Borba Gato

Matéria publicada no Diário Oficial da Cidade de São Paulo no dia 08 de julho de 2006

O bandeirante que guarda e indica caminhos
Gabriel Louback

“Sempre em frente na avenida Santo Amaro, sentido bairro. Não tem erro”. Essa é a indicação dada no trânsito da avenida que corta a Zona Sul da capital paulista. Cruza vias importantes como a Roque Petroni Júnior, a avenida dos Bandeirantes e a Hélio Pellegrino.

A avenida Santo Amaro se divide em duas: antes e depois “dele”. Na praça onde está localizado, é praticamente uma rosa-dos-ventos, indicando as direções. À direita, à esquerda, antes ou depois. O “ele” em questão é o Borba Gato. Não é uma praça ou um bairro, nem mesmo uma rua. Trata-se de uma estátua, apesar de emprestar seu nome também a um condomínio e a uma escola. Os três levam o nome do desbravador que, além de separar a avenida Santo Amaro da Adolfo Pinheiro, divide opiniões: foi um herói da conquista territorial brasileira ou um aniquilador da cultura indígena? Embora dê nome a poucos locais, a importância de Borba Gato para a região é imensa.

A estátua, obra do artista Júlio Guerra, pesa 20 toneladas e tem 10 metros de altura, mais a base. Está de frente para o lado noroeste da capital, no sentido do caminho para o sertão, onde o bandeirante se refugiou depois ter sido responsabilizado pela morte de um fidalgo espanhol. Como conhecia a região devido às suas viagens com o sogro Fernão Dias Pais, escolheu o local para se retirar. Suas costas estão viradas para a Serra do Mar, de onde vinham os bandeirantes. Eles eram contratados pelos portugueses para abrirem caminho nas matas,adentrando o país, lutando com os indígenas rebeldes e os escravos fugitivos. A divisão de opiniões decorre desse fato: homens que foram responsáveis pela expansão do território brasileiro, mas também violentos caçadores de índios e escravos, contribuindo para a manutenção do sistema escravocrata que vigorava no Brasil.

Devido ao seu tamanho e sua história, a estátua de Borba Gato é sempre utilizada como forma de proteção da região. Adeílton Heleno de Oliveira diz que quando há alguma discussão na lanchonete em que trabalha, não é raro ouvir: “Olha que eu chamo o Borba Gato para lhe dar uma lição!”. Oliveira também confirma o fato de Borba Gato ser um ponto de referência na vizinhança. Nos arredores, tudo que necessita de uma indicação tem a estátua como referencial. O local é estratégico: a confluência da avenida Adolfo Pinheiro com a avenida Santo Amaro. A impressão é de que Borba Gato é mesmo um guardião. Parece dizer a quem chega: “Essa é a minha região e veja lá o que veio fazer no meu bairro”. Bairro que já foi até cidade, vale dizer.

Maria Edite Duarta Pereira está em Santo Amaro há muitos anos. Aposentada, abriu recentemente uma banca de jornal em uma travessa da avenida que leva o nome do bairro. Sua banca é praticamente um posto de informações, a maioria indicando endereços: se é “para lá” do Borba Gato, de que lado, etc.

Na praça Augusto Tortorelo de Araújo, onde monte guarda o atento Borba Gato, há um pequeno jardim, com algumas árvores ao redor. As sombras providenciais pedem um banquinho, mas o ponto não é muito utilizado como área para descanso. Parece que o bandeirante Borba Gato também não descansa, guardando e protegendo um bairro da cidade que não dorme.

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Uma resposta para “Borba Gato

  1. josemar roberto lanzoni

    preciso do tel da escola alguem sabe por favor

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