A chuva silencia, mesmo quando o medo domina

Vejo os cachorros latindo, as pessoas apressadas e os carros desesperados. Parece que algo inevitável acontecerá. O céu está escuro e, com aviso, a chuva começa a cair. Mais correria, mais agitação, mais caos. Passados os primeiros cinco minutos, a cidade silencia. Os cachorros se acalmam, as pessoas se protegem e, como parte integrante e já indissociável da natureza de São Paulo, o trânsito também pára.

A água que cai do céu parece silenciar os ânimos. Algumas pessoas contemplam o acontecimento, outras apenas têm o olhar perdido, imaginando a que horas chegarão em casa. Apesar disso, não se desesperam. Apenas esperam.

Alguém comenta que o prenúncio de uma chuva ou tempestade sempre aflige seu coração, pois um sentimento de apocalipse inunda seus pensamentos. Mesmo assim, fala em um tom mais baixo que o de costume, quase respeitoso. A chuva silencia, mesmo quando o medo domina.

Nenhum carro buzina mais alto do que o trovão, nenhuma antena ilumina mais do que o relâmpago. A chuva lava a alma da cidade, limpa os poros das ruas e obriga “A Cidade que Não Pára” a abrir um parentêses para apenas ver água caindo do céu.

Nada mais simples, nada mais grandioso.

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