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Luke, I’m your writer

A ideia inicial de escrever para o Judão era sobre um nerd na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Mas acontece que há duas coisas: 1) eu não sou nerd e 2) não estava a fim de assistir nada da Mostra. Calma, que essa é uma técnica de prender a sua atenção, afirmando duas coisas que podem polemizar. Então vamos lá.

Eu sou nerd, claro. Mas não do jeito que as pessoas estereotiparam os CDFs. Gosto de Lanterna Verde, X-Men, Star Wars e De Volta para o Futuro. Mas também gosto de Wong Kar-Wai, Pearl Jam e Monet. Tenho toda uma teoria sobre o gostar das coisas, sobre colocar as pessoas em categorias pré-determinadas, mas vou te poupar. O fato é que há algum tempo passei a quebrar certos paradigmas e pude tirar proveito de mais coisas. Não jogo RPG e por isso não sou CDF? Gosto do diretor Jean Paul Civeyrac e por isso sou cabeçudo? Sei pelo menos cinco versões diferentes da morte de Thomas e Martha Wayne, por isso sou nerd? Acho o Nirvana sensacional e isso faz de mim um grunge? Que seja. Pode me colocar a tag que quiser. Vou continuar curtindo cada uma dessas coisas, sem precisar defender uma ideologia específica, baseada em coisas tão banais e divertidas como música, HQ e filmes.

Essa foi a primeira vez em três anos que não trabalhei na Mostra ou em algo relacionado a ela. Por isso não queria assistir a nenhum filme da programação. Era muito agito e só queria assistir um filme em paz. O único que assisti foi Bastardos Inglórios. Em 2007, fiz assessoria do evento, ocasião em que ‘conheci’ o Borbs. Até então, só sabia o nome que assinava os textos do Judão. Por isso, o lobby que fiz, para que a equipe desse estimado site ganhasse credenciais, foi justamente por achar que mereciam.

Ouvi algumas chacotas, mas sempre mantive minha opinião. O motivo: leia o parágrafo anterior. Simplesmente segui a lógica: se eu era leitor do Judão e via filmes da Mostra [não só os blockbusters, mas os 'cabeçudos' também], a probabilidade de existir mais pessoas nessa condição era grande. Nesse ano, uma das pessoas que já trabalhou comigo mandou-me um email, com o release da MTV anunciando a parceria com o Judão. O email: “Você tinha razão. Eles venceram”.

‘Eles’ não, cara-pálida. Nós. E não nós, os nerds, apenas. Pegue Rock Band dos Beatles, por exemplo. São dois mundos que ‘colidem’. Repare na ascensão e reconhecimento de filmes como Spider-Man, X-Men e afins. Até as moças que praticam yoga ‘venceram’, já que há jogos específicos para a prática, no Wii. Acho que o caminho da ‘vitória’ segue lado a lado a trajetória do avanço tecnológico nos últimos anos. Quando o mundo deixou de olhar para Bill Gates como estereótipo de nerd e passou a ter Steve Jobs como seu símbolo, começamos a trilhar a vitória. E pelamor, sem essa de entrar na pendenga Microsoft x Apple e defender seu sistema operacional, dizendo que o verdadeiro geek-nerd-CDF usa é Linux. O Bill Gates só tem cara de bobo e a palavra ‘geek’ sempre foi associada a isso, a alguém meio bobo, meio estranho [assim como 'punk', para arruaceiro].

Liberte-se das categorias em que te colocaram. Aceite que alguém ‘nerd’ nunca tenha lido Dark Knight, Watchmen ou Akira. Assista comédias românticas com sua guria, para dar risada e vê-la sorrir. Vá para praia sem iPod [ou celular!]. Viaje para algum lugar que não tenha energia elétrica e aprenda a montar uma barraca. Só não faça algo porque alguém esperou que você fizesse. Que a Força esteja com você.

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Texto publicado originalmente no Judão.

