Eles dormem onde eu piso

Eles não têm assento reservado ou fila preferencial. Não têm direito à meia-entrada, nem contam com uma passeata ou Parada reivindicando seus direitos. Não são mencionados em nenhuma campanha eleitoral, na pregação dominical ou na prece matinal. Não entram no censo do IBGE, pois são recenseados apenas os moradores em domicílios particulares e coletivos. Domicílio? Eles dormem no chão, na calçada e na rua. Eles dormem onde a gente pisa, cospe, joga o resto de guaraná fora e vomita quando está de ressaca.

Fotos deles fazem sucesso. São expostas em salões inaugurados com pomposos vernissages. Do lado de dentro brindam com champagne, discutem o problema dos sem-teto, depois dormem embriagados com vinhos caros e cheirando a charuto cubano. Ele, o retratado, espera o último convidado sair para conseguir um pequeno espaço embaixo da marquise e não molhar a caixa de uma televisão de plasma de 42″, seu colchão.

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2 Respostas para “Eles dormem onde eu piso

  1. Muita boa a crônica, este desabafo.Te linkamos no nosso, pois diferente das galerias, queremos mostrar a ausência do Estado para com as pessoas.Pessoas hoje, mendigos.

  2. Muita boa a crônica, este desabafo.Te linkamos no nosso, pois diferente das galerias, queremos mostrar a ausência do Estado para com as pessoas.Pessoas hoje, mendigos.

    http://aosenhorestado.wordpress.com/

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