Nem bombeiro pode apagar

Me segurei o máximo que pude para não falar da já famigerada lei antifumo em São Paulo, mas vamos lá.
Não precisa nem ler. Está na categoria “desabafo”, inclusive.

Alguns fumantes estão revoltados com a proibição de tocarem em frente seus vícios. Eu também ficaria, entendo. Mas vamos fazer um exercício: troque todos os fumantes que você encontra em bares, restaurantes e casas noturnas por onanistas. Agora troque todos os cigarros por… bem, você sabe. Imagine agora que a prática comum da sociedade é ir para esses lugares e quando bate aquela vontadezinha de ‘onanar’, a pessoa simplesmente faz isso do seu lado e o resultado da ação, ela simplesmente despeja em você. Nojento, eu sei, blablabla. Mas é assim que acontece, também, com os cigarros. Aí, o que os onanistas dizem: “Tá incomodado? É só não freqüentar esses lugares”. Se você não quer voltar pra casa se sentindo sujo ou com o cabelo naquela caca [no caso das mulheres] é só não ir aonde os onanistas estão: em todos os bares e casas noturnas que você curte ir. Entendeu a analogia, né?

Desculpem, fumantes, mas reclamar de liberdade cerceada é um pouco ‘tarde demais’. Vivemos em sociedade e há regras e condutas para que ela funcione. Mal e porcamente, concordo, mas de um jeito que vá se tocando o pardieiro. Como é que o governo pode te proibir de fazer algo em lugares privados, não é mesmo?! Privados e públicos, lembremos. A definição de público e privado muitas vezes se mistura e pode confundir. A sua casa é uma propriedade privada. Um bar também, mas não é a SUA propriedade privada. Percebe a diferença?

Ainda sobre essa liberdade cerceada. Viver em sociedade tem dessas merdas, fazer o que? Você não pode simplesmente sair nu na rua, por exemplo. Se bater aquela vontade de fazer sexo, mesmo que a pessoa contigo também queira, você não pode fazer isso, por exemplo, dentro do cinema [Cinemark e afins, no Centro é outra história]. Cinema esse que também é uma propriedade privada. Lembrando, não a sua propriedade privada.

Concordo que a polícia faz vistas grossas a outras mazelas da sociedade, como o tráfico de drogas, prostituição infantil, entre milhares de outras coisas. Mas essa hipocrisia não justifica o discurso do “Então nos deixem em paz”. Se fosse assim, o governo tinha que parar de investir dinheiro na rede pública, porque há desvio dos valores. Que hipocrisia, se tem gente que desvia, porque então continuar investindo dinheiro na rede pública? Esse argumento da hipocrisia é fraco e não se sustenta.

Resumindo, essa discussão não terá fim. É claro que os fumantes não curtiram, pois parece segregação. A Rachel Juraski resumiu o sentimento geral da coisa: “Encontrando uma solução para que fumantes e não fumantes consigam conviver em paz nas baladas, a lei cai”. É isso. É o que eu gostaria também. Eu odeio cheiro de cigarro, mas tenho diversos amigos que fumam. Não gostaria de ser privado da presença deles, mesmo que o cigarro me incomode um absurdo. O problema é que o governo acaba se voltando para os não-fumantes e a idéia não é simplesmente excluir os fumantes. A idéia é o convívio pacífico e harmonioso. Mas aí já é pedir demais para a nossa sociedade, esteja você segurando um cigarro entre os dedos, esteja você apontando o dedo para quem está com o cigarro.

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5 Respostas para “Nem bombeiro pode apagar

  1. ai
    só queria comentar pra deixar registrado que eu gostei do seu texto mas to morta de preguiça de falar algo mais além disso. sabe? de dar minha opinião ou citar as partes que mais gostei.

    mas como eu sempre falo muito, preciso dizer que o fato de vc ter usado a palavra ‘famigerada’ me deu vontade de ler seu texto. não sei pq, ela piscou na hora que eu li.

    entao ta, beijos.

  2. A discussão não tem fim se as pessoas não deixam de pensar em si, porque é só parar pra pensar no que você escreveu, que qualquer um com o mínimo do BOM SENSO compreende a lei.
    É difícil aceitar a proibição do teu vicio.

  3. há bastante tempo, lembro da minha mãe chegar em casa com um panfleto anti-fumo que dizia mais ou menos assim:
    ‘o seu prazer é o cigarro. o resíduo dele é a fumaça. por causa dele eu volto pra casa com a roupa e os cabelos com cheiro de cigarro que eu não gosto e não fumo.
    o meu prazer é tomar um choppinho. o resíduo dele é o meu xixi. posso fazer na sua cabeça?’

    abraços!

  4. É isso aí. Sou fumante mas não tou fazendo mimimi. Só nunca mais vou sair com os amigos não-fumantes porque vou estar fumando e trepando num cinema no centro \o/

    (brincadeiras mil :P)

    Cagando e andando pra lei, vai mudar nada mesmo. Eu já me sentia incomodado de fumar quando tinha gente que não fumava por perto. Não vai mudar uma vírgula.

  5. Mas é lógico que a melhor solução é sempre o meio termo, a forma pacífica e amigável de se viver em sociedade. O que me emputece não é colocar uma restrição ao direito de fumar, mas simplesmente banir fumantes de forma que se crie uma rivalidade bastante indesejada entre quem fuma e quem não. O equilíbrio das liberdades públicas deve existir, já que alguns direitos em determinado contexto devem prevalecer sobre outros. Equilíbrio, não extremismo.
    E sim, eu entendo o conceito de privado meu, e privado público e há diferenças óbvias entre eles. No meu caso foi mais um desabafo semi bêbado mesmo. Aquilo que a gente acha que no final nem vai acontecer e quando acontece, dá um certo desapontamento. Nem sempre é fácil se adaptar a uma nova situação, certo?
    De qualquer modo, vou continuar defendo o direito do meio termo. Lugares para quem fuma deve existir, especialmente em bares e discotecas. Não ligo se não puder fumar em lugares como fórum, hostpital, shopping, restaurante. Mas cerveja sem cigarro, só quem fuma e bebe sabe o quanto é ruim.

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