aprendendo a gostar

iPodEu queria um iPod branco, mas veio um preto. Desentendimento de informação, mas isso não vem ao caso. Mas eu aprendi a gostar do preto. É besteira, é apenas uma cor, mas eu sou chato com detalhes.

A questão é que eu aprendi a gostar desse. Ele é mais discreto. Se o tiro da mochila, não é aquele troço branco chamando atenção. Ou seja, posso carregar no ônibus/metrô sem [com menos] medo de ser assaltado. Ele parece mais um celular grande. Ou um outro MP3 player qualquer. Eu aprendi a gostar dele pois a click wheel não suja quando acabei de ler o jornal.
A gente sempre utiliza o termo ‘aprender a gostar’ de um modo negativo. Como se tivéssemos nos conformado e, já que não tinha jeito, aprender a gostar. Parece algo ruim que temos que engolir. Tenho pensado de um jeito diferente. O exemplo do iPod ali em cima. A questão da cor era um detalhe. Era ‘gostar menos’ e ‘gostar mais’. Eu aprendi a gostar pois vi todas as qualidades que ele tinha, apesar da questão cor se a primeira a aparecer e o motivo d’eu escolher um iPod: cor. Com outras coisas acontece a mesma coisa. 

Pode ser que você tenha aprendido a gostar de alguém. Isso não quer dizer que você simplesmente ature a pessoa e, pra engolir, foi ‘obrigado’ a aprender a gostar. Para aliviar, foi melhor aprender a gostar. Não. Você simplesmente aprendeu a gostar dela, admirar, respeitar etc, sabendo e conhecendo das falhas e defeitos, mas mesmo assim, gostando dela. 

Isso não tem nada a ver com você se conformar com alguma situação da qual não gosta e ficar aturando e suportando porque não tem outro jeito. Há situações em que nunca vamos gostar daquilo ou daquela pessoa e dizer que “aprendeu a gostar” é mentira. É para amenizarmos a situação [para nós, ou para os outros] e não tomarmos uma decisão radical dizendo: “Eu não gosto disso [de você]. Chega. Não quero mais”. Há que se ter coragem para declarar algo assim. Parece fácil… parece. O relacionamento com alguém mais próximo requer muito disso.
Pode ser que tenha começado como uma paixão à primeira vista, mas é necessário que a gente aprenda a gostar da pessoa, por mais que a gente já goste dela. Sem exagerar, acredito que para um relacionamento dar certo é fundamental  que as duas partes aprendam a se gostar. Por isso que o termo não pode ser considerado negativo.
Aprender a gostar de alguém é viver melhor. Você já sabe quais são os defeitos, problemas etc. Mas também conhece as qualidades, as virtudes, a beleza e tudo o mais. Com isso, não há tanta cobrança para ser de um determinado jeito e menos stress signfica mais paz e mais anos de vida.
Vida longa a você.
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7 Respostas para “aprendendo a gostar

  1. suas reflexões são interessantes e duas questões importantes estão envolvidas: a primeira refere-se ao “gostarmos dos detalhes” e isto ocorre por causa da nossa socialização: somos treinados, ensinados a este gostar, pois o sistema de produção capitalista depende muito dele. Pequenos alterações, lantermas de um carro, novas cores, novas capas, novos tecidos, novos formatos, etc, na essência as mudanças são pequenas, mas mantemos o cliclo, buscando e pagando pelos detalhes. Meu Deus, não posso viver sem este sapato, esta calça, este vestido, este carro!!
    uma segunda questão importante é sobre o “aprender a gostar”, fundamental, pois mudamos a cada momento. Não somos hoje, o que fomos ontem! Os relacionamentos são complicados pois amamos o que já não existe, amamos o que ficou no tempo, amamos o passado. Mas acredito que precisamos aprender também a não amar (no sentido que cita e entendo), pois como mudamos a cada momento face a tudo que acontece, não podemos “amar” aquele que deixou de ser decente, deixou de respeitar o outro, deixou de honesto, enfim, que deixou de ser humano! Não somos mais parecidos! Ou somos! Iremos/devemos amá-lo como cristãos, mas perdemos a paixão, pois não somos mais os mesmos.

  2. Gostei muito. Realmente vivemos “aprendendo a gostar” das coisas e das pessoas ao longo da vida, e pra isso não tem saída. Acho que já aprendi a gostar daqui e voltarei mais vezes.
    =)

    (cafevanilla no Twitter)

  3. lindo texto. aprendi a gostar de muita coisa e muita gente ao longo dos anos, e em nenhuma das vezes foi uma desistência, um “eu me rendo”, nem uma vitória da tolerância. foi mais um menos uma espécie de “encantamento em capítulos”. 🙂

    e eu fui logo no ipod preto, porque acho menos clichê. nem pensei na vantagem da limpeza ou da discrição.

  4. Acho que o Jones também deveria ter um blog.

  5. discordo com o fato de que sempre vemos “aprender a gostar” de um jeito negativo.
    Pelo menos na minha vida nao e’ assim.
    Eu gosto de aprender a gostar.

  6. Gostei do texto. 🙂
    De fato, aprender a gostar não é engolir a seco alguma coisa que desgostamos. Não é fingir que gostamos.
    Pra mim, aprender a gostar é olhar de outro ponto de vista, mais positivo. 🙂
    Afinal, pra que ficar relevando e lembrando do lado negativo?

  7. Muito bom! Acredito que seja mesmo esse o caminho. Aprender a gostar é necessário a própria paz de espírito. Adorei o texto, obrigada por compartilha-lo.

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