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Vamo meu Timão

Vamo, sem o s. É assim que se canta. Não importa seu nível social e gramatical, é assim que todos cantamos. Professores, mestres e doutores cantam assim no Pacaembu, já ouvi. É um dos gritos mais bonitos do Corinthians dos últimos tempos. Declara o louco amor que sentimos pelo time, juntos, da torcida que tem um time, que se explica porque grita até ficar rouca e pede: “Vamo, meu Timão. Vamo. Não para de lutar”. Por favor.

Não importa o resultado de hoje, entre Corinthians e Boca Juniors. (Mentira, claro que importa, mas vem comigo). A questão é que nosso grito não vai parar. Ganhando ou perdendo, não vamos parar de lutar, seja pelo que for. Afinal, somos uma nação ou não?

O PIB pode estar OK, mas a educação está capenga. A educação em tal estado está melhor, mas o saneamento básico ainda deixa a desejar. Não há mais favelas em determinada cidade, mas o índice de corrupção é o maior do estado. Uma nação sempre tem algo a melhorar. Sempre tem algo que não a deixa parar de lutar. Assim é o Corinthians.

Se ganharmos a Libertadores, teremos outras coisas a conquistar e melhorar. Sempre. Para mim, chegar a esse momento do campeonato já mostrou o que é possível, meio como em “Moneyball”. Vencer, é claro, todos queremos. Ah, como eu quero essa joça dessa Taça. Mas mesmo que vença, não quero ser o corinthiano satisfeito: “Pronto, missão cumprida”. Não é isso que a gente grita jogo a jogo, pô! “Vamo, não para de lutar”. Porque deveria aceitar, então, essa condição?

Nosso grito, nossa luta, vale para derrota e vitória. Se não soubermos disso, viveremos de fantasmas, sejam eles de coisas conquistadas ou desejadas, como os que já ganharam tantas Libertadores e Mundiais que se dão o direito de fazer troça conosco por algum tempo ainda. “Tudo bem que a gente não ganhou nada nos últimos 5 anos, a gente pode”.

Não, meu amigo corinthiano. A gente não pode, a gente não vai poder. Eu, pelo menos, não quero me dar esse direito. Quero a Libertadores, quero o Mundial, quero o Campeonato Paulista, o Brasileiro e a Copa do Brasil. E se um dia a gente ganhar tudo isso em um ano só, quero que no ano seguinte a gente faça de novo. E se a gente fizer isso por 10 anos seguidos, sempre vou querer um Corinthians que acredite em um time, não em um elenco. Podemos ter estrelas, desde que não sejam fundamentais para o nosso nome, para o nosso coração bater.

Se a gente para de lutar, a gente para de viver, para de cantar. E eu não quero isso.

Vamo, meu Timão.
Vamo.
Não para de lutar.
Por favor.