Minhas férias

A professora Márcia que há dentro de mim, desde a 5ª série, não deixa de me pedir uma redação “Conte suas férias”. Primeiro que, inacreditavelmente, consegui 20 dias de descanso. Não me pergunte como. Eu até sei, mas não vou sair por aí contando meus segredos, né?

Aquela coisa de jornalista que usa internet praticamente o dia todo, além de tê-la no celular, foi a melhor coisa de não ter. Acessei emails algumas vezes e esqueci que existiam algumas coisas na web. Rede mesmo, só a dos pescadores. Pescadores esses que, filosofei por esse período, têm uma vida absolutamente alheia à nossa. E digo isso de forma positiva. Sabe tudo isso que inunda nossa [minha] mente? Internet, MSN, Bankline pra pagar conta, trânsito, supermercado, notícia ruim no Jornal Nacional etc? Para ele, é o mar, o tempo [aberto ou nublado], a rede e o barco. Tudo o que ele depende está ali, na frente dele. Olhar as condições do mar, dar uma checada no vento, nuvens e pronto. Jogar a rede e esperar. Uma coisa bem “O Velho e o Mar”, do Hemingway. Que, aliás, se você não o leu, leia. Se leu e não gostou, leia de novo. Talvez você não tivesse a idade [ou experiência de vida] suficiente para gostar dele.

Falando nisso, indico um dos melhores livros da década: “O Homem que Confundiu sua Mulher com um Chapéu”, do Oliver Sacks. Li na faculdade [jornalismo] , mas serve também para quem é músico, psicólogo ou ser humano. Sim, para qualquer ser humano, é um excelente livro. Sacks é um neurocientista, contando histórias de pacientes que sofrem de alguma ‘deficiência’ neurológica.

A propósito, ponderei nessas férias também que contar histórias é o que nos faz mais humanos, mais próximos uns dos outros. Ouvir relatos de algo que poderia ter acontecido conosco, ou que, justamente, também aconteceu em nossas vidas. As histórias trazem o incrível para o terreno e elevam o simples a herói. Tenho um colega que sempre diz: “O que sempre fazemos, jornalistas, é contar histórias. Não importa qual seja sua pauta; se você fala de Economia, Comércio Exterior ou Esportes. Você vai contar como é que a vida da Profª Márcia mudou depois que a taxa de câmbio subiu”.

Por isso crônicas me fascinam tanto. Essa é a razão que me faz lê-las e me fez querer escrevê-las também. Não tenho uma mente capaz de inventar histórias. Gostaria, mas descobri que gosto de ouvir histórias e recontá-las. Conhecer as particularidades de cada pessoa e lê-las como um documentário romanceado.

Foram assim minhas férias, à beira da praia, claro. Ouvindo e conhecendo histórias. Contando algumas outras. Com pessoas que não participam, necessariamente, desse meu cotidiano de jornalista, mas fazem parte quando lêem meus textos e se emocionam. Fazem mais parte ainda quando se transformam naquilo me emociona. Dessa forma, decido escrever, como uma simples forma de agradecimento por dividirem suas vidas comigo.

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2 Respostas para “Minhas férias

  1. lindo Gá!! mto mesmo! mto bom passar as férias com vc! bjo

  2. Fiquei até com vontade de tirar férias da vida louca e viver o algo simples e puro…
    Saudades de pescar a tranquilidade.
    owwwwwww!

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