Os loucos e estranhos me fascinam

De terno, gravata e sapatos lustrados aquele homem só olha para baixo. Parece incomodado com alguma coisa. Vejo sua cabeça chacoalhando veloz, de um lado para o outro, como se dissesse “Nãonãonãonãonãonão!” A partir de então, não consigo mais deixar de observar [os loucos e estranhos me fascinam] e, minutos depois, percebo que o movimento da cabeça do moço é para desarrumar sua franja que cai sobre a testa e olhos, para logo em seguida arrumá-la milimetricamente de acordo com o que acha estar OK. Passa alguns segundos alisando-a, deixando o cabelo entre os nós de seus dedos e utilizando a ponta deles para colocá-la de foma que se sinta satisfeito. Quanto mais em cima dos olhos, melhor. Quanto mais escorrida na testa, melhor. Observo por mais um tempo e nem cinco minutos depois, o processo se repete. Cabeça chacoalhando, dedos ‘desarrumando’ a franja, para ser alisada depois, pelo mesmos dedos do rapaz.

Nos intervalos dos movimentos frenéticos, o garoto de terno e gravata alisa um bigode ralo, quase invisível, que insiste em não crescer.

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