Ladeiras

Acho incrível a quantidade de publicações que há em uma banca. Às vezes desconfio que chega a ser demais. Uma para cada interesse: esportes, moda, carros etc. As de saúde, dizem, são vendidas na sua maioria para pessoas que não se exercitam. Assim como alguém que gostaria de ter uma vida na montanha, de trilhas e escaladas, compra uma pick up para subir as ladeiras da Vila Madalena.

Em um almoço, é possível ouvir: “Gostaria de ter essa vida e ser assim”, mas poucas são as pessoas que buscam, de fato. A maioria de nós, e me percebo muitas vezes assim, espera a condição existir para depois vivê-la. Exemplo simples: eu queria voltar a fotografar mais, sem ninguém precisar ver, mas esperava voltar a ter tempo para isso. Precisei decidir sair com a câmera mais vezes e o tempo foi criado, não veio, como gostaríamos que fosse (e é como fazemos) o contrário.

O sol vai nascer para a humanidade, para todos, sem depender de mim. Esperar mais do que isso é perigoso. Não há garantias. De todos que passaram por aqui, falaram e ensinaram, não há um dizendo isso. Não dá para fiar-se nisso.

Se eu achar que ao ter uma Kombi serei mais hippie, surfista ou aventureiro do que realmente sou, estarei comprando uma farsa. A van já era útil para quem vivia assim e ela cumpre seu papel, mas ela não me dá um. Esse sou eu que preciso ir atrás e não só descobri-lo, mas eu mesmo escrevê-lo.

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4 Respostas para “Ladeiras

  1. Nós publicitários, incluindo eu e não vc autor desse texto, vendemos esses valores.

    Pode ter ctza que existe muito mais gente quer quer aparecer ser algo do que realmente ser.

    Talvez eu não me inclua na mioria das vezes dentro desse perfil, mas como existe uma fatia grande do mercado assim, ou se preferir, da população, acabamos tendo trabalho.

    Boa foto tb, o texto nem preciso falar.

    Abraço.

  2. Eu não espero nada. Eu faço. Mas também, só quando me vejo pronta, literalmente capacitada para algo. É isso que demora.
    Até hoje, vivo em conflito comigo mesma quanto a publicação de meu primeiro livro. Quero muito, mas pouco me vejo em tal condição.
    Abraço.

  3. Eu queria ter escrito esse texto. Consumi-lo como as revistas.

  4. Assumir um papel diferente é empolgante e desafiador. Às vezes, queremos ter outra vida, mas nossas atitudes não condizem com tal desejo. O sonho fica só no travesseiro. Poucos são aqueles que tem a coragem de refazer uma realidade. Parabéns pelo texto. Muito bom!

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