1+1=?

Já reparou que quando você compra aquele tênis vermelho, começa a reparar o quanto de gente usa tênis vermelho? Ou quando você viaja para algum lugar e depois percebe o quanto se fala nele? Quando a gente casa não é diferente. Você começa a prestar atenção nas conversas ao seu lado e se dá conta do quanto as pessoas falam sobre seus casamentos.

Estava comendo em uma praça de alimentação e as duas amigas ao meu lado conversavam. Uma delas reclamava alguma coisa de seu companheiro / namorado / noivo / marido. Era um detalhe, mas não deixa de ser algo muito comum de acontecer.

O que reparei é o costume que há em se reclamar do seu cônjuge. Seja um casal hetero ou homossexual. Parece que a aliança na mão esquerda não é o suficiente para mostrar que a pessoa está em um relacionamento de casamento, ou nos moldes dele.

Muito já foi dito sobre a crise da família, como instituição e tudo mais. Não há uma causa. Não há um motivo único a ser acusado. Mas tenho visto [e aprendido] que algumas coisas contribuem para enfraquecer esses relacionamentos.

Um deles é a falta de cumplicidade que há entre os casais. Alguém certa vez me disse que a cumplicidade era algo a ser buscado por aqueles que queriam ter um relacionamento completo, com todas as suas vantagens e desvantagens. Uma mistura de Bonnie & Clyde com Lois & Clark. Assumi isso como uma coisa a ser exercitada constantemente.

Claro que, justamente por isso, não é algo fácil. A cultura de ‘homens x mulheres’ é muito forte. Quantas vezes você não viu uma guria dizer “Bah, eles não prestam… estou do seu lado, amiga”? Parece que as mulheres são eternas inimigas dos homens e que nós somos um vírus a ser combatido. Eu, por exemplo, me proibi de participar de jogos do tipo Imagem & Ação, com times de ‘homens x mulheres’. Perco o controle.

Acredito ser necessária a consciência de que a pessoa que mora comigo não é minha inimiga. É minha cúmplice. Se estamos na lama, estamos na lama juntos. Se estamos no caos, estamos no caos juntos. Se estamos vencendo, vencemos juntos. A pessoa que vive comigo é a que mais preciso ao meu lado, me apoiando e me lembrando das coisas que valhem a pena. Proponho que baixemos a guarda, assumamos a decisão de partilharmos nossa vida ao lado de alguém e sejamos cúmplices, um do outro.

O jogo ‘homens x mulheres’ é uma enganação, uma ilusão. Quando se decide viver com alguém, só existe “Nós x O Resto do Mundo”.
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texto publicado originalmente na coluna Miudezas.

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3 Respostas para “1+1=?

  1. esforço perpétuo 🙂 vale enquanto vale.

  2. Mas digamos que eu pense assim… quem garante a minha “cúmplice” não é uma das amigas falando mal de mim na praça de alimentação?
    Eu não penso nisso como uma disputa “homens x mulheres” mas uma disputa de “eu x o resto do mundo”. O nós só valeria se houvesse confiança plena, se o amor pudesse mesmo transformar 2 em um. Mas acho que hoje em dia todo mundo confia desconfiando… mesmo daquela pessoa com quem escolhemos viver.

    • mas gerônimo, a base toda do texto é justamente quando já houve a decisão de se levar uma vida transformada de 2 em 1. “eu x o resto do mundo” deixa de existir no momento em que você decide se tornar um “nós”. não é todo mundo que decide isso ou quer. é só uma proposta de vida. mas, à partir do momento que você escolheu essa proposta, se não encarar como “nós x o resto do mundo”, será insuportável essa vida. desejar uma vida de “eu x o mundo” sendo que escolheu a proposta do “nós x o mundo”. 😉

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