Carta aberta a Sabine Araújo

(para entender, leia o post dela antes.)

“É como perder alguém”. Interessante como você não pensa no ‘alguém’ até que seja, de fato, alguém para você. Já falei aqui, algumas vezes, sobre isso. Já perdi também todas as músicas do iPod… Sei o que é isso, Bine.

Ctrl+A para selecionar tudo e “delete”, achando que estava apenas em um artista específico, querendo apagar as músicas só dele. Voltei aos afazeres, quase 10 minutos depois ouço o barulhinho do iTunes. Tinha esquecido, estranhei a demora. Fui ver, e zerei meu iPod com 80Gb de música, sem nem poder colocar minhas iniciais no final, igual no fliperama.

Tenho back up de todas elas. Não perdi, de fato, nenhuma música tão importante. Perdi também uma playlist, menos especial que a sua, Bine, mas que ainda assim doeu. Quase chorei. Era a playlist =), assim mesmo, um sorriso, com as músicas que sempre me deixavam bem. Foi mais de ano selecionando cada uma, e incluindo na lista. Mas refiz.

Comparar a perda de alguém (hoje, infelizmente, existe um ‘alguém’ que perdi) com perder músicas seria infante e pequeno demais, sem cabimento até. Mas concordo, Bine, que a música mexe com a gente de um jeito inexplicável, por mais que expliquem. Comove, incendeia, acalma, atiça, desespera e alegra.

Por isso, entendo sua dor em perder essa playlist. São os grandes detalhes, de ter sido feita naquele momento, com aquele intuito e ter servido a você tantas vezes, de diferentes maneiras. “The little things… there’s nothing bigger, is there?”. Maldita ironia, eu sei.

Mas a gente refaz playlists, minha amiga. E sei o que está pensando (e tem razão): nunca serão a mesma coisa. Mesmo que Jansen se esmere em remontar aquela tão especial, de forma fiel, com todas as músicas, talvez elas não fiquem na mesma ordem. Talvez você sinta falta de uma ou duas, mesmo tendo certeza que eram 27 músicas e há 27 músicas ali.

Mas a gente refaz playlists, mesmo sabendo que não serão iguais, ou chegarão aos pés da anterior. Novas canções começam a fazer parte da nossa vida, Bine. A gente começa a gostar de canções antigas, aproveita o momento e exclui outras, ouve uma nova que parece conhecida e ouve conhecidas como se fosse a primeira vez.

“Nunca mais será a mesma coisa” é o que vai martelar, e nunca deixará de ser verdade. A mesma coisa, não mais, mas outras coisas serão. Outras músicas tocarão. Conheceremos novas canções e novas playlists serão criadas. Nem chegarão aos pés daquela, mas nem por isso deixarão de ser importantes.

Se deixe livre para a reconstrução, para novas listas montadas, para novos momentos importantes. Lembrar que “nunca mais será a mesma coisa” é importante: mostra que precisamos, então, de novas coisas, pois as antigas já não temos.

Boa caminhada, guria.

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3 Respostas para “Carta aberta a Sabine Araújo

  1. tinha 162 músicas naquela playlist, lou. jansen é exagerado, tu sabe, né?

    ;*

  2. bah, de vez em quando revisito aquele e este link e ainda me pesa o coraçãozinho, sabe? ai ai..

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