vai agradar até os ouvidos mais delicados, justamente por montar uma melodia que se torna agradável nas estrofes iniciais.

4 – Heartsongs
Só na 3ª vez fui perceber a batida do coração no início da música. Enfim, me lembrou muito Pinback, o que, para mim, é uma boa referência. Tive a sorte de comprar meu primeiro iPod de um amigo, ou seja, com 3 mil músicas recheando-o. Mesmo tendo apagado algo entre mil e 1.500 músicas, muita coisa que ouço hoje em dia descobri nessa época. A coincidência: esse amigo é da Califórnia. Tem uma hora que essa música chega a lembrar o Linkin Park, que eu simplesmente abomino, mas não chega a ser pé no saco e cansativo como a banda do cara que parece aquele de CSI. Quando você começa a pensar “Pior que o som está parecendo mesmo”, a música termina e fica tudo bem. =)

6 – Dreamin’
Música sem violãozinho ou percussão. Mas uma música ‘feliz’. Acho que o que resume bem o Weezer é isso. Eles fazem um Nerd Punk Rock pra se curtir, sabe? Aquilo do ‘De amargo já chega a vida’, então o que rola são coisas felizes.

7 – Thought I Knew
A música começa e acho que mais uma banda sucumbiu ao revival do ano 2000 ou só percebeu que entrou nessa década quase uma década depois, mas dou o benefício da dúvida ao Weezer, já que as 4 músicas acima por si já valem mais do que o CD inteiro da Alanis + o álbum inteiro do Richris Martin. Enquanto estou escrevendo, vou ouvindo as músicas… tempo real. Para o texto sair exatamente no clima dela. Acontece que na metade dela, já esqueci das paradinhas eletrônicas do começo e estou feliz pelo Weezer ter feito esse CD.

10 – The Angel and the One
A música tem um ‘quê’ de Death Cab for Cutie e o vocal de vez em quando lembra o Dashboard Confessional, que não é da Califórnia, mas é da Costa Leste, Boca Raton – Flórida.

11 – Miss Sweeney
Uma baladinha bem feita, com pausas em lugares previstos, mas bem feitos. Letra em forma de historinha, o que é agradável. Melodia bem agradável também. Superior às outras que não foram citadas

14 – King
Algo meio folk, meio rock, meio Weezer, bem agradável também. Música que você ouve no dia-a-dia e agrada. O vocal e a levada lembram um pouco Everlast, mas em um sentido bom da coisa.

Conclusão: o Weezer tem um som que você poderia pensar ser alguma outra banda. Não é nada que chegue a “Nossa, só podia ser mesmo o Weezer pra fazer um negócio assim”, como é o caso do John Frusciante, por exemplo, guitarrista do Red Hot Chili Peppers. Mas é algo ‘comum’ bem produzido, bem dirigido, enfim, bem feito.

Mais um ponto para o Weezer: eles fizeram uma música colaborativa. Rivers Cuomo, vocalista e *líder da banda, colocou em seu canal do Youtube uma série de vídeos de como se escrever uma canção. Pediu sugestão de letra, acordes e título. Ele mesmo compôs e colocou o resultado no mesmo canal. [Detalhe para os gols de Sócrates e Carlos Alberto, clássicos].

* Acho essa questão de ‘líder’ da banda muito discutível. Se você já tocou em alguma sabe que a pessoa que está no microfone nem sempre a lidera. Muitas vezes, quem dá a dinâmica da banda, na hora em que se está tocando, pode ser qualquer um. Alguém que conduza a banda a fazer algo que fique sincronizado, que soe bem. Por isso evito, hoje em dia, falar em “líder da banda”. Utilizei muito esse termo quando trabalhei na rádio Brasil 2000 e precisava escrever as notas do dia inteiro. Hoje em dia, não curto mais, porém, as pessoas entendem dessa forma e é necessário fazer a informação chegar ao interlocutor, não importa como, diriam alguns professores. Segundo eles, si aLgUen ixkrevi axim, e a outra pessoa entende, tá valendo.

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