Panela velha

Eis que baixei CDs novos de artistas velhos. Velhos sim, pois se hoje em dia The Strokes é coisa antiga, que dirá Alanis, Coldplay e Weezer.

Eu não sou crítico de música. Não tenho base teórica, nunca escrevi sobre isso, mas tem gente que é mais doido que eu e gosta de saber minha opinião quanto a uma determinada banda/artista. Se você não é uma dessas pessoas, está dispensado para ir ler outra  coisa. Caso queira saber, vamos por ordem alfabética:

Flavors of Entanglement
Alanis Morissette

Parece que a Alanis entrou agora no ano 2000. Lembra quando em 1999 – 2000 alguns artistas começaram a ficar mais, digamos, eletrônicos? Pois é. É o que a Alanis está fazendo. Na metade de 2008. Ou seja, a 1 ano e meio de 2010! Pense numa Madonna mais pop rock, mantendo as batidinhas eletrônicas e sendo menos Madonna. Pois é. A Alanis demorou quase uma década para ter sua fase ‘adolescente’ do eletrônico e sampler. E quando teve, desandou o caldo. Um CD totalmente dispensável no meu iPod. Acho que vou deixar a título de curiosidade. Tenho medo do que virá depois desse. [Quando alguém lança um CD e depois de ouvi-lo uma vez pensa: “Quando sai o próximo?” é porque a coisa não vai bem mesmo].

Preciso registrar que sempre gostei muito de Alanis, acho que ela faz boa música, um rock agradável e, por vezes, coisas diferentes. Nos CDs anteriores, as mais calminhas eram as renegadas, embora boas. Nesse a mais calminha, Madness, é a única que se salva. E olhe lá.

Conclusão: volta Alanis!

Viva la Vida or Death and All His Friends
Coldplay

Pois é… eu ouvi esse CD. Sabe quando você vê a Thati do Big Brother comemorando festa de aniversário no buffet infantil da Andrea Sorvertão e se sente mal pela pessoa? [Pelas duas, nesse caso?]. Então é um pouco pior. É como quando você descobre que a Sorvetão está casada com o Conrado e vê fotos dos dois juntos, abraçados à Thati. Nem uma barra de Hershey’s Cookie n’ Cream resolve essa vergonha alheia.

O CD do Coldplay chega perto disso. Odeio resenhas muito grandes, por isso vou tentar ser breve no que puder, ao analisar faixa a faixa:

1 – Life In Technicolor
Música de abertura, literalmente. Não é só a primeira, mas serve como um “Respeitável público”. Inteira instrumental. Quando você acha que vai ficar boa, acaba.

2 – Cemeteries of London
Logo de cara, não dá pra entender muito bem a batida [de leve] que rola ao fundo da voz de Chris Martin. De repente entra a bateria, baixo e violão. Aí você pensa “Conheço essa levada de algum lugar… tão anos 90”. E um pop-up do Pato Banton cantando “Go Pato” aparece na sua mente, enquanto rola a música. A partir daí, fica impossível não dar risada toda vez que voltar a ouvir essa faixa.

3 – Lost
No primeiro segundo de música você pensa “O cara está mesmo se perdendo”, sem nem ter visto o título da faixa. Isso porque ele faz um ‘tum-tum-tá’, bem We Will Rock You, do Queen. Eu até fiz junto para ver se sincronizava e nem preciso dizer o resultado, não? Aí ele canta: “Just because I’m losing / Doesn’t mean I’m lost / Doesn’t mean I’ll stop”. Decepciona saber que isso continuará até o final do CD e você pensa “Quando é que sai mesmo o próximo CD deles?”.

4 – 42
Começa bem Coldplay-jeito-de-ser. E quando você se vê agradecendo por isso, fica preocupado. “Não era um CD em que iriam inovar? Ah é, eles inovaram. Fizeram referências ao Pato Banton e a We Will Rock You do Queen e no meio disso tudo, estava o Conrado, a Andrea Sorvetão e a Thati”. De repente a música muda completamente e você fica triste porque se lembra de Amsterdam, música do álbum A Rush of Blood to the Head [último álbum bom, que é possível ouvir mais de 5 faixas] e percebe que ela tem a mesma ‘temática’, só que pior.

Ainda está aí?

5 – Lovers in Japan / Reign of Love
São duas músicas. A primeira rola no mesmo clima de “Vai demorar muito pra acabar?”. Começa a segunda e depois do que aconteceu na primeira, até Pato Banton seria bem vindo. O Coldplay faz um pouco melhor e nos dá esperança em continuar ouvindo o CD. Mas você se sente enganado. Teve que ouvir a primeira para chegar nessa parte. Se você tiver um editor de MP3, vale a pena cortar a Lovers in Japan e ficar apenas com Reign of Love.