Eu sou feio, mas não tem problema

kurt_cobainEu nasci em 1983. Quando era adolescente, via o pessoal mais velho falando de algumas coisas que eu fingia conhecer ou lembrar. Quando começou o revival dos anos 80, me senti em casa. Sempre ouvi que foi a década perdida na música e, principalmente, nas artes. Ou seja, culturalmente falando, o pessoal que nasceu em 60 – 70 não fez nada de bom, segundo esse pensamento. Claro que não consideram a arte de rua, só para mencionar uma, mas enfim. Acontece que depois de 1989 veio 1990 e a nova década chegou.

O aniversário da morte de Kurt Cobain [5 de abril] me fez pensar nisso. Cresci ouvindo meus pais debatarem o Beatle preferido deles. Paul ou John? Ringo ou George? Talvez Kurt Cobain seja o nosso John e o Dave Grohl um Paul mais legal. O mito vai desde a simbologia do vocalista do Nirvana usando All Star, passando pelas calças jeans rasgada e cabelo despenteado, até a gritaria bem feita, com um som melhor ainda. Paul e John estão para os pais da geração 80, assim como o Nirvana está para essa própria geração. Se os Beatles são os divisores de água, Kurt Cobain é a terra prometida.

[Aqui, não cabe a discussão se os Rolling Stones são melhores do que os Beatles, por exemplo. Como grupo, eu acho os Stones melhores, mas a importância dos Beatles no cenário da cultura pop é inegável].

Dos grandes nomes do movimento grunge, destaca-se o Pearl Jam – apesar do Mudhoney ser algo mais underground e, por isso mesmo, defendido pelos ‘puristas’ do grunge como ‘pai’ do movimento. Mas é inegável o apelo que Kurt Cobain, Kris Novoselic e Dave Grohl têm e tiveram junto a nós. Os caras traduziram os sentimentos da molecada, sem cair para o emocore – que nasceria mais de uma década depois – e não seguindo uma linha politizada. Falavam de sexo, drogas e rock n’ roll, como toda molecada quer ouvir, mas falavam de forma verdadeira e sincera.

A trágica ironia do artista perturbado é que ele é amado por ser daquele jeito. A dor, sofrimento, paranóias e misérias próprias são transformadas em acordes, rimas e músicas que arrebatarão milhões. Quanto mais ele se afunda na lama, mais material tem para o repertório, aumentando exponencialmente a fama entre os garotos que se veem refletidos em olhos perdidos. Talvez isso aconteça com o Radiohead, daqui alguns anos. Ainda mais pela bandeira contestadora e anti-cultura que eles levantam, além de também traduzir sentimentos reprimidos da nossa molecada.

Ouso dizer que a minha música preferida do Nirvana é Lithium. Eu gostava dela desde os dez anos de idade, o que pode levar o leitor a acreditar que eu era uma criança perturbada. Era e não era. Ou melhor, era perturbada, mas dentro dos padrões ‘normais, se é que existe algum padrão para isso. Enfim, o que um trecho da letra diz, em tradução livre e adaptada:

“Estou tão feliz, porque hoje encontrei meus amigos. Eles estão na minha cabeça.
E eu sou feio, mas não tem problema. Porque você também é… e nós quebramos todos os espelhos (…)”

Lindo, não? Lembrando que a música chama Lithium. Talvez seja esse o lance com o Nirvana e Kurt Cobain. Já que a década anterior foi a perdida, porque não chutar o balde então na próxima? A atitude que às vezes define Cobain é exatamente essa: chutar o balde. Dane-se. Para o inferno o mundo. Talvez ele estivesse de saco cheio de ouvir que daqueles dez anos anteriores nada de bom havia saído e simplesmente decidiu botar tudo pra fora e ver no que dava. Deu no que deu.

