manual de sobrevivência

existem algumas “manhas” para sobreviver em sociedade, ainda mais quando circulamos por múltiplos ambientes.

interessante
há situações onde não podemos expressar o que realmente achamos.
quando um amigo te mostra aquela música meio chata ou experimental demais, ou você assiste a um filme muito ruim e conhece o diretor, e eles te perguntam – e aí, o que achou? não dá para simplesmente dizer – uma merda.
até dá, mas algumas vezes, não convém.
então ao invés de magoar e talvez perder o amigo/contato, é só dizer “interessante”.

filme sem noção. você odiou.
– o que achou?
– interessante!

o interessante não chega a ser uma mentira.
porque não deixa de ser interessante como alguém consiga produzir algo tão ruim quanto aquilo!
você pode arriscar um diferente, mas é arriscado.
o diferente já está conhecido e reconhecido como sinônimo de “não gostei”.
você beira a possibilidade da pessoa já sacar que você não curtiu, ou dela entrar no jogo e perguntar “diferente como?”.
aí você está enrascado.

§ uma tática de sobrevivência mais agressiva é com relação aos malas.
sobrevivência deles, porque se deixar, a gente acaba esganando um.
a seguir, duas táticas anti-mala. §

ignorar
aqui no trabalho o que mais existe, depois de filme, é gente mala.
diretor mala, produtor mala e jornalista mala.
tem um diretor específico, que toda vez que entra na nossa sala, o radar anti-mala dispara.
tu tu tu tutu tutu tututu tutututu tutututututututututututuuuuuuuuuuuuuu!
[esse é o radar]
e começa a epopéia.

primeiro, sem se dirigir a nenhuma pessoa especificamente, falando alto, começa a reclamar que seu filme não está sendo notícia em nenhum jornal.
aí começa a mendigar coisas pra gente: camiseta, bolsa, brinde, divulgação, impressora, ajuda na conexão, problema no email.
mas não assim na seqüência.
um mala sabe fazer seu trabalho.
é de 3 em 3 minutos.
tortura mesmo.
quando a pessoa percebe que está incomodando, é aí que a coisa fica legal.

porque ela aumenta o intervalo para 5 minutos!
na primeira vez, você pensa “graças ao bom Deus, ele parou”.
só pra dali 2 minutos, recomeçar!
eu não falei da estratégia ainda.
é só ignorar.
o próprio mala te dá a ferramenta.
como ele não se direciona a ninguém, você também não é obrigado a responder.
pra quem gosta de fazer seu trabalho bem e atender as pessoas da melhor forma possível, é um grande desafio. é como um telefone tocando, que ninguém atende!

se ninguém responder, ele pode olhar para você. mas como é mala, provavelmente não sabe seu nome. mantenha os olhos fixos no computador, não vacile, não demonstre que você percebeu a presença dele e se conseguir, fique digitando ininterruptamente para parecer ocupado.
sempre vai ter alguém mais piedoso ou com o coração mole, que vai acabar atendendo o mala.

ou seu chefe, que tem que atender os malas.
então aproveite sua posição não-elevada na hierarquia e simplesmente ignore o mala.
lógico, se ele falar seu nome, parar na frente da sua mesa ou encostar em você, te chamando, aí a figura muda. e a gente entra na próxima tática…

idiotizar
não é para tratá-lo como idiota.
a tática é você se passar por idiota.
o mala te reconheceu, te chamou e tal, finja que você não entende.
faça cara de zé ruela e fique olhando pra pessoa, quando ela terminar de falar.
sempre.
toda vez que a pessoa terminar uma frase, espere 5 segundos pra responder. não abra mão disso!

se você semi-cerrar os olhos, demonstrando que está queimando o dobro de neurônios para entender o que a pessoa disse e a seguir formular uma resposta, terá mais efeito.
além de ser a cara de quem tenta entender, você pode dar uma pitada de idiota deixando a boca um pouco aberta, a ponto de babar.
infalível.
das próximas vezes, é muito provável que o mala não se direcione a você.
[não babe.
é só quase.]

essas são duas táticas que cobrem a maioria dos contextos onde se encontra um autêntico mala.
uma é utilizada à distância e a outra, na proximidade.

mas as táticas requerem um pouco de bom-senso.
com “chefe mala”, por exemplo, até dá pra usar, mas são situações muito delicadas, onde varia o tempo de ignorar e o tempo de idiotizar. tem que saber o timing perfeito nessas horas. e isso varia de chefe pra chefe.

agora perigoso vai ser eu usar isso com você ou você comigo.
estamos ambos ferrados!
nisso que dá querer ter um blog.

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2 Respostas para “manual de sobrevivência

  1. Esse manual é “Interessante…” hehehe bricadeira! Adorei, vou utilizar com certeza!

  2. haha, ótemo. idiotizar. uh, eu faço isso! 😀 funciona!

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