Branco

O branco. Se não fosse o computador, falaria da angústia da página em branco. Aliás, já parou pra pensar que o Word trouxe para a tela o mesmo formato e ‘design’ de uma folha em branco? É tudo digital, mas ainda o mesmo modelo. Enfim, para mim é a realização de poder escrever em linha reta, em uma folha branca, mas sem linhas. Ao mesmo tempo, o branco não deixa de ser o mesmo. O nada ali. Esperando que você escreva alguma coisa. De preferência, interessante e coerente. Mas nem sempre é possível.

Eu sei, estou ‘imitando’ o Mario Prata, naquela excelente crônica que ele tem sobre ‘o branco’. Precisei de dois parágrafos para fazer o que ele fez em um, mas o branco dele é o mesmo que o meu.

Procuro anotar tudo o que tenho de ideia, mas é difícil quando isso acontece durante o banho, por exemplo, ou no ônibus lotado. Não tem como escrever no vapor do box ou nas janelas do ônibus, que ficam igualmente embaçadas quando chove e está frio.

Antes de me dizer “ande com um bloquinho e uma caneta” saiba que já faço isso. Além do meu celular e seu humilde bloco de notas. Mas não adianta. Minha memória adora tanto me sacanear que eu esqueço de anotar! Tipo, eu precisaria anotar no bloco de notas que não posso esquecer de anotar as idéias! Posso com meu cérebro?

Não sei porquê [claro que sei, falei de cérebro], mas me veio agora falar sobre o House, aquele médico/seriado, sabe? Eu e minha esposa estamos viciados. Já interajo com os personagens e reajo a situações como se estivesse assistindo a um filme dos X-Men. Esse é o nível para saber o quanto me interesso por algo. Choro com os casos dos pacientes, digo pro House que ele é um fanfarrão, fico com raiva dele, peço desculpas por ter ficado com raiva, pois ele estava certo [ele sempre está certo] e tudo mais. Sabe sua tia-avó [pode ser sua tia ou sua avó também] assistindo novela? Pois então, House é minha novela.

Falando nisso, todos temos alguma coisa que criticamos os outros, mas fazemos igual, já percebeu? Criticar alguém que assiste novela, mas ser viciado em gibi ou em algum seriado, não faz sentido. É ‘novela’ também. Assim como reclamar com a esposa que ela está comprando outro sapato, que não precisa, quando você quer um celular novo, que também não precisa. Todo mundo tem sua novela, todo mundo tem seus desejos não necessários.

Já existem sites que prometem ajudá-lo na hora do branco. O Plinky é um deles. Há outros parecidos, mas nada melhor para resolvê-lo do que encarar a folha em branco e escrever o que vier na cabeça. E esperar que os leitores o perdoem por você ter enrolado um texto por alguns parágrafos e não ter dito nada.

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2 Respostas para “Branco

  1. Oi
    (me mata, faz um tempinho que eu não venho aqui).

    Eu tenho constantes brancos. O que me inspira, de fato, são os livros. Acabo construindo várias histórias envolvendo pesonagens de outros, às vezes enviando cartas entre eles… Tudo isso quando já desaprendo a escrever crônica. Funciona.

    Adoro Mário Prata.

    Abraços.

  2. eu nao tenho muito o
    quer falar pq eu sou assim,
    quando me da vontade de escrever
    eu vou la no meu caderno e comerco a fazer
    varios personagens que me vem em mente

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