Depois de pensar em tudo isso, acho que Kurt Cobain não é o nosso John ou nosso Paul. Kurt Cobain quis ser apenas ele. Foi acusado de ser egoísta entre tantas outras coisas, principalmente pela viúva Courtney Love. Pode ser que sim. Pode ser que não. Há coisas louváveis e outras condenáveis. O problema é que atualmente não nos sobram mais referências e mitos a serem seguidos. Os nossos ídolos de lutadores e vencedores são os mesmos ainda da ditura. São os mesmos de nossos pais, como poderia dizer Elis Regina. Mas mesmo não sendo um exemplo de vida [inclusive porque determinou sua morte, cometendo suicídio], é inegável o fato de Kurt ser uma referência, mesmo que você apenas o escolha para isso no quesito música e a diferença que fez no rock. Ou que não seja uma referência a ser seguida, mas que, sem sombra de dúvidas, foi a expressão de um sentimento da época. Uma melancolia que não se contenta com a introspecção, mas grita e externaliza seus demônios. Uma revolta que às vezes não tem inimigo a não ser sua própria insegurança. Se Kurt Cobain não servir de exemplo a ser seguido, serve de exemplo a ser compreendido, para entender toda uma cultura de jovens que hoje se torna adulta. Em último caso, serve para entender um pouco mais de mim mesmo e o que vivi naqueles anos.

Que, mesmo morto, o mito viva e continue com aquele sabor de espírito adolescente.

O quem?

Eis que Seattle foi um grande pólo do grunge. Deu-nos o Nirvana, entre outros. E o Kurt Cobain morreu. O carinha conhecido como ‘o baterista do Nirvana’ virou Dave Grohl, um dos caras mais divertidos, bacanas, sérios e de qualidade do rock atual. Já era mega famoso com o Foo Fighters e ainda assim saiu em turnê como baterista do Queens of the Stone Age e fez umas participações especiais na batera da banda da Juliette Lewis, Juliette and the Licks. E ainda tem o Foo Fighters, que apesar de ser chamado de ‘lead vocal’, é esquema ‘truta’ com os caras da banda. Nada de ego à lá Billy Corgan.

Eis que Brasília foi um grande pólo do… de… er, Capital Inicial, Legião Urbana e Paralamas [para mim, o único que se salva]. E o Renato Russo morreu. Aí sobrou o Dado Villa-Lobos, que herdou o sobrenome do tatatatataravô e acha que é bom em fazer música só por causa disso. Ele não sabe que isso só funciona para os Buarque de Hollanda. E o Marcelo Bonfá eu sempre confundo com o Paulo Bonfá, o cara do Rock Gol. Já ouviu algum CD dele [do Marcelo]? Nem precisa. Se no tempo que você gastaria para ouvi-lo você ficar lavando o banheiro do vestiário do seu clube, seu tempo será muito melhor aproveitado. Garanto.

Dave Grohl?
YES, nós temos Marcelo Bonfá.
¬¬

Update: Tanto Dave Grohl, como Marcelo Bonfá eram os bateristas de suas respectivas bandas.

Título: The Who

Panela velha

Eis que baixei CDs novos de artistas velhos. Velhos sim, pois se hoje em dia The Strokes é coisa antiga, que dirá Alanis, Coldplay e Weezer.

Eu não sou crítico de música. Não tenho base teórica, nunca escrevi sobre isso, mas tem gente que é mais doido que eu e gosta de saber minha opinião quanto a uma determinada banda/artista. Se você não é uma dessas pessoas, está dispensado para ir ler outra  coisa. Caso queira saber, vamos por ordem alfabética:

Flavors of Entanglement
Alanis Morissette

Parece que a Alanis entrou agora no ano 2000. Lembra quando em 1999 – 2000 alguns artistas começaram a ficar mais, digamos, eletrônicos? Pois é. É o que a Alanis está fazendo. Na metade de 2008. Ou seja, a 1 ano e meio de 2010! Pense numa Madonna mais pop rock, mantendo as batidinhas eletrônicas e sendo menos Madonna. Pois é. A Alanis demorou quase uma década para ter sua fase ‘adolescente’ do eletrônico e sampler. E quando teve, desandou o caldo. Um CD totalmente dispensável no meu iPod. Acho que vou deixar a título de curiosidade. Tenho medo do que virá depois desse. [Quando alguém lança um CD e depois de ouvi-lo uma vez pensa: "Quando sai o próximo?" é porque a coisa não vai bem mesmo].

