Cadernos

Vou ser honesto.
O texto é longo.
Um tratado, diria Saramago.
Então se prepare…

Para quem escreve, certas coisas são sagradas. E profanas. Cadernos, por exemplo, envolvem esses dois conceitos.

Lembro de mim [óóó] na 1ª série e os famigerados ‘diários’. Não, eu não tinha um “Querido diário”. O Mackenzie sempre se orgulhou por ser um Colégio Americano. Algumas [várias] coisas eram baseadas nos valores, princípios e culturas do país que elegeu Barack Obama. Por isso só fui ter futebol na Educação Física lá pro ginásio. Como o futebol [de salão] não é esporte olímpico, o Mackenzie não o incluía em sua grade de esportes. Legal, né?

Enfim, os professores obrigavam-nos a ter nossos diários. Era um caderno de capa dura, com linhas. Só. Lá, tínhamos que anotar as tarefas da próxima aula. No primário, tirando artes e Ed. Física, era a mesma professora para todas as matérias. Então a nossa única ‘diversão’ na hora de escrever no diário era trocá-lo com alguém. Todo mundo queria ter a letra da Isabela grafada em seu diário. Meninos e meninas. Ela era esse tipo de guria. O Gustavo, um dos moleques mais nerds que já conheci na vida, era o maior puxa-saco e mais paga-pau de Isabela. Eu já era meio nerd também, mas eu sempre fui um nerd às avessas. Tocava o terror na sala de aula, brigava pra sair na porrada, sentava no fundão, não estudava e muito menos fazia lição de casa. Como eu me formei [do pré à faculdade] sem nunca pegar recuperação ou DP e consegui entrar em dois mestrados [e depois largá-los], acho que nem meus pais explicam. O caso é que eu não era o Gustavo. Nunca fui e nunca serei [até que ele era um cara bacana]. Mas me irritava o fato dele sempre conseguir trocar diário com a Isabela, sendo bonzinho daquele jeito [será que era isso?]. O fato é que um dia eu consegui. Seria legal ter aqui como é que isso aconteceu, não? Pois é, não lembro. Como eu conheci tanta mulher [e casei com a mais linda delas (óóónnn)] também é um mistério. Nunca tive muita tática. Nem para os estudos, nem para as mulheres.

No fim das contas, acho que as mulheres e os estudos são parecidos. Por mais que inventem fórmulas e tentam decifrá-los, sempre tem um ou outro que obtém sucesso e ninguém explica como. [Prazer, Gabriel].

No colegial começou a tortura: um professor para cada matéria. Como todo pré-adolescente, eu queria aquele cadernão, com as divisórias. Mas umas acabavam muito antes que as outras. Alguma matérias pediam 5 páginas por aula. Outras, 5 páginas por mês. Andar com 2 – 3 cadernões não era a solução mais prática.

Só fui equacionar esse problema na faculdade. Na verdade, acho que foi um pouco antes, pois já cheguei com essa tática sedimentada na universidade. Para variar, não lembro quando e como. A estratégia: um cadernão, mas sem divisórias. Arrancava todas as divisórias e começava a escrever. Primeiro dia de aula, primeira disciplina: Teoria da Comunicação 1. Era na primeira página. Semiótica da Cultura 1, segunda aula. Passava um risco na linha de baixo de onde tinha terminado TC1 e emendava as anotações da aula seguinte. Eu tive um caderno por semestre. Todas as matérias compiladas em um. E uma atrás da outra, divididas apenas por um risco.

Por incrível que pareça, essa foi a solução para meus problemas. O caos dos meus cadernos é que fez eu conseguir estudar. Aquela bagunça foi o quando parei e pensei “Agora sim”. Lógico, meus colegas odiavam isso, quando pediam meu caderno para xerocar e poder estudar com base nele. Mas era um preço a se pagar. Eu não anotava apenas o que os professores falavam. Eu já colocava ali as minhas considerações, já colocava a informação processada… mastigada e digerida. Era a minha interpretação daquelas teorias, no caderno. Em Semiótica a gente aprende que o caos é benéfico ao homem. Uma situação caótica [um problema, uma crise] obriga o homem a se reorganizar, sair da zona de conforto, se esforçar para sair daquilo. Passado o caos, ele ‘subiu’ um nível. Se reorganizou de uma forma inédita, cresceu como ser humano. Se acomoda até que um novo caos o tire da zona de conforto.

Acho que o caos em meus cadernos era o que me fazia ter paz nos estudos. Eu não funciono separado, em divisões. Não sou linear. Leio algo aqui e pulo 2 – 3 páginas até encontrar novamente meu assunto. E meus assuntos se misturam. Tudo acontece ao mesmo tempo agora. Não dá para separar algo tão mesclado. Talvez, por isso, gostasse de ter meus cadernos assim e só dessa forma consegui me organizar para estudar… no caos.

Update: atualmente, ando com um caderninho na mochila, inseparável. Para anotar idéias e coisas que ouço e acho interessante. No esquema tudo-junto-agora. Sem divisórias. E tenho um pseudo-Moleskine, do Batman, onde tenho anotado frases que penso [e considero bacanas], lista de DVDs e livros emprestados aos amigos e nas últimas páginas, contatos importantes.

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2 Respostas para “Cadernos

  1. Óooounnnn… que marido apaixonado!

    É… eu bem me lembro do seu caderno. Uma zona! Só não deve ser mais confuso do que morar na sua cabeça.

  2. aaaaaah que máááximo!
    adorei o post.

    se antes eu já tinha a idéia de que você parecia confuso em alguns aspectos, embora super claros pra você, agora eu tenho certeeeeeeza!!!rsrs

    eu não chego a ser Isabela…mas acho minha letra bonita e sou organizada..[pelo menos nos estudos…rsrsrs]

    oooutro!

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