A sua mãe deve gostar muito de você

Estava falando ao celular e contando meus problemas. Ao atravessar a rua, quase chegando ao outro lado, você não hesitou em interromper minha ligação e, com olhar triste, não pediu, mas implorou “Por favor, atrevesse a rua comigo?” Estranhei você ter esperado eu chegar, pois umas 10 pessoas passaram por você antes de mim, mas também não hesitei e disse para o celular “Querida, só um minuto, já falamos”. Coloquei o aparelho no bolso, ainda ligado [faço ligações gratuitas para ela] e dei o braço a você. Comecei a andar rápido, no meu pique de atravessar uma rua. Dois passos depois, percebi que estava te puxando e pensei “Mané. Você está com uma senhora no braço. Pode levar o tempo necessário para atravessar, o tempo que ela precisar”.

– Muito obrigada, viu, meu filho?
– Que isso, precisa agradecer não…. qual o nome da senhora?
– Dalva.
– Então, Dª Dalva, nem precisa agradecer.
– Ai, mas você está sendo tão bom. Muito obrigada.
– Dª Dalva, sério. Não tem nada demais. A senhora precisava de ajuda e eu estava disponível para ajudá-la. Não é nada demais, nenhum sacrifício. Fique tranqüila.

Cheguei com você ao outro lado. Mais uma vez, como se algo maravilhoso tivesse acontecido, a senhora insistiu em agradecer, deixando-me desconcertado: “Meu filho, muito obrigada. Você é muito bom. A sua mãe deve gostar muito de você”.

Eu é que agradeço, Dª Dalva.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s