Sonhava com algo brega todas as noites

No ponto de ônibus, ela viu a moça acenando, como quem diz “Pode ir. O ônibus já vai chegar”. A tristeza da moça era essa. Não queria ser levada para longe. Muito menos ele, que aguardava no carro, queria que ela fosse tirada de si. Acenou 1, 2 e 3 vezes. “Vá. Estou bem. Logo estarei dentro do ônibus”. Pela janela do carro ele olhava apaixonadamente e não ia embora de jeito nenhum. A que observava não sabia se era para constranger ou se era sincero, mas a moça passou a beijar a palma da mão e a assoprar os beijos em direção ao carro. Tinha certeza que eles atravessariam o vidro. “Que brega”, pensou a espectadora. Sentiu vergonha alheia quando viu o rapaz pegar os beijos e guardá-los.

Ele não agüentou. Correu em direção ao ponto, abraçou a moça e ficou beijando-a por alguns minutos. A que acompanhou toda a cena, pensou como seria bom se alguém a olhasse daquele jeito e pegasse seus beijos bregas no ar. Ele deu um último abraço, um beijo na boca e um na testa. A lágrima caiu dos olhos da que observava. Sonhava com algo brega todas as noites.

[Deu branco pro texto e uma pequena flor observadora me ajudou dessa vez.]

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Uma resposta para “Sonhava com algo brega todas as noites

  1. Que coisa linda.

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