1º de abril

Gostava dela desde os 4 anos. Não sei se gostava mesmo, mas nos conhecemos com essa idade e, desde que me entendi por gente, eu queria dizer que ela era minha namorada.

Eu devia estar com uns 16 anos na época. Estava apaixonado e quando perguntado “Mas você é correspondido?”, não sabia dizer. Eu sei, isso só indicaria que não, mas a resposta só parece óbvia. Sendo amigo dela, sabia como ela se comportava quando gostava de alguém: do mesmo jeito quando não gostava de alguém. O inferno.

Mas tive a brilhante ideia: me declarar para ela em um 1º de abril. Não estava longe, então não seria um sofrimento esperar mais um pouco. Se ela dissesse “Oh, que lindo, eu também!”, massa. Se dissesse “Hum… legal.” HA! Primeiro de Abril!

É claro que eu fiz isso. Fui lá, segui a cartilha e na hora do “HA! Primeiro de Abril!” minha voz embargou, pois ela não disse que achava lindo e que também estava apaixonada. “Nossa… não sabia… entendi. Bom, a questão é que” e eu a cortei dizendo que era piada. Foi vacilo, pela ideia, isso ficou claro, mas também por não deixá-la falar, já que minha insegurança berrou mais alto, muito mais alto.

Depois, viemos a namorar. Talvez ela até gostasse de mim naquela época da brincadeira, talvez fosse dizer que também andava pensando sobre isso, não sei. Poderia até finalizar dizendo que não sentia o mesmo. O fato é que eu não soube lidar com essa insegurança (poucos adultos sabem, aliás), ainda mais naquela idade. Tudo bem que quando namoramos foi por dois meses, fiquei mal no término, mas hoje somos amigos, de boa.

Aprendi a lidar com minha insegurança, como aprendi a lidar com outras questões. Tenho aprendido, aliás, que alguns problemas não são resolvidos, apenas aprendemos a lidar com eles.

Não sei se tem uma lição nisso, mas se você quiser uma, eu te dou: não tenha esse tipo de ideia idiota em um 1º de abril.

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5 Respostas para “1º de abril

  1. Ahh, que gracinha :’)

  2. então, eu queria te confessar uma coisa…

    😛

  3. ei, eu coloquei uma língua, não um sorriso!

  4. Tive essa mesma infeliz ideia aos 13 anos, acho. Terminou desse jeito ai, claro. Mas nunca namoramos, muito pelo contrário, até perdemos o contato quando me mudei de escola. Perdemos o contato pra nunca mais o encontrarmos. Dia infernal!

  5. Seria algo como “o teu amor é uma mentira que a minha vaidade quer”.
    E lidar com a insegurança é um aprendizado constante.

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