Mentira

foto: Oscar Segovia

Sábado, 16h. Alô?, Opa, rapaz, beleza?, Tranquilo e você?, Tudo certo… me diz, está fazendo o que?, Nada. Mentira. Quer dizer, as chances de ser mentira são altíssimas. Claro que a intenção da pessoa não é mentir, porém, não se faz ‘nada’, tão simples assim. Principalmente nas grandes cidades. Assistir televisão, varrer a casa, responder emails, ler alguns blogs, ler um livro, assistir um filme, tudo isso [e mais um pouco] virou sinônimo de não fazer nada. Mas há quanto tempo você não faz nada, pra valer?

Sentar em algum canto, na grama, em cima do morro e não pensar em nada. Não se preocupar com nada. Não planejar, não lembrar, não se organizar, não programar, não se angustiar, não projetar nada. Nada. Só estar ali e ponto. A tentativa de não pensar em nada pode ser uma armadilha, como a insônia. Quanto mais se pensa “preciso dormir, preciso dormir, preciso dormir”, menor a probabilidade disso acontecer.

É difícil. Se estamos parados, tentamos ocupar nossa mente com algo. Música, novela ou simplesmente ficar mudando de canal. Acabamos não pensando em nada, mas ocupamos nossa mente com algo. Ela não para. Quando tentamos deixar apenas o corpo em movimento para também não pensar em nada, estamos ocupados com algo, inevitavelmente. Seja caminhando do trabalho para casa, seja correndo no parque ou jogando bola. Não é o tempo que não para. Somos nós.

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Texto publicado originalmente na coluna Miudezas, da Revista Paradoxo.

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