Na verdade, a pergunta é: o que interessa ler? Na entrevista que demos ao Alexandre Matias, ele comentou que talvez fosse falar demais sobre a própria vida, como se isso interessasse a alguém. E ele tem razão. Seria presunçoso acharmos que nossas vidas interessam a leitura de quem não nos conhece (e até de quem nos conhece, em muitos casos).
Esse é um assunto que me aflige (exagero) desde os tempos de faculdade. Formado em jornalismo, antes de ingressar a universidade, achava que a profissão prestava um serviço à sociedade, levando a ela a informação que o ‘sistema’ não quer que saibam. Vários enganos em apenas uma frase, mas ainda não sei o que interessa escrever, a todos. Existe um assunto inerente a todos, do interesse de toda a população, não interessando sua classe social, religião e tudo o mais?
Dizem que a história é a versão dos vencedores. Só aí já dá para duvidarmos de uma porrada de coisa. Mas no meu universo, menor, vale falar sobre o que? Há níveis de importância dos assuntos, mas e se precisasse definir apenas um? Acho que nossas vidas, aqui compartilhadas, talvez não estivessem.
Mas busco não levar a vida tão a sério também. Tenho aprendido a escolher o que ler. Durante o cursinho, faculdade e pouco tempo depois de formado, fiquei frenético em saber de tudo, procurando ler, no mínimo, dois jornais (inteiros) por dia. Ajudou quando trabalhei em uma assessoria de imprensa, já que tinha uns cinco periódicos diferentes à disposição.
O movimento tem sido de diminuir o ritmo, em diversas áreas da vida. Com isso, tenho me sentido menos desesperado em saber das coisas. Fica mais difícil ainda quando se é jornalista, já que, teoricamente, esperam que saibamos de tudo que acontece no mundo.
A busca por saber o que vale ler (ou escrever) continua. Por enquanto, tenho me apaixonado em escrever (e ler) histórias. Acredito que seja esse o tema único a todos nós: histórias sobre semelhantes, que nos façam ver que estamos todos no mesmo barco.
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Texto publicado originalmente no Epic Shit.
