Rayfay

Eram 10h da manhã. Pedi um pão na chapa e uma média. Em casa não tinha mais nada pra comer, então fui para o trabalho de barriga vazia. Na Dr. Arnaldo tem um boteco/bar/lanchonete que conta com uma frequência elevada de pedreiros. Na rua de trás estão construindo dois prédios, então é o preferido deles. O cara pegou a metade do pão e jogou na chapa, sem passar manteiga ou margarina. Pensei que fosse fazer isso depois, mas me entregou direto da chapa. Olhei o pão e aquele amarelinho de manteiga. A primeira coisa que pensei: “Rapaz, essa chapa tá engordurada mesmo… nem precisa mais passar a manteiga!”. Depois, percebi que o chapeiro deixa todos os pães já cortadinhos e com a quantidade devida de manteiga na canoa. Menos mal.

Se você já trabalhou em alguma obra ou fábrica, sabe que o almoço sai cedo. No meu caso, foi uma fábrica. Entrava 7h30, mas meus amigos do ‘chão da fábrica’ entravam 6h. Ou seja, 10h eles já estavam almoçando. A gente sempre acha cedo, mas pense em alguém que entra às 9h no trabalho. Às 13h, no máximo, estará com fome suficiente para almoçar. O mesmo para eles: nada mais justo que almoçar 4h depois de ter entrado.

Mesmo assim, quando os caras do meu lado no balcão pediram uma porção de torresmo, me embrulhou o estômago. Sorte que a média era boa e dei um gole com o pão molhado. O torresmo que o chapeiro pegou era do tamanho da palma da minha mão que, aberta, tem quase 25cm. Cortou em vários pedacinhos [o torresmo] e serviu. Dois segundos depois, vejo o garçom passar uma Skol para um cara. Garrafa de 600ml, 10h da manhã. OK, já não era mais 10h. O relógio marcava 10h10, como nas propagandas. Olhei as garrafas dispostas no alto do bar e me chamou a atenção um Johnnie Walker Black Label lacrada. O menu na parede dizia “Wiski – R$ 8”. Não sei se era o Black Label, mas um dia eu arrisco.

Mas o que demorei a entender era a bebida identificada como “Rayfay”. Reifei? Não. Hi-fi, meu amigo, aquela mistura de suco de laranja com vodca. Ou Fanta com cachaça, que sai mais barato. Acredito piamente que você só se torna um ser humano completo quando já passou por bares/botecos/lanchonetes assim. É como diz o Gui, meu irmão: “Brasileiro que não come PF [prato feito] é igual a francês que toma banho”. Existem, mas não são dignos da nacionalidade que carregam.

ps. Antes que me acusem de discriminação racial com franceses, o Gui tem um amigo francês, que confirmou a teoria mundial com relação aos hábitos de higiene de seu povo.

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3 Respostas para “Rayfay

  1. Gostei da sua prosa 🙂

  2. rs.!

    Nem sei como vim parar aqui, mas não sei por que simpatizei me muito com vossa pessoa rs.

    Adoreio texto.

  3. Ô my good! ta ai mais uma mim xamam de ray minha amiga fay .quand saimos juntas a bebida ta formada então .mas e claro sco de laranja com vodk porque fanta com kxassa rssssssss e pra outras !!!……………….

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