A big hard sun

There’s a big
A big hard sun
Beating on the big people
In a big hard World
¹
[Para ler ouvindo]

Passei a andar olhando para cima. Na rua em que mais sigo reto há diversas árvores. Por maiores que sejam suas copas, ainda é possível perceber o sol por detrás delas. A sombra, mesmo com espaços onde bate sol, é refrescante. O brilho do Astro Rei ofusca mesmo que olhado por entre a folhagem. De repente, uma sombra fria e distante aparece. Claramente é possível distinguir onde começa e termina. É calculada. Não há sinal do sol, só sabemos que está de dia.

O homem cria, ‘evolui’ e se afasta de sua natureza e da Natureza. Os prédios não interagem com o sol, o vento e a chuva. O concreto é utilizado para isolar a humanidade dessas ações naturais. O som do vento balançando as folhas de uma árvore é uma atração tremenda e não há música da Enya ou óleos e sais que consigam tranqüilizar da mesma maneira.

A terra absorve o calor do sol. As folhas fazem sua fotossíntese tendo como fonte a luz solar. E os cachorrinhos das madames usam pantufas, para que seus pés não fiquem molhados quando chove ou se incomodem quando está quente.

Se proteger da chuva embaixo de uma árvore é perigoso, mas te faz sentir vivo e ‘natural’. Várias gotas te atingirão, mas a chuva foi feita para isso mesmo. Hidratar. Limpar. Renovar. Protegido pelo concreto, ou pelo metal do carro, em um ambiente climatizado – seja com ar-condicionado ou aquecedor – o homem esquece de como ser Homem e fica perplexo quando tufões, temporais e secas nos fazem lembrar, à força, que a Natureza não faz mais parte de nossa natureza.

Olhe para cima. Sinta o sol, cheire a chuva, suje-se na grama e pise na lama.

¹Letra e música de Eddie Vedder, para a trilha do filme “Na Natureza Selvagem”.

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Uma resposta para “A big hard sun

  1. Oi Gabriel,
    Tudo bem?
    Não se você vai lembrar de mim, mas estudei jornalismo com você no Mackenzie.
    Estou trabalhando em uma revista que tem uma seção de crônicas. Nesta edição, a editora quer abrir o espaço para pessoas que quisessem publicar. Pensei em você na mesma hora, pois lembrei que você gostava de escrever.
    Se tiver interesse manda um e-mail para mim.
    Beijos!
    Rê Nantes

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