Como?

Um homem é encontrado no porta-malas de um carro, na Zona Leste de São Paulo. Os moradores da região de Cidade Tiradentes vêem sangue escorrendo do Monza, chamam a polícia, que o encontra com as mãos e os pés amarrados. É levado ao hospital, com seis tiros nas costas e internado na UTI. Ludmar Aparecido de Andrade sobrevive.

Isso foi no sábado, durante à madrugada. Na segunda-feira, por volta das 3h, um grupo de homens entrou no hospital, rendeu os funcionários, incluindo os seguranças, e matou o homem que já havia sido alvejado por seis tiros: levou mais alguns, além de facadas. Uma equipe tentou socorrê-lo, em vão. A família alega ter solicitado escolta policial, mas não foram atendidos. A Secretaria de Segurança Pública afirmou que não delegou escolta pois o homem era considerado vítima, não tinha antecedentes criminais e não havia informações de possíveis ameaças. Andrade era professor de capoeira, casado há cinco anos e tinha uma filha de três anos, além de três enteados.

Talvez você tenha lido sobre o caso, talvez não. Considero uma história cheia de absurdos. A violência e brutalidade do crime, o descaso em deixá-lo sem proteção após uma clara tentativa de executá-lo, entre outras coisas. [Levantamentos do jornal Agora apontam que o ato foi vingança, pois Andrade teria agredido e atirado no rosto de um aluno de 15 anos. Alguém pode pensar: “Mereceu, né?”. Aí você vê que o aluno teria asseadiado a enteada de Andrade, de 11 anos. Como disse ali em cima, história cheia de absurdos, mas que hoje em dia, são comuns.]

O fato de ele ter sobrevivido aos seis tiros pelas costas foi o que mais me impressionou. Nunca fui baleado, mas acredito que não seja tarefa fácil conseguir tal feito. 50 Cent, cantor de rap, sobreviveu a nove tiros. Andrade sobreviveu a seis. Mas, infelizmente, a máxima do raio não cair no mesmo lugar duas vezes não funcionou. Pelo menos, para o ‘milagre’. Alguém armou o pára-raio e deu um jeito de encontrar Andrade para terminar o trabalho.

Como perceber os [bons] detalhes na cidade? Como reparar no valor das aparentes insignificâncias paulistanas? Como não perder a esperança que ainda há coisas boas a serem feitas, ditas e vividas, para depois serem escritas? Como não reparar apenas nos que choram? Como escrever algo descontraído, leve, do cotidiano se em grande parte ele é denso, pesado, obscuro e trevas?

A vida, às vezes, mata a poesia.

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ps. Para ler mais notícias sobre o caso acima, é só dar uma olhada aqui.
ps2. Um caso que me fez desacreditar um pouco mais no ser humano e me deu náuseas é o da menina de 16 anos, violentada por 5 colegas da escola. Filmaram tudo e colocaram na internet. Um deles era ex-namorado da guria.

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