Preciso registrar que sempre gostei muito de Alanis, acho que ela faz boa música, um rock agradável e, por vezes, coisas diferentes. Nos CDs anteriores, as mais calminhas eram as renegadas, embora boas. Nesse a mais calminha, Madness, é a única que se salva. E olhe lá.

Conclusão: volta Alanis!

Viva la Vida or Death and All His Friends
Coldplay

Pois é… eu ouvi esse CD. Sabe quando você vê a Thati do Big Brother comemorando festa de aniversário no buffet infantil da Andrea Sorvertão e se sente mal pela pessoa? [Pelas duas, nesse caso?]. Então é um pouco pior. É como quando você descobre que a Sorvetão está casada com o Conrado e vê fotos dos dois juntos, abraçados à Thati. Nem uma barra de Hershey’s Cookie n’ Cream resolve essa vergonha alheia.

O CD do Coldplay chega perto disso. Odeio resenhas muito grandes, por isso vou tentar ser breve no que puder, ao analisar faixa a faixa:

1 – Life In Technicolor
Música de abertura, literalmente. Não é só a primeira, mas serve como um “Respeitável público”. Inteira instrumental. Quando você acha que vai ficar boa, acaba.

2 – Cemeteries of London
Logo de cara, não dá pra entender muito bem a batida [de leve] que rola ao fundo da voz de Chris Martin. De repente entra a bateria, baixo e violão. Aí você pensa “Conheço essa levada de algum lugar… tão anos 90″. E um pop-up do Pato Banton cantando “Go Pato” aparece na sua mente, enquanto rola a música. A partir daí, fica impossível não dar risada toda vez que voltar a ouvir essa faixa.

3 – Lost
No primeiro segundo de música você pensa “O cara está mesmo se perdendo”, sem nem ter visto o título da faixa. Isso porque ele faz um ‘tum-tum-tá’, bem We Will Rock You, do Queen. Eu até fiz junto para ver se sincronizava e nem preciso dizer o resultado, não? Aí ele canta: “Just because I’m losing / Doesn’t mean I’m lost / Doesn’t mean I’ll stop”. Decepciona saber que isso continuará até o final do CD e você pensa “Quando é que sai mesmo o próximo CD deles?”.

4 – 42
Começa bem Coldplay-jeito-de-ser. E quando você se vê agradecendo por isso, fica preocupado. “Não era um CD em que iriam inovar? Ah é, eles inovaram. Fizeram referências ao Pato Banton e a We Will Rock You do Queen e no meio disso tudo, estava o Conrado, a Andrea Sorvetão e a Thati”. De repente a música muda completamente e você fica triste porque se lembra de Amsterdam, música do álbum A Rush of Blood to the Head [último álbum bom, que é possível ouvir mais de 5 faixas] e percebe que ela tem a mesma ‘temática’, só que pior.

Ainda está aí?

5 – Lovers in Japan / Reign of Love
São duas músicas. A primeira rola no mesmo clima de “Vai demorar muito pra acabar?”. Começa a segunda e depois do que aconteceu na primeira, até Pato Banton seria bem vindo. O Coldplay faz um pouco melhor e nos dá esperança em continuar ouvindo o CD. Mas você se sente enganado. Teve que ouvir a primeira para chegar nessa parte. Se você tiver um editor de MP3, vale a pena cortar a Lovers in Japan e ficar apenas com Reign of Love.

6 – Viva la Vida
Hein? Não era Chris Martin? Em que momento entrou o Ricky no CD, que ninguém me avisou?

Nessa faixa parece que o Coldplay trocou uma idéia com a Alanis e perguntou “E aí, como vai ser seu novo CD? Anos 2000? Boa!”. Nem perguntaram se já não tinham perdido o timing, mas quem precisa disso, né? Só colocar uma orquestra e uma batidinha clássica e fica tudo certo…

7 – Violet Hill
Bom, pelo menos tem nome de música do Coldplay. A levada ainda é do Pato Banton [Go Pato], mas em um ritmo mais devagar, com mais guitarras e no finalzinho, um momento Coldplay-de-ser, que você chega a cruzar os dedos e promete nunca mais falar mal da Gwyneth Paltrow se a música terminar depois disso.

