Camarada nos olhos dos outros…

– Cara, entra no site tal e vota em mim! Quem tiver mais votos, ganha um picolé de limão!
– Hum, mas o que é o concurso?
– Ah, a gente tinha que fazer um vídeo nosso, dizendo porque merecemos um picolé de limão e não de jiló…
– Saquei. E teu vídeo, qual é?
– Esse aqui, ó!! Vota lá em mim!! Prometo te dar um teco do sorvete!!!
– Não, obrigado… deixa eu ver.

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– Olha, desculpe, mas não votei em você. Votei naquele tal de B. Gates, com um vídeo sensacional…
– P***a!!! Como assim?!?! Por que não votou em mim?! Sou teu amigo, caramba.
– O dele tava bem melhor.
– Mas cara… desse jeito eu não vou ganhar! Era na camaradagem!!
– OK, como seu camarada então te digo: esforçe-se mais que talvez um dia você ganhe o concurso. Quem sabe, até o meu voto.

FIM [da amizade, às vezes]

Eu sou chato [óóó… agora diga algo novo]. E sei que, durante muito tempo, fui um cara intransigente. Ou, pelo menos, cobrava isso das pessoas. Quando a gente cobra muito dos outros, a gente acaba se cobrando também, perdendo aquela flexibilidade indispensável para viver. Sim, para viver, temos que ser flexíveis. Caso contrário, você não viverá. Será apenas uma luta, já perdida, contra o mundo e contra si mesmo.

Enfim, sei que já fui muito [e ainda sou] radical e inflexível. Mas diversas coisas me ensinaram a relaxar um pouco mais, não levar tudo tão a sério. Eu ainda sofro com isso, pois ainda estou aprendendo a ser rígido na hora certa e deixar pra lá na melhor hora. Mas com certas coisas, eu não consigo.

Uma delas é o exemplo da pequena conversa fictícia que abre o texto. É fictícia pois essa exata nunca occoreu. Mas troque o prêmio, a participação e o vencedor, e isso torna-se uma fórmula. Quantas e quantas vezes amigos vieram pedir para que eu votasse neles, para que pudessem ganhar algo. Até mesmo o “Pô, cara… fala bem de mim pra ela” e o mané é um dos amigos mais cachorros e cafajestes que tinha. Pô, como amigo, sensacional. Como alguém que eu digo pra guria “Esse eu recomendo”, esquece.

Só que muita gente não entende isso. As pessoas ficam revoltadas, acham que você não está sendo truta, está de má vontade e chegam a brigar com você e a te xingar. No fundo, não percebem que eu apenas estou fazendo um bem pra elas. Cresceram achando que a vida era isso: um concurso de quem faz melhor, mas que o que vai te levar a ser reconhecido como tal não é o produto que você tem para dizer “Eu acho que sou melhor por isso”, mas apenas um Orkut inflado, com 897 amigos, que você mal conhece.

Caramba, se o concurso fosse “O que tiver mais amigos, tias, primos, etc, para votar nele quando ele implorar”, OK. Mas a idéia é outra. Ouso dizer que uma das razões para o Brasil ser o que é, é exatamente essa prática. E não falo da corrupção graúda, mas nas pequenas coisas mesmo. Aquilo que a gente chama de ‘cultura brasileira’. É o jeitinho de se dar bem, mesmo que você não seja o melhor ou mais apto para aquilo. Mas como tem muitos conhecidos, acaba levando, na camaradagem.

Por isso, se eu recomendo algo, é porque acredito e gosto daquilo. Os blogs que indico, podem até ser de amigos, mas eu indicaria de qualquer maneira. Se te indico para algum trabalho, é porque eu te contrataria.

Ou seja, se algum dia você ficou chateado[a] comigo por causa disso, não fique. Saiba que você tem um amigo que é extremamente fiel aos seus princípios. Quem não quer ser amigo de um cara assim? [ o/ eeeuuu ].

Agora, se você quiser ficar magoado por causa desse meu jeito e deixar de falar comigo por causa disso, OK. Só que aí eu não vou apenas não-votar em você. Vou fazer campanha para que ninguém vote em você.

Eu mudei. Mas não tanto. [uuuuaaaaahahahahaha </risada maquiavélica>]

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4 Respostas para “Camarada nos olhos dos outros…

  1. rs… boa.
    só não consegui descobrir quem é,
    mas,
    quem quer que seja,
    é dos meus…
    hihihi-hoho

  2. é, alguém q pensa como eu.

  3. Pelo blog da Clara, aterrissei aqui…e gostei do que vi… mais do que isso , me identifiquei com oque li..Principalmente esse aqui.
    A sinceridade pode custar uns pesos as vezes, mas há quem compreenda. E assim vou vivendo.

  4. demais, galera, demais.

    ainda mais que essa história de viver vai ficando mais interessante a cada dia. 😀

    então, que a camaradagem seja mais sincera que a pura e simples brodagem. essa um dia pára de valer. 🙂

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