6 – Viva la Vida
Hein? Não era Chris Martin? Em que momento entrou o Ricky no CD, que ninguém me avisou?

Nessa faixa parece que o Coldplay trocou uma idéia com a Alanis e perguntou “E aí, como vai ser seu novo CD? Anos 2000? Boa!”. Nem perguntaram se já não tinham perdido o timing, mas quem precisa disso, né? Só colocar uma orquestra e uma batidinha clássica e fica tudo certo…

7 – Violet Hill
Bom, pelo menos tem nome de música do Coldplay. A levada ainda é do Pato Banton [Go Pato], mas em um ritmo mais devagar, com mais guitarras e no finalzinho, um momento Coldplay-de-ser, que você chega a cruzar os dedos e promete nunca mais falar mal da Gwyneth Paltrow se a música terminar depois disso.

8 – Strawberry Sing
Passa desapercebida. E isso é um mérito em um CD como esse. Chego a arriscar que pode ser um dos singles do álbum, já que da metade pra frente tem um violãozinho bem Coldplay, o que é uma coisa boa em um CD como esse [Acho que já falei isso, né?].

9 – Death and All His Friends
Início com pianinho Coldplay, Ricky Martin, quer dizer, Chris Martin sussurrando e riffs de guitarra característicos da banda. Mas o sussurro avisa: “(…) just be patient, and don’t worry”, pois o crescente virá e a música se transformará. Mais uma vez. Será que ele não tem pena da gente não? A resposta é: não. E uma happy music entra em cena. Com marcação marcante [foi proposital] do baixo e da bateria, à la Pet Shop Boys, mas numa versão piorada, lógico.

10 [finalmente] – The Escapist
O clima Pet Shop Boys continua. A essa altura, você só torce para que o Martin, seja ele qual for, nunca tenha ouvido RPM para não tentar nada progressivo, enquanto ele sussurra uma meia dúzia de palavras e um sampler de teclado, ou seja lá o que isso for, encerra o álbum.

Conclusão 1: ao final dessa análise uma coisa para mim ficou clara: o Coldplay é melhor fazendo clichês e sempre a mesma coisa.
Conclusão 2: não perca seu tempo ouvindo esse CD.

The Red Album
Weezer

Eu quase estava desistindo de ouvir novos CDs, me fechar no iPod com os anos 90 em Nirvana, Pearl Jam e Red Hot Chili Peppers, quando ouço o novo do Weezer. Só pelo fato dos caras não ficarem se preocupando com um nome pro álbum, simplesmente pintarem de uma cor primária e deixarem ser chamado do nome que for, já é grande coisa. O primeiro deles era um fundo azul, eles posando em fila pra câmera e o nome “Weezer”. Começaram até vir o 3º, o CD ainda era conhecida como “Weezer”, banda e disco. Mas no 3º, fizeram a mesma coisa, mas trocaram o fundo, que passou a ser verde. Ou seja: o primeiro tornou-se o Blue Album, o terceiro ficou Green Album. No quinto, e mais recente, o fundo é vermelho. Não precisa conhecer a escala RGB para adivinhar o nome dele.

Aqui vou me dar a liberdade de falar só das faixas que mais gostei. No entanto, diferentemente dos outros CDs, vale a pena ouvir todas as faixas, mesmo que aqui não mencionadas.

1 – Troublemaker
A banda é da Califórnia. Por que digo isso? Simplesmente porque a música que abre o álbum pode parecer alguma coisa que você já ouviu por aí, principalmente em bandas da Costa Oeste dos EUA. “Acho que já ouvi isso no O.C.” é algo bem válido. No entanto, estamos falando de Weezer, uma banda ‘velha’. Você ouve mais um pouco e pensa “Hum, aqui tem um algo mais do que as outras bandas californianas”.

3 – Pork and Beans
Muito se falou já desse primeiro single, simplesmente pela idéia genial do clipe em juntar os The Hypests Hypes [já falei que gosto de neologismos?] da internet dos últimos anos em um vídeo só. Ou seja: os maiores hits do Youtube são parte de seu clipe. Quem não vai querer ver tudo isso junto, num vídeo só?!

Mas e a música? Só pelo clipe, poderia ser o Chris Martin cantando seu último álbum [OK, exagerei], mas ela se garante. Se você tiver a possibilidade apenas de ouvi-la, isso já é algo válido. Uma levada tranqüila para os padrões-Weezer-de-ser. Até quando entram as guitarras, baixos e batera com o chimbal totalmente aberto, ela vai agradar até os ouvidos mais delicados, justamente por montar uma melodia que se torna agradável nas estrofes iniciais.