8 – Strawberry Sing
Passa desapercebida. E isso é um mérito em um CD como esse. Chego a arriscar que pode ser um dos singles do álbum, já que da metade pra frente tem um violãozinho bem Coldplay, o que é uma coisa boa em um CD como esse [Acho que já falei isso, né?].

9 – Death and All His Friends
Início com pianinho Coldplay, Ricky Martin, quer dizer, Chris Martin sussurrando e riffs de guitarra característicos da banda. Mas o sussurro avisa: “(…) just be patient, and don’t worry”, pois o crescente virá e a música se transformará. Mais uma vez. Será que ele não tem pena da gente não? A resposta é: não. E uma happy music entra em cena. Com marcação marcante [foi proposital] do baixo e da bateria, à la Pet Shop Boys, mas numa versão piorada, lógico.

10 [finalmente] – The Escapist
O clima Pet Shop Boys continua. A essa altura, você só torce para que o Martin, seja ele qual for, nunca tenha ouvido RPM para não tentar nada progressivo, enquanto ele sussurra uma meia dúzia de palavras e um sampler de teclado, ou seja lá o que isso for, encerra o álbum.

Conclusão 1: ao final dessa análise uma coisa para mim ficou clara: o Coldplay é melhor fazendo clichês e sempre a mesma coisa.
Conclusão 2: não perca seu tempo ouvindo esse CD.

The Red Album
Weezer

Eu quase estava desistindo de ouvir novos CDs, me fechar no iPod com os anos 90 em Nirvana, Pearl Jam e Red Hot Chili Peppers, quando ouço o novo do Weezer. Só pelo fato dos caras não ficarem se preocupando com um nome pro álbum, simplesmente pintarem de uma cor primária e deixarem ser chamado do nome que for, já é grande coisa. O primeiro deles era um fundo azul, eles posando em fila pra câmera e o nome “Weezer”. Começaram até vir o 3º, o CD ainda era conhecida como “Weezer”, banda e disco. Mas no 3º, fizeram a mesma coisa, mas trocaram o fundo, que passou a ser verde. Ou seja: o primeiro tornou-se o Blue Album, o terceiro ficou Green Album. No quinto, e mais recente, o fundo é vermelho. Não precisa conhecer a escala RGB para adivinhar o nome dele.

Aqui vou me dar a liberdade de falar só das faixas que mais gostei. No entanto, diferentemente dos outros CDs, vale a pena ouvir todas as faixas, mesmo que aqui não mencionadas.

1 – Troublemaker
A banda é da Califórnia. Por que digo isso? Simplesmente porque a música que abre o álbum pode parecer alguma coisa que você já ouviu por aí, principalmente em bandas da Costa Oeste dos EUA. “Acho que já ouvi isso no O.C.” é algo bem válido. No entanto, estamos falando de Weezer, uma banda ‘velha’. Você ouve mais um pouco e pensa “Hum, aqui tem um algo mais do que as outras bandas californianas”.

3 – Pork and Beans
Muito se falou já desse primeiro single, simplesmente pela idéia genial do clipe em juntar os The Hypests Hypes [já falei que gosto de neologismos?] da internet dos últimos anos em um vídeo só. Ou seja: os maiores hits do Youtube são parte de seu clipe. Quem não vai querer ver tudo isso junto, num vídeo só?!

Mas e a música? Só pelo clipe, poderia ser o Chris Martin cantando seu último álbum [OK, exagerei], mas ela se garante. Se você tiver a possibilidade apenas de ouvi-la, isso já é algo válido. Uma levada tranqüila para os padrões-Weezer-de-ser. Até quando entram as guitarras, baixos e batera com o chimbal totalmente aberto, ela vai agradar até os ouvidos mais delicados, justamente por montar uma melodia que se torna agradável nas estrofes iniciais.

