Não adianta calibrar o monitor

O skyline dos prédios são as novas encostas das montanhas, onde os seres humanos se juntam para ver o pôr-do-sol. Em seus escritórios, almejando uma cor-bahia e alcançando a cor-baia [essa não é minha], viajam pelo mundo com o poder de um rato em suas mãos. Uma clicada no olho desse animalzinho e é possível ver inúmeras obras do Louvre. Legal. Mas qual o tamanho real daquela tela? Qual a cor que se vê? Não adianta calibrar o monitor. Aquilo não é a obra.

A foto de alguém boiando n’água que parece ser refrescante nos lembra do ar-condicionado agradável ao redor e nos dá sede. Pronto. Mais uma sensação vivida, ao alcance de um clique. É só dar o gole da água do filtro e continuar nas experiências alheias.

Paramos de viver os sentimentos e emoções. Nos contentamos em ler ou ver o que outros viveram e postaram em seus Flickrs ou blogs. Amyr Klink já foi até o Ártico algumas vezes. Já foi sozinho e com a família. Em uma de suas primeiras aventuras, uma das mais ousadas, atravessou o Altântico num barquinho merreca, a remo, sozinho. E eu vi a entrevista dele sobre isso e o livro dele sobre as viagens. Pronto?

[Aliás, ele fala uma coisa interessante, quando o repórter pergunta se ele repetiria a viagem, depois de afirmar que foi uma das melhores experiências: “Não, não a faria de novo. Essa, eu já conheço, por melhor que seja. Quero a próxima”, ou algo assim.]

Aliás, essa crítica de vivermos pelos olhos dos outros e pelo que os outros vivem, um amigo que me disse, depois de ter lido no livro do Amyr Klink. Paradoxal, não? Não do jeito que estamos acostumados a viver.

Enquanto escrevo, o pôr-do-sol está sensacional do alto de um 9º andar na Faria Lima. É isso o que tenho, por enquanto. Se quero mais, tenho que sair daqui e procurar por esse ‘mais’. E se você imagina um pôr-do-sol bacana como esse aqui e não quer só imaginar, procure o seu pôr-do-sol também. Todo dia tem um.

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Uma resposta para “Não adianta calibrar o monitor

  1. O famoso “crepúsculo” do 9º andar. Ao ar livre é sempre sensacional… mas, a gente tem sempre que adaptar…

    E, admito, aqui em Sampa, ainda não vi um tão bonito e alaranjado.

    Devíamos bater palmas, como no Rio? Ou tirar 15 minutos de descanso no final do dia apenas para reverenciá-lo?

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