4 – Heartsongs
Só na 3ª vez fui perceber a batida do coração no início da música. Enfim, me lembrou muito Pinback, o que, para mim, é uma boa referência. Tive a sorte de comprar meu primeiro iPod de um amigo, ou seja, com 3 mil músicas recheando-o. Mesmo tendo apagado algo entre mil e 1.500 músicas, muita coisa que ouço hoje em dia descobri nessa época. A coincidência: esse amigo é da Califórnia. Tem uma hora que essa música chega a lembrar o Linkin Park, que eu simplesmente abomino, mas não chega a ser pé no saco e cansativo como a banda do cara que parece aquele de CSI. Quando você começa a pensar “Pior que o som está parecendo mesmo”, a música termina e fica tudo bem. =)

6 – Dreamin’
Música sem violãozinho ou percussão. Mas uma música ‘feliz’. Acho que o que resume bem o Weezer é isso. Eles fazem um Nerd Punk Rock pra se curtir, sabe? Aquilo do ‘De amargo já chega a vida’, então o que rola são coisas felizes.

7 – Thought I Knew
A música começa e acho que mais uma banda sucumbiu ao revival do ano 2000 ou só percebeu que entrou nessa década quase uma década depois, mas dou o benefício da dúvida ao Weezer, já que as 4 músicas acima por si já valem mais do que o CD inteiro da Alanis + o álbum inteiro do Richris Martin. Enquanto estou escrevendo, vou ouvindo as músicas… tempo real. Para o texto sair exatamente no clima dela. Acontece que na metade dela, já esqueci das paradinhas eletrônicas do começo e estou feliz pelo Weezer ter feito esse CD.

10 – The Angel and the One
A música tem um ‘quê’ de Death Cab for Cutie e o vocal de vez em quando lembra o Dashboard Confessional, que não é da Califórnia, mas é da Costa Leste, Boca Raton – Flórida.

11 – Miss Sweeney
Uma baladinha bem feita, com pausas em lugares previstos, mas bem feitos. Letra em forma de historinha, o que é agradável. Melodia bem agradável também. Superior às outras que não foram citadas

14 – King
Algo meio folk, meio rock, meio Weezer, bem agradável também. Música que você ouve no dia-a-dia e agrada. O vocal e a levada lembram um pouco Everlast, mas em um sentido bom da coisa.

Conclusão: o Weezer tem um som que você poderia pensar ser alguma outra banda. Não é nada que chegue a “Nossa, só podia ser mesmo o Weezer pra fazer um negócio assim”, como é o caso do John Frusciante, por exemplo, guitarrista do Red Hot Chili Peppers. Mas é algo ‘comum’ bem produzido, bem dirigido, enfim, bem feito.

Mais um ponto para o Weezer: eles fizeram uma música colaborativa. Rivers Cuomo, vocalista e *líder da banda, colocou em seu canal do Youtube uma série de vídeos de como se escrever uma canção. Pediu sugestão de letra, acordes e título. Ele mesmo compôs e colocou o resultado no mesmo canal. [Detalhe para os gols de Sócrates e Carlos Alberto, clássicos].

* Acho essa questão de ‘líder’ da banda muito discutível. Se você já tocou em alguma sabe que a pessoa que está no microfone nem sempre a lidera. Muitas vezes, quem dá a dinâmica da banda, na hora em que se está tocando, pode ser qualquer um. Alguém que conduza a banda a fazer algo que fique sincronizado, que soe bem. Por isso evito, hoje em dia, falar em “líder da banda”. Utilizei muito esse termo quando trabalhei na rádio Brasil 2000 e precisava escrever as notas do dia inteiro. Hoje em dia, não curto mais, porém, as pessoas entendem dessa forma e é necessário fazer a informação chegar ao interlocutor, não importa como, diriam alguns professores. Segundo eles, si aLgUen ixkrevi axim, e a outra pessoa entende, tá valendo.

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2 Respostas para “Panela velha

  1. Conclusão: gastei uma conexão incrível de quase 200kbps pra baixar o novo da Alanis que é uma porcaria?! Ela realmente foi uma artista de um álbum só? Sim, só gosto de Jagged.

    Coldplay nem vou me dar o trabalho de procurar. Não li sua resenha inteira sobre “Viva la vida loca” (momento Rick Martin do Chris Martin pra escolher esse nome, hein? Sim, piada péssima, reconheço). Pelo pouco que li chego à conclusão de que não vou desperdiçar minha mega conexão novamente.

    Agora, Weezer… Rivers Cuomo entrou na onda do bigodinho iniciada por Brandon Flowers e se deu bem tb! Conta comigo: Flowers de bigode fez Sam’s Town; Anthony Kiedis, Stadium Arcadium; Carlos D, Our Love do Admire. Alguma dúvida de que o Red seria bom? Bigodón FTW!!!!

    PS: post longo, comentário longo. =P

  2. Mandou muito bem….

    Viva os anos 90

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