4 – Heartsongs
Só na 3ª vez fui perceber a batida do coração no início da música. Enfim, me lembrou muito Pinback, o que, para mim, é uma boa referência. Tive a sorte de comprar meu primeiro iPod de um amigo, ou seja, com 3 mil músicas recheando-o. Mesmo tendo apagado algo entre mil e 1.500 músicas, muita coisa que ouço hoje em dia descobri nessa época. A coincidência: esse amigo é da Califórnia. Tem uma hora que essa música chega a lembrar o Linkin Park, que eu simplesmente abomino, mas não chega a ser pé no saco e cansativo como a banda do cara que parece aquele de CSI. Quando você começa a pensar “Pior que o som está parecendo mesmo”, a música termina e fica tudo bem. =)

6 – Dreamin’
Música sem violãozinho ou percussão. Mas uma música ‘feliz’. Acho que o que resume bem o Weezer é isso. Eles fazem um Nerd Punk Rock pra se curtir, sabe? Aquilo do ‘De amargo já chega a vida’, então o que rola são coisas felizes.

7 – Thought I Knew
A música começa e acho que mais uma banda sucumbiu ao revival do ano 2000 ou só percebeu que entrou nessa década quase uma década depois, mas dou o benefício da dúvida ao Weezer, já que as 4 músicas acima por si já valem mais do que o CD inteiro da Alanis + o álbum inteiro do Richris Martin. Enquanto estou escrevendo, vou ouvindo as músicas… tempo real. Para o texto sair exatamente no clima dela. Acontece que na metade dela, já esqueci das paradinhas eletrônicas do começo e estou feliz pelo Weezer ter feito esse CD.

10 – The Angel and the One
A música tem um ‘quê’ de Death Cab for Cutie e o vocal de vez em quando lembra o Dashboard Confessional, que não é da Califórnia, mas é da Costa Leste, Boca Raton – Flórida.

11 – Miss Sweeney
Uma baladinha bem feita, com pausas em lugares previstos, mas bem feitos. Letra em forma de historinha, o que é agradável. Melodia bem agradável também. Superior às outras que não foram citadas

14 – King
Algo meio folk, meio rock, meio Weezer, bem agradável também. Música que você ouve no dia-a-dia e agrada. O vocal e a levada lembram um pouco Everlast, mas em um sentido bom da coisa.

Conclusão: o Weezer tem um som que você poderia pensar ser alguma outra banda. Não é nada que chegue a “Nossa, só podia ser mesmo o Weezer pra fazer um negócio assim”, como é o caso do John Frusciante, por exemplo, guitarrista do Red Hot Chili Peppers. Mas é algo ‘comum’ bem produzido, bem dirigido, enfim, bem feito.

Mais um ponto para o Weezer: eles fizeram uma música colaborativa. Rivers Cuomo, vocalista e *líder da banda, colocou em seu canal do Youtube uma série de vídeos de como se escrever uma canção. Pediu sugestão de letra, acordes e título. Ele mesmo compôs e colocou o resultado no mesmo canal. [Detalhe para os gols de Sócrates e Carlos Alberto, clássicos].

* Acho essa questão de ‘líder’ da banda muito discutível. Se você já tocou em alguma sabe que a pessoa que está no microfone nem sempre a lidera. Muitas vezes, quem dá a dinâmica da banda, na hora em que se está tocando, pode ser qualquer um. Alguém que conduza a banda a fazer algo que fique sincronizado, que soe bem. Por isso evito, hoje em dia, falar em “líder da banda”. Utilizei muito esse termo quando trabalhei na rádio Brasil 2000 e precisava escrever as notas do dia inteiro. Hoje em dia, não curto mais, porém, as pessoas entendem dessa forma e é necessário fazer a informação chegar ao interlocutor, não importa como, diriam alguns professores. Segundo eles, si aLgUen ixkrevi axim, e a outra pessoa entende, tá valendo.