Estou me afundando em solução nasal

Os norte-americanos têm uma expressão que simboliza bem a famosa ‘conversa de elevador’: small talk. É o que você fala para aquele amigo que está vindo dos EUA antes de lançar: “E aí, você pode trazer um iPhone pra mim?” Pode ser também aquele papinho sobre o trânsito ou o tempo.

Foi em uma dessas que eu reparei o quão insatisfeito é o ser humano. Lembro quando em São Paulo estávamos na época de chuva. Era entrar no elevador com alguém, ou ficar sem assunto em uma mesa de bar, que alguém, inevitavelmente, dizia: “Nossa, e essa chuva, hein? Assim não dá. O trânsito só piora, a gente se molha demais. Poderia dar um tempinho, né?” E todos concordavam.

Aí, quem manda na chuva, resolve dar um tempinho. Um mês, coisa simbólica. A conversa? “Nossa, mas não dá pra viver assim em São Paulo. Com tanta poluição e esse tempo seco, não há quem agüente! Quando é que São Pedro vai dar uma força?” E todos concordam.

De fato, está insuportável esse tempo seco em São Paulo. Pode ser que julho seja o mês mais seco desde 1943 [isso porque a medição começou naquele ano]. Estou me afundando em solução nasal, sem conservantes, para umidificar as vias respiratórios. Quatro garrafinhas d’água ficam na minha mesa, pois se deixar uma, depois de enchê-la, já estou ‘seco’ novamente. A questão é que tem sempre alguém reclamando do tempo, não importa como ele esteja.

Semana passada eu estava na rua quando alguns pingos d’água caíram do céu, depois de 30 dias. Me senti em um filme, de olho fechado e com a cabeça virada para cima, deixando as gotas molharem a pele ressecada. Achei que fosse ver todos na calçada fazendo o mesmo. Quando olhei pro lado, as pessoas estavam embaixo de seus guarda-chuvas e acho que cheguei a ouvir: “Mas justo agora que eu estou saindo do trabalho?”

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2 Respostas para “Estou me afundando em solução nasal

  1. Adoro essa ciência da trivialidade! Sou uma pesquisadora de “papos-ponto-de-ônibus” – já que não temos uma tradução exata para small talk…

  2. 07deagosto – 11h30

    Rua Sarandi, 34 – NK Store

    Bem nascidas e riquinhas entram à loja mostrando seus super óculos escuros comprados em Milão, Paris, Nova Iorque e o escambau…dia não muito ensolarado pra toda essa produção, mas tudo bem.
    Manobristas e seguranças aguardam-nas com guarda-chuvas em punho, fazendo sombrinha para que não derreta o reboque facial ante ao tímido sol que aparece.

    07deagosto – 12h40

    Rua Sarandi, 34 – NK Store

    Na saída, uma delas, sem óculos, comentando com a mãe: ” Não entendo pra que essa palhaçada toda…a gente só veio numa loja! Nem tá sol pra tudo isso…Até sinto os primeiros pingos do céu, prenuncio do que vem por aí…”
    Imediatamente o segurança saca sua ferramenta de trabalho – o guarda-chuva – e arma sob as duas até o carro.
    A mãe: ” Tem certas coisas que você precisa aprender, Antonela.”


    Lição disso tudo: sol ou chuva, não interessa. As socialites sempre usarão o guarda-chuva! rsrsrs

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