As melhores cochiladas

que já tirei na vida.
[Porque a gente ‘tira um cochilo’, né?]

Uma coisa que gosto muito é de dormir. Eu e meu irmão, o Gui, temos uma lista das 3 melhores cochiladas que tivemos/tiramos na vida. Interessante que nas três estávamos juntos, ou seja, é a mesma lista. Interessante também que ele não é um cara muito ligado ao sono.

3 – Casa da tia Maria

Típica viagem em família. Papai, mamãe, eu e Gui. Fomos para Minas Gerais e em comemoração de aniversário de casamento deles, decidimos [eles decidiram] subir o Pico da Bandeira. É o 3º ponto mais alto do Brasil e tem acesso pelo Espírito Santo também. Mas como Minas é a terrinha de meu pai, é por lá que fomos. A trilha é bem sinalizada e por isso, não muito perigosa. Porém, é muito íngreme e longa. Subimos cedinho e só descemos no final do dia. A pressão dá uma alterada, coisa e tal. No dia seguinte, fomos para a cidade que meu pai nasceu, bem pequena, um clássico do interior. Chegamos de surpresa na casa de tia Maria. Assim, de sopetão, ela não pôde preparar um almoço para as visitas, como gostaria. Só tinha arroz, feijão, frango assado, frango frito, carne [super macia], lingüiça, macarrão, batata frita, batata assada, couve, repolho, angu, polenta, tomate, alface, cebola, suco de laranja e Coca-Cola. Eu e Gui, para não fazermos desfeita, lambemos nossos pratos. E as tigelas. E as panelas. De sobremesa teve apenas uns 5 tipos diferentes de doces de compota, doce-de-leite, queijo branco, etc. Quando estávamos praticamente deitados na mesa, meio de lado, tia Maria, O Anjo, disse “Vocês não querem deitar um poquinho aqui?”. Abriu a Porta da Esperança, digo, a porta do quarto de visitas, e nos apresentou o que seria o local de nossa 3º melhor cochilada da vida: duas camas com mantas quentinhas, em um quarto super silencioso, com uma cortina que deixava o quarto em um clima que só de olhar, a gente já roncava. Deitar, se esticar e dizer ao mesmo tempo “Aaahhh” foi a última coisa que fizemos antes de deitarmos e termos uma das melhores experiências soníferas do mundo.

2 – Ilha Grande

Outro aniversário de casamento, mas dessa vez de nosso tio, irmão de meu pai. Além da família de meu tio, fomos eu, Gui e o Alisson, nosso primo. A viagem de carro, de São Paulo à Ilha Grande é uma história à parte. Acho que o Gui pode dizer que nesse dia levou um dos maiores sustos na vida e eu, uma das vezes em que mais chorei de rir. Enfim, chegamos em Angra depois do almoço, esperamos o próximo barco para a ilha e quando chegamos lá, já era finalzinho da tarde, mas ainda com sol. Jogamos um pouco de bola com uns ingleses [humilhamos] e depois um mergulho no mar. No dia seguinte, havia um passeio de escuna marcado para logo cedo. O dia estava bonito, de sol. Mergulhamos em alto mar, almoçamos com o pé na areia e começamos a perceber o mau tempo que formava. Na volta, nosso barco balançou mais do que coqueteleira em aniversário de barman. Com o tempo totalmente fechado, a temperatura caiu de 30 para 15ºC [essa era a sensação] e, sendo uma escuna, não havia aonde ficarmos para nos proteger. Passamos todos muito mal e, de volta à ilha, gelados da chuva e do vento frio, descobrimos que não havia energia em quase toda a ilha. Chegamos na pousada e nos esquentamos com um banho gelado. Todos capotaram e dormimos por algumas horas. Sabe aquela sensação de acordar no finalzinho da tarde, meio no lusco-fusco, quando ainda não está de noite, mas já não se enxergar tão bem, e ficar meio desorientado? “Que dia é hoje? Estamos vivos? Aqui é Plutão?”. Acordei e aquela sensação gostosa de sonho continuou. Levantei e vi que do quarto tinham saído algumas pessoas e outras ainda estavam lá. Não consegui identificar nenhuma. Vesti uma roupa mais quente e fui em direção ao centro de Abrãozinho. Não sei o porque, mas sabia que era para lá que deveria ir. Ao chegar, vi meus primos. Ficamos sem conversar, só olhando o movimento e a noite escurecendo de fato o ambiente. Ali no centro havia energia, então praticamente todo mundo foi pra lá. Passado algum tempinho, chegou o resto da família, sem ninguém se avisar onde encontrar. Parecia que todo mundo sabia para onde deveria ir e aonde os outros estariam. Não foi preciso ninguém ligar no celular do outro. Essa sensação de ‘estamos no lugar certo, na hora certa’, durou o resto da noite e acredito que o motivo disso tenha sido aquela cochilada da tarde, logo após nosso senso de ‘horizontal’ e ‘vertical’ terem se misturado um pouco.

1 – Santos
Mais uma vez, eu, Gui e família. Dessa vez teve um primo também, o André. De Floripa, ele estava em São Paulo para passar um período das férias. Isso que é amor. Enfim, um sábado meu pai sugeriu que fossemos para Santos comer um peixe. Me amarro em programas assim. Um amigo dele tinha um apartamento disponível por lá, e poderíamos passar o dia lá. Descemos a serra, almoçamos o peixe e depois fomos para o apartamento. Eu mencionei que era sábado? Então, ao sábados, naquela época, passava na Cultura uns filmes muito antigaços, brasileiros. O que passava naquele dia era algum do Grande Otelo, sem trilha sonora, com aquele sonzinho de filme velho, sabe? Ou seja: a barriga estava cheia, a pressão tinha caído devido a descida para o nível do mar e um filme de quando minha avó estava sendo concebida passava na TV. Sem exagero ou floreamento para o texto ficar legal, a gente tentava acordar e não conseguia. Eu dava meio que uma despertada, fazia um esforço absurdo para levantar a cabeça e não conseguia! Desabava de novo no sofá e dormia por mais um tempo. Foi muito bizarro, tentar levantar/acordar e não conseguir, mas justamente por isso, foi o melhor cochilo que já tirei em toda a minha vida.

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4 Respostas para “As melhores cochiladas

  1. Você é um cara estranho.

  2. Ahhhh! Agora conta o susto do Gui que eu quero morrer de rir tb!

  3. Hahahahahaha, muito bom!

    Eu não tenho cochilos bons. Mas tenho dois épicos: um na porta do metrô Santa Cecília e outro no banco da quadra onde eu mor… 😛

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