Vai, rapaz. Atrevesse!

Ele está sempre no ponto em que pego o ônibus para ir ao trabalho. Como eu, pela manhã, parece estar meio zonzo de sono ainda. Ontem cedo, ao tentar atravessar a rua, quase foi atropelado. Baixinho, dei um daqueles assobios característicos para chamá-lo e ele voltou, sem ainda perceber de onde assobiavam. Quando percebi que ia tentar novamente, com a avenida ainda cheia de carros, assobiei mais alto e ele veio para perto de mim. Ficou me olhando, como esperando um sinal. Ao perceber que o semáforo de baixo havia fechado, disse em um tom no qual os seres humanos não podiam ouvir, mas alto o suficiente para que ele me obedecesse: “Vai, rapaz. Atravesse!”. Prontamente ele deu as costas para mim e, trotando, atravessou as duas partes da avenida, são e salvo.

Não acredito que eles saibam o que falamos, mas que entendem… ah sim, eles entendem.

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