Só para não deixar a gente entrar

Dessa vez foram dois garis. Perguntei a eles quantas pessoas agradecem o trabalho que fazem. “Vish, vou te dizer que de 20… uma? Nem isso. É muito pouco”.

– Tem gente que desvia da gente, até.
– Como assim?
– A gente vem varrendo a rua e tem gente que quando vê de longe, atravessa a rua, desce da calçada, mas não passa do nosso lado.
– Isso sem contar quem passa e faz questão de mostrar que está tampando o nariz, para não sentir o cheiro do carrinho.
– E para usar banheiro, então? Nossa, muitos bares, muitos mesmo, dizem que o banheiro ta quebrado, que não funciona. Só para não deixar a gente entrar.
– Rapaz… é difícil, viu?

Lembrei de uma matéria que fiz, para o jornalzinho da faculdade, sobre a profissão de garis. Na época (por volta de 2004/2005) o salário deles era de R$ 450. Sempre achei que fosse difícil, só não imaginei que podia ser pior ainda.

Agradeci o trabalho deles, apertei suas mãos desejando um bom dia e continuei.

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4 Respostas para “Só para não deixar a gente entrar

  1. Preconceito, para variar. Embaixo da minha casa, minha tia tem um restaurante. Vários garis almoçam aqui. Faço questão de cumprimentar todos eles, afinal, estão cuidando da nossa incurável ausência de educação.

    Abraços!

  2. esse texto me lembrou o filme de um amigo. dá uma olhada:

  3. Obrigada por esse post…
    É sempre bom quando alguém nos alerta sobre a nossa própria ignorância.

    Abs,

    Adriana

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