Casar é bom e a gente gosta

O convite que a Apple enviou para a imprensa, chamando-a para o lançamento do novo iPhone, era um primor. Apenas uma imagem com quatro dos principais ícones do celular mais desejado dos últimos anos: o app do iCalendar possuía o número 4 (de outubro, data do lançamento); o ícone do relógio apontava 10h (horário da coletiva); o símbolo do GoogleMaps, a localização da sede da Apple e o ícone do telefone com o número 1, indicando que havia algo novo ali. Mesmo com a saída de Steve Jobs, parece que a máxima da empresa continua sendo: “Se é pra fazer, que faça direito”.

Acredito nisso: se a gente for fazer algo, que seja bem feito. Que a gente, ao menos, tente. Casar (ou ficar casado) é uma dessas. Na maioria das vezes, vejo amigos que simplesmente ficaram de saco cheio de ouvir a namorada dizer que estava cansada de ser enrolada e “Não teve jeito, né?”. Meu velho, sempre tem.

Já li alguns artigos sobre não sabermos lidar direito com a pós-modernidade. Tudo etéreo demais, sabe? E reconheço: é cada vez mais difícil manter-se em algo tão concreto quanto um casamento. Mas vou te dizer, é bom, viu? (E vale a pena). Não acho que seja para todos, mas acredito que muitos perdem a oportunidade de partilhar algo massa com alguém por falta de hombridade ou preguiça do “Se for fazer, que seja bem feito”.

Outro dia, um amigo mais novo, que namora já há uns quatro anos, me perguntou: “Casar é difícil, né?”. Não, meu caro. Casar é fácil. Difícil é ficar casado. Postei isso no Facebook e recebi comentários do tipo: “Não acho que ficar casado é difícil, é muito gostoso!” (e escrevi sobre isso).

Claro que é gostoso. É incrível. Eu, pelo menos, acho sensacional a ideia de compartilhar minha vida com alguém. Alguém que não tem a obrigação de me fazer feliz, nem o contrário, mas alguém que quero partilhar da minha felicidade e de quem já sou. Ter alguém, diferente de você, para te ajudar a crescer, pensar coisas diferentes, novas visões, novos sonhos. É uma das experiências mais sensacionais que tenho vivido nos últimos tempos. Mas é difícil, cacete.

Assim como andar de skate. Tenho um long e, vez ou outra, me arrisco em calçadões, ruas pouco movimentadas, parques e ladeiras. A descida é uma delícia que só. Mas a gente cai. Se rala, estraga o ombro, abre um rombo no joelho. E, mesmo quando tudo vai bem, ao final da descida é preciso colocar aquele trambolho debaixo do braço e subir a ladeira novamente (e sem analogias com sua esposa ser o trambolho, pelamor, hein).

Mas não queremos ralar o joelho. Não queremos encarar a ladeira. Temos medo, inclusive, de descê-la. E, assim, acabamos nos enroscando em outros relacionamentos, já que o nosso não é uma eterna descida de skate. Escondemos essas passeadas por outras ciclovias (digamos assim), para que o nosso calçadão, lá em casa, continue achando que está tudo bem. Mas não está. O acordo não era esse, mesmo que você não goste do acordo.

Antes de casar, falta a convicção. Depois, falta a coragem de manter-se nele ou de jogar a honestidade. Seja de assumir que você gosta mais de bicicleta do que de skate, seja para dizer que você não quer escolher nenhum dos dois, apenas ter delírios de jogar futebol. Mas são escolhas, e não dá pra ter tudo. Escolher casar é escolher abrir mão de muitas outras coisas. Escolhi isso, e escolhi fazer bem feito. (Pelo menos é o que tento).

Anúncios

3 Respostas para “Casar é bom e a gente gosta

  1. Simplesmente na “mosca”! …como sempre!

  2. bom texto, como sempre! ótima reflexão!

  3. Adorei, Gabriel. As ideias, as metáforas e seu depoimento. =)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s